miniaturadaimagem|Bandeiras dos estados da região Sudeste conforme a legislação da ordem de precedência no Brasil. Região Sudeste do Brasil é uma das cinco regiões brasileiras definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Região mais desenvolvida e populosa do Brasil, sua superfície terrestre compreende uma área de 924 620,678 km², sendo a segunda menor em extensão territorial... Boa parte de seu território está subordinada à Região geoeconômica Centro-Sul do Brasil, ao passo que o norte mineiro integra a Região geoeconômica Nordeste do Brasil. Alberga quatro unidades federadas: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Possui limites ao norte e ao nordeste, com a Bahia; ao leste e ao sul, com o oceano Atlântico; ao sudoeste, com o Paraná; ao oeste, com Mato Grosso do Sul; ao noroeste, com Goiás e com o Distrito Federal.

A região Sudeste marca o início da colonização efetiva do Brasil, após o período pré-colonial, com a fundação da primeira cidade do país: a vila de São Vicente, no atual estado de São Paulo, fundada em 1532 e onde ocorreram as primeiras eleições do continente americano. Como primeiro assentamento oficialmente instituído no território, a Capitania de São Vicente prosperou e permitiu a organização política e administrativa, além de impulsionar atividades econômicas, como a agricultura de cana-de-açúcar voltada para a exportação. Além dela, outras capitanias na atual região Sudeste foram formadas, como a do Espírito Santo, de São Tomé e a de Santo Amaro. No século XVII, os bandeirantes paulistas partiram da região em expedições que ampliaram o território e descobriram riquezas minerais, especialmente em Minas Gerais, o que atraiu grande número de colonos, mão de obra escravizada e investimentos, consolidando o Sudeste como um centro dinâmico da colônia. Em 1763, o porto do Rio de Janeiro, por onde o ouro era exportado, tornou-se a sede administrativa do Vice-Reino do Brasil. Exerceu esta condição até a fundação da nova capital da República dos Estados Unidos do Brasil, Brasília, em 1960.

A região Sudeste constitui o núcleo essencial do país, concentrando 53,3% do PIB nacional, as maiores áreas urbanas, a mais elevada densidade populacional, as maiores reservas de minério de ferro, os principais complexos hidrelétricos, a mais ampla malha de transportes terrestre e os portos de maior relevância. É, ainda, a área industrial e agropecuária mais significativa do território nacional, absorvendo 70% da força de trabalho operária e utilizando 85% da energia elétrica consumida ao nível nacional.

A topografia é bastante ondulada, com prevalência de planaltos. Apresenta um clima tropical, entre ameno e de alta temperatura, com grandes diferenças locais. Determinadas regiões possuem cobertura vegetal escassa e arbustiva; outras são revestidas por matas tropicais úmidas. A região é um verdadeiro foco de escoamento de águas. Existem diversas regiões hidrográficas, com cursos d'água descendo em inúmeros sentidos.

História

Povos indígenas, exploração portuguesa e colonização esquerda|miniaturadaimagem|Fundação de São Vicente (1900), Benedito Calixto. Os primeiros moradores da região sudeste do Brasil eram os povos indígenas, mormente os caingangues, os guaranis, os aranãs, os crenaques, os maxacalis e os tupiniquins.

Posteriormente, vieram os lusitanos. Eles realizaram expedições para entender a região e passaram a extrair o pau-brasil. Esta madeira era comum nas florestas da costa..

Os lusitanos criaram as mais antigas vilas na costa do sudeste do Brasil. A mais antiga vila criada era São Vicente. Ali começou o cultivo da cana-de-açúcar. Mais tarde, nasceram demais vilas. A colonização do interior se iniciou com a criação da vila de São Paulo de Piratininga.

Bandeirismo, tropeirismo, cultivo da cana-de-açúcar, imigração e desenvolvimento econômico e infraestrutural miniaturadaimagem|Estátua de Antônio Raposo Tavares, um dos mais famosos bandeirantes, no Museu do Ipiranga em São Paulo. Os habitantes da vila de São Paulo penetraram por intermédio do interior em busca de indígenas para prender. Eles promoveram as bandeiras. Em suas cansativas e longínquas andanças, os bandeirantes paulistas avistaram jazidas de ouro nas terras do hoje estado de Minas Gerais.

A ocupação também cresceu com a venda de animais. Os vendedores conduziram os animais do sul do Brasil para serem comercializados na região das minas. No trajeto por onde trafegavam as tropas de gado surgiram ranchos e pousadas. Estas localidades fizeram nascer vários municípios. miniaturadaimagem|Antiga sede da Bolsa Oficial do Café, em Santos, São Paulo. Novas propriedades de cultivo de cana-de-açúcar nasceram nas antigas rotas por onde acompanhavam as bandeiras. Estas propriedades fizeram surgir diversas comunas. Posteriormente, com o plantio do café, demais municipalidades nasceram.

A colonização cresceu bastante com a vinda dos imigrantes e com a construção de novas ferrovias. A implantação de fábricas também colaborou para que muitos imigrantes de demais unidades federativas e de demais nações estrangeiras chegassem a residir na região sudeste do Brasil.

Geografia miniaturadaimagem|O Pico da Bandeira, localizado entre os estados do Espírito Santo e de Minas Gerais, o ponto mais elevado do Sudeste.|esquerda esquerda|miniaturadaimagem|Serra dos Órgãos vista de Teresópolis, Rio de Janeiro. É possível distinguir quatro importantes fragmentações na geomorfologia da região sudeste do Brasil:.

Planícies e Terras Baixas Costeiras: têm alturas oscilantes, ora surgindo no formato de amplas baixadas, ora se encurtando e possibilitando o aparecimento de falésias, onde a serra do Mar ingressa retamente próximo ao oceano Atlântico. São abundantes, no decorrer da planície, várias praias e determinadas restingas, que constituem lagoas litorâneas e extensas baías. Serras e Planaltos do Leste e do Sudeste, ou planalto Atlântico, ou planalto oriental: o planalto Atlântico representa a porção mais irregular do planalto brasileiro, sendo marcado, na região sudeste, pela enorme quantidade de serras e escarpas de planalto cristalinas. Ocorre como verdadeiro paredão formado por rochas cristalinas de longa data ou como um simples “mar de morros” em terrenos desgastados. A montanha deste altiplano virada para o Atlântico forma a serra do Mar. Mais para frente, a oeste, localizamos o vale do rio Paraíba do Sul, o qual divide a serra do Mar da serra da Mantiqueira. Em direção ao norte, as altitudes se isolam da costa, originando a serra do Espinhaço. Na porção sudeste de Minas Gerais, situam-se a Serra da Canastra, já nas delimitações do planalto Meridional. Planalto Central: na parte noroeste da região, na retaguarda da Serra do Espinhaço, estão as chapadas sedimentares, já na passagem para a região centro-oeste. Ali sobressaem o Espigão Mestre, grande prolongamento plano formado por rochas de longa data e fortemente desenvolvidas pela erosão. Entre ele e a Serra do Espinhaço, localiza-se a Depressão São Franciscana, região, que possui terrenos rebaixados, atravessado por um importante rio, o São Francisco. Planalto Arenito-basáltico: compreende sucessões de rochas menos duras, como o arenito (sedimentar) e outras mais resistentes, como o basalto (vulcânica), possibilitando a formação das denominadas cuestas, acidentes da topografia que se apresentam abruptas e íngremes em uma encosta e no sentido contrário correm em leve descida. Estas cuestas são vulgarmente denominadas pela designação de serras, como, por exemplo, a serra de Botucatu. Depressão Periférica: área de ligação rasa e nivelada, que corresponde a uma canoa, dentre as serras e planaltos do leste e sudeste (de formação cristalina) e planalto Arenito-basáltico (de origem sedimentar).

Hidrografia miniaturadaimagem|Rio Tietê nos municípios de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê com a Usina Hidrelétrica de Barra Bonita ao fundo. miniaturadaimagem|Trecho do rio São Francisco entre os municípios de Ponto Chique e Várzea da Palma, em Minas Gerais. Em consequência dos seus aspectos geomorfológicos, prevalecem na região os rios de planalto, dotados de cachoeiras naturais. Dentre as diversas bacias fluviais, sobressaem:⁣.

Bacia do Paraná: o rio mais importante é constituído pela união dos rios Paranaíba e Grande. Nesta bacia, situam-se algumas das principais hidrelétricas do Brasil, como Itaipu, no rio Paraná, Cachoeira Dourada e São Simão, no rio Parnaíba, e Furnas e Volta Redonda, no rio Grande. Bacia do São Francisco: o rio mais importante nasce em Minas Gerais, na Serra da Canastra, corta a Bahia e atinge Pernambuco, Alagoas e Sergipe, no nordeste. Acolhendo alguns importantes tributários e outros pequenos, os quais vêm até a secar (rios intermitentes), o São Francisco possui enorme relevância regional, por trazer deslocamento, nutrição, eletricidade e irrigação. Em seu alto curso, que se estende da nascente até Pirapora (Minas Gerais), o rio São Francisco é irregular e inadequado para a navegação, no entanto, possui grande potencialidade hidrelétrica. A usina hidrelétrica de Três Marias foi ali erguida para normalizar o curso do rio, produzir energia elétrica e expandir o seu percurso navegável, por intermédio de eclusas que aumentam o nível das águas. Já no médio curso, que vai entre Pirapora e Juazeiro, na Bahia, o rio é completamente apropriado para a navegação. O baixo curso do rio São Francisco se situa completamente na região nordeste. Bacia do Atlântico Leste: são um grupo de bacias secundárias de vários rios que correm das serras costeiras ao Atlântico. Destacam-se as bacias dos rios Pardo, Doce e Jequitinhonha, em Minas Gerais, e Paraíba do Sul, em São Paulo e Rio de Janeiro. Bacia do Atlântico Sudeste: A região sudeste é irrigada também por estas bacias secundárias, entre as quais sobressai somente a do rio Ribeira do Iguape, no estado de São Paulo.

Clima miniaturadaimagem|Mapa climático do Sudeste de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger. A região sudeste compreende os climas tropical, tropical de altitude, subtropical e tropical semiárido.

O clima tropical prevalece no Espírito Santo, no Rio de Janeiro, no norte de Minas Gerais e no oeste paulista. Possui temperaturas altas (média anual de 22 °C) e duas estações determinadas: uma úmida, que equivale ao verão, e outra seca, que equivale ao inverno. O clima tropical de altitude, o qual aparece nas regiões mais altas do relevo, define-se por temperaturas mais amenas (média atual de 18 °C).

O clima subtropical, que ocorre no sul de São Paulo, é caracterizado por chuvas bem divididas no decorrer do ano (temperaturas médias anuais por volta de 16 °C e 17 °C) e por uma enorme amplitude térmica anual. Temos também, no norte de Minas Gerais, o clima semiárido mais cálido e menos chuvoso, abrigando estação seca anual entre quatro e cinco meses ou até mais nos vales dos rios São Francisco e Jequitinhonha.

No sudeste, como em qualquer outra região, as temperaturas passam pela decisiva força da localização geográfica, isto é, da latitude, do relevo ou altura e também da maritimidade. Deste modo, o norte de Minas Gerais e o Espírito Santo, de baixas latitudes e altitudes regulares, possuem um clima mais cálido. Já a Serra do Mar possui a maior umidade da região, porque bloqueia a transição dos ventos oriundos do Atlântico, repletos de chuva, e, por esta razão, cai chuva somente em suas encostas orientais. O litoral também é verdadeiramente mais chuvoso, como consequência da maritimidade.

Vegetação