A Igreja Nossa Senhora do Monte Carmelo, também conhecida por Igreja do Carmo, é um templo católico, um importante marco religioso, histórico e turístico construído a partir de 1750, uma das capelas urbanas da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, na Diocese de Anápolis, e está localizada no Largo do Carmo, entre o Centro Histórico e o Bairro do Carmo, no estado de Goiás.
Foi construída no século XVIII a mando de Luciano Nunes Teixeira e seu genro o sargento-mor Antônio Rodrigues Frota, minerador português de Freguesia de São Miguel, patriarcado de Lisboa, Frota, que também foi construtor de um grande sobrado e teve seu nome eternizado no Morro do Frota, nas imediações da cidade. A igreja é dedicada a Nossa Senhora do Carmo, uma das diversas devoções da mariologia, com festa anual em 16 de julho, festa litúrgica do Carmo, e há celebração semanal de Missa as terças-feiras as 19h30min. A imagem da padroeira é proveniente de Portugal, trazida logo no início do século XVIII.Citado em:
Igreja de arquitetura colonial brasileira, com duas torres sineiras laterais ao nível do telhado do corpo da nave e fachada simples, apresenta características goianas, ao empregar materiais locais como madeira, de espécies nativas do cerrado, como o cedro e a aroeira, barro, utilizado na construção das paredes, rebocos e pisos, sendo moldado em tijolos, adobe e taipa, além da pedra, utilizada nos portais posteriores, proveniente das pedreiras próximas à cidade. Apresenta elementos artísticos rococó, nos 02 altares laterais, provenientes da demolição da Igreja do Rosário dos Pretos e introduzidos no Carmo na década de 1940, altar-mor com remanescentes barroco e neoclássico.
Querida pela comunidade, vizinho a Igreja funcionou por décadas o Colégio Nossa Senhora do Carmo, na época sob os cuidados das freiras da Ordem dos Carmelitas Descalços, e pós fechamento do Colégio, vem servindo como asilo - instituição de longa permanência de idosos (ILPI) e creche Aldeia da Paz, aos cuidados das Irmãs missionárias dos pobres. A igreja está inserida no Conjunto Arquitetônico, Urbanístico, Paisagístico e Histórico da Cidade de Pirenópolis, tombado pelo Iphan em 1990, um dos mais importantes acervos patrimoniais do centro-oeste.
Histórico Contexto meiapontense
Após a identificação de depósitos de ouro por bandeirantes de origem portuguesa e paulista nas proximidades do Rio das Almas durante as primeiras décadas do século XVIII, local batizado inicialmente como Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte e mais tarde renomeada como Meia Ponte, essas reservas minerais começaram a atrair indivíduos aventureiros em busca de riqueza. Esses aventureiros se estabeleceram na região e, à medida que a população crescia rapidamente, Meia Ponte se transformou no ponto central da área, adquirindo também a posição de centro administrativo local, inferior apenas a antiga capital Goiás. Consolidando esse processo de ocupação, entre os anos de 1728 e 1732, a Irmandade do Santíssimo Sacramento ergueu a Capela Nossa Senhora do Rosário, que posteriormente foi promovida à categoria de Matriz em 1736. Esse edifício religioso serve como marco inaugural da ocupação branca e do qual se originaram as primeiras vias urbanas da localidade.
Na continuação da rua do Rosário, agora conhecida como Rua do Lazer, em 1742, recebeu autorização para estabelecer-se a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. A partir do ano subsequente, 1743, nos dias de domingo, feriados e momentos de descanso, essa irmandade construiu a sua sede, a Igreja do Rosário dos Pretos. Essa edificação foi responsável por formar um bairro em seu entorno, habitado pela população escravizada da época. No ano de 1750, por meio da utilização de trabalhadores escravizados, os mineradores de origem portuguesa, Luciano da Costa Teixeira e seu genro Antônio Rodrigues Frota, ergueram a Igreja Nossa Senhora do Carmo na margem direita, parte inferior do Rio das Almas. Inicialmente uma capela particular, essa estrutura foi equipada com imagens sacras, ornamentos e paramentos, além de tudo o que era necessário para as atividades religiosas. Isso resultou no progressivo desenvolvimento da área, hoje identificada como o Bairro do Carmo. No mesmo ano de 1750, impulsionado pelo sargento-mor Antônio José de Campos, teve início a construção da Igreja do Bonfim, dando origem ao que agora é conhecido como Alto do Bonfim, atualmente um dos bairros mais densamente povoados da cidade. Pouco tempo depois, em 1757, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte da Lapa empreendeu a construção da Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte da Lapa, marcando o começo do que hoje é chamado de Alto da Lapa. Assim, todos os pontos da cidade expandiram-se de maneira interligada através da ereção de diferentes estruturas religiosas.
Igreja do Carmo
Única igreja do século XVIII construída na margem direita do Rio das Almas, foi edificada na parte baixa da cidade, no Largo do Carmo, por iniciativa do rico mineiro Luciano Nunes Teixeira, em colaboração com o genro, sargento-mor Antônio Rodrigues Frota. Procedentes de Freguesia de São Miguel, patriarcado de Lisboa, senhores de muitas posses oriundas da mineração aurífera, possuíam numerosa escravizados. Vieram para Meia Ponte', no início da exploração das Minas de Nossa Senhora do Rosário, procedentes do Rio de Janeiro, utilizando mão de obra escravizada, de adobe e taipa de pilão foi construída a Igreja Nossa Senhora do Carmo. Fez isto entre os anos de 1750 e 1754. Segundo lenda local, a construção da Igreja do Carmo originou uma rivalidade entre potentados da época, ambos sargento-mor, Antônio Rodrigues Frota e Antônio José de Campos e que o levou o ultimo à construção Igreja Nosso Senhor do Bonfim, superando em sua igreja, a distribuição espacial e e aparência da ultima, semelhante à Matriz, salvo pela presença de duas portas laterais, ausentes na igreja principal, em diversas ocasiões serviu como substituta da Igreja Matriz, quando a Matriz estava em reparos.Citado em:
Sobre a Igreja do Carmo, Eduardo Etzel em O Barroco no Brasil:
Além de construir a capela, o sargento-mor ornamentou-a com três altares, sendo dois na nave. O da esquerda é hoje dedicado a santa Teresa de Ávila o a da direita á Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, e para o altar mor, trouxe de Portugal, a imagem da padroeira da igreja. Nas proximidades da igreja, Frota construiu sua residência que ficou conhecida como sobradão do Frota', próximo à base da elevação que posteriormente seria batizada com seu nome (Morro do Frota), o Sargento-mor Antônio Rodrigues Frota empreendeu a construção de uma edificação de notáveis proporções. Os vestígios de suas fundações permaneciam na primeira metade do século atual. Localizava-se dentro de uma área de pastagem que pertencia ao espólio de Francisco de Paula Pereira, em uma posição aproximada à altura da Ramalhuda, um lugar tradicionalmente associado às atividades recreativas nas margens do Rio das Almas. O grande sobrado desapareceu após a morte da última filha do Sargento-mor, que segundo a tradição local, todos morreram em estado de pobreza, também a Igreja do Carmo, registrada em terrível estado de conservação na ilustração de Burchell em 1827. Embora não há informações concretas acerca das intervenções urgentes que foram empreendidas naquele momento para preservar a igreja do Carmo de sua iminente deterioração, é incontestável que tais reparos foram de fato efetuados.
De acordo com as tradições da época, o Sargento-mor Antônio Rodrigues Frota, que veio a falecer em 22 de dezembro de 1774, juntamente com seu sogro, Luciano Nunes Teixeira, que veio a óbito em 31 de março de 1763, encontram seu repouso na mesma sacristia da igreja que eles próprios construíram. Lá, é possível avistar as placas comemorativas que registram essas datas mencionadas. Ainda que não mais exista a documentação que comprove o falecimento de Antônia Maria de Jesus, a esposa viúva do Sargento-mor, é possível que ela também compartilhe o mesmo local de descanso, ao lado de seu pai e esposo. Na Ermida, encontram-se as sepultura de todas as filhas do notável casal, todas elas originárias de Meia Ponte e todas falecidas como solteiras: Damásia, Inês, Maria Quitéria, Inácia, Gertrudes e Luíza. Além destas, há também o sepulcro de Benedita, cujo registro de óbito não foi possível obter, igualmente solteira.
Na própria Ermida, encontra-se o descanso derradeiro do Guarda-mor Antônio Nunes Teixeira, cujo falecimento ocorreu em 10 de agosto de 1777. Notável é o fato de que ele foi o único filho do Capitão Luciano Nunes Teixeira que o acompanhou em sua jornada para Meia Ponte. Em contraste, nenhum dos filhos homens do Sargento-mor Rodrigues Frota viveu ou veio a falecer nessa localidade. Pelo menos dois deles decidiram retornar a Portugal, onde mais tarde prosseguiram com seus estudos, obtendo graus acadêmicos em Coimbra. A respeito de outros três filhos, pouco se sabe, a não ser pelos registros de batismo que restaram. Curiosamente, nos dias de hoje, não existe sequer um único descendente dessa família notória nos registros históricos e tradições locais em Pirenópolis. De acordo com as práticas costumeiras da época, os escravos que serviram a essa família foram sepultados nas proximidades da Ermida e também no adro da mesma...
Com a mudança dos Esmolares da Terra Santa para Tupiraçaba, o convento, hospício e Capela construída em 1731 nas imediações da atual Praça do Coreto, foram transferidos para o estado, que transformou o lugar em instituição de ensino e posteriormente o demoliu em 1836. Com a demolição, peças foram levadas para a Igreja do Carmo. No ano de 1868, ocorreram extensas iniciativas de conservação na igreja, compreendendo a realização de amplas reformas nas grossas paredes de taipa e na cobertura. Além disso, uma completa renovação das pinturas internas e externas também teve lugar. Nesse período, viu-se a construção do assoalho tanto na nave quanto na capela-mor, empregando tábuas largas confeccionadas a partir de madeira de excelência, piso restaurado pelo IPHAN em 1992. Encarregado de conduzir e administrar a reconstrução estava o Padre Francisco Inácio da Luz (1821-1878), por décadas Capelão da igreja, cuja moradia suntuosa foi construída ao lado da igreja, demolido para construção da Aldeia da Paz. Esse sacerdote ostentava múltiplos talentos, sendo um verdadeiro polímata, abraçando papéis de maestro, compositor de músicas sacras, artesão marceneiro, relojoeiro, mecânico e até pintor. E tudo o que realizava era permeado pela excelência. Vale ressaltar que foi ele o responsável por toda a renovação das pinturas, tanto internas quanto externas, além de ter restituído às suas cores originais os altares que a adornam. Após a completa deterioração da Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte da Lapa, ocorrida em 1869, a valiosa escultura de Nossa Senhora em êxtase, também conhecida como Nossa Senhora da Boa Morte, foi transferida para o Carmo, onde passou a ser objeto de veneração. Ela encontra-se alojada em um nicho cuidadosamente criado na parede da capela-mor, protegida por um invólucro de madeira de talha barroca. A celebração em sua homenagem acontecia anualmente no dia 14 de agosto, marcando a véspera da Assunção de Nossa Senhora.