O Video Home System (VHS, ou "Sistema Doméstico de Vídeo", em português) é um padrão comercial para consumidores de gravação analógica em fitas de videoteipe. O sistema foi desenvolvido pela Japan Victor Company (JVC). Foi o formato de vídeo doméstico dominante durante as décadas de 1970, 1980, 1990 e 2000.

Em meados de 1950, a gravação em fita magnética se tornou um grande contribuidor para a indústria de televisão, por vias dos primeiros vídeo tape recorders (conhecidos como VTRs). Naquele período, os dispositivos eram usados apenas para caros ambientes profissionais como estúdios de televisão, e em ambientes médicos (fluoroscopia). Nos anos 1970, o videotape começou a ser utilizado de forma caseira, criando a indústria de home video, fazendo alterações nos negócios de televisão e filmes. A indústria de televisão via os VCRs como rivais de seu negócio, enquanto os telespectadores apenas viam no VCR uma forma de "ter controle" de seus hobbies.Glinis, Shawn Michael. "VCRs: The End of TV as Ephemera." University of Wisconsin-Milwaukee, May 2015. Web. 09 Oct. 2015.

Em 1980 e 1990, com o VHS no pico de sua popularidade, ocorreu-se a guerra do formato do videocassete na indústria de vídeos caseiros. Dois dos formatos, o VHS e o Betamax, receberam maior destaque na mídia. Todavia, o VHS ganhou a guerra, se consolidando como o maior e mais predominante formato de vídeos caseiros de seu período.

Posteriormente, os discos ópticos começaram a oferecer melhor qualidade que as fitas analógicas tradicionais, bem como o super-VHS. Um dos pioneiros deste formato, o LaserDisc, não foi muito bem recebido. Todavia, após a introdução do DVD em 1997, o mercado do VHS começou a entrar em declínio gradualmente, mas ainda eram muito comuns até meados de 2008 e ainda era considerado um formato de distribuição, de gravação. Somente no final de 2008, o DVD conseguiu alcançar aceitação total, substituindo o VHS como formato de distribuição. Em 2016, a Funai Electric que ainda fabricava leitores de VHS, anunciou que irá deixar de o fazer, uma vez que o processo para conseguir os componentes necessários tornou-se demasiado complexo.BBC News. "Japan 'to stop making VCR machines.' " Chris Baraniuk, 21 de julho de 2016, Consultado em 23-07-2016. Nikkei Journal, Consultado em 23-07-2016.

História Antes do VHS Após várias tentativas de outras companhias, o primeiro VTR que teve êxito, o Ampex VRX-1000, foi introduzido em 1956, pela Ampex Corporation. Com o seu preço de US$ 50 000 em 1956, e US$ 300 por uma fita de 90 minutos, este estava voltado apenas para mercado profissional.

Kenjiro Takayanagi, um pioneiro de radiodifusão de televisão que trabalhava para a JVC como seu vice presidente, viu nisso a necessidade de sua companhia produzir VTRs para o mercado japonês por um preço mais acessível. Em 1959, a JVC desenvolveu um VTR de duas cabeças e, de 1960 em diante, uma versão colorida do mesmo para radiodifusão profissional. Em 1964, a JVC lançou o DV220, que viria a ser o VTR padrão da companhia até meados de 1970.

Em 1969, a JVC colaborou com a Sony Corporation e a Matsushita Electric (a Matsushita era uma companhia irmã da Panasonic, e agora é conhecida por esse nome, sendo também acionista da JVC até 2008) na construção de um padrão de gravação de vídeo para o consumidor japonês. A união de ambas, produziu o formato U-matic em 1971, que foi o primeiro formato a tornar-se um padrão unificado. O U-matic foi um sucesso nos em negócios e alguns aplicativos de transmissão (tal como como o recebimento de notícias eletrônicas), mas devido seu preço e escasso espaço para gravação, pouquíssimas máquinas foram vendidas para uso doméstico.

Logo depois, a Sony e a Matsushita acabaram com a parceria, com o objetivo de trabalhar em seus próprios formatos de gravação. A Sony começou a desenvolver o Betamax, enquanto a Matsushita, começou a trabalhar no VX. A JVC lançou o CR-6060 em 1975, se baseando no formato do U-Matic. Em contrapartida, a Sony e a Matsushita também produziram os seus formatos do U-matic.

Desenvolvimento do VHS thumb|Um videocassete da Toshiba, o V-117G, a máquina que faz a leitura do VHS. thumb|Uma fita VHS tradicional. Em 1971, os engenheiros da JVC, Yuma Shiraishi e Shizuo Takano montaram uma equipe para desenvolver um VTR direcionado ao uso caseiro. No fim de 1971, eles criaram um diagrama interno, intitulado de "VHS Development Matrix", que estabeleceu doze objetivos para o novo VTR da JVC. Estes objetivos incluíam: O sistema deve ser compatível com qualquer aparelho de televisão comum. A qualidade de imagem deve ser similar ao de uma imagem de transmitida ao-vivo para as televisões. A fita deve conter a capacidade de gravação de pelo menos duas horas. As fitas devem ser intercambiáveis entre máquinas. O sistema em geral deve ser versátil, significando que pode ser dimensionado ou expansível, tendo a possibilidade de ser conectado a uma câmera ou entre dois gravadores. Os gravadores devem ser acessíveis, fáceis de operar, e possuírem uma manutenção acessível - de baixo custo. A possibilidade dos gravadores serem produzidos em grande quantidade, suas peças devem ser intercambiáveis, e eles devem ser fácil de serem operados.

No começo de 1972, a indústria de gravação de vídeo comercial no Japão levou um golpe financeiro. A JVC reduziu seus orçamentos e reestruturou sua divisão de vídeo, deixando de lado o projeto do VHS. No entanto, apesar do problema financeiro, Takano e Shiraishi continuaram a trabalhar no projeto em segredo. Em 1973, os dois engenheiros conseguiram desenvolver um protótipo funcional.

Competição com o Betamax thumb|Fita VHS ao lado de uma fita Betamax. Em 1974, o Ministério do Comércio e da Industria Internacional japonês, com o intuito de evitar a confusão pelo consumidor, tentou forçar a industria japonesa de vídeo a padronizar um único formato de gravação caseira. Posteriormente, a Sony havia um protótipo funcional do formato Betamax, e estava muito próxima de finalizar seu produto. Com este protótipo, a Sony persuadiu o MCII a adotar o formato Betamax, enquanto a JVC tentou convencer outras companhias.

A JVC acreditava que um padrão aberto, com o formato compartilhado com a maioria dos competidores sem o licenciamento da tecnologia, era melhor para o consumidor. Para evitar a MCII de adotar o Betamax, a JVC procurou convencer outras companhias, em particular, a Matsushita (a maior empresa fabricante de eletrônicos de seu período, comercializando seus produtos sob a produtora nacional na maioria dos territórios e na subdivisão da Panasonic na América do Norte, e na acionista majoritária da JVC), a aceitar o VHS e, assim, competir contra a Sony e a MCII.John Howells. "The Management of Innovation and Technology: The Shaping of Technology and Institutions of the Market Economy" [hardcopy], pg 76-81 A Matsushita concordou, principalmente com o receio de que a Sony poderia assumir a liderança da área se apenas para o formato Betamax fosse permitida sua produção. A Matsushita também considerou a desvantagem do formato Betamax por ter apenas uma hora de duração.

A colaboração entre as duas empresas conseguiu persuadir a Hitachi, Mitsubishi e a SharpMedia College "The Betamax vs VHS Format War", by Dave Owen, published: 2005-05-01 a colaborar com o padrão VHS. O lançamento do primeiro leitor de videocassete de fitas Betamax no mercado japonês em 1975 colocou mais pressão na MCII. Contudo, a colaboração da JVC com seus afiliados foi muito maior, e fez com que a MCII assinalasse como um padrão para a indústria. A JVC finalmente lançou as primeiras máquinas de VHS no Japão no final de 1976, e nos Estados Unidos no começo de 1977.

O Betamax da Sony competiu com o VHS do começo da década de 70 até a década de 80. As maiores vantagens do Betamax em relação ao VHS, eram referentes ao seu tamanho reduzido, melhor qualidade de vídeo, e mais antiga disponibilidade.

Em países que usavam o padrão NTSC de televisão, o Beta I foi capaz de gravar uma hora de programação em uma velocidade de fita de 1,5 polegadas por segundo (pps) – em seu modo standard-play (SP). Inicialmente, o VHS poderia gravar duas horas de programação à 1,31 pps. O tamanho reduzido da fita do Betamax tinha também um formato limitado de carretel, e não poderia competir com a capacidade de duas horas de duração do VHS. Ao invés disso, a Sony tinha que reduzir a velocidade para 0.787 pps (Beta II) para conseguir alcançar a gravação de duas horas com o mesmo tamanho de fita. Isso reduziu a qualidade outrora superior do Betamax, deixando pior que do VHS quando se comparado de gravações de duas horas. A Sony então lançou uma versão estendida do Betacassette (Beta III), que permitia o Betamax da região NTSC a ter um limite de gravação superior ao de duas horas, mas o formato VHS já havia ganhado a "batalha" dos formatos.

Além do mais, o VHS tinha um "mecanismo de transporte de fita muito menos complexo" que o Betamax, e as máquinas de VHS rebobinavam mais rapidamente que as rivais da Sony.

Nos países que utilizavam os formatos PAL e SECAM de televisão, o tempo de duração do Betamax era semelhante ao de um VHS, a qualidade ao menos aceitável, e a rivalidade entre ambos não durou por muito tempo.

O primeiro gravador lançado baseado no sistema VHS thumb|O JVC HR-3300U VIDSTAR – a versão americana do JVC HR-3300. Este é virtualmente idêntico em comparação a sua versão japonesa. A versão japonesa exibia o nome "Victor", e não utiliza o nome "VIDSTAR". O primeiro VCR para usar VHS foi o Victor HR-3300, sendo apresentado ao presidente da JVC no Okura Hotel em 9 de Setembro de 1976. A JVC começou a desenvolver o HR-3300 em Akihabara (Tokyo, Japão), em 31 de Outubro de 1976. Versões para determinadas regiões foram posteriormente distribuídas, como o HR-3300U para os Estados Unidos, e o HR-3300EK, para a Inglaterra. O Estados Unidos recebeu seu primeiro VCR - RCA VBT200 -, em 23 de Agosto de 1977. A unidade de RCA foi desenvolvida pela Matsushita, tendo esta desenvolvido o primeiro leitor de VCR baseado na leitura de VHS que não fosse a JVC. Ele também era capaz de gravar quatro horas no modo LP (long play). A Inglaterra posteriormente recebeu seu primeiro sistema de VCR em 1978, sendo este o HR-3300EK.

A Quasar e a General Electric, iriam se basear no sistema baseado em VHS - isto é, todos desenvolvidos pela Matsushita. Em 1978, a Matsushita (Panasonic) sozinha foi capaz de produzir pouco mais da metade de todos VCRs japoneses.

Detalhes técnicos O design da fita thumb|Visão superior de um VHS com a carcaça frontal removida. A fita em VHS possui 187mm, 103mm de profundidade, e 25mm de espessura (73⁄8 × 41⁄16 × 1 polegadas); consiste a mesma em um escudo plástico, fixado por cinco parafusos Phillips. O plástico superior que protege a fita possui um trinco interno de alternância em seu lado direito (como mostrado na imagem ao lado). O VHS também possui o mecanismo anti-despooling, consistindo este de diversas partes de plástico entre os carretéis de plástico, situado na frente da fita (a parte em preto e branco como apresentado na imagem). Os carretéis de plástico são liberados por uma alavanca de transição de 6,35mm (¼ polegada), que possuem acesso à parte inferior da fita, tendo 19mm (¾ de polegada) para a parte interna da borda ".