Partido da Causa Operária (PCO) é um partido político brasileiro de extrema-esquerda, historicamente, trotskista. Suas cores são o vermelho e o amarelo e seu número eleitoral é o 29. Foi fundado em 1995 por dissidentes da Causa Operária (CO) filiados ao Partido dos Trabalhadores (PT), e seu presidente é desde então o jornalista Rui Costa Pimenta.

No movimento sindical, o Partido da Causa Operária milita na Central Única dos Trabalhadores (CUT). No seu símbolo constam três heráldicas socialistas: a foice e o martelo, que representam a classe trabalhadora (o trabalho agrícola e o trabalho industrial, respectivamente), e a engrenagem. O partido possui um jornal diário digital (Diário Causa Operária), um jornal impresso semanal (Jornal Causa Operária) e um canal no YouTube (Causa Operária TV). Em janeiro de 2026, o partido possuía 7 020 filiados.

História Causa Operária Em 1979 foi fundada a Causa Operária (CO), uma organização de esquerda marxista, de orientação trotskista, atuante no Brasil entre os anos 1980 e 1990, dando origem posteriormente ao Partido da Causa Operária. Surgiu a partir de dissidência da então clandestina Organização Socialista Internacionalista (OSI), ligada ao dirigente trotskista francês Pierre Lambert, com o nome de Tendência Trotskista do Brasil, como uma organização de esquerda marxista, de orientação trotskista.

O motivo da separação envolve leituras divergentes em relação à situação argentina no âmbito da IV Internacional liderada pelo francês Pierre Lambert, em que se referenciava a OSI. Inicialmente denominada Organização Quarta Internacional, posteriormente o grupo passou a ser reconhecido pela denominação de seu jornal porta-voz (então mensal), Causa Operária, publicado desde junho de 1979.MENEGOZZO, Carlos Henrique Metidieri. Causa Operária. In: FERREIRA, M. M.; FORTES, A. (Org.). Muitos Caminhos, uma estrela: memórias de militantes do PT. 1 ed. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2008, p

Expulsão do Partido dos Trabalhadores e fundação do Partido da Causa Operária Em 1992, após sua expulsão do Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido da Causa Operária integrou-se à Frente Revolucionária, composta principalmente pela Convergência Socialista, e que resultou na fundação do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).

Vetada na Frente antes da formação do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), os militantes da corrente Causa Operária reorganizaram-se como partido político legal a partir de 1995, mudando seu nome para Partido da Causa Operária para marcar a continuidade organizativa, política e ideológica. O Partido da Causa Operária obteve seu registro definitivo em 30 de novembro de 1997, tendo o número 29 como código eleitoral.

O Partido da Causa Operária começou a participar das eleições em 1996, quando lançou alguns candidatos às eleições municipais. Nas eleições de 1998, o partido lançou candidatos a governos estaduais e senadores em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraíba e Rio Grande do Sul.

Em 2002, o Partido da Causa Operária lançou Rui Costa Pimenta como candidato à Presidência da República, tendo obtido 38.619 votos (0,05%).

Em 2004, no município amazonense de Benjamin Constant, o Partido da Causa Operária elegeu seu primeiro e único vereador no país até hoje: João Vieira da Silva recebeu 635 votos e compôs uma coligação com PSC, PPS e PRP.

Em 2006, foi novamente candidato, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu o pedido de registro da candidatura alegando erro na prestação de contas relativa à campanha presidencial das eleições de 2002. Em protesto, o partido começou a usar sua parcela do horário político para protestar contra o TSE e incentivar a população a fazer o mesmo. esquerda|miniaturadaimagem|264x264px|Jornalista Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária O partido alegava que a ação do TSE foi uma "aberração jurídica", pois o TSE se utilizou de uma deliberação de 2004, com efeito retroativo sobre o atraso da prestação de contas de 2002.stf.jus.br: 1ª Turma nega recurso sobre impugnação de candidatura de Rui Pimenta Publicado 24 de outubro de 2006

O protesto do Partido da Causa Operária foi tirado do ar pois, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, houve um "desvirtuamento do programa veiculado pela agremiação, veiculando-se conteúdo aparentemente ofensivo e dissociado dos fins da propaganda eleitoral gratuita".pco.org.br: Rui Pimenta promove protesto contra impugnação Publicado dia 8 de setembro de 2006.conjur.estadao.com.br: Justiça proíbe propaganda de protesto do candidato Rui Pimenta Publicado dia 16 de setembro de 2006.pco.org.br: TSE censura programa do PCO Publicado dia 17 de setembro de 2006.

Em 2010, foi candidato pela segunda vez, tendo obtido 12 206 votos (0,01%).

Nas eleições municipais de 2012, o Partido da Causa Operária participou apenas em 6 cidades em todo o país. Em Belo Horizonte, João Pessoa, Rio de Janeiro e São Paulo, o partido teve candidatos a prefeito e vice-prefeito. Em Teresina, junto somente com o PCB, formou a frente Esquerda Revolucionária, tendo uma candidatura para o cargo de vice-prefeito. O partido sempre teve como princípio não realizar coligações.

Em 2018, o partido decidiu apoiar de maneira crítica a candidatura do presidenciável do Partido dos Trabalhadores (PT), Luíz Inácio Lula da Silva. O partido, no entanto, recusou entrar na coligação por diferenças programáticas.

Ideologia O Partido da Causa Operária é conhecido por suas posições comunistas revolucionárias de extrema-esquerda, defendendo as ideologias de Karl Marx e Leon Trótsky. +São posições políticas do Partido da Causa Operária:AssuntoPosiçãoDesarmamentoDemocraciaDescriminalização das drogasNeoliberalismoRevolução do proletariadoLegalização do abortoReforma agráriaPrivatizaçãoRedução da maioridade penalImpostos sobre igrejas e templos religiososNova Assembleia ConstituinteVoto ImpressoServiço Militar ObrigatórioPena de MortePrisão PerpétuaEleições para o JudiciárioFim da Polícia Militar

Desarmamento O Partido da Causa Operária é contra a política de desarmamento, sendo a favor da população armada para se defender, dizendo que a violência é estimulada pelo aparato "político-militar-judiciário". Além disso, o presidente do partido, Rui Costa Pimenta, afirma que:

Aborto Diz o coletivo feminino do partido que "defende a legalização do aborto como parte dos direitos democráticos da população". E ainda: "A moral e a religião não pertencem a essa discussão, a decisão sobre a continuidade ou não de uma gestação pertence à mulher". Rui Costa Pimenta afirma que a posição do partido é:

Imperialismo O Partido da Causa Operária acusa os Estados Unidos e a França de utilizarem a Amazônia para interferirem no Brasil, com a desculpa de "proteger a natureza".

O partido acusa o governo norte-americano, com a ajuda de Israel, de querer controlar o Irã e toda a região do Oriente Médio por causa do petróleo e poder econômico. O partido também expressa solidariedade a movimentos fundamentalistas islâmicos anti-imperialistas. Em 2021, o Partido da Causa Operária celebrou o triunfo do Talibã na Guerra do Afeganistão, classificando-o como uma "vitória de todo povo oprimido".

No site da agremiação, constam textos em homenagem a Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. De acordo com o Partido da Causa Operária, bin Laden deve ser visto como um "grande exemplo de abnegação, de convicção, de disposição" na luta pela liberdade de seu povo.

Durante o conflito israelo-palestino de 2023, o Partido da Causa Operária expressou apoio ao grupo Hamas, além de o presidente do partido Rui Costa Pimenta ter se encontrado com o líder político da organização, Ismail Haniya O partido também manifestou-se pelo fim do Estado de Israel.

Legalização das drogas O Partido da Causa Operária afirma que as ações de repressão policiais no Brasil tem como um dos principais pretexto as drogas, oprimindo as classes mais pobres. Rui Costa Pimenta disse ainda que:

Neoliberalismo O Partido da Causa Operária afirma que o neoliberalismo apresenta inúmeros problemas, principalmente para as classes mais pobres. Cita o Chile, que, antes um modelo, agora mostra seu outro lado com a crise do capitalismo. Rui Costa Pimenta diz que: Esses problemas do neoliberalismo inclusive culminaram em diversos protestos da população no Chile, com a população protestando contra a enorme alta do custo de vida, dos baixos salários e da qualidade precária do sistema de saúde.

Redução da maioridade penal O Partido da Causa Operária é contra a redução da maioridade penal, afirmando que jovens pobres e negros é que serão penalizados com a medida, sofrendo mais violência e abuso nas cadeias, que já estão superlotadas. Além disso, serão mais pessoas recrutadas para facções criminosas, elevando dessa forma a violência e serão mais pessoas em condições precárias que o Estado não conseguirá dar conta.

Privatizações O Partido da Causa Operária é contra as privatizações, alegando que desde a era Fernando Henrique, os custos dos serviços aumentaram com elas, além de atenderem somente a parte da população que dispõe de dinheiro para pagar os serviços. Segundo o partido, privatizações como a da Vale, além de serem vendidas por um valor muito menor que o que ela realmente vale, entrega boa parte das riquezas do país para a mão de poucos capitalistas, que visam somente o lucro, e não a qualidade do serviço prestado. Alegam ainda que o Estado "sucateia" as empresas para depois vendê-las, e a venda de empresas brasileiras como a Embraer servem somente para o monopólio do capital estrangeiro e a destruição da indústria nacional.

Forças armadas Rui defende que as forças armadas devem garantir a soberania nacional, afirmando que o serviço militar deve ser obrigatório inclusive para mulheres, a fim de que a população saiba se defender, além de que os comandantes devem ser eleitos pela própria tropa. Ele, inclusive, considera que os militares também deveriam ter direito à greve e de se sindicalizar, ou seja, deveriam ter os mesmos direitos que qualquer outra pessoa possui, e que essa proibição favorece somente ao alto comando militar, que seria o setor que representa os interesses burgueses e dos grandes capitalistas nas forças armadas, e que detém o poder principalmente sobre os militares de baixa patente. Afirma que, dessa forma, se impediria a consolidação de uma dominação burocrática e ditatorial sobre as forças armadas, tornando-a mais democrática.

O partido afirma que o Brasil deve ter direito a um programa nuclear próprio, e que o almirante Othon Pinheiro da Silva, pai do programa nuclear brasileiro, foi preso injustamente pela operação Lava-Jato, e acusam ainda países como os EUA de sabotarem o programa nuclear nacional, se referindo ao Programa de Desenvolvimento de Submarino (Prosub) da Marinha do Brasil. Num trecho da nota, afirma:

Frente Ampla O Partido da Causa Operária é contra a chamada "Frente Ampla", afirmando que grupos como o "Somos 70 porcento" e o "Estamos Juntos" possuem adesão de pessoas como o ex-presidente Fernando Henrique, Luciano Huck e Reinaldo Azevedo, que foram a favor do impeachment da Dilma Rouseff em 2016, apoiaram a candidatura de Bolsonaro em 2018 e continuam a defender a sua permanência na presidência.

Isso seria então uma "armadilha" para a esquerda e iria contra o lema do "Fora Bolsonaro" defendido pelo partido. Uma reportagem afirma que o grupo "Estamos Juntos" foi fundado por Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do Brasil, além de uma herdeira e uma das donas do Banco Itaú, que apoiou a eleição de Bolsonaro em 2018.

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