João Henrique de Melo Breyner Andresen (Lordelo do Ouro, Porto, 13 de Dezembro de 1920 – Porto, 25 de Junho de 1967) foi um arquiteto português, irmão da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen.
Biografia Era filho do industrial João Henrique Andresen, natural do Porto (freguesia da Cedofeita), e de Maria Amélia de Melo Breyner, natural da freguesia e concelho de Cascais.
Passa a sua infância no Porto na propriedade da família, a Casa Andresen no Campo Alegre, hoje Jardim Botânico.
Entre 1939 e 1948 frequentou o curso de Arquitectura na Escola de Belas Artes do Porto. A partir de 1948 exerceu na mesma instituição actividade docente como assistente de Urbanologia.
A 6 de maio de 1947, casou na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Cascais, com Maria Margarida de Mendonça de Sousa (Cascais, Cascais, c. 1923), doméstica, filha do engenheiro civil Luís Fernando Guerreiro de Sousa e de Margarida Maria Manuel de Mendonça, doméstica, ambos naturais de Lisboa (ele da freguesia do Coração de Jesus e ela da freguesia de São Sebastião da Pedreira).
Em 1961 vence o concurso público para professor efectivo com a dissertação Por uma cidade mais humana.
Entre 1947 e 1952 integra a Organização dos Arquitectos Modernos. Durante este período vê vários trabalhos seus publicados na revista Arquitectura.
A partir de 1964 associa-se ao arquitecto Cristiano Moreira e colabora com Januário Godinho nas suas obras em Lisboa.
Morreu a 25 de junho de 1967.
Obra miniaturadaimagem|Casa Lino Gaspar, Caxias, 1953-1955 A sua obra é influenciada pelo contexto teórico internacional dos anos 40 e pelo trabalho de Walter Gropius e Siegfried Giedion no pós-guerra. A partir da década de 1950, é visível o interesse no trabalho de Marcel Breuer e o seu conceito de casa binuclear, onde existe uma separação clara entre o espaço de dia e o espaço de noite, conceito aplicado nas suas casas de Valongo, Caxias e Figueira da Foz. As suas obras conjugam elementos da arquitectura modernista internacional com processos de construção comuns na construção vernacular, como a pedra ou a telha.
Está entre os primeiros arquitectos portugueses a participar em concursos internacionais, com o projecto para concurso a Casa Canadiana do Futuro, situação pioneira que contribui para a voltar a inserir a arquitectura portuguesa na produção contemporânea internacional, que irá ocorrer em pleno a partir da década de 1970. miniaturadaimagem|Pousada de Valença, 1954-1963 Na sequência da sua contratação para a realização da Pousada de Valença em 1954 por parte da DGEMN, vê vários dos seus anteprojectos recusados por não se integrarem na visão tradicionalista e pitoresca que o cliente queria para as pousadas, num processo tumultuoso que se arrastaria até 1963.
Mar Novo miniaturadaimagem|Palácio da Justiça de Lisboa, com Januário Godinho, 1962 Integrou, com o pintor Júlio Resende e o escultor Salvador Barata Feyo (vindos da Escola de Belas Artes do Porto), a equipa que venceu o concurso para o Monumento ao Infante D. Henrique em Sagres, em 1956, com um projecto designado Mar Novo, que não foi concretizado. Salazar recusou o resultado do concurso, como tinha feito já várias vezes com anteriores propostas de outros artistas, e comunica que o Conselho de Ministros havia decidido não construir a obra. Em vez disso, seria edificada em Lisboa uma reprodução, definitiva e em pedra, da escultura inicialmente prevista para ser exibida apenas durante a Exposição do Mundo Português, em 1940, o Padrão dos Descobrimentos.
Dois anos depois (em 1958) Sophia de Mello Breyner Andresen, deu ao seu livro de poesia o mesmo nome. Chocada com a injustiça da decisão que afeta o irmão, e que considera política, deposita no livro um ato de revolta e insurreição. O caso tem sido até, por vezes, associado à morte prematura do arquiteto, aos 46 anos. Mas o enfarte agudo só acontece em junho de 1967, nove anos depois do episódio com «Mar Novo».
Cronologia 1948 - Casa em Lamego 1950 - Casa Ruben A., Carreço 1953 - Casa de Valongo 1953-1955 - Casa Carlos Lino Gaspar, Caxias 1954 - Projecto para o concurso A Casa Canadiana do Futuro 1954-1963 - Pousada de Valença 1956-1958 - Casa Lino Gaspar, Figueira da Foz 1957-1957 - Projecto para o Concurso para o Monumento ao Infante D. Henrique em Sagres (não edificado) 1958 - Casa Richard Wall, Porto 1962 - Mercado de Viana do Castelo 1962 - Clube Inglês, Campo Alegre, Porto 1962 - Palácio da Justiça de Lisboa, com Januário Godinho 1963 - Subestação UEP, Amieira 1963 - Casa Campos Costa, Rua Guerra Junqueiro, Porto 1964 - Anteprojecto para a Câmara de Viana do Castelo 1964 - Sede da Sogrape, Vila Nova de Gaia
Urbanismo Anteplanos de urbanização de Sernancelhe (1951), Penacova (1952) Planos de desenvolvimento turístico da Quinta da Marinha em Cascais (1961), Ponta da Piedade em Lagos (1963); Reis Magos na Madeira (1964) Planos de Pormenor para a Federação das Caixas de Previdência de Ramalde no Porto (1949), Bragança (1955), Cabo Mor em Vila Nova de Gaia (1957) e Bairro do Viso no Porto (1959)
Ligações externas
Categoria:Portugueses de ascendência dinamarquesa Categoria:Portugueses de ascendência alemã Categoria:Portugueses de ascendência francesa Categoria:Família Andresen Categoria:Família Burnay Categoria:Naturais do Porto Categoria:Alumni da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto Categoria:Arquitetos de Portugal