A Madsen foi uma metralhadora leve desenvolvida em 1902, pelo Capitão Madsen da artilharia do Exército da Dinamarca. Sendo uma das primeiras metralhadoras leves produzidas em grande quantidade, a sua acção era única e requeria uma maquinação cuidada durante a sua fabricação. O seu funcionamento baseava-se no sistema de recuo longo do cano.

A Madsen foi uma das primeiras metralhadoras leves que foram produzidas em larga escala, sendo vendido para mais de 34 diferentes nações pelo mundo, tendo participação em diversos conflitos por mais de 80 anos.Kokalis, Peter. Weapons Tests And Evaluations: The Best Of Soldier Of Fortune. Paladin Press. 2001. pp15–16.

Detalhes do projeto left|thumb|Ciclo operacional do Madsen O projeto data da década de 1880, sendo o fuzil semiautomático dinamarquês M.1888 (Forsøgsrekylgevær; lit. 'fuzil de recuo experimental') um projeto precursor. Em 1883, o Capitão Vilhelm Herman Oluf Madsen (oficial de artilharia dinamarquês) e o Rustmester Alexander Bjarnov (técnico de armamento do Arsenal Dinamarquês) começaram a trabalhar em um fuzil semiautomático operado por recuo; Madsen desenvolveu a ideia e Rasmussen fabricou as armas propriamente ditas. O fuzil utilizava um carregador fixo que usava a gravidade para alimentar os cartuchos à culatra; quando a arma não estava em uso, o carregador podia ser dobrado para baixo para cobrir a abertura. O fuzil utilizava o cartucho 8×58RD, primeiro com pólvora negra e depois em uma versão muito mais potente com pólvora sem fumaça. O projeto não obteve sucesso. Um projeto aprimorado em 1896 deu ao fuzil um carregador fechado, mas ainda alimentado por gravidade. Dessa versão foram produzidos cerca de 50 a 60 fuzis, mas eles foram distribuídos apenas para a marinha dinamarquesa, para uso pelas tropas de fortificação costeira.

Em 1898, investidores formaram uma empresa (a Dansk Riffel Syndikat; DRS) para comercializar o fuzil e compraram os direitos de patente de Madsen e Rasmussen em troca de royalties sobre a produção futura. Nessa época, Madsen já havia deixado o projeto para se tornar Ministro da Guerra da Dinamarca. Em 1899, o tenente Jens Schouboe tornou-se gerente da DRS, e diversas patentes subsequentes levam seu nome. Consequentemente, o fuzil Madsen às vezes é chamado de fuzil Schouboe. Em 1901, ele patenteou o projeto da metralhadora Madsen. As metralhadoras Madsen originais usavam cartuchos de pólvora negra que emperravam o mecanismo rapidamente. No entanto, quando o projeto foi testado com cartuchos de pólvora sem fumaça de 6,5 mm, funcionou bem.

A Madsen possui um ciclo de operação bastante sofisticado e singular. A metralhadora utiliza um sistema de travamento misto, operado por recuo, com um ferrolho articulado inspirado no bloqueio da culatra do Peabody Martini de ação por alavanca. O funcionamento por recuo é parcialmente curto e parcialmente longo. Após o disparo de um projétil para iniciar o ciclo de disparo com o ferrolho aberto, o impulso inicial do recuo impulsiona o cano, a extensão do cano e o ferrolho para trás. Um pino no lado direito do ferrolho move-se para trás em ranhuras em uma placa de came operacional montada no lado direito do receptor. Após 12,7 mm de curso, o ferrolho é impulsionado para cima, afastando-se da culatra (a parte "curta" do sistema de recuo). O cano e a extensão do cano continuam a se mover para trás até um ponto que excede ligeiramente o comprimento total combinado do estojo do cartucho e do projétil (a parte longa do sistema de recuo, responsável pela baixa cadência de tiro da arma).

Após a culatra ser exposta, um extrator/ejetor tipo alavanca, montado sob o cano, gira para trás, extrai o estojo vazio e o ejeta pela parte inferior do receptor. A came de operação do ferrolho então força a face do ferrolho a girar para baixo, alinhando uma ranhura de alimentação de cartucho no lado esquerdo do ferrolho com a câmara. Enquanto o ferrolho e o cano retornam para a frente, uma alavanca de carregamento de cartucho, montada na extensão do cano, gira para a frente, carregando um novo cartucho.

Uso operacional Primeira Guerra Mundial A Madsen foi usada pela primeira vez em combate durante a Guerra Russo-Japonesa, nas mãos do Exército Russo, que tinha comprado 1.200 exemplares da arma. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Exército Alemão usou a versão de calibre 7,92 mm para armar as suas companhias de infantaria, tropas de montanha e tropas de assalto. Era considerada uma arma cara de produzir, mas extremamente fiável. Foi vendida a 34 países em versões de cerca de doze calibres diferentes.deactivated-guns.co.uk: Madsen machine gun

Entre guerras thumb|right|Soldados noruegueses em 1928, um deles carregando uma metralhadora Madsen A metralhadora foi adquirida pelos paraguaios entre os anos de 1920 e 1930 onde estavam se armando para iniciar uma guerra contra as forças bolivianas para tomar a região de Gran Chaco, no que ficou conhecido como a Guerra do Chaco (1932-1935). No início da guerra cerca de 400 destas metralhadoras estavam em mãos paraguaias, sendo mais adquiridas durante o seu decorrer.

O Brasil adquiriu metralhadoras Madsen antes da guerra. Quando recebeu cerca de 23 tanquetes CV-35 da Itália no final da década de 1930, armou a maioria deles com metralhadoras Madsen duplas de 7 mm. Em 1943, o Exército planejou produzir suas próprias metralhadoras Madsen na fábrica Laminação Nacional de Metais.

Segunda Guerra Mundial thumb|Soldado nativo das Índias Orientais Holandesas com uma Madsen karabijnmitrailleur No início da Segunda Guerra Mundial a metralhadora Madsen ainda estava em serviço em diversos exércitos. Em 1940 o Exército da Noruega usou 3.500 da versão M/22 de calibre 6,5x55 mm na defesa do seu país contra a invasão alemã.

Nesta época foi formado o primeiro esquadrão norueguês que era equipado principalmente com as metralhadoras Madsen, sendo tempos depois incorporada em outros esquadrões.View from the trenches ASL journal ed. 31 - maio-junho de 2000 Foram formados vários batalhões e cada um contava com 36 Madsens, e outras nove metralhadoras pesadas M/29. Contudo não era considerada uma arma ideal pelos soldados noruegueses pelo fato de emperrar após alguns disparos, tendo assim ganhado o apelido de Jomfru Madsen (em inglês: Virgin Madsen).

Madsens capturadas foram usadas por unidades de segunda linha alemãs durante toda a guerra. Também eram a metralhadora padrão do Exército das Índias Orientais Holandesas, sendo algumas capturadas e usadas pelo exército imperial japonês.

Guerra do Ultramar thumb|Uma metralhadora Madsen (à esquerda) em um campo de treinamento da Frente Nacional de Libertação de Angola, no Zaire, em 1973 A Madsen era uma das metralhadoras leves padrão do Exército Português, que adquiriu dois lotes, um em 1930 e outro em 1941. Estas armas ainda estavam em serviço no início da década de 1960, sendo usadas em combate nos primeiros anos da Guerra do Ultramar. A metralhadora tinha como principal emprego o uso como um armamento temporário em veículos de combate blindados Auto-Metralhadora-Daimler 4 × 4 Mod.F/64, sendo usada em Daimler Dingos que tinham a sua estrutura superior modificada onde era montada uma estrutura que permitia o acoplamento da metralhadora.

Uso atual no Brasil A Madsen calibre 7.62 é usada frequentemente em confrontos com traficantes de drogas pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.Madsen Light Machine Gun website Algumas destas armas utilizadas pelas forças policiais brasileiras foram capturadas dos traficantes, recondicionadas e colocadas em serviço em prol da população para combatê-los, muitas destas são armas antigas são oriundas do Exército Argentino e outras foram roubadas de museus.News article about Argentine guns found with drug dealers Mas a maioria das Madsens usadas pela polícia brasileira são provenientes do Exército Brasileiro. Estas são armas .30-06 Springfield convertidas para 7.62 mm NATO.

As fontes oficiais do Exército Brasileiro brasileiras dão conta de que as metralhadoras Madsen foram retiradas de serviço em 1996. Já nas forças policiais, as armas foram sendo substituídas gradativamente a partir do início de 2008 por armas mais modernas e com maior poder de fogo,Brazilian Air Force news about Madsen guns sendo as últimas Madsens retiradas de serviço em abril de 2008.Strategy Page on Madsen guns. Contudo existem fotografias tiradas no dia 19 de outubro de 2009 dos combates entre a polícia e os traficantes que mostram que a metralhadora continua sendo utilizada. Em meados de 2018, vídeos e fotos que começaram a circular pela internet mostram que a metralhadora ainda é utilizada pela polícia do Rio de Janeiro.Photo slideshow on clash between Brazilian police and drug traffickers.

Países utilizadores — Modelos adquiridos 1910, 1925, 1926, 1931 e 1935 (principalmente em calibre 7,65 mm). — 632 compradas da Dinamarca em 1914

— Modelo 1925 em 7,65 Mauser — Modelos 1908, 1913, 1916, 1925, 1928, 1932, 1934, 1935 e 1936, em 7×57mm Mauser e Modelo 1946 em .30-06 Springfield. Цветков Симеон, Закупуване и доставка на леки картечници „Мадсен“ за българската армия през 1914 – 1915 г., http://museumperushtitsa.com/assets/documents/subpages/83/Закупуване_и_доставка_на_леки_картечници_Мадсен.pdf / Tsvetkov, Simeon, Purchase and Delivery of Light Machine Guns "Madsen" for the Bulgarian Army in 1914-1915, https://www.academia.edu/62950229/Закупуване_и_доставка_на_леки_картечници_Мадсен_за_българската_армия_през_1914_г — Modelo 1902 recebido em 1915; Modelo 1924 recebido em 1928 (ambos os modelos com câmara para munição 8×50mmR Mannlicher). — M1922 e M1923, em 7,92 Mauser — Modelos 1923, 1925, 1926, 1928 e 1940, a maioria em calibre 7mm Mauser. Modelo 1946 em calibre .30-06. — Variantes Madsen M1916, Rexer, M1930 e M1937, todas em calibre 7,92 Mauser — M1904, M1916, M1919, M1924, M1939 em 8×58mmR e M1948 em .30-06 — M1934 em 7mm Mauser e M1951 em .30-06 — M1925 e M1937 em calibre .303 British Comprou metralhadoras Madsen excedentes finlandesas em 1937. — M1907, M1910, M1934 e M1935, em 7,92 Mauser — M1910, M1920, M1921 e M1923 em calibre 7,62×54mmR. A M1920 era designada como "7,62 pk/20". Algumas Madsen foram usadas ​​na Guerra Civil Finlandesa e adotadas em maior quantidade pelo exército em 1926; foram retiradas de serviço e vendidas para a Estônia em 1937. — Modelos 1915, 1919, 1922 e 1924 in 8mm Lebel

— Modelos 1941 e 1942 em 7,92 mm — Modelos 1937 e 1939 em 7mm — M1950 em .30-06 — Modelos 1908, 1910, 1925 e 1930 em 6,5×52mm Carcano — Capturada das Índias Orientais Holandesas — Modelo 1923 em 7,92mm — Modelos 1911 e 1934 em 7mm — Modelos 1914 e 1918 em 6,5×55mm — Modelos 1919, 1923, 1926, 1927, 1934, 1938 e 1939 em 6,5×53mmR. O modelo 1915 foi usado pelo Exército Real das Índias Orientais Holandesas como geweermitrailleur (e karabijnmitrailleur para uma versão encurtada modificada em 1926–1927). — M1947 em .303 — M1916 em 7,65 mm — M1929 em 7,65mm — Modelos 1930, 1936 e 1952 em .303 e modelos 1936, 1940 e 1947 em 7,92 mm — Modelo 1904 e Modelo 1915 em 7,62×54mmR — M1907 e M1922 em 7mm

— M1906, M1914 e M1921 em 6,5×55mm — Modelos 1925, 1930, 1934, 1939, 1947 e 1949 em 8mm e Modelo 1951 em .30-06 — M1925, 1926, 1935 e 1937 em 7,92mm — Modelos 1915, 1919, 1929, 1931 e 1939 em .303 British — M1937 em 7mm — Vários modelos em 7,92mm Mauser

Conflitos Guerra Russo-Japonesa Rebelião de Bambata Revolução Xinhai Primeira Guerra Mundial Guerra Civil Russa Revolução Mexicanahttps://armasonline.org/armas-on-line/as-metralhadoras-madsen-no-brasil/ Guerra Civil Finlandesa Guerra do Rife Revolução Constitucionalista de 1932 Guerra do Chaco Guerra Civil Espanhola Segunda Guerra Mundial Revolução Nacional da Indonésia Guerra do Ultramar Guerra do Futebol Guerra Civil de El Salvador Conflito armado pelo controle das favelas no Grande Rio de Janeiro

Cartuchos .30-06 Springfield .303 British 6,5×52mm Carcano 6,5×53,5mmR 6,5×55mm 7×57mm Mauser 7,62×51mm NATO