thumb|250px|Vídeo da lava a agitar-se e a borbulhar durante a erupção do vulcão Litli-Hrútur (Islândia), em 2023. thumb|250px|Lava fresca da erupção do vulcão Fagradalsfjall na Islândia, em 2023.|alt=Lava saltando para cima, em um vulcão ativo. thumb|250px|Escoada lávica escoriácea (aa) avançando sobre lava encordoada (pāhoehoe) (Kīlauea, Havai).|alt=Lava de consistência mais densa escoando sobre lava já resfriada. thumb|250px|Jacto de lava muito fluida (que dará origem a uma escoada pāhoehoe) com 10 m de altura (Havai)|alt=Uma fonte de lava basáltica com aproximadamente dez metros de altura thumb|250px|Escoada lávica pahoehoe avançando por uma estrada em Kalapana, Hawaii.|alt=Lava basáltica em processo de resfriamento espalhadas em uma estrada no Hawaii thumb|250px|Escoada de lava entrando no mar (ilha da Reunião, 2004).|alt=imagem vista de cima de um escoamento de lava sobre o oceano thumb|250px|O Vulcão Arenal, Costa Rica, é um estratovulcão.|alt=imagem de um vulcão ativo à noite com pequenas listras de escoamento de lava em sua encosta thumb|250px|Shiprock, New Mexico, Estados Unidos: uma agulha vulcânica ao longe, com um dique radial no seu lado sul. thumb|250px|direita|Lava encordoada na Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da ilha do Pico, Lajido de Santa Luzia. thumb|250px|Lava encordoada na Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da ilha do Pico, Mistérios de Santa Luzia, Ilha do Pico, Açores. thumb|250px|Lava encordoada na Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da ilha do Pico, Mistérios de Santa Luzia, ilha do Pico, Açores thumb|250px|Lava encordoada do vulcão Kīlauea, Havai. thumb|250px|Lava em blocos no Fantastic Lava Beds próximo de Cinder Cone, no Lassen Volcanic National Park. thumb|250px|Lava em almofada no fundo do mar perto do Hawaii.
Lava (do italiano lava, derivado do latim labes: queda, declive ou penetrante) é a designação dada ao material geológico em fusão, com temperatura geralmente variando entre os 600 °C e os 1250 °C, que um vulcão expele durante uma erupção. Embora em função da sua composição e temperatura as lavas possam ter uma viscosidade superior a vezes a da água, algumas delas, particularmente as máficas, podem ser muito fluidas, o que, em conjunto com as suas propriedades de tixotropia e de pseudoplasticidade, permite que as escoadas lávicas criadas pelas erupções efusivas (não explosivas) permaneçam ativasUma escoada lávica activa refere-se a uma escoada lávica que possui ainda rocha fundida. durante períodos longos e nalguns casos percorram mais de uma dezena de quilómetros antes de solidificar. A lava deriva diretamente do magma, o material em fusão que se encontra sob a superfície da Terra, cuja composição a lava reflete, pelo que ao solidificar, depois de desgaseificar e arrefecer, forma escoadas lávicas constituídas pelas correspondentes rochas ígneas extrusivas. Descrição O termo lava é usado para designar a rocha fundida ou parcialmente fundida (diretamente derivada do magma) que é expelida do interior de um planeta telúrico (como a Terra) ou de um satélite natural para a sua superfície. A lava pode resultar da erupção de um vulcão ou ser estruída através de uma fissura na crosta, em terra (erupção subaérea) ou debaixo de água (erupção subaquática), normalmente a temperaturas de 800 °C a 1200 °C. A rocha vulcânica resultante do arrefecimento subsequente é também frequentemente designada por lava.
Uma escoada de lava é um derrame de lava que resulta de uma erupção efusiva (uma erupção explosiva, pelo contrário, produz uma mistura de cinzas vulcânicas e outros fragmentos designados por piroclastos (ou tefra), e não escoadas de lava). A viscosidade da maior parte da lava é aproximadamente a vezes a da água à temperatura ambiente. Mesmo assim, a lava pode fluir grandes distâncias antes do processo de arrefecimento a solidificar, porque a lava exposta ao ar desenvolve rapidamente uma crosta sólida que isola a lava líquida restante, ajudando a mantê-la suficientemente quente e invíscida para continuar a fluir.
A palavra lava tem origem na língua italiana e deriva provavelmente da palavra latina labes, que significa queda ou deslize. Uma das primeiras utilizações da palavra relacionada com a extrusão de magma, se não a primeira, encontra-se num breve relato da erupção de 1737 do Vesúvio,Istoria dell' incendio del Vesuvio : accaduto nel mese di maggio dell' anno MDCCXXXVII. Nápoles : Academia das Ciências de Nápoles, 1738. que ocorreu entre 14 de maio e 4 de junho de 1737, escrito pelo médico e naturalista napolitano Francesco Serao (1702–1783), que descreveu um fluxo de lava ardente como uma analogia ao fluxo de água e lama que descia pelos flancos do vulcão (um lahar) após uma forte chuvada. Propriedades das lavas As lavas podem-se distinguir em função da sua composição química (e mineralógica), da sua temperatura e viscosidade (reologia) e da forma e ritmo de efusão. Assim, as lavas podem ser classificadas em função dessas características, embora estas reflitam parâmetros que, na realidade, são interdependentes, já que a composição e a temperatura determinam a viscosidade, e esta é determinada pelo tipo de vulcanismo. Temperatura A temperatura da maioria dos tipos de lava em fusão varia entre cerca de 800 ºC e 1200 ºC, dependendo da composição química da lava. Esta gama de temperaturas é semelhante às temperaturas mais quentes que podem ser atingidas com uma forja a carvão de ar forçado. A lava é mais fluida quando próxima do ponto de erupção, tornando-se muito mais viscosa à medida que se afasta e a sua temperatura desce.
As escoadas de lava desenvolvem rapidamente uma crosta isolante de rocha sólida em resultado da perda radiativa de calor. A partir daí, a lava arrefece por uma condução muito lenta de calor através da crosta rochosa. Por exemplo, geólogos do United States Geological Survey perfuraram regularmente o lago de lava do vulcão Kilauea Iki, formado numa erupção daquele vulcão que ocorreu em 1959. Após três anos, a crosta sólida da superfície, cuja base estava a uma temperatura de 1065 ºC, ainda tinha apenas 14 m de espessura, embora o lago tivesse cerca de 100 m de profundidade. O líquido residual ainda estava presente a profundidades de cerca de 80 m passados 19 anos após o início da erupção.
Uma escoada de lava a arrefecer sofre contração térmica, o que provoca fracturas na rocha resultante. As escoadas de basalto apresentam um padrão caraterístico de fracturação, com as partes mais elevadas da escoada com fracturas irregulares que se estendem para baixo, enquanto a parte inferior da escoada apresenta um padrão muito regular de fracturas que dividem a escoada em colunas de cinco ou seis lados. A parte superior irregular do fluxo solidificado é designada por entablamento (ou entablature), enquanto a parte inferior, que apresenta disjunção colunar, é designada por colunata (ou colonnade). Da mesma forma, os padrões verticais regulares nos lados das colunas, produzidos pelo arrefecimento com fracturação periódica, são descritos como marcas de cinzel. Apesar dos seus nomes, estas são características naturais produzidas pelo arrefecimento, contração térmica e fracturação.
À medida que a lava arrefece, cristalizando para dentro a partir dos seus bordos, expele gases para formar vesículas nos limites inferior e superior. Estas são descritas como vesículas de caule tubular (pipe-stem vesicles) ou amígdalas de caule tubular (pipe-stem amygdales). Os líquidos expelidos da suspensão de cristais em arrefecimento sobem para o centro ainda fluido da escoada e produzem cilindros vesiculares (vesicle cylinders) verticais. Onde estes se fundem em direção ao topo da escoada, formam folhas de basalto vesicular e são frequentemente recobertos por vesículas de gás que por vezes se enchem de minerais secundários. Os geodos de ametista encontrados nos basaltos de inundação da América do Sul formaram-se através deste mecanismo.
Os basaltos de inundação tipicamente cristalizam pouco antes de deixarem de fluir e, como resultado, as texturas de fluxo são incomuns em fluxos menos siliciosos. Por outro lado, a presença de bandas de fluxo é comum em escoadas félsicas. Reologia A viscosidade determina maioritariamente o comportamento das escoadas de lava. Enquanto a temperatura da lavas silicatadas comuns varia entre cerca de 800 ºC para as lavas félsicas e 1200 ºC para as lavas máficas, a sua viscosidade varia em sete ordens de grandeza, de 1011 cP (108 Pa⋅s) para as lavas félsicas até 104 cP (10 Pa⋅s) para as lavas máficas.
A viscosidade da lava é determinada principalmente pela composição, mas também depende da temperatura e da tensão de corte do material.
A viscosidade da lava também determina o tipo de atividade vulcânica que ocorre quando a lava é expelida. Quanto maior a viscosidade, maior a tendência para as erupções serem explosivas em vez de efusivas. Como resultado, a maioria dos fluxos de lava na Terra, Marte e Vénus são compostos por lava basáltica. Na Terra, 90% das escoadas lávicas são máficas ou ultramáficas, com a lava intermédia a representar 8% das escoadas e a lava félsica a representar apenas 2% das escoadas.
A viscosidade também determina o aspeto (espessura em relação à extensão lateral) das escoadas, a velocidade com que estas se movem e o carácter da superfície da escoada.
Quando as lavas altamente viscosas são emitidas de forma efusiva, e não na sua forma explosiva mais comum, produzem quase sempre escoadas ou domos lávicos de grande espessura e com bordos íngremes, ou seja, estruturas com um elevado rácio entre a altura e a largura. Nestas circunstâncias, as escoadas assumem a forma de escoadas de blocos vulcânicos em vez de escoadas do tipo aā ou pāhoehoe. Netes casos, são comuns as escoadas ricas em obsidiana.
As lavas intermédias tendem a formar estratovulcões com encostas íngremes, com estratos alternados de lava de fases eruptivas efusivas e piroclastos de fases mais explosivas. As lavas máficas formam escoadas relativamente finas que podem estender-se até grandes distâncias, formando vulcões-escudo com declives suaves.
Para além da rocha fundida, a maioria das lavas contém sólidos em suspensão, incluindo cristais de vários minerais, fragmentos de rochas arrastados das paredes da chaminé vulcânica, conhecidos como xenólito, e fragmentos de lava previamente solidificada. O conteúdo cristalino da maioria das lavas confere-lhes propriedades tixotrópicas e de pseudoplasticidade. Por outras palavras, a maior parte das lavas não se comportam como fluidos newtonianos, em que a velocidade de escoamento é proporcional à tensão de corte. Em vez disso, uma lava típica é um fluido de Bingham, que apresenta uma resistência considerável ao escoamento até que seja ultrapassado um limiar de tensão, denominado tensão de cedência, a partir do qual o fluxo ocorre sem grande resistência.
Estas condições reológicas resultam num escoamento que se comporta como um fluxo em pistão de lava parcialmente cristalizada. Um exemplo familiar de fluxo em pistão é a pasta de dentes espremida de um tubo do qual a pasta sai como um tampão semi-sólido, porque a tensão de corte está concentrada numa fina camada junto das paredes do tubo e só aí é que a pasta se comporta como um fluido. O comportamento tixotrópico também impede que os cristais se depositem a partir da lava. Quando o teor de cristais atinge cerca de 60% em volume, a lava deixa de se comportar como um fluido e começa a comportar-se como um sólido. Esta mistura de cristais com rocha fundida é por vezes descrita como uma pasta de cristais.