Arlindo Veiga dos Santos (Itu, 12 de fevereiro de 1902 — 1978) foi um intelectual, poeta, escritor e líder político brasileiro, defensor do monarquismo e do tradicionalismo. Fundou a Frente Negra Brasileira (FNB), o primeiro movimento negro organizado no país, e a Ação Imperial Patrianovista Brasileira, organização que defendia a instauração da monarquia tradicional no Brasil.
Biografia Nascido Arlindo José da Veiga Cabral dos Santos, de origem humilde, iniciou seus estudos em escolas católicas. Ainda adolescente, se destacou na literatura e jornalístico, escrevendo poesias e colaborando em publicações locais. Por dificuldades financeiras familiares, mudou-se para São Paulo, onde cursou a Faculdade de Filosofia e Letras de São Paulo, atualmente integrada à PUC-SP. Concluiu o curso em 1926.
Participou do Centro Cívico Palmares e da Sociedade Negra de Cultura.CARVALHO, Gilmar Luiz de. A imprensa negra paulista entre 1915 e 1937: características, mudanças e permanências. 2009. 176 f. Dissertação (Mestrado em História Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009. p. 158–161. Fundou e presidiu a Ação Imperial Patrianovista Brasileira, uma organização monarquista com inserção em vários estados brasileiros, e a Frente Negra Brasileira (1931-1937), uma das maiores lideranças da população afro-brasileira na primeira metade do século XX. Foi muito influenciado pelo catolicismo conservador e pelo integralismo português, além de ter tido contatos com os integralistas brasileiros como Plinio Salgado, embora não tenha chegado a fazer parte desse grupo. Também dirigiu os jornais Pátria Nova, O Bibliófilo e os semanários Mensageiros da Paz e O Século.
Arlindo também foi professor de latim, inglês, português, história, sociologia e filosofia. Lecionou em faculdades privadas, como a Faculdade de São Bento e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Por convicção monarquista e oposição ao regime republicano, incluindo um convite para o cargo de secretário da Educação de São Paulo em 1930.
Publicou diversas obras, entre as quais Para a ordem nova, Eco do Redentor, A lírica de Luiz Gama, O Problema Operário e a Justiça Social, Brasil, Província d'El-Rei, Sentimentos da Fé e do Império e Incenso de minha miséria, De Nóbrega e outros patrícios. O seu livro Amar... e amor esta última agraciada com Menção Honrosa da Academia Brasileira de Letras, em 1923. Publicou também outras obras de cunho político, social, lírico e relacionadas à questão racial. Traduziu autores estrangeiros como São Tomás de Aquino, Charles Maurras, Francisco Elías de Tejada y Spínola de Tejada e Jacques Valdour.
O seu talento intelectual foi reconhecido internacionalmente, recebendo diplomas honoríficos, entre eles: membro do Instituto de Direito Social da Academia Brasileira de Ciências Sociais e Políticas, membro da Sociedade Geográfica Brasileira, membro da Association de Poetes de Langue Française, membro honorário vitalício, na qualidade de fellow da American International Academy, de Nova York; dignidade e honra da Estrela e Cruz de Academic Honor; membro de honra da Légion des Volsntaires du Sang, de Paris; sócio honorário da Associazione Internazionale Insigniti Ordini Cavallereschi, de Palermo, Itália. Obras publicadas
Os filhos da cabana, 1923. Amar... e amar depois, 1923. O carnaval, 1925. Contra a corrente, 1931. Satanás, 1932. Para a Ordem Nova (política católica), 1933. Evocando o passado, 1940. Incenso da minha miséria, 1941. Ecos do Redentor, 1942. Brasileiros, às armas!, 1943. A lírica de Luís Gama, 1943. O esperador de bondes, 1944. As raízes históricas do Patrianovismo (história e pensamento político), 1946. Sentimentos da Fé e do Império (poesia), 1940. Orgânica Patrianovista (política e economia), 1951. O problema operário e a justiça social, 1953. De Nóbrega e outros patrícios, 1955. Maurras — defensor da realidade (opúsculo; pensamento político), 1956. História de um amor fingido, 1956. Compreensão de Farias Brito (filosofia), 1956. Filosofia política de Santo Tomás de Aquino, 1956. Apelo à mocidade, 1958. Sob o signo da fidelidade, 1959. Brasil, Província d'El-Rei (opúsculo; história), 1960 Ideias que marcham no silêncio (pensamento político), 1962.
Traduções
O bálsamo das dores (Ângela Grassi), 1926. De floresta a Paris (Maria de Foz), 1933. Do governo dos príncipes ao Rei de Cipro seguido por Do governo dos judeus à Duquesa de Brabante (Santo Tomás de Aquino), 1937. O Crepúsculo da Civilização (Jacques Maritain), 1939. Santa Maria Madalena (Henri Dominique Lacordaire), 1948. As doutrinas políticas de Farias Brito (Francisco Elías de Tejada), 1952. Organização monárquica do Estado (Jacques Valdour), 1956.
Bibliografia
Ligações externas O “messias” negro? Arlindo Veiga dos Santos.
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