Lajeado é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, situado a 113 km da capital, Porto Alegre. Pertence à região geográfica intermediária Santa Cruz do Sul-Lajeado e à região imediata de Lajeado, sendo sua cidade mais populosa. A população revisada do IBGE a partir do Censo de 2022 era de 92.951 habitantes, distribuídos em apenas , o que torna Lajeado uma das dez cidades com maior densidade populacional do estado.

Com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,778, Lajeado é a 16ª cidade com melhor qualidade de vida do estado, e, junto a Bento Gonçalves, é a terceira entre municípios com mais de 50 mil habitantes, atrás apenas de Porto Alegre e Caxias do Sul.

De acordo com o ranking da Firjan de cidades mais desenvolvidas do Brasil, Lajeado ocupa a 13ª posição, sendo a primeira do Rio Grande do Sul. É apontada também como a 7ª melhor cidade para se viver após os 60 anos em cidades entre 50 e 100 mil habitantes, ocupando o primeiro posto dentre os municípios gaúchos, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.

História O nome Lajeado vem do ponto de referência que se dava às sesmarias. No Rio Taquari e no Arroio do Engenho, as águas formavam cascatas sobre lajeiros, daí o nome da cidade. Entretanto, em virtude da barragem de Bom Retiro do Sul, os lajeados do Taquari, bem como suas cascatas, estão submersos.

Antônio Fialho de Vargas foi o fundador e patriarca de Lajeado. Tendo sido um dos primeiros a estabelecer-se por Lajeado, adquirindo fazendas e estabelecido casa, senzala e demais dependências, além de ter promovido a colonização local. As terras foram inicialmente comercializadas pela imobiliária Batista Fialho & Cia.

Primeiramente, pertenceu o município de Lajeado ao de “Vila Príncipe” (Rio Pardo), criado pelo Alvará Régio de 27 de abril de 1809, juntamente com Porto Alegre, Rio Grande e Santo Antônio da Patrulha. Eclesiasticamente, ficou submetida à Freguesia de Taquari.

Uma vez criada a Freguesia de Estrela pela Lei 875 de 2 de abril de 1873, a ela foi incorporada o território de Lajeado pela Lei 916 de 24 de abril de 1874. Pela Lei 963 de 29 de março de 1875, foi instituído como 2° Distrito de paz da Freguesia de Estrela, compreendendo o território situado a margem direita do Rio Taquari (Lajeado, Arroio do Meio, Encantado e Guaporé).

Pela Lei 1.044 de 20 de maio de 1876 foi criado o município de Estrela, dele fazendo parte o Distrito de Lajeado.

Mais tarde em 27 de maio de 1881, pela Lei provincial 1351, foi criada uma freguesia no 2° Distrito de paz de Estrela, sob a invocação de Santo Inácio. Finalmente pelo Ato 57 de 26 de janeiro de 1891 foi criada a Vila de Lajeado, cuja instalação deu-se em 25 de fevereiro do mesmo ano.

Até 20 de outubro de 1891, a nova comunidade foi administrada por uma Junta Municipal, presidida por Frederico Henrique Jaeger. A 15 de novembro de 1891, foi empossado o 1° Conselho Municipal, e eleito o intendente Frederico Heineck.

A 20 de fevereiro de 1892, foi dissolvido o Conselho Municipal pelo então governador do Estado e nomeada uma Comissão para gerir os negócios da comunidade. A 19 de agosto de 1892, tomou posse do cargo de Intendente Provisório Bento Rodrigues da Rosa que administrou o município até 1894, quando foi substituído por Joaquim de Moraes Pereira. Em 1895 este foi substituído por Júlio May.

Pelo Decreto 618 de 6 de maio de 1903, instituiu a Comarca do Vale do Taquari, com sede em Lajeado, abrangendo o termo de Estrela.

Em 20 de dezembro de 1939, foi a Vila de Lajeado elevada à categoria de cidade.

Colonização de Lajeado

A colonização de Lajeado remonta a 1853, com o estabelecimento da Colônia Conventos, fundada por Antônio Fialho de Vargas. Ficava esta colônia situada no lugar denominado Conventos Velhos, próximo a atual sede do município, onde por volta de 1830 se estabelecera José Inácio Teixeira, “dono de muitos escravos” que construiu casas e adquiriu alguns lotes de terras repassando tudo para Antônio Fialho de Vargas. Em 1835 já havia muitos moradores em ambas as margens do Rio Taquari. Fialho de Vargas fez grandes derrubadas de matos e vendeu lotes de terras a pessoas de outros municípios que atraídos pela grande quantidade de terras para lavouras, mudaram-se e fixaram residência no território que aos poucos foi se desenvolvendo.

Em 1855 recebia a Colônia Conventos os primeiros imigrantes e, em 1857, já possuía 168 habitantes, dos quais 81 homens e 87 mulheres, sendo 49 deles chegados naquele ano da Europa. No ano seguinte chegavam mais 20 colonos, ficando assim distribuída a população segundo religião e a nacionalidade: 76 brasileiros e 112 alemães, sendo 71 católicos e 117 protestantes. Deste total, 100 eram do sexo masculino e 88 do feminino. A colônia produzia feijão, milho, batatas, trigo, favas e cevada.

No ano de 1860 a população já havia aumentado para 231 indivíduos.

Houve também imigração italiana, notadamente nos antigos distritos de Marques de Souza, Progresso e Fão, iniciada anos mais tarde. Também houve colonização de luso-brasileiros em menor escala.

Idiomas regionais

O Riograndenser Hunsrückisch, ou hunriqueano riograndense em português, é uma língua minoritária sulbrasileira de origem germânica falada desde tempos pioneiros em Lajeado bem como por milhares de pessoas espalhadas por vários outros municípios do estado do Rio Grande do Sul e mesmo em regiões adjacentes.Ethnologue: Languages of the world: Riogrand Hunsrik: A language of Brazil. Acessado em 28 de julho de 2017.

A herança cultural do município é marcada tanto pela influência germânica quanto pela italiana, refletindo-se na demografia que sustenta a economia local. Em 2021, o PIB per capita foi de R$ 67.245,63, impulsionado principalmente pela Indústria de transformação e pelo setor de serviços.

Símbolos oficiais

Brasão de Armas

O Brasão de Armas de Lajeado adotado pelo município está em vigor desde 6 de julho de 1965, quando, no governo de Dalton de Bem Stumpf, foi sancionado pela lei 1175. De inspiração portuguesa, colaborando a influência interna nos mais diferentes setores da vida nacional, o brasão foi desenhado por Adalberto Breier e evidencia:

Escudo português plano encimado por coroa mural de quatro torres, em ouro. Ao alto, em campo de prata, a Cruz de Cristo, em goles (vermelho), centrada de ouro. No centro, em campo de sinople (verde), um lavrador em trabalho com arado rústico a boi, em ouro, e ao fundo, também em sinople, o Morro de conventos. E embaixo, cinco faixas onduladas, paralelas, alternadamente em prata e azul (blau), o ustel em azul (blau), carregado em letras e números em ouro é completado nas laterais do escudo por um pé de fumo e outro de milho, nas cores naturais.

O escudo português simboliza a origem lusa de nossa nacionalidade. A cruz, nossa fé cristã. O Morro dos conventos é um marco histórico da colonização alemã a partir de 1854. O lavrador exprime a base econômica do município, figurando no listel o fumo e o milho. As faixas onduladas representam o Rio Taquari. Em 1891, Lajeado foi emancipado. Em primeiro de janeiro de 1939 foi elevado à categoria de cidade. As cores lembram as bandeiras do Brasil e do Estado. O ouro, a riqueza; a prata, lisura, serenidade; o vermelho, a coragem, a fé, o amor; o verde é esperança; e o azul, serenidade, bondade e nobreza, características do gaúcho.

Bandeira

miniaturadaimagem|Bandeira de Lajeado A Bandeira de Lajeado adotada pela cidade, está em vigor desde 27 de abril de 1973 quando, no governo de Alipio Hüffner, foi sancionada pela Lei nº 2.641/1973. A Bandeira possui três listéis em sentido horizontal, sendo o primeiro da cor azul celeste, o do meio na cor branca e o inferior na cor vermelha, tendo ao centro o Brasão do Município nas cores aprovadas pela Lei nº 1.175 de 6 de julho de 1965. As cores significam:

Azul: As águas do Rio Taquari que banham o Município; Branco: É a cor da luz, associada à paz, calma, ordem e que é formada pelo conjunto e junção de todas as demais cores, por isto, representa, na Bandeira, a diversidade: étnica, cultural, econômica, social. Vermelho: A inserção do Município dentro do Estado do Rio Grande do Sul, através da cor vermelha da Bandeira do Estado.

Hino

O Hino de Lajeado foi composto por Álvaro Santi. Foi oficializado pela Lei 5.710, de 1996, no governo de Leopoldo Pedro Feldens.

Lajeado! Neste vale abençoado, Onde brota a ametista, O alimento e a voz do artista... Capital, chamam a ti, Deste chão rico e formoso, Vale fértil Taquari, Rio profundo e caudaloso.'' (trecho do hino de Lajeado)

Geografia

Uma das célebres características da cidade é o rio Taquari, o qual consiste-se em um importante modal locomotivo voltado ao transporte de carga muito utilizado antigamente e provém água aos habitantes, fatores que possibilitaram a fundação bem como o desenvolvimento da cidade e região. O rio marca, também, a divisa entre o município de Estrela.

O tamanho de seu território geográfico é relativamente restrito, resultado da emancipação de vários municípios à sua volta. Atualmente, Lajeado possui aproximadamente 90 quilômetros quadrados e é uma cidade predominantemente urbana, com área rural restrita a cerca de 2% de seu território.

Divisão territorial

A cidade de Lajeado está dividida em 27 bairros, sendo Centro e São Cristóvão os mais populosos.

Demografia

De acordo com o Censo de 2010, os 71.445 habitantes de então distribuíam-se majoritariamente na área urbana. Apenas 265 pessoas (0,37%) residiam na zona rural. A média de moradores por domicílio particular era de 2,84. A população atualizada a partir do Censo de 2022 pelo IBGE indica a população atual de 92.951 habitantes.

População por gênero

A tabela a seguir mostra informações sobre o gênero dos lajeadenses, baseada no Censo de 2010:

Informações sobre o gênero dos lajeadensesGêneroPorcentual da populaçãoQuantidade da população Feminino 51,38% 36.714 Masculino 48,62% 34.731

População por bairros

BairroHomensMulheresPopulação total (censo 2010) Centro 3.089 3.966 7.055 São Cristóvão 3.410 3.629 7.039 Moinhos 2.596 2.932 5.528 Florestal 2.470 2.529 4.999 Montanha 2.007 1.993 4.000 Universitário 1.845 1.845 3.750 Jardim do Cedro 1.849 1.843 3.692 Conventos 1.720 1.703 3.423 Santo Antônio 1.625 1.635 3.260 Americano 1.212 1.472 2.684 Hidráulica 1.080 1.288 2.368 Conservas 1.165 1.171 2.336 Olarias 1.096 1.099 2.195 Moinhos D'Água 1.068 1.084 2.152 Campestre 970 1.015 1.985 Santo André 973 993 1.966 Centenário 860 844 1.704 Alto do Parque 797 821 1.618 São Bento 785 740 1.525 Planalto 752 750 1.502 Morro Vinte e Cinco 644 672 1.316 Carneiros 628 651 1.279 Bom Pastor 570 548 1.118 Igrejinha 485 451 936 Imigrante 348 318 666 Das Nações 294 290 584 Floresta 250 250 500 Total 34.588 36.532 71.180

População por área de residência

ÁreaHabitantesPercentagem Área urbana 71.180 99,63% Área rural 265 0,37%

Composição étnica

De acordo com o Censo Demográfico de 2010, a composição étnica dos habitantes de Lajeado é a seguinte:

Cor/RaçaHabitantesPercentagem Branca 64.006 89,59% Parda 5.452 7,63% Preta 1.849 2,59% Amarelo 78 0,01% Indígena 60 0,008%

Infraestrutura

Educação

Com uma taxa de analfabetismo de pessoas com 15 anos ou mais de 2,69%, Lajeado destaca-se regionalmente no quesito educação, tendo recebido o selo "Cidade Livre do Analfabetismo" concedido pelo Ministério da Educação a cidades com mais de 96% da população alfabetizada. A Universidade do Vale do Taquari é a principal instituição de nível superior do município, com 12.455 estudantes e 526 professores contratados no segundo semestre de 2017. Além dele, conta com um polo de ensino da Uniasselvi.

A cidade tem 23 escolas municipais de educação infantil e 18 escolas municipais de ensino fundamental, além de 11 escolas estaduais (sendo três de nível médio) e cinco colégios privados de ensinos fundamental e médio.

Saúde