foi um mangaká, um quadrinista de mangás, bastante influente no Japão e no resto do mundo, lembrado por muitos como o ou simplesmente . Tezuka foi um grande influenciador, tendo servido de exemplo a outros grandes artistas de mangá, como Go Nagai, Shotaro Ishinomori, Rumiko Takahashi e a dupla Fujiko Fujio.

Tezuka começou o que ficou conhecido como a revolução do mangá no Japão com sua obra Shin Takarajima, publicada em 1947. Sua produção lendária geraria algumas das séries de mangá mais influentes e bem-sucedidas da história, incluindo Astro Boy, Kimba, o Leão Branco, Dororo, Black Jack e Hi no Tori, que ganhou diversos prêmios.

Tezuka morreu de câncer de estômago em 1989. Sua morte teve um impacto imediato no público japonês e em outros mangakás. O Museu Tezuka Osamu foi construído em Takarazuka dedicado à sua memória e obras, e Tezuka recebeu muitos prêmios póstumos. Vários animes estavam em produção no momento de sua morte, juntamente com os capítulos finais de Hi no Tori, que nunca foram lançados.

Biografia Sua grande produtividade e suas técnicas e gêneros pioneiros transformaram o mundo das histórias em quadrinhos no Japão. Não é o inventor dos mangás, é o autor que os popularizou. O desenho de Tezuka é facilmente identificável: o traço é claro, as imagens, simples, o enquadramento cinematográfico e o humor têm sempre seu lugar. O autor nunca hesita em se colocar em cena, com sua silhueta reconhecível principalmente por sua boina e seus óculos grossos. No entanto, não se coloca sempre em bons papéis e é expulso de cena às vezes.

Uma indicação de sua produtividade: a sua obra completa publicada no Japão reuniu cerca de 400 volumes, mais de 80 000 páginas (na verdade, sua obra completa chega a mais de 700 mangás com mais de 150 000 páginas). A grande maioria dessas obras nunca foi traduzida do original japonês e continua inacessível aos leitores do Ocidente.

Infância Nascido em Toyonaka, distrito de Osaka, a família mudou-se para Takarazuka quando tinha apenas cinco anos.

Seus pais estimulavam muito a criatividade dos filhos (ele tinha um irmão e uma irmã mais novos). Sua mãe levava-os para concertos e para as peças do famoso Teatro de Takarazuka e seu pai tinha um projetor de filmes em que exibia, por exemplo, O Gato Félix, O Marinheiro Popeye, Betty Boop e Mickey Mouse. Influenciado por animações de Walt Disney, mais tarde Osamu diria que assistiu à Bambi mais de 80 vezes.

Já nessa época fazia histórias em quadrinhos e criava personagens, muitos dos quais baseados em seus amigos e professores, ou, como o Higeoyaji ("Papai Bigode", em japonês), baseado em um desenho que um amigo fez do próprio pai. Quanto aos amigos, se inicialmente tinha problemas com as crianças da mesma idade, pouco depois participava dos clubes de história, geografia e música na escola e chegou mesmo a criar um clube para estudos sobre insetos. Ao andar pelos campos de Takarazuka para recolher e estudar insetos, ele adquiriu o senso de preservação do meio ambiente que apareceria posteriormente.

Quando se iniciou a Segunda Guerra Mundial, Osamu tinha onze anos e acabou trabalhando em uma fábrica nos anos finais desta. A guerra marcaria sua visão de mundo e a paz e o apreço à vida se tornariam valores defendidos por ele em suas obras.

Início da carreira à consagração Em 1945, então com dezessete anos, Tezuka se iniciou estudo de medicina na Universidade de Osaka. E nessa época conhece Sakai Shichima que pouco depois, pede para ele desenhar um mangá em formato akabon ("livro vermelho", do tamanho de um cartão postal) baseado na história escrita por Sakai, Shin Takarajima ("Nova Ilha do Tesouro"), que acabou vendendo 400 000 cópias e trazendo alguma fama a Tezuka. Mas o início de sua carreira como desenhista de mangá se dá em 1946, um ano antes da publicação de Shin Takarajima, quando começa a escrever a tira de jornal no formato yonkoma O Diário de Ma-chan no jornal Shokokumin Shinbun, oJornal das crianças da escola de Mainichi.Gravett, Paul. 2004. Manga: Sixty Years of Japanese Comics. NY: Harper Design. ISBN 1-85669-391-0 miniaturadaimagem|Tezuka Osamu em 1953

Em 1951, Tezuka se juntou ao grupo conhecido como Tokyo Children Manga Association, que consiste em outros artistas de mangá, como Noboru Baba, Jiro Ota, Furusawa Hideo, Fukui Eiichi, Irie Shigeru e Negishi Komichi.

Com o sucesso de Shin Takarajima, Tezuka viajou para Tóquio em busca de uma editora para mais de seu trabalho. Depois de visitar a editora Kobunsha, Tezuka foi recusado. No entanto, a editora Shinseikaku concordou em comprar The Strange Voyage of Dr. Tiger e Domei Shuppansha compraria .

Enquanto continuava seus estudos na faculdade de medicina, Tezuka publicou suas primeiras obras-primas: uma trilogia de épicos de ficção científica chamada Lost World, Metropolis e Next World.

Logo depois que Tezuka publicou seu primeiro grande sucesso, Kimba, o leão branco, foi publicado em Manga Shonen de 1950 a 1954. Em 1951, Tezuka se formou na Escola de Medicina de Osaka e publicou o Atomu Taishi, a primeira aparição do personagem Atom, conhecido no ocidente como Astro Boy.

Em 1952, o Atomu Taishi provou ser apenas um leve sucesso no Japão; no entanto, um personagem em particular tornou-se extremamente popular entre os garotos jovens: um robô humanoide chamado Atom.Frederik L. Schodt. "The Astro Boy Essays: Osamu Tezuka, Mighty Atom, and the Manga/Anime Revolution". (2007) Berkeley: Stone Bridge Press, p. 4. ISBN 978-1-93333054-9. Tezuka recebeu várias cartas de muitos garotos.Frederik L. Schodt. "The Astro Boy Essays: Osamu Tezuka, Mighty Atom, and the Manga/Anime Revolution". (2007) Berkeley: Stone Bridge Press, p. 20. ISBN 978-1-93333054-9. Esperando sucesso com uma série baseada em torno de Atom, o produtor de Tezuka sugeriu que ele recebesse emoções humanas.Frederik L. Schodt. "The Astro Boy Essays: Osamu Tezuka, Mighty Atom, and the Manga/Anime Revolution". (2007) Berkeley: Stone Bridge Press, p. 21. ISBN 978-1-93333054-9. Um dia, enquanto trabalhava em um hospital, Tezuka recebeu um soco no rosto de um soldado americano. Esse encontro deu a Tezuka a ideia de criar o Atom. Em 4 de fevereiro de 1952, Tetsuwan Atom começou a ser publicado na Weekly Shonen Magazine. O personagem Atom e suas aventuras se tornaram um fenômeno instantâneo no Japão.

Em 1954 Tezuka publicou pela primeira vez o que ele consideraria o trabalho de sua vida, Phoenix, que originalmente apareceu em Mushi Production Commercial Firm. Em 1958 Tezuka foi convidado pela Toei Animation para que seu mangá "Boku no Son Goku" pudesse ser adaptado em uma animação. Foi amplamente divulgado que Tezuka trabalhou como diretor no filme, embora o próprio Tezuka tenha negado trabalhar nele. Estava envolvido apenas em sua promoção, o que mais tarde despertou seu interesse pela indústria da animação. O filme foi lançado como Saiyu-ki em 1960 e Alakazam no Ocidente.

Em 1961, Tezuka entrou para a indústria de animação no Japão fundando a produtora Mushi Productions rivalizando com a Toei Animation. Começou a inovar a indústria com a transmissão da versão animada de Astro Boy em 1963. Esta série criaria o primeiro sucesso modelo para produção de animação no Japão e também seria a primeira animação japonesa dublada em inglês para uma audiência americana. Outras séries foram posteriormente transportadas para a animação, incluindo Kimba, o leão branco, a primeira série de animação japonesa produzida em cores. Em 1967, a primeira série animada japonesa produzida pela produção japonesa de animação no Japão para produção de animação no Japão para um público americano. Em resposta à revista, Garo e o movimento gekigá, Tezuka criou a revista COM, Tezuka deixou o cargo de diretor em 1968 para fundar um novo estúdio de animação, Tezuka Productions, e continuou experimentando com animação no final de sua vida. A Mushi Productions entrou em colapso financeiro e as consequências produziriam vários influentes estúdios de produção de animação, incluindo o Sunrise.

Com dores no abdômen, Tezuka foi internado e acabou morrendo de câncer de estômago aos 60 anos, em 9 de fevereiro de 1989 em Tokyo.Patten, Fred (2004), Watching Anime, Reading Manga: 25 Years of Essays and Reviews, Stone Bridge Press, p. 198. ISBN 1-880656-92-2

Mangás e animes Essa lista traz apenas as obras de maior destaque do autor. Os anos citados ao lado de cada título referem-se ao período de publicação de cada mangá.

Ma-chan no Nikkichou (O Diário de Ma-chan), 1946. A estreia de Tezuka como desenhista profissional de mangá se deu com essa tira no jornal Shokokumin Shimbun em Osaka. Tinha dezessete anos quando começou a publicar as tiras. Shin Takarajima (Nova Ilha do Tesouro), 1947. Este é o mangá que tornou Tezuka famoso no Japão. É uma história de ação sobre um menino chamado Pete que acha o mapa de um tesouro e parte em busca deste. Baseado no livro de seu amigo do grupo de mangakás de Kansai. Seu estilo ocidental e sua narrativa inovadora atraíram muita atenção e o tornaram um best-seller com 400 000 cópias vendidas abrindo terreno para a mania de mangá e seu estilo moderno. Jungle Taitei (Kimba, o Leão Branco) 1950–54. Mais conhecido no Ocidente como Kimba, o Leão Branco, este mangá estabeleceu uma das mais icônicas criações de Tezuka. Sua primeira obra seriada de longa duração segue as aventuras de Leo, o leão, e sua tentativa de suceder seu pai, morto por um caçador, como rei da selva. Em 1965, a Mushi Productions fez uma série animada baseada no mangá, a primeira animação colorida da televisão japonesa. Alguns fãs são de opinião que a história foi plagiada pela Walt Disney Company em 1994 como O Rei Leão e que Tezuka nunca recebeu crédito da Disney pela criação, muito menos dinheiro. Tetsuwan Atom (Astro Boy), 1952–1968. A sequência de Captain Atom faz de Astro Boy o personagem principal. Eventualmente, esta se tornaria a mais famosa criação de Tezuka. Em 1963, Astro Boy estreia como o primeiro programa comercial animado da televisão japonesa. O programa semanal de cinte e três minutos obteve altos índices de aprovação do público e da crítica, e gerou a primeira mania de anime no Japão. No Brasil somente a versão de 2003 foi exibida. Diversas outras séries de Astro Boy têm sido feitas desde então. Ribbon no Kishi (A Princesa e o Cavaleiro), 1953-1956. "Cavaleiro do Laço" ou "Cavaleiro da Fita", em japonês, o título que relata as desventuras da Princesa Saphire, que precisa fingir ser um homem porque o trono da Terra de Prata só pode ser ocupado por homens. O mangá tem forte inspiração nos temas e estilos dos musicais do Teatro de Takarazuka a que Tezuka assistia em sua juventude. O próprio Ribbon no Kishi criou um gênero inédito no mundo, o de quadrinhos que tem como público-alvo as meninas (chamado shōjo) e estabeleceu muitos dos temas dos shōjos posteriores. Foi transformado em anime em 1967 e exibido no Brasil entre 1973 e 1984, com enorme sucesso, inclusive tendo alguns episódios com a dublagem clássica resgatados de velhos rolos de filmes e lançados no mercado brasileiro de home video (fora de sequência). Hi no Tori (Pássaro de Fogo/Phoenix), 1956-1989. A obra mais profunda e ambiciosa de Tezuka, lidando com a busca do homem por imortalidade, estende-se do passado distante ao futuro longínquo. Ficou inacabada. Adolf (Adolf ni Tsugu/Message to Adolf),1983-1985. Relata a história de três Adolfs, sendo um deles o próprio Hitler. Além de contar a história da Segunda Grande Guerra do ponto de vista de ambos os lados, expressa a dor e os sentimentos de Tezuka na Guerra. Black Jack, 1973–1983. A história de Black Jack, um talentoso cirurgião que cobra enormes quantias para realizar cirurgias. Este é o mais longo trabalho de Tezuka. A obra recebeu o Japan Cartoonists' Association Special Award em 1975 e o Koudansha Manga Award em 1977.