A é a ciência que tem como objeto de estudo as funções biológicas e comportamentais envolvidas na comunicação humana. Elas incluem funções neurovegetativas e neurológicas, no que se refere ao seu desenvolvimento, aperfeiçoamento, distúrbios e diferenças, em relação aos aspectos envolvidos nas funções auditivas periférica e central, na função vestibular, na função cognitiva, na linguagem oral e escrita, na fala, na fluência, na voz, nas funções estomatognáticas, orofaciais e na deglutição.O que é fonoaudiologia (CFFa, Conselho Federal de Fonoaudiologia)

O fonoaudiólogo é um profissional da saúde e atua em pesquisa, orientação, perícias, prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento fonoaudiológico na área da comunicação. Esse profissional tem ampla autonomia, não sendo subordinado ou mero auxiliar de outras áreas do conhecimento ou especialidades. Pode atuar sozinho ou em conjunto com outros profissionais de saúde em clínicas, hospitais, centros especializados em diagnósticos, centro especializado em reabilitação (CER), institutos gerais de perícia, centros de referência em saúde do trabalhador, como auxiliar do poder judiciário no âmbito das perícias judiciais que envolvem a área da audição, fala e linguagem, equilíbrio e demais áreas correlatas, nas esferas civil, trabalhista e criminal, em creches, escolas (comuns e especiais) e comunidades, incluindo o Programa de Saúde da Família, unidades básicas de saúde (UBS), unidades de referência para a média e alta complexidade de procedimentos do SUS, emissoras de rádio e televisão, teatro, atendimento domiciliar, empresas de próteses auditivas, indústrias, centros de habilitação e reabilitação, entre outros. Existe ainda a Fonoaudiologia Forense, que é a atuação em processos judiciais que envolvam exames biométricos para identificação através de voz, fala, linguagem, marcha, face, escrita, postura e tudo o mais que se relaciona com realizações humanas. O fonoaudiólogo pode estar inserido em vários ambientes de trabalho, como escolas, clínicas, hospitais, maternidades, asilos, empresas, emissoras de rádio e TV, teatro, etc. Por exemplo, a fonoaudiologia escolar está em constante crescimento onde a necessidade da contratação de fonoaudiólogos para integrar equipes de educação especial é de grande valia.

História da Fonoaudiologia No século IV a.C., o filósofo Demóstenes realizou exercícios com a boca para amenizar suas dificuldades com a oratória e articular sua gagueira. Assim, segundo Danuello (2014), o pensador pode ser considerado o precursor da Fonoaudiologia. A história do surgimento da Fonoaudiologia como área da Medicina enfrentou diversos processos. De acordo com Berberian (2001), no início da miscigenação do Brasil, houve uma mistura das línguas causada pela união de pessoas de diferentes países, o que dificultou a compreensão entre todos. Então, a soberania nacional valorizou a a língua portuguesa e determinou que o ensino da língua deveria ser responsabilidade das escolas, não das famílias, determinando que os professores realizassem um apagamento de expressões de outras línguas.

No século XX, professores capacitados pelo Dr. Augusto Linhares, que desenvolvia estudos na área de voz e fala, eram responsáveis por prevenir, identificar e corrigir desvios de voz, fala e linguagem dos alunos. Nas décadas de 1940 e 1950, o trabalho repercutiu e, após cursos com duração de cerca de três meses, professores especializados passaram a ser chamados de terapeutas da palavra ou logopedistas. Na década seguinte, foi marcado o início da graduação de tecnólogos com a criação dos cursos de Logopedia da Universidade de São Paulo (1961). Em 1971, foi fundado o curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Santa Maria, primeiro a ser reconhecido pelo Brasil 5 anos depois. O primeiro currículo mínimo foi regulamentado pela Resolução nº 54/76, do Conselho Federal de Educação em 1977 e, no mesmo ano, o curso da Universidade de São Paulo foi o primeiro a ter seu funcionamento autorizado.

Fonoaudiologia no Brasil No Brasil, existem 114 cursos de Fonoaudiologia cadastrados pelo MEC. O curso denominado Fonoaudiologia tem duração média de quatro anos contendo as disciplinas básicas da área de Medicina, Psicologia e Pedagogia, além de matérias específicas da área de Física, como Acústica, e aulas de Fonética e Linguística. Para saber quais são os cursos existentes é aconselhável visitar o site do Conselho Federal de Fonoaudiologia. No total, há 59.661 fonoaudiólogos registrados no CFFa em fevereiro de 2026.

A Lei que rege a profissão de Fonoaudiólogo no Brasil é a Lei nº 6.965, sancionada em 9 de dezembro de 1981, tendo sido regulamentada pelo Decreto nº 87.218, de 31 de maio de 1982.

A referida legislação, além de determinar as competências do fonoaudiólogo, também criou o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) e os Conselhos Regionais de Fonoaudiologia (CRFa) que possuem como principal função realizar a fiscalização e avaliação do exercício profissional.

A profissão possui seu Código de Ética, que elenca e disciplina os direitos, deveres e responsabilidades do Fonoaudiólogo, inerentes às relações estabelecidas em função de sua atividade profissional. De acordo com o código de Ética da Fonoaudiologia, no Brasil, constituem direitos gerais dos Fonoaudiólogos inscritos nos Conselhos Regionais de Fonoaudiologia, nos limites de sua competência e atribuições:

exercício da atividade sem ser discriminado; exercício da atividade com ampla autonomia e liberdade de convicção; avaliação, solicitação, elaboração e realização de exame, diagnóstico, tratamento e pesquisa, emissão de parecer, laudo e/ou relatório, docência, responsabilidade técnica, assessoramento, consultoria, coordenação, administração, orientação, realização de perícia e demais procedimentos necessários ao exercício pleno da atividade; liberdade na realização de estudos e pesquisas, resguardados os direitos dos indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos; liberdade de opinião e de manifestação de movimentos que visem a defesa da classe; requisição de desagravo junto ao Conselho Regional de Fonoaudiologia da sua jurisdição, quando atingido no exercício da atividade profissional; consulta ao Conselho de Fonoaudiologia de sua jurisdição quando houver dúvidas a respeito da observância e aplicação deste Código, ou em casos omissos. Conforme normas oficiais, pode atuar em 14 áreas distintas.

Especialidades da Fonoaudiologia 1 - Audiologia A audiologia é um ramo da ciência que estuda a audição, seu equilíbrio e distúrbios relacionados. Os profissionais com formação em fonoaudiologia tratam pessoas com perda auditiva e, de forma proativa, evitam possíveis danos a audição. O Audiologista é o fonoaudiólogo especialista que se dedica ao estudo do sentido audição, desde a recepção das ondas sonoras pelo ouvido até o completo processamento das informações auditivas pelo córtex do sistema nervoso central, dedicando-se ao estudo da anatomia, da fisiologia, da neurofisiologia e das patologias de todo o aparelho auditivo. Este profissional sem dúvida, é o mais capacitado para diagnosticar, atestar e tratar os distúrbios da audição e suas consequências no dia-a-dia do indivíduo por eles acometido, daí o porquê vem sendo muito requisitado na esfera do poder judiciário para que realize perícias nas questões que envolvem a audição, pois, para o judiciário, não basta saber que há lesão e o seu grau, é fundamental para a decisão do Juiz saber de que forma aquela lesão afeta a vida do cidadão.

Portanto, o Fonoaudiólogo especialista nesta área realiza diagnósticos, prognósticos e estabelece tratamentos ou auxilia no estabelecimento de condutas de outros profissionais da área da saúde, tais como pediatras, otorrinolaringologistas, neurologistas, neurocirurgiões, geriatras, clínicos gerais e outros. O profissional da saúde, também dedica-se ao estudo de física, acústica e psicoacústica, fundamentais para que possa compreender o funcionamento eletrônico complexo das próteses auditivas, o que o habilita a selecionar, ajustar, regular e adaptar aparelhos auditivos de forma precisa, para corrigir a função auditiva afetada por diferentes graus e formas de lesões, de pessoas em todas as faixas de idade a partir dos primeiros meses de vida. Este profissional é fundamental em todos os níveis de atenção à saúde, desde a atenção básica, passando pela média até a alta complexidade. alt=homem usando fones de ouvido fazendo um teste audiológico dentro da uma cabine, com uma profissional de audiologia realizando o teste|miniaturadaimagem|Teste audiológico realizado em cabine O Audiologista é por vezes confundido com o Otorrinolaringologista, que é o especialista que se dedica ao estudo do ouvido, não tendo seu espectro de estudo ampliado para todos os aspectos do sentido da audição, seu processamento e suas influências no processo de linguagem e comunicação humana. O Audiologista realiza exames audiológicos e otoneurológicos: audiometria tonal limiar (via aérea e óssea), logoaudiometria (limiar de reconhecimento de fala, limiar de detecção de fala, índice de reconhecimento de fala e índice porcentual de reconhecimento de fala), audiometria vocal, imitânciometria acústica, provas de função tubária, teste de reflexos neurológicos estapedianos, emissões otoacústicas transientes e evocadas por produto de distorção, audiometria de tronco encefálico, potenciais evocados de curta, média e de longa latência, monitoração transoperatória em neurocirurgias, vídeonistagmografia comum e infravermelha, vectoeletronistagmografia, rinometria acústica, exames de processamento auditivo central (avaliação de como o sistema nervoso central está processando a audição, dentre outros) para verificar se a função auditiva dos pacientes está dentro do padrão normal ou se apresenta algum tipo de alteração.

Este profissional deve ser consultado regularmente, desde os primeiros dias de vida, o qual realiza uma avaliação da capacidade auditiva do bebê ao nascimento, chamada de triagem auditiva neonatal (também conhecida com "teste da orelhinha"). Posteriormente, a avaliação também deve ser feita ao completar 1 ano de vida e ao entrar em idade escolar (ou quando apresentar quaisquer sintomas como dor, sensação de ouvido tapado, tonturas, zumbidos (chiado), estalos, e dificuldades para ouvir).

A otoneurologia se dedica a diagnósticos relacionados à função vestibular, que participa do controle do equilíbrio do indivíduo, área de fusão entre a fonoaudiologia, otorrinolaringologia e neurologia, cujas doenças desse sistema são popularmente conhecidas como "labirintites". Juntamente com o Otorrinolaringologista, o audiologista, participa da cirurgia de implante coclear (dispositivo eletrônico implantado no nervo da audição) fazendo exames antes e depois do implante para saber se o paciente reagiu bem ao aparelho, indicando ao Otorrino onde colocar o aparelho na orelha do paciente.

Além disso, podem realizar a monitoração de pacientes em coma, auxiliando no prognóstico destes pacientes, realiza exames eletrofisiológicos da audição para auxiliar no processo de diagnóstico de morte encefálica, e pode realizar monitoração da ototoxicidade ao paciente quando em uso de certas medicações, como é o caso do uso dos antibióticos conhecidos como aminoglicosídios (amicacina, arbecacina, gentamicina, canamicina, azitromicina, neomicina, netilmicina, paromomicina, rodostreptomicina, estreptomicina, tobramicina e apramicina e as antraciclinas - utilizadas em quimioterapias.

Ototoxicidade: danos progressivos nas células sensoriais do sentido da audição e do equilíbrio no ouvido interno: pode resultar em ataxia (andar desequilibrado), vertigens; surdez temporária ou permanente.

2 - Linguagem