Avenida Beira-Mar Norte ou simplesmente Beira-Mar Norte é o nome popular para a avenida construída sob um aterro hidráulico na Baía Norte, em Florianópolis, entre os bairros Centro e Agronômica, e sua área adjacente. A Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos é o seu logradouro mais associado, mas usa outros nomes diferentes dependendo do trecho: entre a parte inferior da Ponte Hercílio Luz e o trapiche, é a Avenida Osvaldo Rodrigues Cabral, e no bairro Agronômica, é a Avenida Governador Irineu Bornhausen.

Ela é famosa por ser uma das regiões mais valorizadas da cidade, com seus apartamentos estando entre os imóveis mais caros da região. Diversos eventos, incluindo a principal festa de ano-novo em Florianópolis, ocorrem ali. Além de suas funções viárias e culturais, a Beira-Mar Norte conta com ciclovia, quadras, academia ao ar livre e calçadão, e é muito usada para atividades físicas diversas.

História Antes dos aterros, a orla do atual Centro voltada a Baía Norte era formada pelas praias de Fora, do Muller e de São Luis. A primeira ficava entre a atual Rua Arno Hoeschl e o Forte de São Francisco Xavier. A segunda seguia dali até próximo ao Forte de São Luís, e próximo a este ficava a praia de São Luis. Os fortes são dois dos vários que protegiam a capital catarinense no período colonial, e seus espaços viraram praças e quase não restam vestígios da história — dois canhões ainda existem na Praça Esteves Júnior, onde ficava o Forte de São Francisco Xavier.

Uma vez que as praias do Centro voltadas a Baia Sul eram lodosas, muito poluídas e serviam principalmente para a atividade portuária, a praia de Fora era uma espécie de balneário do bairro com diversas chácaras de classes altas e usadas principalmente nos fins de semana. Outras construções antigas da região eram o estaleiro da Hoepcke, sob a Ponte Hercílio Luz, que foi demolido, e o prédio da Inspetoria de Rios e Portos da Marinha, que foi preservado e tendo vários usos, como uma casa noturna e uma churrascaria. Hoje é uma academia. miniaturadaimagem|Canhões na Praça Esteves Júnior, local onde era o Forte de São Francisco Xavier da Praia de Fora. A praia de Fora original desapareceu sob os aterros feitos na década de 1960, entre 1963 e 1968. Inicialmente, o aterro da Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos ia da Ponte Hercílio Luz até a Ponta do Coral e tinha duas faixas em cada sentido. Entre 1977 a 1984, um novo projeto, apelidado de Via Expressa Norte, faria a ligação entre a região da Rodoviária Rita Maria e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e exigiria um novo aterro e a ampliação da Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos existente. Ela ganhou marginal e duas faixas a mais, uma pra cada sentido, chegando a configuração atual, além da adequação de vias de continuidade na Baía Sul, na Agronômica e na Trindade. Enquanto o nome "Via Expressa Norte" passou a ser menos usado, o termo Beira-Mar Norte passa a ser usado para todo o trecho na orla.

Com o novo aterro, uma praia artificial se forma, sendo então a atual Praia de Fora. Apesar de ainda existir dita cuja faixa de areia, esta praia é frequentemente imprópria para banhos devido aos altos níveis de poluição das águas, um problema histórico da região.

Com as mudanças, a região se valoriza rapidamente. O Estádio Adolfo Konder, popularmente chamado de Campo da Liga ou Pasto do Bode, era um ponto de referência vindo de antes dos aterros, ficando na Avenida Mauro Ramos, ao lado do antigo Forte de São Luís. Em suas últimas décadas, passou a pertencer ao Avaí Futebol Clube, até ser vendido a um grupo de empresários em 1983, que ali construiu o Beiramar Shopping — o Estádio Aderbal Ramos da Silva, a Ressacada, próximo ao aeroporto, foi construído em troca do terreno.

Trechos Trata-se de uma avenida que corre junto ao mar, com três faixas de rolamento e mais três faixas de pista local no sentido Centro-Trindade, e integrou com o sistema viário no aterro da Baía Sul feito na década de 1970, além de calçadão, ciclovia, estacionamentos e vias marginais. Seu nome vem de sua localização geográfica, pois fica na orla da Baía Norte.

Cabeceira da ponte: Avenida Osvaldo Rodrigues Cabral miniaturadaimagem|314x314px|A Avenida Osvaldo Rodrigues Cabral é o trecho da Beira-Mar Norte que passa sob a ponte. Leva o nome de Osvaldo Rodrigues Cabral, político e historiador, sendo uma continuidade da Rua Antônio Pereira Oliveira Neto, vinda do aterro da Baía Sul. Corresponde ao trecho entre o encontro desta rua com a Avenida Paulo Fontes, junto ao Elevado Carl Hoepcke (Rita Maria) e o Parque Náutico, indo até o encontro com as ruas Felipe Schmidt e Desembargador Arno Hoeschel, pouco antes do primeiro bolsão de estacionamento. Esse trecho é notório por passar sob a Ponte Hercílio Luz. Neste trecho, a via possui seis faixas, três em cada sentido.

Beira-Mar Norte: Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos miniaturadaimagem|314x314px|Prédios da Beira-Mar Norte em seu trecho mais conhecido. A via segue com as seis faixas vindas da Avenida Osvaldo Rodrigues Cabral passando a ser a Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos a partir do cruzamento com a Rua Desembargador Arno Hoeschel. Já a Rua Felipe Schmidt, que seguia paralelamente até então, se torna uma via marginal de apoio, com uma ou duas faixas no sentido oeste-leste e áreas de estacionamento. A avenida segue até o limite do bairro Centro, encontrando a Avenida Mauro Ramos e a Praça Governador Celso Ramos.

O jornalista Rubens de Arruda Ramos dá nome a avenida, mas esse trecho é o mais conhecido pelo nome de Beira-Mar Norte. Neste trecho ficam duas praças com bolsões de estacionamento junto ao mar. A primeira, a Praça de Portugal, conta com um trapiche, e a segunda, a Praça Sesquicentenário, tem uma estação da Casan, motivos pelos quais estas áreas são conhecidas popularmente como Bolsão do Trapiche e Bolsão da Casan. Ambos os locais contam com quiosques e recebem eventos e feiras com frequência, além de gramado e uma faixa de areia próximos. Outros locais notórios neste parte da Beira-Mar Norte são o Shopping Beiramar e as praças do Forte São Luís, Esteves Júnior e dos Namorados.

Agrônomica: Avenida Governador Irineu Bornhausen miniaturadaimagem|313x313px|Início do trecho da Agronômica, com o binário entre a Rua Comandante Constantino Nicolau Spyrides e a rua Frei Caneca (entre os prédios). O político Irineu Bornhausen dá nome ao trecho da Agrônomica, que segue a orla até o Manguezal do Itacorubi e ganhou a configuração atual nos anos 1980. Ficam no trecho da orla a Praça da Grécia, mais conhecido como Bolsão do Koxixos — nome do quiosque do local — que é o último dos bolsões da via e é famoso pelo uso em eventos e celebrações esportivas da cidade. Ficam também as Pontas do Coral e do Lessa, que contam com ranchos de pescadores. Outros locais notórios deste trecho da beira-mar incluem a Casa da Agronômica, residência do governador catarinense, as sedes catarinenses de diversos órgãos como a Polícia Federal, a Justiça Federal e a Procuradoria da República e o Centro Integrado de Cultura (CIC).

A avenida vai da Praça Governador Celso Ramos até o Elevado Vilson Pedro Kleinübing, o Elevado do CIC, que permite seguir para o Norte da Ilha. A via continua junto ao mangue com o nome de Avenida Professor Henrique da Silva Fontes através do bairro Trindade, mas já não é mais a beira-mar.

A via marginal que seguia a Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos se torna uma rua de duas faixas, ainda com sentido único, recebendo dois nomes. A Rua Comandante Constantino Nicolau Spyrides forma um binário com a rua Frei Caneca e a rua Rui Barbosa, que seguem no sentido Centro, indo até as proximidades da Casa da Agronômica. Já a Rua Paschoal Apóstolo Pítsica segue a partir deste ponto até o Centro Integrado de Cultura, terminando também junto ao Elevado do CIC.

Referências

Beira Mar Categoria:Centro (Florianópolis)