Gareth Evans (Londres, 12 de maio de 1946 – Oxford, 10 de agosto de 1980) foi um filósofo inglês da Universidade de Oxford durante os anos 1970.
Vida Gareth Evans estudou Filosofia, Política e Economia (Philosophy, Politics and Economics, PPE) no University College da Universidade de Oxford de 1964 a 1967. Seu tutor de filosofia era o filósofo Peter Strawson. Tornou-se um senior scholar em Christ Church, Oxford (1967-1968) e um Kennedy Scholar na Universidade de Harvard e na Universidade da Califórnia em Berkeley (1968-1969). Ele morreu em 1980, aos 34 anos de idade, de um câncer no pulmão.Ver Wikipedia Contributors, "Gareth Evans (Philosopher)". "Sua morte muito prematura foi, como a de Ramsey, uma grave perda para a filosofia britânica, diz o filósofo Gregory McCulloch no artigo "Gareth Evans" do Oxford Companion to Philosophy.McCulloch, "Gareth Evans", p. 253. Seus escritos coligidos (Collected Papers, 1985) e seu livro The Varieties of Reference (editado pelo amigo e filósofo John McDowell, 1982) foram publicados postumamente.
Obra Em sua breve carreira, Evans contribuiu substancialmente nos campos filosóficos da lógica, da metafísica, da filosofia da linguagem e da filosofia da mente. Além dos clássicos da filosofia analítica, Frege e Russell, os filósofos que mais o influenciaram foram Peter Strawson, Michael Dummett e John McDowell.
Evans fez parte do florescimento dos estudos filosóficos sobre a mente e a linguagem na Universidade de Oxford após 1970, sob a influência do filósofo estadunidense Donald Davidson, do seu conterrâneo Saul Kripke, e com a participação de filósofos como John McDowell, Christopher Peacocke e Crispin Wright.Ver McCulloch, "Gareth Evans", p. 253. Ele foi um dos muitos filósofos britânicos que levaram adiante o projeto dos anos 1960 e 1970 de Davidson de desenvolver uma semântica formal para as línguas naturais, sendo o coeditor (ao lado de John McDowell) da coletânea sobre o tema Truth and Meaning. No artigo "The Causal Theory of Names" (1973) ele critica aspectos da teoria da referência de Saul Kripke e Keith Donnellan.
Sob a influência de Peter Strawson, Evans continuou a tradição dos estudos filosóficos de Oxford de investigar as condições para a objetividade do pensamento sob um viés kantiano.
O livro póstumo Seu livro póstumo The Varieties of Reference, ainda é muito influente nos estudos de filosofia da mente e filosofia da linguagem, desenvolve teses do filósofo e amigo John McDowell (editor do livro) sobre os pensamentos acerca de objetos singulares (por oposição às propriedades de objetos), tomando-os como modos especiais da mente vincular-se ao mundo. McDowell organizou e intitulou o trabalho inacabado de Evans,"O último rascunho não contém indicação de um título pretendido. Todavia, em notas para um curso sobre teoria da referência, Evans observou que enquanto alguns anos antes ele esteve tentado a chamar tal curso de 'A Essência da Referência', agora ele prefere chamá-lo de 'As Variedades da Referência'; e essa ideia aparece também em algumas notas para um Prefácio de uma versão anterior do livro" (McDowell, "Editor's Preface", p. vi). acrescentando apêndices escritos a partir das notas do autor.
O contexto Até os anos 1960, a teoria da referência era dominada pela visão que o significado de um nome próprio é determinado pelo conjunto de descrições que definem unicamente seu objeto (descrições definidas). Assim, por exemplo, o significado do nome "Aristóteles", tal como utilizado para designar o filósofo Aristóteles da antiguidade, é determinado pelas descrições que delimitam unicamente essa pessoa, como: é o autor do De Caelo, foi discípulo de Platão, foi a principal influência filosófica de Tomás de Aquino, etc.
Essa era a visão de Russell sobre o significado dos nomes próprios, e por muito tempo se acreditou, equivocadamente, que essa era também a visão de Frege (se acreditava que aquilo que Frege chamava de Sinn (sentido) era uma descrição).
Todavia, a partir do trabalho de Ruth Marcus e de Saul Kripke, essa visão descritivista do significado dos nomes próprios deixou de ser prevalecente, pois eles mostraram que um nome refere-se ao que refere (caso tenha alguma referência) ainda que não satisfaça a uma ou mais descrições. Por exemplo, mesmo que se descubra que Aristóteles não escreveu o De Caelo, o nome "Aristóteles" ainda designaria o filósofo Aristóteles, apesar do nome não se adequar à descrição "o autor do De Caelo". A visão de Marcus e Kripke é conhecida como "nova" teoria da referência.
O projeto de Evans Evans concede aos críticos do descritivismo que em geral os nomes próprios não têm significados descritivos (embora ele alegue que eles podem ter, em alguns casos), mas considera a "nova" teoria da referência exageradamente simples. Contra o que considera exageros dessa teoria, Evans defende o que ele chama de Princípio de Russell: uma pessoa não pode estar pensando em um objeto a não ser que saiba, de maneira não-trivial, sobre qual objeto está pensando. Para isso a pessoa precisa ter uma "concepção discriminante" do objeto.Ver Evans, The Varieties of Reference, p. 65; Wikipedia Contributors, "Gareth Evans (Philosopher)".
Partindo da teoria de Russell, Evans defendeu que certos pensamentos sobre objetos singulares são tais que, caso o objeto não exista, não há pensamento. Ele chama tais pensamentos de pensamentos russellianos.
Para Evans, uma versão da "nova" teoria da referência está comprometida com o que ele chama de "modelo fotográfico" da representação, seguindo o qual se defende que "[…] os antecedentes causais da informação envolvida em um estado mental […] são suficientes para determinar a que objeto o estado diz respeito".Evans, The Varieties of Reference, p. 78. Ora, o modelo fotográfico viola o Princípio de Russell, pois permite que se pense sobre um objeto sem que se tenha algum conhecimento discriminativo do mesmo. Por esse motivo, Evans rejeita essa versão da "nova" teoria da referência.
Evans alega que qualquer teoria causal, como a do Modelo Fotográfico, precisa ser restrita: é preciso considerar, um a um, os vários tipos de pensamentos russellianos que se pode ter sobre objetos, e especificar em cada caso que condições devem ser satisfeitas para que eles satisfaçam o Princípio de Russell. Somente sob tais condições pode-se ter um pensamento singular, isto é, sobre um objeto específico.
Em particular, Evans discute longamente o que ele chama de Restrição de Generalidade (Generality Constraint), uma proposta de análise da estrutura do pensamento:
A Restrição de Generalidade requer que se alguém tem um pensamento (que John está feliz, por exemplo) sobre um objeto (John), então esse alguém deve ser capaz de conceber o objeto (John) com outras propriedades (tais como estar triste):
Ele também defende uma leitura de Frege, em parte derivada do trabalho de Dummett, segundo a qual a noção fregeana de sentido (Sinn) não é equivalente a uma descrição, ao contrário do que defendem algumas teorias da referências descritivas e alguns críticos dessas teorias, como Kripke em Naming and Necessity.Ver Evans, The Varieties of Reference, §1.3.
Tipos de referência O livro considera três tipos de referência a objetos, e apresenta diversas condições que precisam ser satisfeitas para que a referência ocorra.
Em primeiro lugar, ele considera a referência demonstrativa, na qual alguém fala ou pensa sobre um objeto perceptível nas próprias vizinhanças. Evans diz que tal tipo de referência pressupõe, entre outras coisas: ter uma concepção correta do tipo de objeto, a habilidade de conceber a si e ao objeto como localizados no espaço, a capacidade de orientar-se no espaço, e, em alguns casos, a sorte de ter um objeto que se mova em velocidade rastreável, dadas nossas capacidades cognitivas.
Publicações selecionadas
1973, "The Causal Theory of Names," Aristotelian Society Supplementary Volume xlvii, pp. 187–208."reprinted in Collected Papers (1985) 1975, "Identity and Predication," Journal of Philosophy lxxii, pp. 343–363. 1976(a), Truth and Meaning: Essays in Semantics (co-editado com John McDowell), Oxford: Oxford University Press. 1976(b), "Semantic Structure and Logical Form," in Evans and McDowell (eds.), 1976(a), pp. 199–222. 1977, "Pronouns, Quantifiers, and Relative Clauses (I)"), Canadian Journal of Philosophy vii, pp. 467–536. 1977, "Pronouns, Quantifiers, and Relative Clauses (II): Appendix". Canadian Journal of Philosophy. vii pp. 777–797. 1978, "Can There Be Vague Objects?" Analysis Vol. 38, No. 4, p. 208. 1979, "Reference and Contingency," The Monist lxii, pp. 161–189. 1980, "Pronouns," Linguistic Inquiry xi, pp. 337–362. 1980, "Things Without the Mind," in Zak van Straaten (ed.), Philosophical Subjects: Essays Presented to P.F. Strawson, Oxford: Clarendon Press, pp. 76–116. 1981, "Understanding Demonstratives," in Herman Parret and Jacques Bouveresse (eds.), Meaning and Understanding, Berlim e Nova York: De Gruyter, pp. 280–303. 1982, The Varieties of Reference (published posthumously, editado por John McDowell), Oxford: Oxford University Press. 1985(a), Collected Papers, Oxford: Oxford University Press. 1985(b), "Does tense logic rest on a mistake?" In Evans. 1985(a) 1986(c), "Molyneux's question," In Evans. 1985(a) 2004, "Comment on 'Two notions of necessity'." Philosophical Studies, 118, 11–16.
Referências Bibliográficas
Evans, Gareth. The Varieties of Reference. Ed. de John McDowell. Oxford e New York: Clarendon Press e Oxford University Press, 2002 . McCulloch, Gregory. "Gareth Evans". Em Ted Honderich (ed.), The Oxford Companion to Philosophy, p. 253. Oxford e New York: Oxford University Press, 1995. McDowell, John. "Editor's Preface". Em Gareth Evans, The Varieties of Reference, pp. v-vii. Oxford e New York: Clarendon Press e Oxford University Press, 2002 . Wikipedia Contributors. "Gareth Evans (philosopher)". Wikipedia, The Free Encyclopedia. Acessado em 12 de janeiro de 2008.
Leitura adicional
McDowell, John. "Evans, Gareth (1946–80)" Routledge Encyclopedia of Philosophy (1998) Grush, Rick, ed.: Special issue on “The Philosophy of Evans,” Electronic Journal of Analytic Philosophy 6 (1998). Sainsbury, R. M., "Evans on reference". [author eprint of chapter] in Departing from Frege: Essays in the Philosophy of Language. London: Routledge, 2002, 43–70, originally published as "Critical Notice: The Varieties of Reference by Gareth Evans", Mind 94, 1985: 120–42. Bermúdez, José Luis (2005), Thought, Reference, and Experience: Themes from the Philosophy of Gareth Evans, Oxford University Press. Sainsbury, R. M., "Names in free logical truth theory" [author preprint of Chapter 2] Safir, Ken, "Abandoning Coreference* [author preprint of Chapter 4]
Ligações externas
Rick Grush's "Guide to Gareth Evans's Varieties of Reference" "A Portrait of Gareth Evans" "What is Truth?" (video) – Susan Wilson introduces a discussion between Peter Strawson and Gareth Evans on the nature of truth (1972, Open University). Lincoln Allison, "Gareth Evans — philosophy’s lost prodigy", 20 September 2022
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