Tore André Flo (Stryn, 15 de junho de 1973) é um ex-futebolista profissional e treinador de futebol norueguês, que atuava como atacante. Atualmente comanda a seleção Sub-16 da Noruega.

Reconhecido como um dos maiores futebolistas da Noruega, era um atacante alto (1,93 m) e de grande presença na grande área. Pela Seleção Norueguesa, jogou 76 partidas, com 23 gols marcados. Disputou a Copa do Mundo de 1998 e a Eurocopa de 2000.

Tore é conhecido pelo grande desempenho frente o Brasil na década de 1990: em duas partidas (em amistoso em 1997 e na terceira rodada da Copa de 1998), acumulou três gols, uma assistência e um pênalti sofrido. As ocasiões lhe renderam os apelidos de "Ronald Flo" e de "Flonaldo", apelidos criado pela imprensa britânica em referência ao auge do prestígio do adversário Ronaldo Nazário.BURGUEÑO, Leo (23 de junho de 1998). Casi seis metros de FLO. El Gráfico n. 4107. Buenos Aires: Editorial Atlántida, pp. 76-77

Pertence a uma família repleta de futebolistas, havendo sete Flo que disputaram a primeira divisão norueguesa, incluindo seus irmãos Jostein e Jarle, o primo Håvard e um primo de segundo grau, Per-Egil. Jostein, Håvard e Per-Egil também defenderam a seleção da Noruega, tendo Tore André disputado o Mundial de 1998 com os dois primeiros. A nível de clubes, ele se destacou em especial em boa fase do Chelsea anterior à ascensão vivenciada na década de 2000 por este clube, ainda de porte médio quando Flo o defendeu.

Carreira Inicio, na Noruega Nascido na cidade de Stryn em uma vila chamada de Flo justamente em função de sua família, iniciou a carreira no clube local, também chamado Stryn. Em 1993, se transferiu ao Sogndal, onde o irmão mais velho Jostein Flo já havia se destacado. Já ali pôde começar a jogar lado a lado dele do primo Håvard Flo, cinco anos antes de irem juntos à Copa do Mundo FIFA de 1998.

Na época, o Sogndal estava na segunda divisão, e o próprio Håvard admitira em 1998 à revista argentina El Gráfico que "a verdade é que nessa época nos imaginávamos jogando juntos em uma equipe de primeira divisão, mas nunca os três na seleção". O acesso veio em 1994, fazendo Tore André ser prospectado pelo Tromsø. Jostein pôde ir à Copa do Mundo FIFA de 1994, mas reconhecia ter menos habilidade do que o irmão caçula: Jostein e Håvard se destacavam pelo papel de pivôs, escorando bolas em jogada apelidada como "Flo Pass", além de aproveitarem bem a alta estatura (respectivamente de 1,91 metros e de 1,87 metros) para se sobressaírem pelo bom cabeceio.

Tore André, embora até mais alto do que os familiares (medindo 1,93 metros), possuía por sua vez uma habilidade dribladora mesmo com pernas longas, além de ser veloz. No Tromsø, ele destacou-se em 1995 com dezoito gols na primeira divisão, propiciando seus primeiros jogos pela seleção. Ainda no futebol norueguês, defendeu também o Brann, clube da cidade de Bergen no qual terminou de se consolidar: em uma temporada e meia, acumulou 34 gols em 50 partidas, incuindo um hat-trick no seu último jogo, quando já estava negociado com o Chelsea.

Chelsea

Tore André Flo foi contratado junto ao Chelsea pelo preço de 300 mil libras. Atuou pelos Blues entre 1997 e 2000. Fez sua estreia na vitória de 2 x 1 no Coventry City, entrando no lugar de Graeme Le Saux.

Em sua primeira temporada na Inglaterra, marcou quinze vezes. Se destacou sobretudp quando quando ele fez três gols na goleada de 6-1 em dérbi londrino com Tottenham. O Chelsea terminou a Premier League em 4° lugar, mas venceu a Taça da Liga Inglesa e a Recopa Europeia - competição na qual ele contribuiu especialmente com dois gols fora de casa nas quartas-de-final, contra o Real Betis.

Na segunda temporada, apesar da atenção despertada pela Copa do Mundo FIFA de 1998 e do título da Supercopa da UEFA, teve oportunidades limitadas no Chelsea; ainda assim, marcou treze gols na campanha terceira colocada na Premier League, responsável por classificar o clube pela primeira vez à Liga dos Campeões da UEFA.

Já na terceira temporada foi ele a principal referência ofensiva dos Blues: seus dezenove gols fizeram do norueguês o artilheiro do elenco na temporada marcada pelo título da FA Cup e pela campanha até as quartas-de-final da Liga dos Campeões - fase em que Flo, mesmo sem evitar a eliminação britância, marcou nos dois duelos com o Barcelona.

Com o Chelsea, ele também ganhou a Supercopa da Inglaterra travada em agosto de 2000. Porém, tornou a perder espaço diante das chegadas de Jimmy Floyd Hasselbaink e Eiður Guðjohnsen, levando Tore André a ser negociado ao fim do ano 2000. Em quatro temporadas vestindo a camisa do time londrino, Tore André Flo jogou 169 partidas e marcou 50 vezes.

Rangers e Sunderland Em novembro de 2000, foi contratado pelo Rangers por 21 milhões de dólares para disputar a Scottish Premier League, a maior quantia paga por um jogador norueguês até então..

Flo estreou marcando gol na goleada de 5-1 no arquirrival Celtic. Atingiu a marca de 18 gols em 30 jogos na primeira temporada e 22 em 42 na segunda, obtendo em 2002 a Copa da Escócia e a Copa da Liga Escocesa.

O bom desempenho na Escócia o fez voltar ao futebol inglês, negociado com o Sunderland, como a segunda contratação mais cara feita até então pelos Black Cats. Contudo, não se saiu bem; foram somente seis gols, números atribuídos a diferentes fatores: jogou rotineiramente fora da posição em que mais se acostumava, foi atrapalhado por lesões e, com isso, terminou relegado aos reservas.

Siena e final

O insucesso no Sunderland foi tamanho que Flo foi liberado gratuitamente ao Siena, que o contratou em 2003. Jogou pela equipe da Toscana por duas temporadas e se tornou um sucesso do futebol italiano, ajudando o Siena a subir a elite da Itália pela primeira vez e então se manter na Serie A ao fim da temporada da estreia nela, normalmente sendo escalado como segundo atacante.

Seus familiares, porém, não se ambientaram à Itália e queriam que Flo voltasse à Noruega. Ele, que tinha um contrato praticamente assinado com o Queens Park Rangers, decidiu voltar ao país de origem.

Assinou com o Vålerenga de Oslo, em julho de 2005, tendo atuado em uma temporada. Sua estadia no Vålerenga foi dificultada devido as inúmeras lesões que o impediu de ter uma sequência de jogos. O Vålerenga não conseguiu renovar o contrato de Flo, deixando-o livre para assinar com outros clubes.

Após ter sido dispensado pelo Vålerenga, Flo retornou pela segunda vez à Inglaterra, sendo contratado pelo Leeds United, em 3 de janeiro de 2007., disputando 23 partidas e marcando quatro gols pela equipe, o suficiente para ser cultuado pela torcida em tempos difíceis desse clube.

Excluído dos planos do Leeds para 2008, Flo chegou a anunciar a aposentadoria em março. Porém, mudou de ideia e foi para o MK Dons, onde reencontraria Roberto Di Matteo, seu ex-companheiro na época de Chelsea.

Atuou em treze partidas e passou em branco durante sua passagem pelo MK Dons. Acabou declarando-se aposentado como jogador, mas retomou a carreira após um ano e meio: regressou então ao Sogndal, dividindo o elenco com Ulrik, seu sobrinho. Ao final da temporada, o atacante anunciou o final definitivo da carreira de jogador.

right|300px|thumb|Tore André Flo e seu sobrinho, Ulrik, foram companheiros de equipe no Sogndal.

Seleção norueguesa Pela seleção da Noruega, entre 1995 a 2004, jogou 76 vezes e marcou 23 gols, mesmo número de Ole Gunnar Solskjær. Estreou em 1995, contra a Inglaterra, e a partida terminou empatada sem gols.

Em 30 de maio de 1997, em Oslo, teve então sua primeira partida contra o Brasil. Ofuscando a dupla Romário e Ronaldo, Flo marcou dois gols e contribuiu com uma assistência em vitória por 4-2: anotou primeiramente o gol que representou o placar parcial de 2-0, concluindo jogada construída livremente por Øyvind Leonhardsen, em desatenção da defesa canarinha. Ainda com 19 minutos de jogo, os brasileiros diminuíram, com Djalminha acertando chute de longa distância, mas novo gol de Flo reabriu vantagem de dois gols; Alf-Inge Håland, o pai de Erling Haaland, roubou bola de Márcio Santos e cruzou para Tore André, fornecendo-lhe a assistência. Eram 32 minutos e Taffarel não teve chances de impedir novo gol de Flo.

Romário diminuiu aos 21 minutos do segundo tempo. Aos 31, porém, Flo forneceu assistência para o quarto gol da vitória, convertido por Egil Østenstad, com ambos tabelando diante da presença solitária de Márcio Santos como único zagueiro na marcação de ambos. Na época, os próprios noruegueses minimizavam o resultado, reconhecendo que tiveram o ímpeto de "um jogo de Copa" enquanto os brasileiros disputaram em ritmo de amistoso, dando ares de acidental para aquele revés. Ainda assim, a exibição originou o apelido de Flonaldo a Tore André: aquela foi a primeira derrota do Brasil desde o regresso de Zagallo ao cargo de treinador. A seleção brasileira não era derrotada desde 1993, em amistoso com a Alemanha, e não sofria quatro gols desde 1989, contra a Dinamarca.

Em 1998, foi figura destacada primeiramente em empate em Paris contra a própria Seleção Francesa, em 3-3 que fez Telê Santana rotular a Noruega como "carne de pescoço" em coluna na Folha de S.Paulo: "A Noruega tem uma equipe boa, com jogadores fortes, e pode surpreender. Eles estão jogando um futebol rápido e têm um centroavante, o Tore Andre Flo, que é alto e está sempre bem posicionado para a finalização. No princípio, logo após o sorteio, achava que o Brasil havia pego uma moleza. Depois de assistir a alguns jogos da Noruega, e principalmente após o empate da última quarta, constato que a nossa seleção pegou uma carne de pescoço para roer". O atacante de fato voltou a se sobressair contra o Brasil na terceira rodada da Copa do Mundo de 1998, após ser pouco produtivo nas duas primeiras. Os noruegueses vinham de dois empates, contra Marrocos na estreia, sem gols de Tore André; e contra a Escócia, contra quem ele foi bem marcado, com o primo Håvard Flo terminando como protagonista da tarde ao marcar o único gol nórdico.

Na terceira rodada, Bebeto abriu o placar aos brasileiros quando já eram transcorridos 33 minutos do segundo tempo. No diminuto tempo restante, Tore André Flo primeiramente conseguiu empatar após driblar Júnior Baiano para então arrematar no canto esquerdo de Taffarel, em gol que empatou a partida cinco minutos depois do gol de Bebeto. Já veterano, Jostein Flo foi então solicitado do banco de reservas para justamente ter seu entrosamento com o irmão aproveitado nos minutos finais. Os três Flo constituíam a mais completa família junta em um Mundial.

O Brasil já se encontrava classificado por antecipação e, por outro lado, o empate ainda era insuficiente aos nórdicos, que viam o concorrente Marrocos avançando. Outros cinco minutos depois, em novo embate de Tore André Flo com Júnior Baiano, o atacante sofreu pênalti que permitiu o gol da virada escandinava. Sua camisa fora puxada pelo zagueiro, em infração não detectada de imediato pelas câmeras de televisão, mas flagrada pela arbitragem. Kjetil Rekdal converteu a penalidade, classificando então a Noruega em detrimento dos marroquinos, que venciam por 3-0 os escoceses e chegavam a iniciar uma precoce comemoração sem imaginar a possibilidade da reviravolta ocorrida nos dez minutos finais do jogo paralelo.

Aquela vitória, além de manter a invencibilidade da Noruega contra o Brasil, é considerada a maior façanha do esporte norueguês como um todo, levando cidadãos à incomum atitude de saírem às ruas para dançar.