O Programa Apollo, também chamado Projeto Apollo, foi o programa de voo espacial tripulado dos Estados Unidos conduzido pela NASA que levou os primeiros seres humanos à Lua em 1969. Concebido em 1960, durante a presidência de Dwight D. Eisenhower e a execução do Projeto Mercury, o programa foi desenvolvido depois do Projeto Gemini. Em 25 de maio de 1961, o presidente John F. Kennedy estabeleceu perante o Congresso dos Estados Unidos a meta de pousar um homem na Lua e trazê-lo em segurança à Terra antes do fim da década.
A meta foi cumprida pela Apollo 11. Em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong e Buzz Aldrin pousaram com o Módulo Lunar Apollo e caminharam na superfície lunar, enquanto Michael Collins permaneceu em órbita lunar no módulo de comando e serviço. Os três retornaram em segurança e amerissaram no Oceano Pacífico em 24 de julho. Cerca de 650 milhões de pessoas acompanharam os primeiros passos de Armstrong na Lua pela televisão. Mais cinco missões Apollo pousaram astronautas na Lua, a última delas, a Apollo 17, em dezembro de 1972. Ao todo, doze pessoas caminharam na superfície lunar nesses seis voos.
miniatura|Buzz Aldrin na superfície lunar durante a Apollo 11, em julho de 1969. miniatura|O veículo de exploração lunar ampliou a distância percorrida pelos astronautas da Apollo 17. miniatura|Nascer da Terra, fotografada por William Anders da Apollo 8 em 1968.
O programa transcorreu de 1961 a 1972, com o primeiro voo tripulado em 1968. Em 1967, os três integrantes da Apollo 1 morreram num incêndio na cabine durante um teste em terra. Depois do primeiro pouso lunar, havia equipamentos para mais nove tentativas de pouso, com planos de ampliar a exploração da geologia lunar e da astrofísica. Cortes orçamentários cancelaram três delas. Das seis restantes, cinco pousaram na Lua. Na Apollo 13, a explosão de um tanque de oxigênio durante a viagem danificou o módulo de comando e serviço e impediu o pouso. A tripulação usou o módulo lunar como abrigo e conseguiu voltar à Terra. Os foguetes da família Saturno também foram empregados no Apollo Applications Program, que deu origem à estação espacial Skylab, ocupada por três tripulações em 1973 e 1974, e ao Projeto Teste Apollo-Soyuz, voo conjunto dos Estados Unidos e da União Soviética em órbita terrestre baixa em 1975.
A Apollo 8 foi a primeira missão tripulada a deixar a órbita terrestre baixa e orbitar outro corpo celeste. A Apollo 11 realizou o primeiro pouso humano em outro corpo celeste. As missões Apollo continuam sendo as únicas a levar pessoas à superfície da Lua. O programa trouxe à Terra cerca de 382 kg de rochas e solo lunares, usados no estudo da composição e da história geológica da Lua. Sua infraestrutura incluiu a construção do Centro Espacial Lyndon B. Johnson e do Centro Espacial John F. Kennedy. O trabalho também impulsionou desenvolvimentos em aviônica, telecomunicações e computadores.
Depois das missões Apollo, seres humanos só voltaram a deixar a órbita terrestre baixa com a Artemis II, lançada em abril de 2026. Seus quatro tripulantes sobrevoaram a Lua e retornaram à Terra em 10 de abril. A NASA planeja que a Artemis IV realize o primeiro pouso humano do Programa Artemis em 2028.
Nome O gerente da NASA Abe Silverstein escolheu o nome do deus grego Apolo para o programa no começo de 1960. Ele contou mais tarde que nomeava as naves "como daria nome ao meu bebê". A imagem de Apolo conduzindo seu carro pelo céuNa tradição grega, Apolo era associado à luz do Sol. A imagem do carro cruzando o céu sugeria uma viagem grandiosa. lhe pareceu adequada à escala do projeto.Murray, Cox, 1989 (55)
No começo, o programa se concentrava no desenvolvimento de uma nave tripulada mais avançada que a do Mercury, o módulo de comando e serviço Apollo. O pouso lunar só se tornou seu objetivo em 1961. O Projeto Gemini passou então a suceder o Mercury nos testes das técnicas necessárias aos voos tripulados mais longos.
Antecedentes Origem e estudos de viabilidade da nave
O programa nasceu no início de 1960, durante o governo Eisenhower, como continuação do Projeto Mercury. A cápsula Mercury comportava um astronauta em voos limitados na órbita terrestreUma nave em órbita avança enquanto a gravidade a puxa para a Terra. Assim, ela continua dando voltas sem cair diretamente no solo.. A nova nave levaria três, com possibilidades que iam do transporte a uma estação espacial a voos em trajetórias ao redor da Lua e, mais adiante, a um pouso tripulado.
Em julho de 1960, o vice-administrador da NASA Hugh L. Dryden apresentou o programa a representantes da indústria numa série de encontros do Space Task Group. As especificações iniciais previam uma cabine de missão separada do módulo de comando, usado para pilotagem e reentradaÉ a volta da nave à atmosfera. Nessa passagem, o ar à sua frente esquenta muito, e a cabine precisa de proteção térmica., e um módulo de propulsão e equipamentos. Um concurso para estudos de viabilidadeAntes de construir a nave, as equipes comparavam projetos para saber se cada ideia poderia funcionar com a tecnologia, o dinheiro e o tempo disponíveis. foi anunciado em 30 de agosto. Em 25 de outubro, contratos foram concedidos à General Dynamics/Convair, à General Electric e à Glenn L. Martin Company. A NASA também conduziu estudos próprios, liderados por Maxime Faget, para comparar e acompanhar as propostas industriais.Brooks, Grimwood, Swenson, 1979 (Ch. 1.7: "Feasibility Studies". pp. 16–21.)
Pressões políticas
John F. Kennedy foi eleito presidente em novembro de 1960, depois de prometer superioridade dos Estados Unidos sobre a União Soviética na exploração espacial e na defesa contra mísseis. Durante a campanha, falava da suposta "lacuna dos mísseis", que ele e outros senadores atribuíam à inação de Eisenhower. Kennedy também via a tecnologia aeroespacial como uma expressão do prestígio nacional e insistia que o país deveria ocupar o primeiro lugar.Beschloss 1997
Apesar do discurso, Kennedy não decidiu de imediato o futuro do Apollo ao assumir a presidência. Conhecia pouco dos detalhes técnicos e hesitava diante do custo de um pouso lunar tripulado. Quando James E. Webb, recém-nomeado administrador da NASA, pediu um aumento de 30% no orçamento da agência, Kennedy apoiou a aceleração do programa de grandes foguetes, mas adiou a decisão sobre o restante.Sidey 1963, pp. 117–118Beschloss 1997, p. 55
Em 12 de abril de 1961, o cosmonauta soviético Iuri Gagarin tornou-se a primeira pessoa a viajar ao espaço. No dia seguinte, integrantes de uma comissão da Câmara dos RepresentantesÉ uma das duas casas do Congresso dos Estados Unidos. Seus integrantes participam da elaboração das leis e da aprovação de gastos públicos. apoiaram um programa intensivo para reduzir a vantagem soviética. Kennedy, porém, evitou assumir naquele momento um compromisso sobre a resposta estadunidense.87th Congress 1961Sidey 1963, p. 114
miniatura|Kennedy apresentou ao Congresso, em 25 de maio de 1961, a meta de pousar um homem na Lua antes do fim da década.
Em 20 de abril, Kennedy pediu ao vice-presidente Lyndon B. Johnson que examinasse o andamento do programa espacial e as opções para acelerar o trabalho da NASA. Johnson respondeu cerca de uma semana depois que o país ainda não fazia o esforço necessário para alcançar a liderança. Um pouso lunar tripulado, concluiu, estava suficientemente distante para oferecer aos Estados Unidos a chance de chegar primeiro.
Em 25 de maio de 1961, vinte dias depois do voo de Freedom 7, o primeiro voo espacial tripulado estadunidense, Kennedy expôs a meta ao Congresso:
Expansão da NASA Quando Kennedy apresentou a proposta, havia menos de um mês que o primeiro estadunidense tinha viajado ao espaço e a NASA ainda não havia posto um astronauta em órbita. Até funcionários da agência duvidavam que a meta pudesse ser cumprida. Em 1963, Kennedy chegou a considerar uma missão lunar conjunta com a União Soviética para evitar esforços duplicados.Murray, Cox, 1989 (16–17)
Com o pouso lunar como objetivo definido, a NASA descartou as propostas de viabilidade da Convair, da GE e da Martin e adotou o projeto do módulo de comando e serviço de Faget. A cabine adicional prevista para a missão foi considerada desnecessária. O projeto serviu de base a uma nova concorrência em outubro de 1961. Em 28 de novembro, a North American Aviation venceu, apesar de sua proposta ter recebido avaliação inferior à da Martin. Webb, Dryden e Robert Seamans deram preferência à experiência anterior da empresa com a NASA e sua antecessora, o National Advisory Committee for Aeronautics.Brooks, Grimwood, Swenson, 1979 (Ch. 2.5: "Contracting for the Command Module". pp. 41–44)
Chegar à Lua antes do fim de 1969 exigiu recursos sem precedentes para um projeto em tempo de pazEmbora a corrida espacial ocorresse durante a Guerra Fria, o programa Apollo era uma iniciativa civil e não uma operação de combate.. O programa custou 25 bilhões de dólares na época. No auge, empregou cerca de 400 mil pessoas e recebeu apoio de mais de 20 mil empresas e universidades.
Em 1.º de julho de 1960, a NASA criou o Centro de Voos Espaciais Marshall, em Huntsville, Alabama. O centro projetou os foguetes de grande capacidade da família Saturno necessários ao Apollo.
Centro de Naves Espaciais Tripuladas
O Space Task Group, chefiado por Robert R. Gilruth no Centro de Pesquisa Langley, não tinha estrutura para administrar sozinho o Apollo. Gilruth recebeu autorização para transformá-lo no Centro de Naves Espaciais Tripuladas. A Universidade Rice doou o terreno escolhido em Houston, no Texas, e Webb anunciou a mudança em 19 de setembro de 1961. O novo centro também abrigaria o controle das missões, que já não poderia depender das instalações de lançamentoA decolagem acontecia na Flórida, enquanto os controladores em Houston acompanhavam a nave e orientavam a tripulação durante o voo. em Cabo Canaveral.
miniatura|thumbtime=17:32|Kennedy fala na Universidade Rice em 12 de setembro de 1962.
Em setembro de 1962, dois astronautas Mercury já tinham orbitado a Terra. Gilruth havia transferido sua equipe para instalações alugadas em Houston, e a construção do novo centro estava em andamento quando Kennedy visitou a Universidade Rice e reafirmou sua meta:
O centro ficou pronto em setembro de 1963. Após a morte de Lyndon B. Johnson em 1973, o Congresso lhe deu o nome do ex-presidente.
Centro de Operações de Lançamento
miniatura|George Mueller, Wernher von Braun e Eberhard Rees acompanham o lançamento da AS-101.
As instalações de Cabo Canaveral, na Flórida, também seriam pequenas para o Apollo. Os complexos de lançamento 34 e 37, no extremo norte da base, já estavam em construção para os foguetes Saturno I e Saturno IB. A missão lunar exigia uma estrutura ainda maior. Em julho de 1961, começaram as aquisições de terrenos na ilha Merritt, ao norte de Canaveral, para o Centro de Operações de Lançamento.
Kurt H. Debus, que havia trabalhado com Wernher von Braun no foguete V-2, dirigiu o projeto e a construção do centro e se tornou seu primeiro diretor. As obras começaram em novembro de 1962. Depois do assassinato de John F. Kennedy, Johnson determinou, em 29 de novembro de 1963, que tanto o centro quanto Cabo Canaveral passassem a levar o nome de Kennedy.