miniaturadaimagem|Estátua de Borba Gato em Sabará, Minas Gerais Manuel de Borba Gato (São Paulo dos Campos de Piratininga, 1649 – Nossa Senhora da Conceição do Sabará, 1734) foi um juiz ordinário e bandeirante paulista, tendo iniciado suas atividades com o sogro, Fernão Dias Paes.

Atribui-se a ele a descoberta de ouro em Minas Gerais, inicialmente um segredo, que ao ser descoberto, desencardeou uma série de conflitos entre paulistas contra outros grupos que desejavam explorar a região.

Biografia Filho de João de Borba Gato e Sebastiana Rodrigues, casou-se em 1670 com Maria Leite, filha do bandeirante Fernão Dias Paes Leme e de sua esposa Maria Betim.

Da união, nasceram três filhas que casariam com portugueses provenientes do Reino, aliás três Franciscos: Francisco Tavares, Francisco de Arruda, Francisco Duarte de Meireles, este da Ilha de São Miguel nos Açores. E retornaram a Portugal, pois dizem as crônicas que «quando rebentou a guerra dos Emboabas, Borba consentiu que Sr. Arruda (cunhado de Leonardo Nardes que com ele descobrira o ribeirão de Pirapetinga no Caeté, como se lê na sesmaria de Nardes doada em 23 de abril de 1711) e Sr. Tavares se repatriassem, acrescentando-lhes o cabedal em ouro ao que já tinham e recomendando-os ao Rei». Consta que compraram na ilha de São Miguel ricas propriedades e fundaram morgadios. O sobrinho deles, que permaneceu no Brasil casado com a filha caçula de Sr. Borba, Duarte de Meireles, tomaria posteriormente o mesmo destino.»

A irmã de Borba, Ana Borba, casou com Pedro Correia de Godói, e foram povoadores da região do ribeirão de São Miguel do Carmo. Na crise de 1702, decorrente da cobrança de impostos pela criação da Intendência das Minas por Portugal, instalaram-se à margem do rio de Miguel Garcia, sítio dito do Gualacho (corruptela de Iguarachue ou "poço do carumbé quebrado" — o carumbé era uma espécie de tartaruga: comida pelos indígenas, estes quebravam as suas cascas e as depositavam num poço cercado) —.

Ignora-se onde foi sepultado, talvez na Capela de Santo Antônio de Mouraria, demolida em 1920, ou na Capela de Santana, ambas do arraial velho de Sabará, ou ainda, segundo alguns autores, em Paraopeba onde tinha um sítio.

Empreendimentos na bandeira do sogro A pedido do governador-geral do Estado do Brasil, Afonso Furtado de Castro do Rio de Mendonça (1610–1675), Fernão Dias Paes realizou de 1674 a 1681, uma bandeira em busca da mítica serra do Sabarabuçu, jazida de esmeraldas e de prata. Borba Gato, extraordinário desbravador de sertões, o acompanhou, assim como Matias Cardoso de Almeida e outros bandeirantes.

O assassinato do fidalgo Após a morte do sogro, por ocasião da ida do administrador-geral das Minas, D. Rodrigo de Castelo Branco, à região das Minas Gerais, desentendeu-se com o fidalgo, parece que o emboscou e assassinou no caminho que levava ao arraial do Sumidouro, em 28 de agosto de 1682. Pelo crime, como era costume, evadiu-se — era castigado bastante naqueles tempos —. Fugiu para a região desconhecida ainda do Vale do rio Doce, onde se ocultou de 1682 a 1699, tendo, segundo relatos, chegado até a foz do rio Piracicaba, atual município de Ipatinga.

No verbete sobre D. Rodrigo de Castelo Branco se lê: "A 26 de junho de 1681 Garcia Rodrigues Pais deu a D. Rodrigo em manifesto as pedras verdes (128 oitavas, em saco lacrado) que o pai descobrira no rio dos índios Mapaxós (ou iguais às que os Azeredos tinham tirado no rio dos Pataxós). Desta apresentação lavrou-se auto escrito por João de Moura. Emissários de Matias Cardoso de Almeida como «capitão-mor da entrada de D. Rodrigo» já anunciavam a chegada próxima deste à feitoria de Santana do Paraopeba, como «administrador geral das minas descobertas e por descobrir.»" Um intruso, na opinião daqueles paulistas que levavam anos nos sertões. De qualquer jeito, D. Rodrigo quis comprar de Garcia mantimentos e roças, que este colocou à disposição e com o espírito de renúncia que caracterizara a personalidade do pai, e dividiu com ele as esmeraldas… D. Rodrigo partiu para o Sumidouro, onde se deteria para colher informações, e Garcia para São Paulo.

Garcia fora mandado buscar por Francisco João da Cunha no arraial do Sumidouro, onde se encontrava doente da maleita que dizimara a tropa e matara seu pai, conforme se lê na sua patente de 14 de julho de 1694 para capitão do forte de Santa Maria da Barra. No dia 28 de junho, D. Rodrigo despachou seu auxiliar, o militar Francisco João da Cunha para São Paulo, para levar as pedras. Borba Gato estaria acampado a légua e meia — retrocedendo ao saber de sua chegada para saudar parentes e amigos —. Havia sete anos estava ausente de São Paulo, distante da mulher e das filhas. Era o sucessor de Fernão Dias Pais, que tivera provisão anterior e também muito legítima de governador de sua leva e dos distritos de seus descobrimentos e conquistas. Borba Gato deve ter entendido a jurisdição de D. Rodrigo à letra do Regimento que a prorrogava somente para as minas existentes no sertão que ele mesmo descobrisse. As do Sabaraboçu estando descobertas, o governo delas pertencia ao chefe da bandeira legalmente investido por quem o podia investir. Tanto que na ordem real pela que fora investido D. Rodrigo o rei declarou que não seria exautorado Fernão Dias Pais, mas pelo contrário devia ser atendido e respeitado. E demonstrou-se gabola e fanfarrão D. Rodrigo, gabando-se de familiar do Príncipe-Regente e de sua influência na corte; os paulistas se remoendo de inveja, criado o aborrecimento suplementar… Borba Gato decerto teria dito que não obedeceria à investidura indefinida do administrador, quando ele representava a especial e certa de Fernão Dias Pais; que nem respeitaria a posse dada por Garcia a D. Rodrigo no Paraopeba, tampouco entregaria o descobrimento do Sabaraboçu. E D. Rodrigo foi por isso adiando a partida e adiando decisões…

Os pormenores sobre o assassinato do fidalgo D. Rodrigo de Castelo Branco por Borba ou seus sequazes estão no verbete a ele dedicado.

Informação da Câmara de São Paulo ao rei Em 2 de novembro de 1682 os oficiais da Câmara de São Paulo escrevem ao rei, «numa linguagem sibilina sem nada esclarecer» dão conta do sucedido com Borba Gato, paulista que estava no sertão das esmeraldas e no arraial do Sumidouro, e o qual, observando a inação de D. Rodrigo de Castelo Branco, sem se aplicar em fazer entradas para descobrir o desejado fim para que fora despachado com tantas honras e mercês, com alguma liberalidade lhe estranhara o amortecimento em que se conservava, aplicando-se só a mandar fazer caçadas de aves e animais terrestres para o regalo e grandeza de sua mesa; travando-se de razões menos comedidas, Borba se precipitou tão arrebatado de furor que deu em D. Rodrigo violento empurrão e o deitou ao fundo de uma alta cata, na qual caiu morto. Outra versão imputava o assassinato a dois criados de Borba Gato.

A 25 de novembro a notícia da morte foi também dada ao reino pelo governador do Rio: Duarte Teixeira Chaves comunica ao Príncipe Regente que mataram o administrador Geral numa emboscada na estrada do Sumidouro.

A fuga para o sertão Borba Gato fugiu e viveu foragido muitos anos nos sertões do rio Piracicaba ou rio Doce tendo atingido a região onde estes dois rios se encontram, local em que hoje está o município de Ipatinga, MG. Teria descoberto também o ouro do Rio das Velhas. Entre o Sumidouro e a atual Sabará, era o posto da Roça Grande, abundante de ouro… anos depois!

O perdão Tem data de 15 de outubro de 1698 carta patente com o perdão e o posto de lugar-tenente. Borba Gato. Ao encontrar com o governador Artur de Sá e Menezes que viera às minas, Borba disse-lhe que «dignando-se prometer perdão em nome do rei, ele iria patentear-lhe minas tão abundantes de ouro que seriam uma nova fonte de riqueza para a coroa e prosperidade para seus vassalos», tendo-o guiado à região do rio das Velhas. Mesmo evadido, Borba Gato nunca teria realmente perdido contacto com seus parentes em São Paulo e por eles negociou o perdão régio em troco de revelar as ricas faisqueiras descobertas nos ribeiros e serras de Sabará.

Após 1698, investido de funções de Tenente-general do Mato, começou a organizar as arrecadações e a pôr ordem na vida das desmanchadas populações de aventureiros. O Códice Costa Matoso, documento de 1730, diz: «A Justiça que achei nestas Minas de Sabará foi o Tenente-General Borba Gato, que era superintendente destas minas, homem paulista. Repartiu as lavras de ouro por sortes de terra e veios d'água, como mandava o Regimento, confiscava todos os comboios do sertão, boiadas, cavalos e negros. E tudo o mais que apanhava, tudo confiscava, até o ouro que ia para os sertões da Bahia se arrematava para o Rei. Essa era a ocupação que tinha Borba. Também havia contendas e como juiz supremo deferia a todos com muito agrado e desejava favorecer os confiscados. Tinha meirinho e escrivão e muita gente para as diligências do confisco.»

Consta que em 1693 Borba Gato, o Padre João de Faria Fialho, Pedro de Avos e Antônio Gonçalves Viana exploravam também os tabuleiros auríferos na região dos rios Grande, das Mortes e Sapucaí.

A riqueza no rio das Velhas era tal que levou Borba Gato a enviar amostras ao Governador Artur de Sá e Menezes em São Paulo, para obter ser isento da acusação em troca da revelação das jazidas. Por isso em 6 de março de 1700 receberá nomeação como «Guarda-mor do distrito das Minas do Rio das Velhas», esperando até que o Governador viesse proceder à repartição dos lotes em abril de 1701.

Reaparição como a grande figura do Rio das Velhas Em 1700 reapareceu nas Minas, com a intenção de negociar com o governo o arquivamento do seu processo em troca da revelação dos locais onde existiriam as jazidas de ouro do rio das Velhas e da serra do Sabarabuçu. Apresentou, assim, ao governador da Capitania de São Paulo e Minas Gerais, Artur de Sá e Menezes amostras desse ouro, regressando a seguir para a região do rio das Velhas, (atual Sabará) em companhia de seus genros Antônio Tavares e Francisco de Arruda.

A Provisão Régia de 6 de março de 1700 nomeou-o Guarda-mor desse distrito do Rio das Velhas, «esperando que o governador Artur de Sá e Menezes viesse reparti-lo pessoalmente em abril de 1701. As guardas-morias eram as únicas autoridades necessárias e com razão de ser, pois nas Minas a primeira propriedade nelas constituída nenhuma outra origem teve senão a título de datas minerais. Tendo Borba Gato subido em 1699 e supondo Artur de Sá e Menezes que estivesse para o Sumidouro, arraial já existente na zona, e de fundação sua, explica-se a confusão do Rio das Velhas com o Sumidouro, nome certo e dominante naquelas paragens. Por esta e outras provisões se deduz que as minas dos Cataguases eram as da região adentro da Itaverava, únicas conhecidas; as de Miguel Garcia e do Ribeirão do Carmo.