Objeto voador não identificado (OVNI), também chamado de UFO (da sigla em inglês para unidentified flying object), e mais recentemente chamado de unidentified anomalous phenomenon (UAP) (em português: fenômenos anômalos não identificados), é um objeto ou luz vistos no céu (ou ocasionalmente em terra, ou no mar) que não consegue ser identificado pelos observadores com os meios de exame ao seu dispor.
A maioria dos relatos de objetos voadores não identificados, depois de investigados, são identificados como fenômenos mundanos ou naturais. Para uma parcela entre 25% e 30% dos casos estudados, não é encontrada explicação plausível.
O termo é amplamente usado para alegações de observação de aeronaves extraterrestres, mas não existe evidência científica para suportar a ideia de uma origem extraterrena.
Definição O Relatório Condon, publicado em 1968 por um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado, sob direção científica do físico nuclear Dr. Edward Condon e financiado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), definiu OVNI como sendo um "estímulo que provoca um relato, por um ou mais indivíduos, de algo visto no céu (ou um objeto considerado capaz de voar, mas pousado na terra) que o observador não consegue identificar como tendo uma origem natural vulgar, parecendo-lhe suficientemente enigmática a ponto de comprometê-lo a fazer um relatório à polícia, autoridades governamentais, imprensa, ou talvez a representantes de organizações privadas devotadas ao estudo de tais objetos".
O falecido astrônomo e ufólogo estadunidense J. Allen Hynek, em seu livro The UFO Experience de 1972, dividiu seus pares em dois grupos. Um ridicularizava o assunto, se recusando a investigá-lo. O outro, se investigasse, o trataria como um fenômeno psicológico, mesmo que envolvesse mais de uma pessoa. Declarações foram contestadas por ele: de que nunca pessoas treinadas cientificamente relatavam OVNIs. Ele contestou. De que os relatos vinham de pessoas sem instrução, novamente contestou: não significava sem inteligência. Que vinham de pessoas com instabilidade mental. Hynek alegou que pesquisas com doentes mentais não comprovavam tal ligação. Em 1981, escreveu que três aspectos trouxeram grande descrédito ao tema: que os declarados OVNIs eram na maioria dos casos equívocos de eventos comuns; a crença do não estamos sós e grupos muito ativos de crentes em visitas celestiais, com fervor quase religioso. Para combater esses equívocos e a noção de que OVNI é sinônimo de visitantes espaciais, em 1972 ele o definiu como: "a percepção relatada de um objeto ou luz vistos no céu ou sobre a terra, cuja aparência, trajetória e comportamento dinâmico geral; e luminescente não sugerem uma explicação lógica e convencional, e que não só é incompreensível para os percipientes originais, mas permanece não identificada após um exame minucioso de todas as evidências disponíveis por pessoas tecnicamente capazes de, com bom senso, fazer uma identificação se ela for possível".
O astrofísico e ufólogo francês Jacques Vallée em seu livro Anatomy of a Phenomenon de 1965, propôs uma das primeiras definições de OVNI: seriam manifestações encontradas entre relatos da percepção de uma imagem visual, comumente interpretada pela testemunha como a de um objeto voador material, que possuiria pelo menos umas das seguintes características: uma aparência que, para a testemunha, seria incomum. Em 1990, em seu livro Confrontations, Vallée retomou a discussão de sua proposta de 1965 e a definição proposta por Hynek em 1972. As duas, na verdade, seriam insuficientes. Em Hynek, uma primeira inconsistência seria o pressuposto de que sempre haveria um grupo de pessoas capazes de chegar a um consenso sobre luzes estranhas e a segunda porque deixava de fora uma gama de fenômenos que outros pesquisadores consideravam importante no contexto OVNI, como o próprio Vallée. Esses fenômenos aparentemente distintos e não ligados aos objetos voadores não identificados, na verdade, integrariam um conjunto de fenômenos interligados, como seres vistos ou efeitos físicos incomuns em contexto não OVNI. Vallée reformulou sua definição: "Os fenômenos UFO são encontrados entre relatos de objetos, luzes, seres ou efeitos físicos que são considerados pelas testemunhas como anomalias por causa de sua aparência ou comportamento."
Termos correlatos
UFO
UFO é a sigla, em inglês, para Unidentified Flying Objects (objetos voadores não identificados). Esse termo foi criado no âmbito do Projeto Livro Azul, pelo capitão da USAF, Edward J. Ruppelt. Em seu livro The Report on Unidentified Flying Objects de 1956, Ruppelt declara: "UFO é o termo oficial que eu criei para substituir as palavras discos voadores". No Oxford English Dictionary, é atribuída a primeira referência publicada do termo ao major da marinha Donald Keyhoe em 1953.
UAP
UAP é a sigla, em inglês, para Unidentified Aerial Phenomena (fenômenos aéreos não identificados) utilizado no âmbito da National Aviation Reporting Center on Anomalous Phenomena (NARCAP), como alternativa ao termo UFO, porque usado muitas vezes como sinônimo de espaçonave extraterrestre. Sua definição pela NARCAP guarda semelhanças com a definição do Relatório Condon e de Hynek. O cientista chefe da NARCAP, Dr. Richard F. Haines, definiu em 1980 o UAP como o estímulo visual que provoca um relatório de observação de um objeto ou luz vista no céu, com aparência e, ou dinâmica de voo que não possuam a lógica de um objeto voador convencional e que permaneça não identificado após a análise de todas as evidências disponíveis por pessoas que são tecnicamente capazes de fazê-lo.
PAN
PAN é o acrônimo para Phénomenès Aérospatiaux Non identifiés (fenômenos aeroespaciais não identificados), utilizado no âmbito do Grupo de Estudos e de Informações sobre os Fenômenos Aeroespaciais Não Identificados (GEIPAN) do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) da França. PAN Classe A: Observação explicada de forma inequívoca; PAN Classe B: Observação em que a suposição feita pelo GEIPAN é considerada muito provável; PAN Classe C: Observação não explorada por falta de informações; PAN Classe D: Observação não explicada apesar da evidência disponível para o GEIPAN. PAN D1: Correspondente a fenômenos estranhos, associado a um único testemunho, nenhuma foto ou vídeo. PAN D2: Que correspondem a fenómenos muito estranhos e alta consistência: várias testemunhas independentes e / ou fotografia ou vídeo e / ou vestígios na terra.
OANI
OANI é o acrônimo para Objetos Aéreos Não-Identificados, utilizado pela Força Aérea Brasileira, no âmbito do Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (SIOANI), que foi uma estrutura organizacional criada pelo Comando da 4ª Zona Aérea, para investigação e pesquisa científica dos OANIs, entre os anos de 1969 e 1972. Sua área de atuação foi principalmente o Estado de São Paulo, mas investigou casos em vários outros.
Discos voadores
A expressão popular disco voador é traduzida do inglês flying saucer (pires voador), utilizada pela primeira vez na edição de 25 de junho de 1947 do jornal Y East Oregonian, quando foi publicada uma entrevista com o piloto civil Kenneth Arnold, sobre sua observação de nove objetos voadores em forma de disco muito brilhantes, que comparou a pires saltando sobre a água, quando sobrevoava a área do Monte Rainier, Estados Unidos. No mesmo dia, um despacho de imprensa enviou a notícia ao escritório da Associated Press em Portland, espalhando a história dos discos voadores por todo o globo. Na cultura popular e nas mídias é comumente utilizado para denominar genericamente um objeto voador não identificado, hipoteticamente extraterrestre. Muitos ufologistas e entusiastas tratam os termos OVNI, UFO e discos voadores como sinônimos de naves de outros planetas, visão não compartilhada por tantos outros ufologistas e entusiastas e pela ciência.
História miniatura|220px|direita| Vädersolstavlan (ou o Quadro das Luzes) representando um fenómeno óptico atmosférico, observado sobre Estocolmo a 20 de Abril de 1535. Embora o Sol, segundo o quadro, se encontrasse no lado oposto ao fenómeno, este tem sido interpretado como um parélio. miniaturadaimagem|O fenômeno sobre a cidade alemã de Nuremberga em 14 de abril de 1561, conforme publicado num folheto noticioso nesse mesmo mês.|alt=|direita miniaturadaimagem|Desenho ilustrando os acontecimentos de 1566 sobre Basileia.|alt=|direita Observações de objectos voadores invulgares têm sido relatadas ao longo da história. Alguns episódios bíblicos - como, por exemplo, as visões do profeta Ezequiel - são interpretados por alguns ufologistas, como episódios de encontros com OVNIs. Jacques Scornaux e Christiane Piens acham isso talvez um claro abuso de interpretação: não podemos ver extraterrestres a intervir em todo o lado. Os dois autores anotam que tais escritos estão pesadamente carregados de símbolos, e de qualquer modo, milénios depois, é demasiado tarde para saber o que realmente se passou. Em contrapartida, aceitam melhor a possível origem extraterrena dos vimanas, terríveis engenhos armados descritos em alguns textos sagrados da Índia.
Qualquer que seja a sua verdadeira natureza, tais fenômenos ao longo da história têm sido considerados como acontecimentos sobrenaturais, demónios, anjos, ou outras figuras ou sinais religiosos. A historiadora de arte Daniela Giordano aponta para muitas pinturas e objetos medievais que mostram alguns objetos incomuns no ar; ela reconhece que muitas dessas imagens são difíceis de interpretar, mas comenta que alguns dos objetos são espantosamente semelhantes aos avistamentos de OVNIs de tempos mais recentes.
Shen Kuo (1031 - 1095), da dinastia Song chinesa, numa passagem do seu livro Essays from the Pool (1088) registrou os relatos de testemunhas oculares do século XI, afirmando terem visto um objeto voador enorme, em forma de pérola, que se podia mover a uma velocidade incrível.
Em 14 de Abril de 1561, em Nuremberga, ao amanhecer, muitas pessoas testemunharam o aparecimento, nos céus da cidade, de vários objectos voadores desconhecidos: esferas, discos, cruzes e cilindros contendo no seu interior vários objectos menores, em forma de bola, assim como um enorme objecto alongado negro em forma de lança. Todos estes objectos pareciam lutar uns contra os outros.
Em 1566 sobre Basileia, na Suiça, foram relatados acontecimentos semelhantes, descritos na "Gazette de Bâle" por Samuel Coccius. Numerosas bolas vermelhas e pretas no céu pareciam lutar nos céus e seguidamente consumiam-se. Um desenho da época recorda o acontecimento.
Em 1919, o norte-americano Charles Fort publica o seu mais famoso livro, The Book Of The Damned (O Livro dos Danados). O escritor é, de certo modo, um percursor da chamada "ufologia": coleciona milhares de fatos insólitos sem explicação científica, (pelo menos à época) entre os quais os relatos de objetos voadores desconhecidos.
Em 24 de Junho de 1947, o piloto privado Kenneth Arnold afirmou ter visto uma série de nove objectos voadores brilhantes e não identificados a voar cerca do Monte Rainier a velocidades que Arnold estimou num mínimo de 1932 km/h.
Encontros imediatos - Classificação Encontro imediato ou contato imediato é um evento em que uma ou mais pessoas percebe a presença de um OVNI e, ocasionalmente, seus hipotéticos ocupantes. Dois sistemas de classificações desses encontros são amplamente aceitos.
Sistema Hynek