Casa das Máquinas é o álbum de estreia da banda brasileira Casa das Máquinas, lançado pela gravadora Som Livre, em julho de 1974, e gravado no primeiro semestre do mesmo ano. Neste disco, o grupo ainda procura uma direção sonora e, por isso, o álbum é bem diversificado musicalmente, com o estilo indo desde rocks ingênuos à moda da Jovem Guarda, hard rock e rock psicodélico, até baladas e músicas próximas à MPB. Na parte lírica, as canções abordam temas como religiosidade e espiritualidade, bem como temas contraculturais, como o desejo de libertação. Em 2006, o álbum foi relançado em CD como parte da coleção Som Livre Masters.
Antecedentes A banda foi formada em 1973 por Netinho. Após o fim de Os Incríveis, em 1972, devido às pressões de imprensa, empresários e gravadora resultante do sucesso da canção "Eu Te Amo, Meu Brasil", o baterista comprou toda a estrutura de ensaio e apresentações de sua antiga banda e juntou uma nova para realizar uma turnê pelo país tocando clássicos do rock, como Elvis Presley, Paul Anka e Neil Sedaka. Inicialmente batizada de Os Novos Incríveis, o grupo teve que trocar de nome quando Mingo, Nenê e Risonho resolveram retomar Os Incríveis - sem Netinho e sem Manito - apoiados por uma banda de músicos de estúdio. Assim, a banda adotou o novo nome de Casa das Máquinas e, após conseguir um contrato com a gravadora Som Livre, entrou em estúdio para gravar seu álbum de estreia.
Resenha musical Os temas que dominam as canções do álbum são aqueles afeitos à contracultura e ao movimento hippie, como a busca da paz e o desejo de libertação. Além disso, há a expressão de um desejo tipicamente romântico do retorno à natureza, também característico destes movimentos. O álbum abre com a canção "A Natureza" que é instrumentalmente centrada em um impactante riff de guitarra, apresentando uma sonoridade hard rock, enquanto a letra faz uma exaltação à natureza e uma denúncia às atrocidades cometidas pelo homem moderno contra a natureza. Em seguida, vem "Tudo Porque Eu Te Amo", uma canção cantada por Netinho - contando com discurso feito também pelo baterista - em que é abordado o conflito geracional com as posições típicas de pai e filho sendo invertidas: é o filho que traz o saber, que tem o conhecimento do princípio da realidade contra as formas obsoletas do pai. Alguns, ainda, leem aqui uma metáfora para o conflito com o autoritarismo da ditadura militar. Após, temos a balada "Mundo de Paz" e a canção "Quero Que Você Me Diga", que une os temas do movimento contracultural a uma abordagem religiosa e mística. O lado fecha com "Canto Livre", versão da banda para uma canção de Lucio Battisti que trata sobre a visão que um músico tem da liberdade.
O lado B abre com "Trem da Verdade" mais um momento de hard rock do disco, com a letra falando sobre contato com o astral e habitantes extraterrenos, com vocais imitando o apitar de um trem e sonorizações que buscam lembrar uma viagem espacial. "Preciso Lhe Ouvir" surge também de forma mística, mas trazendo uma mensagem antiguerra que se refere tanto à Guerra do Vietnã, quanto às guerrilhas havidas no território nacional, como a recém encerrada Guerrilha do Araguaia. Em seguida, temos "Cantem esse Som com a Gente" mantém o tema de viagem espacial, mas com o rock sendo o catalisador para trazer alegria e conectar as pessoas com essas viagens. "Domingo à Tarde", então, fala sobre o encontro da banda com um disco voador. Finalizando o álbum, "Sanduíche de Queijo" é mais ingênua: um típico rock jovem guardista que tem como tema namoro e curtição típicos da juventude.
Gravação, arte e lançamentos Lançamento e promoção O álbum foi gravado no primeiro semestre de 1974 e teve seu lançamento realizado pela gravadora Som Livre, em julho de 1974. Para promover o álbum, a gravadora lançou um compacto duplo - dividido com dois artistas internacionais e com o Azymuth - contendo a canção "Tudo Porque Eu Te Amo", que chegou a vender mais de 60 mil cópias. Além disso, até novembro de 1975, o disco tinha vendido mais de 16 mil cópias.
Arte gráfica Para a capa do disco, os membros da banda utilizaram maquiagem, fazendo referência a duas importantes bandas daquele período: aos Secos & Molhados, primeira banda de rock brasileira a vender mais de 1 milhão de cópias de um lançamento - com o seu álbum de estreia; e a Alice Cooper, que havia feito um dos primeiros shows internacionais no Brasil - no Anhembi, em São Paulo - em 30 de abril de 1974. Na contracapa, há um poema de Aroldo que deixa claro que, apesar de Netinho ser o líder da banda, Aroldo era a cabeça pensante e quem trazia os temas de religiosidade e contracultura para as letras do álbum.
Relançamentos O álbum foi relançado em CD em 2006 como parte da série Som Livre Masters, com som remasterizado e produção coordenada por Charles Gavin.
Faixas
Créditos Ficha dada pelos Discogs.
Músicos Aroldo Santarosa: vocal, guitarra e violão Piska: vocal, guitarra e violão Pique Riverte: piano, órgão, saxofone e flauta Cargê: vocal e baixo Netinho: bateria, percussão e voz falada
Ficha técnica Coordenação geral: João Araújo Produção: Eustáquio Sena Direção de estúdio: Netinho Fotos: Cerri e Norminha Arte: Istvan
Bibliografia
Categoria:Álbuns de estreia de 1974 Categoria:Álbuns de rock do Brasil Categoria:Álbuns de Casa das Máquinas Categoria:Álbuns em língua portuguesa