alt=Conjunto de cachoeiras caindo sobre paredões de rocha basáltica escura, em dois degraus sequenciais, rodeado por vegetação de floresta.|miniaturadaimagem|Perfil basáltico da Província Magmática do Paraná, nas Cataratas do Iguaçu, Brasil/Argentina. thumb|253px|Lavas basálticas escuras do Erta Ale, um vulcão em escudo da Etiópia. thumb|253px|Pedreira de basalto colunar (Sheepeater Cliff, Yellowstone). thumb|253px|Castellfullit de la Roca, em Gerona (Espanha), uma povoação construída sobre colunas basálticas. O basalto é uma rocha ígnea eruptiva (magmática) de composição máfica, por isso rica em silicatos de magnésio e ferro e com baixo conteúdo em sílica, que constitui uma das rochas mais abundantes na crosta terrestre.Basalt, Nationalencyklopedin . Consultado a 10 de outubro de 2011. É uma rocha de granulação fina, coloração escura, matriz afanítica, frequentemente com textura porfírica, com fenocristais de olivina, augite e plagioclase, e uma matriz cristalina fina. Como minerais acessórios encontram-se, principalmente, óxidos de ferro e titânio. Ocasionalmente encontram-se basaltos com matriz vítrea, denominados sideromelanos, com raros cristais ou mesmo sem eles. O basalto, pela sua dureza e resistência à meteorização, é explorado para a produção de alvenarias e de agregados de construção civil e como rocha ornamental para revestimentos e calçadas. A produção de fibras de basalto é uma indústria em expansão.
O basalto é similar, em composição e origem, a rochas ígneas máficas como a diabase, o gabro e o andesito. O basalto também ocorre nas superfícies da Lua, de Marte e de Vênus, assim como em alguns meteoritos.
Descrição Basalto é, por definição assente no diagrama QAPF (diagrama de Streckeisen), uma rocha ígnea afanítica (de grão fino) com geralmente 45-55% de sílica (SiO2) e menos de 10% de minerais feldspatoides por volume, e onde pelo menos 65% do volume da rocha é constituído por feldspato na forma de plagioclase. Os basaltos são o tipo mais comum de rocha vulcânica na Terra, sendo um componente chave da crusta oceânica e a principal rocha constituinte da generalidade das ilhas oceânicas, incluindo a Islândia, os Açores, a Madeira, as Canárias, Cabo Verde, Reunião e as ilhas do Hawaii. Os basaltos apresentam em geral uma matriz de grãos muito finos, ou mesmo de vidro vulcânico, intercalada com grão minerais visíveis a olho nu, os fenocristais. A densidade média é de 2,8-3,0 g/cm3.
O basalto é definida pelo seu conteúdo mineral e textura, sendo que descrições físicas sem contexto mineralógica podem não ser confiáveis em algumas circunstâncias. O basalto é geralmente de coloração cinzenta-escura a preta, mas meteoriza rapidamente para castanho ou vermelho-ferrugem devido à oxidação dos seus minerais máficos (ricos em ferro) em hematite e outros óxidos e hidróxidos de ferro. Embora geralmente caracterizadas como "escuras", as rochas basálticas exibem uma ampla gama de colorações devido a processos geoquímicos regionais. Devido à meteorização ou à presença de altas concentrações de plagioclase, alguns basaltos podem ser bastante claos, superficialmente semelhantes a andesitos para os olhos não treinados.
O basalto tem uma textura mineral de grão fino devido à rocha em fusão sofrer um arrefecimento rápido demais para permitir o crescimento de grandes cristais minerais. Apesar disso, muitas vezes é porfirítico, contendo cristais grandes (fenocristais) formados antes da extrusão que trouxe o magma à superfície, incorporados numa matriz de granulometria fina. Estas fenocristais são geralmente de olivina ou de uma plagioclase rica em cálcio, materiais que apresentam as mais altas temperaturas de fusão entre os minerais que podem cristalizar a partir do material em fusão.
O basalto com textura vesicular é conhecido como «basalto vesicular» quando a maior parte do volume da rocha é sólido, mas é designado por «escória» quando as vesículas ocupam mais de 50% do volume. Esta textura resulta da libertação dos gases dissolvidos no magma, os quais ao saírem da solução formam bolhas à medida que o magma descomprime ao atingir a superfície, mantendo-se as bolhas aprisionadas na lava, que endurece antes de os gases poderem escapar.
O termo «basalto» é por vezes aplicado a rochas intrusivas hipabissais, ou rochas subvulcânicas, com uma composição típica dos basaltos, mas, apesar desta similaridade em composição, estas rochas apresentam uma matriz fanerítica (grosseira) e são geralmente referidas como diabase (também conhecido como dolerite) ou, quando apresente grandes fenocristais (cristais com mais de 2 mm de diâmetro), como gabro. O gabro é frequentemente comercializado sob o nome de «granito negro».
Nas eras Hadeana e Archeana e no baixo Proterozoico, a composição química dos magmas que alimentaram as erupções vulcânicas dessas eras da história da Terra era significativamente diferente da predominante na actualidade, devido à imaturidade da diferenciação crustal e da astenosfera. Estas rochas vulcânicas ultramáficas, com conteúdo de sílica (SiO2) abaixo dos 45% são geralmente considerados como komatiitos. Etimologia A palavra "basalto" deriva do latim tardio basaltes, uma variante do latim basanites "pedra muito dura", que fora importada do grego clássico βασανίτης (basanites), de βάσανος (basanos, "pedra de toque"), termo talvez originário da língua egípcia bauhun, "laje". A aplicação do termo na moderna petrologia, no sentido de basalto descrever uma rocha derivada de lava e com uma determinada composição mineralógica, deve-se a Georgius Agricola que em 1556 utilizou a designação na sua famosa obra sobre minas e mineralogia intitulada De re metallica, libri XII. Agricola utilizou "basalto" para descrever a rocha vulcânica negra da colina de Schloßberg (a Colina do Castelo) em Stolpen, Alemanha, acreditando que se tratava da mesma "pedra muito dura" descrita por Plínio, o Velho em sua História NaturalPlínio, o Velho, Naturalis Historiae. Livro 36, secção 11 (Loeb Classical Library). na passagem em que afirma «Os egípcios também descobriram na Etiópia o que designam por basanites, uma rocha que pela coloração e dureza se assemelha ao ferro: daí o nome que lhe deram.» Contudo, acredita-se que a rocha referida era um grauvaque, uma rocha sedimentar sem relação com o basalto.
Formas e ocorrência O basalto cobre cerca de 70 % da superfície terrestre, superando em área recoberta todas as demais rochas ígneas juntas.Francis y Oppenheimer, 2003, p. 35 Esta rocha é particularmente abundante nos fundos oceânicos já que forma a camada superior da crusta oceânica (sem contar os sedimentos que a cobrem em parte). Em contextos científicos este tipo de basalto é designado por MORB, uma abreviatura de mid-ocean ridge basalt em inglês, designação genérica aplicada aos basaltos que se originam nas dorsais meso-oceânicas e que constituem as camadas superiores da crusta oceânica. Para além da crusta oceânica ordinária existem grandes extensões predominantemente de basalto designadas por trapps, que podem cobrir milhares de quilómetros quadrados,Flood Basalts, Oregon State University (em inglês). Consultado a 8 de Outubro de 2011. com escoadas individuais com volumes de mais de 2000 km³.Flood basalts, mantle plumes and mass extinctions, The Geological Society (em inglês). Consultado a 8 de outubro de 2011. Alguns dos principais trapps encontram-se na bacia do Paraná, na Sibéria, da meseta do Decão, no Carru e na bacia do rio Columbia. Outras zonas onde ocorre o basalto é em arcos vulcânicos continentais e insulares e em ilhas oceânicas.Hall, 1993, pp. 292-293
Ao atingir a superfície durante uma erupção vulcânica, o basalto atinge temperaturas entre 1100 e 1250 °C. Em forma de lava, o basalto flui relativamente fácil podendo formar vulcões em escudo, os quais são essencialmente compostos desta rocha. A fluidez do basalto deve-se ao seu baixo conteúdo de sílica, que permite que escoadas de basalto avancem mais de 20 km e os gases do magma escapem sem chegar a formar colunas eruptivas.VHP Photo Glossary: Basalt, USGS (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2012.
O basalto pode ocorrer em variadas formas como lava, nuvens ardentes, em lahars ou fluxos de lodo, hialoclastites, como piroclastos e cinzas.Macdonald, Gordon A. (1967) (em inglês). «Forms and structures of extrusive basaltic rocks». In: Hess, H. H. y Poldervaart, Arie (eds.) Basalts: the Poldevaart treatise on rocks of basaltic composition. Vol. I. Interscience Publishers. Quando o basalto ocorre em forma de lava, pode tomar a forma de lava em almofada, lava Aa, lava pahoehoe e formar tubos de lava.Francis y Oppenheimer, 2003, pp. 149-154
Um magma basáltico que cristaliza num dique forma o equivalente subvulcânico do basalto, a diabase, enquanto que se o mesmo magma cristaliza numa câmara magmática se forma um gabro, o equivalente plutónico do basalto.basalt Den Store Danske Encyklopædi (em dinamarquês). Consultado a 15 de dezembro de 2011.
Basalto extraterrestre thumb|250px|Basalto em forma de lava fundida e sólida. O basalto também ocorre na superfície de outros corpos do sistema solar, como Marte,Cousins, C.R. y Crawford, I.A. (2011) (em inglês). «Volcano-Ice Interaction as a Microbial Habitat on Earth and Mars». Astrobiology, 11(7) Vénus ou a Lua, onde cobre aproximadamente 17 % da superfície. O basalto lunar apresenta algumas diferenças em relação ao terrestre, entre elas um conteúdo maior de ilmenite. Alguns meteoritos do tipo acondrítico são constituídos por basaltos, o que evidencia actividade vulcânica no corpo celeste no qual se originaram. Existem acondritos basálticos que derivam da Lua, enquanto que outro grupo de acondritos basálticos chamadas «shergottitas» são provenientes da superfície de Marte.Gill, 2010, pp. 58-59
Química e mineralogia thumb|250px|Basalto vesicular de Sunset Crater, Arizona (Estados Unidos). thumb|250px|Tetraedro basáltico: modelo de classificação das rochas basálticas.
thumb|250px|Diagrama QAPF com o campo basalto/andesito destacado em amarelo. O basalto se destingue do andesito por possuir menos de 52% de SiO2. O basalto é uma rocha de coloração escura a muito escura (melanocrática a holomelanocrática), rica em ferro e magnésio. Comparada com outras rochas ígneas, o basalto tem um baixo conteúdo em sílica.basalt, Encyclopædia Britannica Academic Edition (em inglês). Consultado a 10 de outubro de 2011. Ainda que o basalto possa ocorrer na forma de vidro, sem ou com muito poucos cristais, em geral contém fenocristais de olivina, augite e plagioclase.Basalt Store norske leksikon . Consultado a 9 de outubro de 2011. Os basaltos em geral têm uma textura porfírica com os fenocristais anteriormente mencionados e uma matriz cristalina fina.
As várias tipologias de basalto podem ser representadas, com boa aproximação, no «tetraedro basáltico»Yoder, H.S. & Tilley, C.E. (1962). "Origin of basalt magmas; an experimental study of natural and synthetic rock systems". Journal of Petrology 3(3): 342-529. (ver figura) em função do seu grau de saturação em sílica. Naquele gráfico, os basaltos são classificados com base nos minerais que contenham e a divisão entre as várias categorias distribuídas pelos planos de saturação e sub-saturação. O plano de sub-saturação, com vértices Di-Ab-Fo é uma barreira térmica que, em qualquer condição de pressão, subdivide os basaltos em dois grupos que apresentam evolução diferente, tendendo a diferenciar-se sempre cada vez mais. O plano de saturação, com vértices Di-Ab-En por sua vez é uma barreira térmica apenas nas baixas pressões, sendo assim possível que um basalto olivínico evolva transformando-se num basalto toleítico.