O Departamento de Energia dos Estados Unidos (, DOE) é um departamento executivo do governo federal dos Estados Unidos que supervisiona a política energética nacional e a produção de energia, a pesquisa e o desenvolvimento da energia nuclear, o programa militar de armas nucleares, a produção de reatores nucleares para a Marinha dos Estados Unidos, pesquisas relacionadas à energia e a conservação de energia.
O DOE foi criado em 1977, após a crise do petróleo de 1973. Ele patrocina mais pesquisas em ciências físicas do que qualquer outra agência federal dos Estados Unidos, a maior parte das quais é realizada por meio de seu sistema de Laboratórios Nacionais. O DOE também dirige pesquisas em genômica, tendo o Projeto Genoma Humano se originado de uma iniciativa do DOE.
O departamento é chefiado pelo secretário de Energia, que responde diretamente ao presidente dos Estados Unidos e integra o Gabinete. O atual secretário de Energia é Chris Wright, que ocupa o cargo desde fevereiro de 2025. A sede do departamento fica no sudoeste de Washington, D.C., no James V. Forrestal Building, com escritórios adicionais em Germantown, Maryland.
História
Formação e consolidação Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos iniciaram o Projeto Manhattan para desenvolver a bomba atômica sob a direção do Corpo de Engenharia do Exército dos Estados Unidos. Após a guerra, em 1946, foi criada a Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos (AEC) para controlar o futuro do projeto. A Lei de Energia Atômica de 1946 também criou a estrutura para os primeiros Laboratórios Nacionais. Entre outros projetos nucleares, a AEC produziu núcleos fabricados de combustível de urânio em instalações como o Fernald Feed Materials Production Center, em Cincinnati.National Lead Company of Ohio, Contract Operator of the Feed Materials Production Center for the U.S. Atomic Energy Commission. The Feed Materials Production Center. NCLO-950. n. d. A Lei de Reorganização Energética de 1974 dividiu as responsabilidades da AEC entre a nova Nuclear Regulatory Commission, encarregada de regulamentar a indústria de energia nuclear, e a Energy Research and Development Administration, incumbida de administrar os programas de armas nucleares, reatores navais e desenvolvimento energético.
A crise do petróleo de 1973 chamou a atenção para a necessidade de consolidar a política energética. Em 1977, o presidente Jimmy Carter sancionou a Lei de Organização do Departamento de Energia, que criou o Departamento de Energia. A nova agência, que iniciou suas operações em 1.º de outubro de 1977, consolidou a Federal Energy Administration, a Energy Research and Development Administration, a Federal Power Commission e programas de várias outras agências. O ex-secretário de Defesa James R. Schlesinger, que havia servido sob os presidentes Nixon e Ford durante a Guerra do Vietnã, foi nomeado o primeiro secretário.
O presidente Jimmy Carter propôs o Departamento de Energia com o objetivo de promover a conservação e a independência energéticas e desenvolver fontes alternativas de energia para reduzir o uso de combustíveis fósseis. Diante da incerteza sobre o futuro da energia internacional para os Estados Unidos, Carter agiu rapidamente para colocar o departamento em funcionamento no primeiro ano de sua presidência. Essa era uma questão extremamente importante na época, pois a crise do petróleo provocava escassez e inflação. Com o acidente de Three Mile Island, Carter pôde intervir com a ajuda do departamento. Por meio do DOE, Carter conseguiu promover mudanças na Nuclear Regulatory Commission, incluindo melhorias na administração e nos procedimentos, uma vez que a energia e as armas nucleares são responsabilidades do departamento.
Planos de armas roubados
Em dezembro de 1999, o Federal Bureau of Investigation começou a investigar como a China havia obtido os planos de um dispositivo nuclear específico. Wen Ho Lee, cientista do Laboratório Nacional de Los Alamos, foi acusado de transmitir segredos nucleares ao governo chinês. Antes de qualquer acusação formal, autoridades federais, incluindo o secretário de Energia Bill Richardson, identificaram publicamente Lee como suspeito. O Congresso dos Estados Unidos realizou audiências sobre a condução do caso pelo DOE, e alguns senadores propuseram que a segurança nuclear fosse administrada por uma agência independente. Das 59 acusações apresentadas contra Lee, todas, exceto uma, foram posteriormente retiradas depois que os investigadores concluíram que os planos vazados não poderiam ter vindo dele. Mais tarde, Lee recebeu um acordo de 1,6 milhão de dólares do governo federal e de várias organizações de notícias.
Na esteira do escândaloJames Risen and Jeff Gerth (March 6, 1999), "BREACH AT LOS ALAMOS: A special report.; China Stole Nuclear Secrets For Bombs, U.S. Aides Say" (includes extensive corrections), The New York TimesPaul Farhi (June 2, 2006), "U.S., Media Settle With Wen Ho Lee" e das alegações de que a administração direta pelo Departamento de Energia havia levado ao vazamento de segredos nucleares dos Estados Unidos para a China, foi proposta a National Nuclear Security Administration (NNSA).Eric Schmitt, "Spying Furor Brings Vote in Senate For New Unit", The New York Times, July 22, 1999 Originalmente proposta como uma agência independente, a NNSA foi criada, em vez disso, como uma agência semiautônoma dentro do Departamento de Energia, chefiada por um administrador subordinado ao secretário de Energia.
Programa de garantia de empréstimos de 2005 Em 2001, o American Solar Challenge foi patrocinado pelo DOE e pelo National Renewable Energy Laboratory. Após a corrida de 2005, o DOE encerrou seu patrocínio.
O Título XVII da Lei de Política Energética de 2005 autoriza o DOE a conceder garantias de empréstimos a projetos elegíveis que "evitem, reduzam ou sequestrem poluentes atmosféricos ou emissões antropogênicas de gases de efeito estufa" e "empreguem tecnologias novas ou significativamente aprimoradas em comparação com as tecnologias em uso nos Estados Unidos no momento em que a garantia é concedida". Nas garantias de empréstimos, um compromisso condicional exige o cumprimento de um compromisso de capital próprio, além de outras condições, antes que a garantia do empréstimo seja concluída.
Em setembro de 2008, o DOE, a Nuclear Threat Initiative (NTI), o Institute of Nuclear Materials Management (INMM) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estabeleceram uma parceria para desenvolver e lançar o World Institute for Nuclear Security (WINS), uma organização não governamental internacional destinada a oferecer um fórum para o compartilhamento das melhores práticas no fortalecimento da proteção e da segurança de materiais e instalações nucleares e radioativos.
Em dezembro de 2024, o Loan Programs Office anunciou que concederia o maior empréstimo já autorizado — um empréstimo de 15 bilhões de dólares, com juros baixos, para apoiar a modernização da infraestrutura hidrelétrica da Pacific Gas & Electric, aprimorar linhas de transmissão essenciais à integração de energia renovável, às operações de centros de dados e à crescente frota de veículos elétricos. Solicitado inicialmente como um empréstimo de 30 bilhões de dólares, o valor foi reduzido devido a preocupações com a capacidade de pagamento da empresa.
Em junho de 2026, o DOE anunciou 17,5 bilhões de dólares em empréstimos para acelerar a construção de dez novos grandes reatores nucleares nos Estados Unidos. Os reatores utilizarão o projeto AP1000 da Westinghouse, cada um capaz de gerar 1,1 GW de eletricidade, e a produção combinada de todos os reatores deverá abastecer quase 10 milhões de residências norte-americanas.
Missão Genesis e parcerias de IA (2025) Em novembro de 2025, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que lançou a Missão Genesis, uma iniciativa envolvendo o Departamento de Energia e os laboratórios nacionais dos Estados Unidos para aplicar inteligência artificial e computação avançada com o objetivo de acelerar a pesquisa científica e apoiar capacidades relacionadas à energia e à segurança nacional. Em 18 de dezembro de 2025, o Departamento de Energia anunciou acordos de colaboração com 24 organizações para apoiar a iniciativa.
Organização thumb|Organograma do Departamento de Energia dos Estados Unidos após a reorganização de fevereiro de 2022
Para implementar a Lei de Investimentos em Infraestrutura e Empregos, o departamento anunciou, em 2022, uma reorganização com novas denominações para os subsecretários.
thumb|Reorganização do Departamento de Energia anunciada em novembro de 2025, pendente de autorização do Congresso
A segunda administração Trump anunciou uma reorganização departamental em novembro de 2025, sem autorização do Congresso.
O departamento está sob o controle e a supervisão de um secretário de Energia dos Estados Unidos, um nomeado político do Presidente dos Estados Unidos. O secretário de Energia é auxiliado na administração do departamento por um subsecretário de Energia dos Estados Unidos, também nomeado pelo presidente, que assume as funções do secretário em sua ausência. O departamento também possui três subsecretários, cada um nomeado pelo presidente, que supervisionam as principais áreas de atuação do departamento. O presidente também nomeia sete autoridades com o posto de secretário-assistente de Energia, responsáveis pela gestão direta de importantes componentes organizacionais do departamento. O secretário de Energia atribui suas funções e deveres.
Simbolismo do selo Trecho do Código de Regulamentos Federais, no Título 10: Energia:
O selo oficial do Departamento de Energia "inclui um escudo verde dividido por um raio dourado, sobre o qual estão estampados, também em dourado, um Sol simbólico, um átomo, uma torre de perfuração de petróleo, um moinho de vento e um dínamo. Sobre o escudo encontra-se a cabeça branca de uma águia, acima de uma corda branca. Ambos aparecem em um campo azul cercado por círculos concêntricos, nos quais o nome da agência, em dourado, aparece sobre um fundo verde."
"A águia representa o cuidado no planejamento e a determinação dos esforços necessários para responder às crescentes demandas da nação por energia. O Sol, o átomo, a torre de perfuração de petróleo, o moinho de vento e o dínamo representam tecnologias cujo desenvolvimento aprimorado pode ajudar a atender a essas demandas. A corda representa a coesão no desenvolvimento das tecnologias e sua ligação com nossas capacidades futuras. O raio representa o poder das forças naturais das quais a energia é derivada e o desafio da nação de aproveitar essas forças."
"O esquema de cores deriva da natureza, simbolizando tanto a fonte de energia quanto o suporte à existência humana. O campo azul representa o ar e a água, o verde representa os recursos minerais e a própria Terra, e o dourado representa a criação de energia pela liberação de forças naturais. Ao recorrer a esse simbolismo, o esquema de cores representa o compromisso da nação de atender às suas necessidades energéticas de maneira compatível com a preservação do meio ambiente."
Instalações
O Departamento de Energia opera um sistema de laboratórios nacionais e instalações técnicas de pesquisa e desenvolvimento, como segue:
Ames National Laboratory Argonne National Laboratory Laboratório Nacional de Brookhaven Fermilab Idaho National Laboratory Laboratório Nacional Lawrence Berkeley Laboratório Nacional Lawrence Livermore Laboratório Nacional de Los Alamos National Energy Technology Laboratory National Renewable Energy Laboratory Laboratório Nacional de Oak Ridge Pacific Northwest National Laboratory Princeton Plasma Physics Laboratory Sandia National Laboratories (SNL) Savannah River National Laboratory DOE/SNL Scaled Wind Farm Technology (SWiFT) Facility SLAC National Accelerator Laboratory Thomas Jefferson National Accelerator Facility
Albany Research Center