O Anel de Polícrates é um episódio lendário da Grécia Antiga, sobre um anel que teria sido de Polícrates, tirano de Samos.Brockington, Mary. "Discovery in the Morrois: Antecedents and Analogues." The Modern Language Review 93, no. 1 (1998): 1-15. doi:10.2307/3733618.
O mito Segundo o historiador Heródoto, o rei Amasis achava que Polícrates estava a fazer tanto sucesso que isso acabaria por lhe trazer má sorte, e aconselhou-o a livrar-se da coisa que ele mais prezasse, para assim evitar uma viragem desfavorável do destino. Polícrates seguiu o conselho e atirou para o mar um anel incrustado de joias; no entanto, alguns dias depois um pescador apanhou um peixe grande que quis oferecer ao tirano. Enquanto os cozinheiros de Polícrates preparavam o peixe para ser comido, descobriram o anel dentro dele.
Polícrates contou a Amasis a sua boa sorte, e Amasis imediatamente rompeu a aliança entre eles, acreditando que um homem tão afortunado acabaria por ter um fim desastroso. Dentro da obra de Heródoto, esta história serve para desenvolver temas gerais sobre a mutabilidade da fortuna e sobre como julgar o sucesso. A maior parte das referências posteriores a Polícrates na literatura e noutras formas de arte tem-se centrado nesta história.Herodotus 3.40-42
Legado cultural O Anel de Polícrates (em alemão: Der Ring des Polykrates) é uma balada lírica escrita em junho de 1797 por Friedrich Schiller e publicada pela primeira vez no anuário Musen-Almanach de 1798. Trata-se de uma reflexão sobre como o maior sucesso pode, por si só, ser motivo de medo de desastre. Schiller baseou-se nos relatos sobre o destino de Polícrates, tirano de Samos, nas Histórias, Livro III, de Heródoto.Musen-Almanach für das Jahr 1798, Cotta, 1797
O conto de Machado de Assis "O Anel de Polícrates", publicado em 1882, faz referência à história. O personagem Xavier, após ter a ideia original de comparar a vida a um cavalo xucro, resolve testar sua sorte usando o método do anel de Polícrates, ou seja, espalhando a ideia e vendo se um dia retornaria, no sentido de que as pessoas, ao contá-la, atribuiriam a ele a autoria.MONTESINI, Cláudia de Fátima. A (re)leitura da cultura clássica em “O Anel de Polícrates”. 2008. Disponível em: https://www.filologia.org.br/machado_de_assis/A%20%28re%29leitura%20da%20cultura%20cl%C3%A1ssica%20em%20O%20Anel%20de%20Pol%C3%B3cretes.pdf . Acesso em: 28 dez. 2025.
O mito inspirou um poema dramático em quatro atos de Eugénio de Castro, publicado em 1907. Conta a história de um tirano que atirou um anel com o selo de Salomão no mar, mas este voltou às suas mãos pelas entranhas de um peixe. Foi baseado em um trecho da obra de Heródoto de Halicarnasso.BOLETIM da Academia das Ciências de Lisboa. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 1931. p. 475.CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1979. 811 p. p. 735.VASCONCELOS, José Leite de. Contos populares e lendas. Lisboa: [s.n.], 1963. p. 350.
A ópera de 1916 Der Ring des Polykrates, do compositor austríaco Erich Wolfgang Korngold, reconta a história de Polícrates como uma fábula moderna.KORNGOLD, Erich Wolfgang. Der Ring des Polykrates (opera), Op. 7. Classical Archives, 2008. Disponível em: http://www.classicalarchives.com/work/40823.html#tvf=tracks&tv=about. Acesso em: 5 ago. 2010.
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