Tears for Fears é uma banda britânica de pop rock formada em Bath em 1981 por Curt Smith e Roland Orzabal.Erica Starr. The Everything Rock Drums Book with CD: From Basic Rock Beats and Syncopation to Fills and Drum Solos - All You Need to Perform Like a Pro. Everything Books; 2009. ISBN 1-59869-627-0. p. 9. Fundada após a dissolução de sua primeira banda, Graduate, Tears for Fears foi associada às bandas de synth-pop da década de 1980 e alcançou sucesso nas paradas internacionais como parte da Segunda Invasão Britânica.

O álbum de estreia da banda, The Hurting (1983), alcançou o primeiro lugar na parada de álbuns do Reino Unido, e seus três primeiros singles de sucesso — "Mad World", "Change" e "Pale Shelter" — alcançaram o top cinco da parada de singles britânica. Seu segundo álbum, Songs from the Big Chair (1985), alcançou o primeiro lugar da Billboard 200, conquistando certificados de multiplatina tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido. Dois singles do álbum, "Shout" e "Everybody Wants to Rule the World", atingiram o topo da Billboard Hot 100; ambas as canções entraram no top cinco do Reino Unido, com "Everybody Wants to Rule the World" vencendo o prêmio de Melhor Single Britânico no Brit Awards de 1986. Seu álbum seguinte, The Seeds of Love (1989), entrou estreou no topo do gráfico britânico rendeu o sucesso internacional "Sowing the Seeds of Love".

Após a turnê de The Seeds of Love em 1990, Orzabal e Smith tiveram uma separação acrimoniosa. Orzabal manteve o nome Tears for Fears como projeto solo, lançando os álbuns Elemental (1993) – que produziu o sucesso internacional "Break It Down Again" – e Raoul and the Kings of Spain (1995). Orzabal e Smith se reconciliaram em 2000 e lançaram um álbum com material inédito, Everybody Loves a Happy Ending (2004). A dupla tem feito turnês semirregulares desde então. Após quase uma década de desenvolvimento, o sétimo álbum da banda, The Tipping Point, foi lançado em 2022, dando à banda seu sexto álbum a alcançar o top cinco do Reino Unido e seu maior pico nas paradas em 30 anos, alcançando o top dez em vários outros países, incluindo os Estados Unidos.

Em 2021, Orzabal e Smith foram homenageados com o Prêmio Ivor Novello de 'Coleção de Canções Excepcionais', reconhecendo seus "álbuns que definiram uma era" e "singles de sucesso inovadores e aclamados pela crítica".

Carreira

Formação Orzabal e Smith se conheceram ainda adolescentes na cidade de Bath, no sudoeste da Inglaterra, embora Orzabal fosse originalmente de Leigh Park, em Hampshire. A dupla se tornou músicos auxiliares da banda Neon, onde conheceram quem viria a ser o primeiro baterista do Tears for Fears, Manny Elias. Neon também contou com Pete Byrne e Rob Fisher, que no futuro formariam a banda Naked Eyes. O primeiro álbum profissional de Smith e Orzabal veio com a banda Graduate, um projeto mod revival/new wave. Em 1980, Graduate lançou um álbum, Acting My Age, e um single “Elvis Should Play Ska” (referindo-se à Elvis Costello, não Presley). O single perdeu o top 100 no Reino Unido, apesar de ter alcançado um bom desempenho na Espanha e Suíça.

Em 1981, Orzabal e Smith foram influenciados por artistas como Talking Heads, Peter Gabriel e Brian Eno. Eles se desligaram da Graduate e formaram uma banda chamada History of Headaches, que logo mudaram para Tears for Fears. O nome da banda foi inspirado na terapia primal, desenvolvida pelo psicanalista americano Arthur Janov, que ganhou enorme publicidade após John Lennon se tornar seu paciente em 1970. Em uma entrevista de 2004 para o canal VH1 do Reino Unido, Orzabal e Smith disseram que quando finalmente conheceram Janov em meados dos anos 80, ficaram desiludidos ao descobrir que ele havia se tornado popular demais no estilo “hollywood”, e queria que a banda escrevesse um musical para ele.

Como Tears for Fears, Orzabal e Smith dedicaram-se a formar o núcleo do grupo e trazer músicos para ajudá-los a completar o quadro. Nesse tempo eles conheceram o músico local Ian Stanley, que lhes ofereceu o uso gratuito do estúdio da sua casa. Stanley começou a trabalhar com o duo como tecladista e, após gravar duas demos, a banda assinou contrato com a Phonogram Records do Reino Unido em 1981, pelo empresário musical Dave Bates. Seu primeiro single, “Suffer the Children” (produzido por David Lord) foi lançado por essa gravadora em novembro de 1981, seguido pela primeira versão de “Pale Shelter” (produzida por Mike Howlett) em março de 1982, embora nenhum desses lançamentos tivessem sido bem sucedidos.

The Hurting e os primeiros sucessos internacionais (1982-83) O primeiro sucesso da banda veio com o seu terceiro single, “Mad World”, que alcançou o terceiro lugar no Reino Unido em novembro de 1982. Seu primeiro álbum, The Hurting, foi lançado em março de 1983. Para esse LP (e o próximo), o tecladista e compositor Ian Stanley e o baterista Manny Elias foram considerados membros efetivos da banda, ainda que Smith e Orzabal eram essencialmente os vocalistas e rostos públicos da banda.

O álbum, produzido por Chris Hughes e Ross Cullum, apresentou canções baseadas em guitarras e sintetizador com letras que refletiam a amarga infância de Orzabal. The Hurting pode ser considerado o único álbum verdeiramente conceitual do Tears for Fears, uma vez que referências ao sofrimento emocional e a terapia do grito primal são encontradas em quase todas as músicas. O álbum por ele mesmo foi um grande sucesso e teve uma longa ascensão nas paradas de sucesso (65 semanas) no Reino Unido, onde alcançou o primeiro lugar e título de platina. O álbum também alcançou o top 20 em vários outros países e produziu os singles de sucesso internacional “Mad World” (top 5 nas Filipinas e África do Sul), “Change” (top 40 na Austrália, Canadá, Irlanda, Israel, Itália, Holanda, Filipinas, Polônia e África do Sul), e uma regravação de “Pale Shelter” (top 10 nas Filipinas). Todos esses três singles alcançaram o Top 5 no Reino Unido.

Para o fim de 1983, a banda lançou um novo single e levemente mais experimental, “The Way You Are”, concebida como um paliativo enquanto eles trabalhavam em seu segundo álbum. O single alcançou top 30 no Reino Unido, mas não chegou nem perto de corresponder ao sucesso de seus três hits anteriores, apesar da turnê nacional realizada em dezembro daquele ano (gravada em vídeo e lançada no DVD “In My Mind's Eye”). O single, que foi fortemente caracterizado por amostras e ritmos programados, foi uma despedida da abordagem musical anterior do Tears for Fears. No encarte do seu álbum de compilação de b-sides “Saturnine Martial & Lunatic” lançado em 1996, eles escreveram que “esse foi o ponto em que percebemos que precisávamos mudar de direção”, apesar de que um pouco do estilo experimental do single continuou a ser refletido em suas próximas b-sides.

Songs From the Big Chair e fama mundial (1984-88) No início de 1984 a banda começou a trabalhar com um novo produtor, Jeremy Green, em seu novo single “Mothers Talk”. Contudo, a equipe estava ultimamente descontente com os resultados e assim o produtor Chris Hughes foi trazido de volta ao grupo, e o single “Mothers Talk” foi re-produzido para lançamento em agosto de 1984. Uma despedida de seus trabalhos anteriores, o single se tornou top 20 no Reino Unido, mas foi o single seguinte, “Shout” (lançado no Reino Unido em novembro de 1984) que ocasionou o verdadeiro início da fama internacional da banda.

“Shout”, top 5 no Reino Unido, pavimentou o caminho para o segundo álbum, Songs From The Big Chair (lançado em fevereiro de 1985), que entrou em segundo lugar para as paradas e permaneceu em altas colocações pelos 12 meses seguintes. A banda acabou com o aspecto predominante de synthpop do primeiro álbum, e ao invés disso expandiram o som para algo um pouco mais sofisticado, que se tornaria a marca estilística da banda. Ancorado em torno do centro criativo de Orzabal, Stanley e o produtor Hughes, o som do novo Tears for Fears ajudou a transformar Songs From The Big Chair em uma das maiores vendas do ano em todo o mundo, sendo certificado com tripla platina no Reino Unido e quíntuplo de platina nos Estados Unidos (onde permaneceu em primeiro lugar por cinco semanas no verão de 1985).

O título do álbum foi inspirado no livro e série de televisão “Sybil”, que contava as crônicas de uma mulher com transtorno de personalidade múltipla que procurou refúgio na “grande cadeira” do seu analista. Orzabal e Smith afirmaram que sentiram que cada uma das canções do álbum tinham uma personalidade distinta de suas próprias. A banda também gravou uma faixa intitulada “The Big Chair”, que foi lançada como b-side de “Shout”, mas não foi incluída no álbum.

O sucesso do álbum veio em conjunção com a lista de hits que foram produzidos: “Mothers Talk” (regravado mais uma vez para seu lançamento nos Estados Unidos em 1986), “Shout” (quarto lugar no Reino Unido, primeiro lugar nos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Alemanha, Holanda, Suíça e um enorme sucesso em outros territórios, de fato um dos maiores sucessos dos anos 80), “Everybody Wants to Rule the World” (seu maior hit no histórico das paradas do Reino Unido, segundo lugar na Irlanda, e primeiro lugar nos Estados Unidos e Canadá), “Head Over Heels” (décimo segundo lugar no Reino Unido, terceiro lugar nos Estados Unidos, quinto lugar na Irlanda e oitavo lugar no Canadá), e “I Believe (A Soulful Re-Recording)” (vigésimo terceiro lugar no Reino Unido e décimo lugar na Irlanda). Alguns territórios nem mesmo viram o lançamento da edição limitada dos singles de 10'' desses hits, e mais uma variedade de packs duplos e discos com imagens em adição aos formatos regulares de 7'' e 12''.

Após o lançamento do álbum, a banda fez uma turnê mundial que durou a maior parte do ano. Entre essas apresentações estavam a de Montreux Golden Rose Rock and Pop Festival, em maio de 1985. Em setembro de 1985, a banda apresentou “Shout” no MTV Video Music Awards de 1985, na Radio City Music Hall em Nova York. Também durante a turnê, Orzabal e Smith descobriram uma cantora/pianista americana, Oleta Adams, que estava se apresentando no bar do hotel Kansas City, e quem eles convidaram para colaborar com o próximo álbum. Para o final do ano, a banda lançou uma coleção de vídeos/documentário intitulado "Scenes from the Big Chair".

Em fevereiro de 1986, tendo completado a longa e exaustiva turnê mundial Big Chair, a banda foi homenageada no 1986 BRIT Awards em Londres, onde eles venceram o prêmio Melhor Single Britânico com “Everybody Wants to Rule the World”. A banda também foi nomeada para Melhor Banda Britânica e Melhor Álbum Britânico, e Chris Hughes foi nomeado para Melhor Produtor. A banda apresentou a canção na cerimônia, que se tornou a última apresentação pública do baterista Manny Elias, que deixou a banda pouco tempo depois.

No mesmo ano, Orzabal e Stanley trabalharam juntos em um projeto paralelo chamado Mancrab e lançaram um single, “Fish for Life”, que foi escrito para a trilha sonora do filme Karatê Kid, Parte II. A faixa foi escrita e produzida por Orzabal e Stanley, e contou com os vocais do cantor/dançarino americano Eddie Thomas, que foi um dos dançarinos no clipe de “Everybody Wants to Rule the World”.

Em 1988, Curt Smith apareceu durante o Tributo ao 70º Aniversário de Nelson Mandela tocando “Everybody Wants to Rule the World”, com acompanhamento dos músicos Phil Collins, Midge Ure e Mark Brzezicki no palco.

Live Aid (1985)