O Forte de Salinas localizava-se no antigo lugar de Salinas, próximo a onde hoje se localiza o Cemitério dos Ingleses, na cidade do Recife, no litoral do estado de Pernambuco, no Brasil.
História De acordo com o levantamento do Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, no contexto da segunda das Invasões holandesas do Brasil (1630-1654), as salinas de Francisco do Rego Barros e a sua moradia tornaram-se um importante foco de resistência contra o invasor. Da Casa do Rêgo ou Forte do Rêgo, partiram comandos de emboscadas para conter o invasor nas posições conquistadas em Recife e Olinda e, em particular, impedir as obras neerlandesas no Forte do Brum. Foi atacada e incendiada em torno de 1631.
Mesmo apesar da perda da Casa do Rêgo, as atividades de emboscada na área das Salinas prosseguiram, adquirindo importância as trincheiras de Luiz Barbalho [Bezerra], outra residência fortificada como um reduto, protegida por um fosso, com estacadas e parapeito, guarnecida por dois artilheiros sob o comando do Capitão Luís Barbalho Bezerra, e artilhada por três peças de calibre 6 libras. Esta posição foi abandonada a partir de 1634 com a queda do Arraial Velho do Bom Jesus e a do Forte do Pontal de Nazaré, no cabo de Santo Agostinho. O Capitão Barbalho retirou-se com sua gente, combatendo por terra, para a capitania da Bahia, onde se notabilizou na defesa de Salvador em 1638 (ver Forte do Barbalho).
No contexto da contra-ofensiva portuguesa um novo entricheiramento, sob o comando do Capitão Apolinário Gomes Barroso, foi erguido em 1649 na região de Salinas.
Na mesma região também foi erguida, posteriormente, uma fortificação neerlandesa: o Forte Soutpanne, denominado pelos naturais de Reduto ou Forte de Salinas. SOUZA (1885) também a denomina como Forte do Rêgo (op. cit., p. 86; BARRETTO, 1958:150; BENTO, 1971), e BARRETTO (1948), ainda, como Casa de Rêgo (op. cit., p. 139). Quando da ofensiva final a Recife, em Janeiro de 1654, o Forte Soutpanne, considerado o mais vulnerável por ser o mais afastado do Recife e de Olinda, foi o primeiro a ser atacado (14 de Janeiro). Sob o comando de Hugo van Meyer, encontrava-se guarnecido por setenta soldados e seus oficiais. O reforço enviado em socorro do forte, representado pelo terço de infataria neerlandesa, interceptado por forças portuguesas sob o comando do Mestre-de-Campo João Fernandes Vieira (1602-1681), auxiliadas pelas do Mestre-de-Campo André Vidal de Negreiros (1606-1680), foi forçado a recuar de volta a Recife. Na madrugada seguinte (15 de Janeiro), os ocupantes do forte capitularam, marcando o inicio da reconquista do Recife. SOUZA (1885) computa a data dessa conquista como 16 de Janeiro de 1654 (op. cit., p. 86), e BARRETTO (1958) como 17 de Janeiro de 1645 (op. cit., p. 139), o que envolve, para este ano, um erro tipográfico.
Ao término do conflito, o Forte de Salinas continuou integrando o sistema defensivo do Recife e de Olinda, encontrando-se arruinado em 1816. Desde 1681, o Morgado das Salinas, Francisco do Rego Barros, fizera erguer uma capela sob a invocação de Santo Amaro, santo do dia da capitulação neerlandesa do forte, razão pela qual também é denominado como Forte de Santo Amaro das Salinas.
A prospeção do Laboratório Arqueológico da Universidade Federal de Pernambuco, em Julho de 1998, não localizou os vestígios desta estrutura.
Bibliografia BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1974. 418 p. il. BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. 368 p. BENTO, Cláudio Moreira (Maj. Eng. QEMA). As Batalhas dos Guararapes - Descrição e Análise Militar (2 vols.). Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1971. GARRIDO, Carlos Miguez. Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940. MELLO, José Antônio Gonsalves de (ed.). Fontes para a História do Brasil Holandês (Vol. 1 - A Economia Açucareira). Recife: Parque Histórico Nacional dos Guararapes, 1981. 264p. tabelas. SOUSA, Augusto Fausto de. Fortificações no Brazil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.
Ver também Lista de fortificações do Brasil
Ligações externas Iphan Fundação Cultural Exército Brasileiro
Salinas, Forte das Categoria:Fundações no Brasil do século XVII