A foi a campanha empreendida pelos conquistadores espanhóis contra os estados e governos pós-clássicos maias na península de Iucatã, uma vasta planície de calcário que cobre o sudeste do México, norte da Guatemala e toda Belize.CASTILLO Pereza, Carlos (1985) Historia de Yucatán, antologia de textos históricos, Mérida Yucatán, ed. Dante, ISBN 970-605-085-X

Panorama das Descobertas right|200px|thumb|Mapa das cidades maias na península de Iucatã presente no livro chamado "Conquista e descobrimento de Iucatã" de Robert Chamberlain Cristóvão Colombo, que tomou posse da ilhota (San Salvador) em nome da Coroa de Castela em 12 de outubro de 1492 e vagou pelas ilhas do Haiti, Cuba e Jamaica, julgava tratar-se das costas ocidentais de Cipango (Japão) e Catai (China).

Mas no seu retorno, além de papagaios e aves exóticas, a mercadoria mais interessante que trouxe foram habitantes das terras ocidentais, os índios Caraíbas que escravizou, vendendo logo 509 deles em Sevilha em 1495 (e seu irmão vendeu outros 300 no ano seguinte em Cádis).

A rudeza dos costumes, nudez e falta de cultura destes índios logo denunciaram não pertencerem aos famosos e cultos reinos das índias, havendo até quem dissesse que nem mesmo descendentes de Adão eram. Assim, foram imediatemente reduzidos à escravidão.

Com isto, logo se alastrou o preceito de que se chegara apenas nas Antilhas ou seja, terra inculta e inóspita a caminho das Índias, razão por que, em 1506, Juan Díaz de Solís e Vicente Yáñez Pinzón, quando chegaram ao México, no extremo norte do Iucatã, julgaram tratar-se apenas de mais outra ilha.

Em 1511 Vasco Nuñes de Balboa e seus espanhóis já havia desembarcado nas costas do México, entretanto não se passava de incidente de emergência diante das tempestades que açodavam sua flotilha. Em 1513 foi a vez de Ponce de León desembarcar no continente, na altura da atual Flórida, mais ao norte.

Os acontecimentos narrados neste artigo se referem à expedição de Francisco Hernandes de Córdoba em 1517 e imediatamente posteriores, antes portanto da incursão de Fernando Cortez no México central em 1519.

A importância do evento decorre de ter sido aí o primeiro contacto dos europeus com a Civilização Maia, nas cidades estado costeiras do norte da península de Iucatã.

Primeira expedição Captura de escravos ou exploração? Bernal Diaz de Castilho é o cronista que mais detalhes nos traz sobre a viagem de Francisco Hernández de Córdoba, e também é a única testemunha de todo o processo. Em sua crônica, Bernal declara ter sido ele mesmo o promotor do projeto, junto com outra centena de espanhóis que diziam necessitar " ocupar suas pessoas " uma vez que fazia três anos que haviam chegado a Cuba, vindos da Castilla de Oro e se queixavam de que não haviam feito coisa alguma que fosse de se contar

Da narração dos acontecimentos que Bernal faz se deduz, mesmo parecendo que o narrador pretendia ocultar, que a origem do projeto era apresar índios como escravos para ampliar ou renovar a mão de obra nas explorações agrícolas ou minerais de Cuba, e para que os colonos espanhóis que ainda não possuíam índios e portanto exploração própria, pudessem adquiri-los e assim estabelecer-se como fazendeiros.

Bernal conta primeiro que tanto ele como outros cento e dez espanhóis que viviam em “Castilla de Oro” decidiram pedir permissão a Pedro Arias Dávila para mudarem-se para Cuba, e que Pedrarias o concedeu de bom grado porque em Terra Firme não havia o que conquistar e tudo estava em paz .

Chegando a Cuba, estes espanhóis da “Castilla del Oro” se apresentaram ao governador Diego Velázquez (também familiar de Bernal), que lhes prometeu que "nos dariam índios, em vagando". Imediatamente depois desta alusão a promessa de índios, Bernal acrescenta ... E como haviam passado três anos (...) e não havíamos feito coisa alguma de que se pudesse contar.. (...) os cento e dez espanhóis procedentes del Daríén, e os que na ilha de Cuba não tinham índios,( outra alusão à falta de índios ), (decidiram concertar-se com ...) um fidalgo que se dizia Francisco Hernández de Córdoba (...) e era homem rico e tinha um povoado de índios naquela ilha ([Cuba], e o aceitaram para ser seu capitão para)... ir a nossa aventura a descobrir novas terras e nelas empregar nossas pessoas .

Aí se percebe claramente que Bernal mal consegue ocultar que os tão repetidos índios eram o interesse central no projeto, ainda que autores como Madariaga prefiram concluir que o objetivo era muito mais nobre de "descobrir, ocupar nossas pessoas e fazer coisas dignas de serem contadas".

Mas o escrito que narra a participação do próprio governador Diego Velázquez diz que ele forneceu um barco ... "com a condição de que ( ...) havíamos de ir com aqueles três navios a umas ilhotas que estão entre a ilha de Cuba e Honduras, que agora se chamam de ilhas dos Guanaxes e que havíamos de ir à guerra e carregar os navios com índios daquelas ilhas para pagar com índios o barco, para eles servirem de escravos".

Aqui Bernal usa a palavra escravo, conta Velázquez, quando a havia evitado antes, ao falar de índios que Velásquez prometeu a eles. O cronista nega imediatamente ter admitido a pretensão de Velázquez : " respondemos a ele que o que dizia, não o mandava Deus nem o Rei, que fizéssemos escravos aos livres".

Se temos de acreditar em Bernal, o governador admitiu muito desportivamente a negativa e, apesar dela, acabou confiando o barco.

Pensa-se que tais declarações são prolepses defensórias, um tanto hipócritas, pois quando Bernal as escreveu, já haviam passado cinqüenta anos dos feitos e ele era então pessoa razoavelmente ilustre, cujos serviços foram, ao menos em parte, reconhecidos pela Coroa.

Mas a maioria de outros escritos, mais contemporâneos aos feitos, é mais taxativa com a realidade escravagista da colonização espanhola. Na carta do regimento da Rica Vila de la Vera Cruz enviada à rainha Dona Juana e ao imperador Carlos V, os capitães de Cortes narram a origem da expedição de Hernandez dizendo : " como é costume nestas ilhas que em nome de vossas majestades estão povoadas de espanhóis, de ir por índios às ilhas que não estão povoadas de espanhóis, para servir-se deles, enviaram os abaixo ditos (Francisco Fernández de Córdoba, e seus sócios Lope Ochoa de Caicedo e Cristobal Morante) dois navios e um bergantim para que de as ditas ilhas trouxessem índios para a dita ilha Ferdinanda, e cremos (...) que o dito Diego Velázquez (...) tinha a quarta parte da dita armada”.

Em sua “Relação das Coisas do Iucatã”, o frei Diego de Landa diz que Hernández de Córdoba iria ... "a resgatar escravos para as minas, já que em Cuba se ia apoucando a gente, se bem logo não se aumente (...) Outros dizem que saiu a descobrir terra e que levou por piloto Alaminos... ".

E é justamente aí, com a presença de Antón Alaminos que alguns argumentam para ampliar o propósito da expedição para "descobrir novas terras". É que este prestigioso piloto, veterano das viagens de Cristóvão Colombo, parece um recurso excessivo para uma mera expedição escravagista às ilhotas de Guanajes. Mas estes esquecem que a empreita seria mais atraente que o ócio, ainda que não houvesse necessidade de tão experimentado piloto.

Toda esta discussão é no mínimo hipócrita pois é fato sobejamente documentado que a colonização espanhola se serviu da escravidão dos ameríndios, não sendo de se estranhar então, que se fizessem expedições para os apresar.

Assim, com estes dados de partida, se pode advogar por que Hernández de Córdoba descobriu o Iucatã, por acidente, ao ver sua flotilha desviada por uma tormenta, já que sua viagem originalmente planejada era mais curta, pois se destinava apenas a seqüestrar índios para os escravizar nas fazendas de Cuba.

O Gran Cairo Em 8 de fevereiro de 1517 saíram de Havana dois navios e um bergantim, tripulados por mais de 100 homens. O capitão da expedição era Francisco Hernández de Córdoba, e o piloto era Antón de Alaminos, de Palos. Camacho de Triana e Joan Álvarez, “el manquillo”, de Huelva, eram os pilotos dos outros dois navios.

Até o dia 20 de fevereiro as naves costearam a ilha Fernandina, como era chamada a atual Cuba. Alcançada a ponta de Santo Antonio, saíram a mar aberto.

Seguiram-se então dois dias e noites de forte tempestade, e segundo Bernal, tão forte a ponto de pôr em perigo as embarcações. Este registro faz suspeitar que os navegantes perderam a firmeza da rota planejada inicialmente. Depois disto, passaram-se vinte e um dias de bonança até quando avistaram terra, e muito próximo à costa, visível dos barcos, avistaram o primeiro povoado de grande tamanho com “casas de cal e canto”.

Os espanhóis costumavam chamar de muçulmano a tudo quanto desenvolvido fora do cristianismo, e por esta razão, logo chamaram aquela cidade de “Grande Cairo”, como logo chamariam às pirâmides maias ou qualquer outro centro religioso de “mesquitas”.

É razoável fixar este momento como o do descobrimento do Iucatã, inclusive do México, já que este território hoje pertence ao México, embora no seu extremo meridional. Mas devemos recordar que estes não foram os primeiros espanhóis que pisaram no continente americano. É que em 1511, um barco da frota de Diego Nicuesa que regressava à Espanha naufragou nas costas do Iucatã e alguns dos seus ocupantes conseguiram salvar-se aí.

Encontro amistoso No momento em que os homens de Hernández avistaram e nomearam o Gran Cairo, pelo menos dois destes náufragos, Jerónimo de Aguilar e Gonzalo Guerrero, viviam na região de Campeche, falavam o dialeto maia local e é de parecer geral que Guerrero governava uma comunidade indígena, pensando-se que os demais náuragos que não foram devorados, acabaram escravizados, não havendo, entretanto nenhuma evidência disto.

Os navegantes adiantaram o barco de menor calado para investigar se podiam fundear ali e no dia 4 de março de 1517 ocorreu o primeiro encontro com os maias habitantes do Iucatã que foram até ao navio em dez grandes canoas, movidas tanto a remo como a vela.

Entendendo-se por sinais, e os maias sempre com caras alegres e mostras de paz comunicaram aos espanhóis que no dia seguinte enviariam mais canoas para levar os recém chegados a terra.

Primeiros enganos (A suposta etimologia de Iucatã, e a mais provável de Catoche)

O momento em que os maias subiram nas naves espanholas e aceitaram as miçangas de contas verdes e demais bugigangas preparadas para o encontro, foi um dos poucos contactos pacíficos que teve o grupo de Hernández com os maias e parece, estas mostras de paz eram fingidas.

Precisamente durante estes contatos de 4 de março, poderiam ter nascidos os topônimos Yucatán e Catoche, cuja história é tão surpreendente quanto divertida, para ser levada muito a sério.

Seja história ou lenda, conta-se que os espanhóis perguntavam aos maias pelo nome da terra que acabavam de avistar e escutavam repetidamente a resposta bastante previsível : "Não entendo o que dizes"... "essas são nossas casas"... daí porem à terra o nome justo do que escutavam : Yucatán, que queria dizer "não te entendo", para designar a "Província”" inteira (ou ilha segundo os espanhóis acreditavam), e Catoche, que significaria "nossas casas", que era o povoado onde eles depois desembarcaram.

O frei Diego de Landa dedica o segundo capítulo de sua Relação das coisas do Iucatã à Etimologia do nome desta Província e sua Situação e nele nos confirma o caso do Catoche, que procederia efetivamente de cotoch, " nossas casas, nossa pátria ", mas não confirma que Yucatán signifique "não te entendo".

Finalmente, Bernal Díaz del Castillo também confirma a etimologia de Catoche como "nossas casas", mas para Yucatán dá uma explicação mais surpreendente: segundo ele, os dois maias depois capturados e transformados em intérpretes, Julianillo y Melchorejo, em suas primeiras conversas com os espanhóis é que forjaram os vocábulos, também por engano.

Primeira Batalha (Catoche) (Exploração da " ilha " do Iucatã)