Sergio Miceli Pessôa de Barros (Rio de Janeiro, 16 de maio de 1945 – São Paulo, 12 de dezembro de 2025) foi um sociólogo, escritor e professor brasileiro, membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
Biografia Trajetória acadêmica Nascido na cidade do Rio de Janeiro, graduou-se em Ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 1967.
Mudou-se para cidade de São Paulo, para fazer seu mestrado na Universidade de São Paulo (USP), onde obteve a titulação no ano de 1971, com A Noite da Madrinha - Ensaio sobre a Indústria Cultural no Brasil, sob a orientação de Leôncio Martins Rodrigues. A dissertação era a primeira a falar de indústria cultural dentro da sociologia da USP e foi um marco para disciplina. Seguindo a tradição de Florestan Fernandes as pautas dos projetos eram até então voltadas para os processos industriais, sindicais e conflitos entre o Brasil agrário e o moderno, segundo a dialética materialista de Karl Marx.
Ainda em 1971, tornou-se professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), onde permaneceu até 1986.
Em 1978, obteve dupla titulação no doutorado, pela USP, orientado por Leôncio Martins Rodrigues, e pela École des hautes études en sciences sociales, sob a orientação de Pierre Bourdieu, com a tese Intelectuais e Classe Dirigente no Brasil, 1920-1945. Pinheiro, Fernando Antonio; Jackson, Luiz Carlos. Sergio Miceli. Sociedade Brasileira de Sociologia. A tese de doutorado foi inovadora, pois pela primeira vez um sociólogo via os intelectuais brasileiros segundo seus aspectos objetivos da vida material, condições sociais e trajetórias desses autores, atrelados às obras produzidas.
Miceli apresentou as premissas do filósofo, antropólogo e sociólogo Pierre Bourdieu à USP em um momento em que as teorias de Karl Marx estavam em alta na universidade. Foi o responsável pelo fortalecimento da sociologia da cultura no âmbito paulista e de setores antes pouco privilegiados, como a sociologia da arte.
Defendeu sua tese de livre-docência, A Elite Eclesiástica Brasileira, 1890-1930, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1986.
Tornou-se professor da USP a partir de 1989, mesmo ano em que se deu a publicação da História das Ciências Sociais no Brasil (vol.1, 1989; vol.2, 1995), obra coletiva que coordenou no Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo (IDESP) e que reuniu pesquisadoras e pesquisadores como Lilia Schwarcz, Mariza Corrêa, Heloisa Pontes, Maria Arminda do Nascimento Arruda, Fernando Limongi e Maria Hermínia Tavares de Almeida, entre outros.
Foi professor visitante da Escola Nacional de Antropologia e História do México, da Universidade da Flórida (1987-1988), da Universidade de Chicago (1991 - 1992), da Universidade Stanford (2001-2002) e da École des Hautes Études en Sciences Sociales (2004-2005).
Foi secretário executivo da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Ciências sociais (Anpocs), entre 1983 e 1988.
Também foi comendador da República e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
Faleceu em 12 de dezembro de 2025. Ocupava, desde 2022, o cargo de diretor-presidente da Editora da Universidade de São Paulo.
Vida pessoal Sergio Miceli foi casado com a antropóloga Heloisa André Pontes.
Publicações Sergio Miceli foi autor ou coautor de mais de 40 livros. Também organizou coletâneas, destacando-se A economia das trocas simbólicas, de Pierre Bourdieu, e escreveu inúmeros artigos. Sergio Miceli Pessoa de Barros. Portal de Dados. FFLCH-USP. Livros (lista parcial) A noite da madrinha. Perspectiva, 1972. Poder, sexo e letras na República Velha: estudo clínico dos anatolianos, Perspectiva, 1977. Estado e cultura no Brasil, Editora Difel, 1984. Política cultural comparada, Fundação Nacional de Artes (FUNARTE), 1985. Imagens Negociadas. Retratos da Elite Brasileira (1920-40). Companhia das Letras, 1996.Sorá, Gustavo. Imagens negociadas. Retratos da elite brasileira (1920-40) (resenha). Mana 3 (1), abril de 1997. A economia das trocas linguísticas, Editora da Universidade de São Paulo. Companhia das Letras, 1996. O que ler na ciência social brasileira, Editora Sumaré, 1999. Intelectuais à brasileira, Companhia das Letras, 2001. Nacional estrangeiro: história social e cultural do modernismo artístico em São Paulo, Companhia das Letras, 2003.Maia, João Marcelo Ehlert. Nacional estrangeiro. História social e cultural do modernismo artístico em São Paulo. (resenha). Mana 10 (1), abril de 2004. A elite eclesiástica brasileira: 1890-1930, Companhia das Letras, 2009. Vanguardas em retrocesso: ensaios de história social e intelectual do modernismo latino-americano, Companhia das Letras, 2012. Cultura e sociedade: Brasil e Argentina, Editora da Universidade de São Paulo, 2014. Sonhos da periferia, Editora Todavia, 2018. Retratos latino-americanos: a recordação letrada de intelectuais e artistas do século XX, Editora SESC, 2019. A Força do Sentido. São Paulo : Perspectiva, 2022. Lira mensageira: Drummond e o grupo modernista mineiro. Todavia, 2022.Machado, Ricardo. Drummond e o modernismo mineiro. A incontornável relação entre as elites políticas e os intelectuais modernistas. Entrevista especial com Sergio Miceli, ihu.unisinos.br, 19 Abril 2022
Prêmios e títulos 2012 – Prêmio Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) 2011 de Orientador da Melhor Tese de Doutorado em Sociologia do Brasil (Dmitri Cerboncini Fernandes). 2010 – Ganhador da Ordem do Rio Branco. 2010 – Eleito membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC). 2005 – Ordem Nacional do Mérito Científico - Classe Comendador, Presidência da República/Ministério da Ciência e Tecnologia. 2004 – Escolhido para a Cátedra Sergio Buarque de Holanda, Maison des Sciences de l'Homme. 2001 – Fellow, Center for Advanced Studies in the Behavioral Sciences, Palo Alto, Califórnia. 1992 – Professor-Titular de Sociologia, USP. 1988 – Prêmio de melhor obra em Ciências Sociais para o livro A elite eclesiástica brasileira, Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS). 1981 – Bolsa para o Projeto The Sociology.
Ligações externas Entrevista com Sergio Miceli, por Helena Maria Bousquet Bomeny. Projeto Cientistas sociais de países de Língua Portuguesa: histórias de vida. FGV-CPDOC, 10 de fevereiro de 2012. REQUENA, Brian Henrique de Assis Fuentes. A invenção do intelectual: a trajetória do sociólogo brasileiro Sergio Miceli. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/455114465/A-invencao-do-intelectual-a-trajetoria-do-sociologo-brasileiro-Sergio-Miceli REQUENA, Brian Henrique de Assis Fuentes. Bourdieu sou eu (ou quase). Revista CULT, ed. 166, p. 42-47, março de 2012. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/455116891/Bourdieu-sou-eu-ou-quase
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