miniatura|350px|Fotografia aérea da ilha (1987). Note-se na parte centro-direita da ilha a altíssima torre da estação LORAN. , também conhecida por Minamitori-shima ou ilha Marcus, é uma pequena ilha oceânica remota, de forma grosseiramente triangular, com cerca de 6 km de perímetro e com apenas 1,2 km² de área. A ilha constitui o território mais oriental sob soberania do Japão, estando administrativamente integrada nas ilhas Ogasawara, embora se situe a 1 848 km a sueste de Tóquio e 1 267 km ao leste da ilha japonesa mais próxima, Minami Iōjima nas Ilhas Ogasawara. A terra mais próxima é o ilhéu desabitado de Farallón de Pájaros, nas Ilhas Marianas, que está a 1 021 km a oeste-sudoeste, a que se segue a ilha Wake, a 1 415 km a este-sueste.
Situada na região oeste do Oceano Pacífico tropical, o clima da ilha é caracterizado pela dominância dos alísios soprando de leste com velocidade média anual de 14 nós, sendo mais fraco no Verão. A temperatura média anula do ar é de 26º C, oscilando entre 16º e 36º. A precipitação é regular, distribuindo ao longo de todo o ano, sendo a média de apenas cerca de 1000 mm por ano. Nos meses de Setembro e Outubro podem ocorrer nevoeiros.
O primeiro registo visual conhecido da ilha deve-se a uma embarcação espanhola, de que era capitão Andrés de Arriola, que em 1694, na viagem de retorno desde Manila a Acapulco a avistou.
Contudo, a sua localização não foi registada rigorosamente e depois da passagem de Arriola a ilha voltou a cair no esquecimento, embora seja de admitir algum registo visual ocasional. O primeiro registo moderno confirmado data de 1864, ano em que a ilha foi assinalado pelo navio Morning Star, comandado pelo capitão Charles W. Gelett, quando transportava missionários provenientes do Hawaii, mas que, dada a ausência de habitantes e pequenez da ilha, não se detiveram para a explorar.
Uma década depois, em 1874, a ilha foi visitada pelo USS Tuscarora, um navio oceanográfico dos Estados Unidos, então sob o comando do capitão George E. Belknap (1832 - 1903), que determinou a sua posição como sendo 24º 14’ N 154º E e a cartografou.
As primeiras visitas por expedições japonesas ocorreram em 1874 e 1879, quando um grupo liderado por Kiozaemon Saito desembarcou na ilha e procedeu ao seu reconhecimento.
Logo no ano seguinte, 1880 o navio de guerra francês Éclaireur, visitou a ilha e procedeu ao levantamento cartográfico das águas circundantes.
Nas cartas europeias editadas desde os finais do século XIX a ilha parece assinalada como ilha Marcus, embora não seja certo por quem e quando lhe foi atribuído aquele nome embora, sem prova documental segura, se pense que terá sido o capitão Obed Shearman, a bordo da barca baleira Marcus, do porto americano de Fairhaven, Massachusetts, por volta de 1839.Rodrigue Levesque, The odyssey of Captain Arriola and his discovery of Marcus Island in 1694 - Mexican seaman Andres de Arriola in The Journal of Pacific History, Setembro de 1997.
Com o crescimento da procura de guano para utilização como fertilizante fosfatado, a ilha, que era rica naqueles depósitos, passou a ser atractiva. Foi nesse contexto que nova expedição japonesa, desta feita liderada por Shinroku Mizutani, desembarcou na ilha a 3 de dezembro de 1896, determinando que as quantidades existentes permitiam uma exploração comercial viável. Regressado ao Japão, Shinroku Mizutani organizou uma equipa constituída por 23 trabalhadores que desembarcaram na ilha a 28 de dezembro daquele ano, iniciando a extracção e exportação do guano.
A 19 de julho de 1898, o governo imperial japonês declarou a anexação da ilha, atribuindo-lhe oficialmente o nome de Minamitorishima, e concedeu a posse do território e a licença para explorar guano durante 10 anos a Shinroku Mizutani.
Nos anos de 1942 e 1943, no contexto da Batalha do Pacífico da Segunda Guerra Mundial, a ilha foi bombardeada pela aviação e pela artilharia naval norte-americana, sem contudo conseguir a sua rendição ou ocupação. A maioria dos cerca de 4 500 soldados japoneses ali estacionados regressou em segurança às suas casas após o termo do conflito.
Na sequência da derrota japonesa, em 1951 o Tratado de São Francisco coloca a ilha sob jurisdição dos Estados Unidos, que nela mantêm um contingente militar da sua Guarda Costeira. Em 1964, a Guarda Costeira dos Estados Unidos instalou na ilha uma estação da rede Loran-C, então equipada com a torre mais alta da Oceania.
Apesar de no mês de junho de 1968 a soberania japonesa sobre a ilha ter sido restaurada na sequência da devolução pelos Estados Unidos das ilhas Ogasawara ao Japão (e da compra da ilha pelo Japão), a Guarda Costeira manteve na ilha um destacamento de 23 homens encarregues da manutenção da estação LORAN-C. Este destacamento manteve-se até à entrega da estação ao governo japonês a 30 de setembro de 1993.
Na actualidade a ilha alberga alguns elementos dos serviços meteorológicos japoneses, da marinha e da guarda costeira nipónicas. A ilha é agora usada essencialmente para fins de navegação aérea e marítima e de meteorologia. A ilha tem também uma pequena estação de rádio. A ilha, por ser remota e pouco habitada, é muito procurada para contactos no âmbito do radioamadorismo, na sua vertente DX e IOTA.
Minerais Em abril de 2018, o Wall Street Journal anunciou que ao largo da ilha de foram encontradas grandes quantidades de minerais usados na criação de tecnologias. De acordo com o estudo, o ítrio poderá ser explorado para os próximos 780 anos, o európio por 420 anos, o térbio por 620 anos e o disprósio poderá ser explorado nos próximos 730 anos.
Uma cronologia de Minamitorishima 1694 — Registo visual por Andrés de Arriola; 1864 — Registo visual por um navio havaiano; 1874 — Exploração e mapeamento pelo USS Tuscarora; 1879 — Primeira vista conhecida de japoneses; 1880 — Exploração pelo navio de guerra francês Éclaireur; 1896 — Instalação na ilha de uma equipa japonesa de extracção de guano; 1898 — A 19 de julho, o Japão anexa a ilha, denominando-a Minamitorishima; 1941 — A ilha recebe forças da armada japonesa, que constroem o aeroporto e fortificam a ilha; 1942 — A 1 de setembro forças norte-americanas bombardeiam a ilha; 1943 — A ilha volta a ser bombardeada pelos norte-americanos; 1945 — A ilha é ocupada pelos norte-americanos na sequência da rendição do Japão; 1951 — O Tratado de São Francisco coloca a ilha sob jurisdição dos Estados Unidos; 1964 — A Guarda Costeira dos Estados Unidos (U. S. Coast Guard) instala na ilha uma estação da rede Loran-C, então equipada com a torre metálica mais alta da Oceania; 1968 — A 28 de junho a soberania japonesa sobre a ilha é restaurada na sequência da devolução pelos Estados Unidos das ilhas Ogasawara ao Japão; 1989 — Em julho é instalada na ilha uma estação de interferometria astronómica da rede VLBI (Very Long Baseline Interferometry); 1993 — A 30 de setembro a estação LORAN-C é entregue ao governo japonês, sendo retirado o contingente da Guarda Costeira norte-americana.
The odyssey of Captain Arriola and his discovery of Marcus Island in 1694 - Mexican seaman Andres de Arriola Bryan, William A.: A monograph of Marcus Island; in: Occasional Papers of the Bernice Pauahi Bishop Museum, Vol. 2, No. 1; 1903 Kuroda, Nagahisa: Report on a trip to Marcus Island, with notes on the birds; in: Pacific Science, Vol. 8, No. 1; 1954 Lévesque, Rodrigue: The odyssey of Captain Arriola and his discovery of Marcus Island in 1694; in: Journal of Pacific history, Vol. 32, No. 2; 1997, pp. 229–233 National Geospatial Intelligence Agency, Japan, Publication n.º 158, volume 1, Bethesda, Maryland Sakagami, Shoichi F.: An ecological perspective of Marcus Island, with special reference to land animals; in: Pacific Science, Vol. 15, No. 1; 1961 Welsch, Bernhard: The asserted discovery of Marcus Island in 1694; in: Journal of Pacific History, Vol. 36, No. 1; 2001, pp. 105–115 Welsch, Bernhard: Was Marcus Island discovered by Bernardo de la Torre in 1543?; in: Journal of Pacific History, Vol. 39, n.º 1; 2004, pp. 109–122
Ver também Lista de ilhas do Japão
Ligações externas Todos os links abaixo estão em língua inglesa. The odyssey of Captain Arriola and his discovery of Marcus Island in 1694 - Mexican seaman Andres de Arriola Informação e imagens de Minamitorishima Dados meteorológicos e maregráficos sobre a Ilha Marcus Mapa fotografias aéreas de Minamitorishima
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