A figuinha-de-rabo-castanho (Conirostrum speciosum) é uma espécie de ave passeriforme da família Thraupidae. É encontrada em uma vasta área da América do Sul, incluindo Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela.
Habita principalmente florestas tropicais e subtropicais úmidas de baixa altitude, florestas de várzea, bordas de florestas e florestas secundárias. A espécie está classificada como pouco preocupante pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), devido à sua ampla distribuição geográfica e população estável.
O nome figuinha-de-rabo-castanho foi selecionado como nome vernáculo técnico para a espécie pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) em 2021.
Descrição
A figuinha-de-rabo-castanho é uma ave pequena, medindo entre 10 e 11 centímetros de comprimento e pesando cerca de 8 a 9 gramas. Apresenta dimorfismo sexual evidente na plumagem.
O macho adulto possui a cabeça, pescoço e dorso de coloração cinza-azulada, com tons mais escuros na região da coroa. O abdômen, flancos e região inferior da cauda (crisso) apresentam coloração castanha característica, que dá nome à espécie. A garganta e peito são brancos ou esbranquiçados. As asas e cauda são de tonalidade cinza-escura.
A fêmea possui plumagem mais discreta, com dorso verde-oliva, cabeça azul-acinzentada e partes inferiores amareladas ou esbranquiçadas. O crisso castanho também está presente, embora menos intenso que no macho.
Ambos os sexos possuem bico cônico e pontiagudo, característico do gênero Conirostrum, adaptado para capturar insetos e perfurar flores em busca de néctar. Os olhos são escuros e as pernas acinzentadas.
Distribuição geográfica e habitat
A figuinha-de-rabo-castanho possui uma distribuição ampla na América do Sul, sendo encontrada em grande parte da bacia amazônica e regiões adjacentes. Ocorre desde o leste da Colômbia e sul da Venezuela, passando pelas Guianas, Suriname, Guiana Francesa, norte e centro do Brasil, leste do Peru, norte da Bolívia, até o nordeste do Paraguai e nordeste da Argentina (província de Misiones).
No Brasil, a espécie é registrada principalmente na região amazônica, incluindo os estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e norte do Mato Grosso. Também há registros no Maranhão e Tocantins.
A espécie habita preferencialmente o dossel e estratos médios de florestas tropicais e subtropicais úmidas de baixa altitude, geralmente até 700 metros de altitude, podendo ocasionalmente ser encontrada até 1.100 metros. É comum em floresta de várzea, floresta de igapó, bordas de florestas, clareiras, matas ciliares e florestas secundárias.
A área de ocorrência estimada da espécie é de aproximadamente 13.200.000 km².
Taxonomia
A figuinha-de-rabo-castanho foi originalmente descrita pelo naturalista neerlandês Coenraad Jacob Temminck em 1824 sob o nome científico Sylvia speciosa. Posteriormente, foi transferida para o gênero Ateleodacnis e, finalmente, para o gênero Conirostrum, onde permanece atualmente classificada.
O nome do gênero Conirostrum deriva do latim conus (cone) e rostrum (bico), em referência ao formato cônico característico do bico das espécies deste gênero. O epíteto específico speciosum vem do latim speciosus, que significa "esplêndido" ou "belo", referindo-se à plumagem vistosa da espécie.
Por muito tempo, a espécie e todo o gênero Conirostrum foram classificados na família Fringillidae (tentilhões). No entanto, estudos moleculares e filogenéticos realizados nas últimas décadas demonstraram que o gênero Conirostrum pertence à família Thraupidae (sanhaços e saíras), onde está atualmente posicionado.
Subespécies
São reconhecidas três subespécies de Conirostrum speciosum:
C. s. speciosum (Temminck, 1824) - subespécie nominal. Ocorre no leste da Colômbia, sul da Venezuela, Guianas, Suriname, Guiana Francesa, norte e nordeste do Brasil (região amazônica), leste do Peru e norte da Bolívia.
C. s. amazonum (Hellmayr, 1917) - ocorre no oeste da bacia amazônica, incluindo centro-sul da Colômbia, leste do Equador, nordeste do Peru e noroeste do Brasil (oeste do Amazonas).
C. s. guaricola (Phelps & Phelps Jr., 1949) - ocorre no centro-norte da Venezuela, na região dos Llanos.
As subespécies apresentam pequenas variações na tonalidade da plumagem, particularmente na intensidade do azul-acinzentado do dorso e na extensão da coloração castanha do abdômen.
Comportamento
A figuinha-de-rabo-castanho é uma ave diurna e arborícola, encontrada principalmente no dossel e estratos médios da floresta. É uma espécie ativa e inquieta, movimentando-se constantemente entre os galhos e folhagens em busca de alimento.
Geralmente é observada solitária, em pares ou em pequenos grupos familiares. Frequentemente integra bandos mistos com outras espécies de aves de sub-bosque e dossel, como furnariídeos, outros traupídeos e tiranídeos.
Alimentação
A dieta da figuinha-de-rabo-castanho é composta principalmente por pequenos artrópodes, incluindo insetos e aranhas, que captura nas folhas, galhos e flores. Também se alimenta de néctar, perfurando a base de flores tubulares com seu bico pontiagudo. Esta alimentação mista de insetos e néctar é característica do gênero Conirostrum.
A espécie forrageia ativamente percorrendo os galhos e examinando cuidadosamente as folhas, flores e pequenos ramos. Ocasionalmente realiza voos curtos para capturar insetos em movimento.
Reprodução
Informações sobre a reprodução da figuinha-de-rabo-castanho são limitadas. O período reprodutivo varia conforme a região geográfica, geralmente coincidindo com a estação chuvosa.
O ninho, quando descrito, é uma pequena estrutura em forma de xícara, construída com fibras vegetais, raízes finas, musgos e líquens, geralmente posicionado em bifurcações de galhos finos no dossel ou sub-dossel.
A postura consiste tipicamente de dois ovos, de coloração esbranquiçada ou creme com manchas castanhas. Não há informações detalhadas sobre o período de incubação e o desenvolvimento dos filhotes.
Vocalização
A vocalização da figuinha-de-rabo-castanho consiste em chamados agudos e curtos, descritos como "tsip" ou "tsi-tsi-tsi", emitidos frequentemente enquanto se alimenta. O canto é uma sequência rápida e estridente de notas agudas.
Conservação
A figuinha-de-rabo-castanho está classificada como pouco preocupante (Least Concern) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Esta classificação é justificada pela ampla distribuição geográfica da espécie, que abrange mais de 13 milhões de km², e pela população que, embora não quantificada com precisão, é considerada estável.
A espécie não enfrenta ameaças significativas em nível global, sendo relativamente comum e bem distribuída em seu habitat preferencial. No entanto, como muitas aves florestais amazônicas, pode ser localmente afetada pelo desmatamento e fragmentação de florestas, especialmente nas bordas sul e leste da Amazônia.
No Brasil, a espécie não consta nas listas de fauna ameaçada de extinção.
Nomes comuns
Além do nome técnico figuinha-de-rabo-castanho, a espécie é conhecida por outros nomes populares em diferentes regiões do Brasil:
sebinho-de-crisso-castanho pula-pula vira-folhas figuinha-bicuda (no estado do Rio de Janeiro)
Em outros países de língua espanhola, é conhecida como conirrostro de vientre castaño (Colômbia, Venezuela), mielerito de vientre castaño (Peru), pico de cono de vientre castaño (Argentina), picocono de pecho castaño (Equador) e pico-cono ventricastaño (Bolívia).
Em inglês, é chamada de chestnut-vented conebill.
Referências
Ligações externas
Categoria:Conirostrum Categoria:Aves descritas em 1824 Categoria:Aves do Brasil Categoria:Aves da Amazônia Categoria:Aves da Argentina Categoria:Aves da Bolívia Categoria:Aves da Colômbia Categoria:Aves do Equador Categoria:Aves de Guiana Categoria:Aves da Guiana Francesa Categoria:Aves do Paraguai Categoria:Aves do Peru Categoria:Aves do Suriname Categoria:Aves da Venezuela