O mar do Caribe (português brasileiro) ou mar das Caraíbas (apenas em português europeu) é um mar semiaberto tropical do oceano Atlântico, com uma área de cerca de 2 754 000 km², situado a leste da América Central, a norte da América do Sul e a sul da América do Norte, cobrindo a superfície da placa do Caribe (placa das Caraíbas). É também designado mar das Antilhas por se situar a sudoeste do arco das Antilhas. É limitado a norte pelas Grandes Antilhas e a leste pelas Pequenas Antilhas.
O ponto mais profundo do mar é a fossa das ilhas Caimão, a 7 686 m abaixo do nível do mar. O mar das Caraíbas comunica com o oceano Pacífico através do canal do Panamá.
História do Mar do Caribe
Os primeiros habitantes das Antilhas foram os taínos, tribo sedentária com crenças religiosas de carácter politeísta e que se destacavam por ser bons agricultores, pescadores e oleiros; a sua língua deriva da dos aruaques, família da qual procederam, migrando desde a América do Sul há aproximadamente três mil anos. No momento do descobrimento, os caraíbas, que se destacavam pelas suas habilidades como navegadores e guerreiros, ocupavam predominantemente a região, provenientes das margens do rio Orinoco, e encontravam-se em plena conquista dos territórios taínos.
O mar das Caraíbas era um corpo de água desconhecido para a Europa e Ásia até 1500 d.C. quando Cristovão Colombo o navegou pela primeira vez ao tentar encontrar uma rota marítima para a Índia.
Depois do descobrimento das suas ilhas, a área foi rapidamente colonizada pela civilização ocidental, convertendo-se num local comum para as rotas comerciais europeias e eventualmente atraente para a pirataria. Os Reis Católicos permitiram em 1495 a todos os seus súbditos tripular embarcações com rumo às recém-descobertas Índias, o que fez com que muitos barcos se lançassem ao Atlântico sem a devida preparação, sendo presas fáceis para os piratas. Durante aquela época, aconteciam nas costas das Caraíbas algumas feiras comerciais famosas, como a de Portobelo, que durava 40 dias; nesta povoação, produziam-se constantes ataques de piratas, razão pela qual os espanhóis construíram perto dela o Forte de São Lourenço nos finais do século XVI. Deu-se este mesmo problema noutros portos das Caraíbas como Cartagena das Índias e Havana, onde se construíram postos defensivos militares, trabalho para o qual foram transportados numerosos grupos de escravos africanos para a região.
Pouco depois do seu descobrimento e ocupação por parte de Espanha, o mar chamou a atenção das coroas inglesa e francesa, que enviaram marinheiros experientes à conquista de territórios e tomaram as ilhas de Martinica e Guadalupe para a França e Antiga, Monserrate, Barbados e Jamaica para a Inglaterra, sendo estas as possessões mais importantes perdidas pelo Império Espanhol nas Caraíbas. Em 1625 estabeleceu-se na ilha Tortuga uma base onde corsários e bucaneiros de ambas nacionalidades se associaram para atacar embarcações provenientes das colónias espanholas e partiam dali expedições para assediar as cidades costeiras até finais do século XVII. Outra famosa base de piratas estabeleceu-se no porto jamaicano de Port Royal em 1656, até à sua destruição parcial por um sismo ocorrido no dia 7 de Junho de 1692. Na região foram muito reconhecidos e temidos alguns nomes de piratas como Henry Morgan, François L’Olonnais e Barba Negra, entre outros.
A partir do século XIX começa a independência dos países colonizados, ainda que atualmente algumas possessões francesas, inglesas e neerlandesas continuem sob a administração europeia. Encontram-se nas águas das Caraíbas 22 territórios insulares e 12 países, sendo Cuba o último país a tornar-se independente de Espanha, em 1898.
Em 1903, com a intervenção dos Estados Unidos, o Panamá separou-se da Colômbia e construiu-se o Canal do Panamá, que liga o mar das Caraíbas ao oceano Pacífico. Foi inaugurado no dia 15 de agosto de 1914, mas foi administrado pelos Estados Unidos até 31 de dezembro de 1999.
A 12 de dezembro de 2001, os chefes de estado e de governo dos países membros da Associação de Estados das Caraíbas, reunidos na Ilha de Margarita (Venezuela), adoptaram a Declaração de Margarita, "reconhecendo o mar das Caraíbas como património comum da região, e um bem valioso ao qual damos prioridade para a sua conservação", com o objectivo da "consolidação de uma identidade caribenha própria". Comprometeram-se "a estabelecer a região das Grandes Caraíbas como uma Zona de Cooperação", que "consistirá inicialmente de acções conjuntas nas áreas de prioridade da AEC, ou seja, Comércio, Turismo Sustentável, Transporte e Desastres Naturais".
Etimologia O nome "Caraíbas" deriva dos "caraíbas" (ou "caribes"), nome utilizado para descrever a etnia ameríndia predominante na região na época do primeiro contacto com os europeus nos finais do século XV. O navegador italiano Américo Vespúcio afirmava que o termo Charaibi entre os indígenas significava "homens sábios" e é possível que este fosse utilizado para descrever os europeus à sua chegada à América. Depois do descobrimento das Índias Ocidentais por Cristóvão Colombo, o termo espanhol Antilhas era comum para este lugar; derivado dele, o "mar das Antilhas" tem sido um nome comum para o mar das Caraíbas em vários idiomas europeus.
Geografia thumb|upright=2.0|Mapa mundial mostrando as Caraíbas:Azul = Mar das CaraíbasVerde = Antilhas O mar é limitado a norte pelas Grandes Antilhas – Cuba, Haiti, República Dominicana e Porto Rico – situadas a sul do Trópico de Caranguejo, a leste pelas Pequenas Antilhas (meridiano 60°W), a sul pela Venezuela, Colômbia e Panamá (paralelo 9°N) e a oeste pelo México, Belize e Guatemala (meridiano 88°W) e Honduras, Nicarágua e Costa Rica (meridiano 84°W).
O oceano Atlântico entra nas Caraíbas através da Passagem de Anegada entre as Pequenas Antilhas e as Ilhas Virgens, e da Passagem dos Ventos, localizada entre Cuba e Haiti, a qual é uma importante rota entre os Estados Unidos e o canal do Panamá. O canal do Iucatão liga o mar das Caraíbas ao golfo do México entre a península do Iucatão, no México e a ilha de Cuba.
O mar das Caraíbas possui uma área de cerca de 2 754 000 km². O ponto mais profundo do mar é a fossa das ilhas Caimão, entre Cuba e Jamaica, a 7 686 m abaixo do nível do mar. A linha costeira das Caraíbas tem muitos golfos e baías, incluindo o golfo da Venezuela, o golfo de Morrosquillo, o golfo de Darién, o golfo dos Mosquitos e o golfo das Honduras.
Geologia thumb|220x220px|Placas tectónicas, destacando-se a Placa das Caraíbas ao centro.
O mar das Caraíbas é um mar com características mediterrânicas situado ao largo da Placa das Caraíbas. Estima-se que tenha uma idade entre 160 a 180 milhões de anos e que se tenha formado através de uma fratura horizontal que dividiu o supercontinente Pangeia, a qual ocorreu durante o Mesozoico. A superfície do mar das Caraíbas divide-se em cinco bacias oceânicas separadas por algumas cadeias montanhosas submarinas. A pressão exercida pela Placa Sul-Americana no oriente das Caraíbas faz com que a região das Pequenas Antilhas tenha uma alta atividade vulcânica, destacando-se eventos como a erupção vulcânica do Monte Pelée em 1902, que provocou a maior quantidade de mortos em razão de desastres naturais desse tipo, no .Mt. Pelée eruption (1902).
O solo submarino do mar das Caraíbas tem duas fossas oceânicas: a fossa Caimã e a fossa de Porto Rico, as quais colocam a área num alto risco sísmico. Os maremotos (sismos submarinos) ameaçam a geração de tsunamis que poderiam ter efeitos devastadores nas ilhas. Os dados históricos científicos revelam que durante os últimos quinhentos anos ocorreram na área doze sismos com uma magnitude superior a 7,5 na escala de Richter.
Oceanografia thumb|upright=1.5|Um popular retrato do mar das Caraíbas: a ilha de Santo André, Colômbia. Em média, a salinidade do mar das Caraíbas é de 35 a 36 partes por mil e a temperatura superficial é de 27 a 28 °C, apesar de no fundo do mar a água alcançar uma temperatura de 4 °C.
As correntes das Caraíbas transportam quantidades consideráveis de água desde o oceano Atlântico através dos passos orientais nas Pequenas Antilhas até ao noroeste, para sair no golfo do México através do Canal do Iucatão. Em média, entre uns 15 a 20% da água de superfície que entra nas Caraíbas provém das águas doces dos estuários dos rios Orinoco e Amazonas, conduzidas a noroeste pela Corrente Caribenha. Por outro lado, a água descarregada pelo Orinoco durante os meses de chuva gera grandes concentrações de clorofila na zona oriental do mar.
Na área compreendida entre o norte da Colômbia e a Nicarágua existe durante quase todo o ano uma corrente circular (giro oceânico) – o Giro Panamá-Colômbia - que gira no sentido contrário dos ponteiros do relógio. Esta corrente é gerada pelas fortes precipitações na região, as quais também podem reduzir a temperatura e aumentar a salinidade e a densidade da água, transportando alguns nutrientes para a água como azoto, fósforo e outros utilizados pelas plantas.
Hidrografia thumb|220x220px|Anguila banhada pelo mar do Caribe. O maior rio que desemboca na bacia hidrográfica do mar das Caraíbas é o Magdalena, que atravessa a Colômbia desde o Maciço Colombiano por cerca de 1 540 km. Por sua vez, o Magdalena recebe o caudal de outros rios como o Cauca e o Cesar.
Outros rios que desembocam nas Caraíbas são: Unare, Tocuyo, Catatumbo e Chama na Venezuela; Ranchería, Sinú e Atrato, na Colômbia; San San, Chagres (Canal do Panamá) e Changuinola, no Panamá; Grande, Prinzapolca e Huahua na Nicarágua; San Juan na fronteira entre a Nicarágua e a Costa Rica, que liga o Lago Cocibolca às Caraíbas; Segovia, na fronteira entre as Honduras e a Nicarágua; Patuca, Sico, Aguán e Ulua nas Honduras; Motagua na Guatemala; rio Belize no Belize; o rio Hondo no México; Cauto em Cuba; Yaque del Sur, Ozama e Macoris na República Dominicana; Negro na Jamaica e Grande de Patillas em Porto Rico. Os estuários que se formam na foz dos rios criam ecossistemas e condições de vida especiais. As condições ecológicas básicas neste meio são: uma salinidade que flutua ao longo do ano, transporte de águas doces, carregadas com matéria orgânica e nutrientes, os quais contribuem para a produtividade biológica e também carregadas com sedimentos que turvam o meio, e influência permanente de águas marinhas costeiras que nas Caraíbas são mais claras e menos férteis que as de qualquer estuário.
Também se destaca o Lago de Maracaibo, que se liga às Caraíbas através do golfo da Venezuela, e que, com uma superfície de 13 210 km², é o maior lago da América do Sul e um dos mais antigos da Terra.
Clima thumb|right|220x220px|Temperatura média das águas de superfície no mar das Caraíbas (25 de agosto–27 de agosto de 2005, aquando da passagem do furacão Katrina).
O clima das Caraíbas é influenciado pelas correntes oceânicas do Golfo e de Humboldt. A localização tropical do mar ajuda a que a água se mantenha a uma temperatura alta moderada, num intervalo entre 21 e 32,2 °C durante o ano.
As Caraíbas são lugar de presença de alguns furacões do hemisfério ocidental. A temporada de furacões das Caraíbas situa-se entre os meses de junho e dezembro, e com maior força entre agosto e setembro. Em média anualmente produzem-se cerca de nove tempestades tropicais e cinco alcançam a intensidade de furacão. De acordo com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, ocorreram nas Caraíbas 385 furacões entre 1494 e 1900. As correntes de ar que se desenvolvem na costa oeste de África atravessam o oceano Atlântico, e algumas destas convertem-se em tempestades tropicais e podem inclusivamente converter-se em furacões do Atlântico, especialmente em áreas de baixa pressão do leste das Caraíbas.