right|250px A Bacia de Santos é uma bacia sedimentar localizada na plataforma continental brasileira. Limita-se a norte com a Bacia de Campos, através do Alto de Cabo Frio e, a sul, com a Bacia de Pelotas através do alto de Florianópolis. Estende-se, portanto, desde o litoral sul do estado do Rio de Janeiro até o norte do estado de Santa Catarina, abrangendo uma área de cerca de 352 mil quilômetros quadrados até a cota batimétrica de 3000 m. É uma bacia de margem divergente, formada com a abertura do Atlântico Sul, que se iniciou no Cretáceo Inferior.
A Bacia de Santos é a maior produtora de petróleo e gás natural do Brasil. Em novembro de 2025 foram produzidos 2.895.337 barris de óleo e 138.890 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, totalizando 3.768.927 barris de óleo equivalente por dia, através de 29 campos petrolíferos, localizados desde águas rasas até águas ultraprofundas. Em números relativos, a participação da Bacia de Santos equivale a 77% da produção de petróleo e de 76% do gás natural da produção nacional. Em 2006, a Petrobras descobriu importantes acumulações de petróleo e gás natural, em águas ultraprofundas e abaixo de uma espessa camada de sal.
Destas descobertas, já estão em produção 34 campos, sendo os mais importantes os campos de Tupi (24% de produção), Búzios (23% de produção) e Mero (22% de produção), os três maiores campos brasileiros. Além destes campos, diversas descobertas estão em fase da avaliação, além de diversos blocos em fase exploratória. Os principais sistemas petrolíferos da Bacia são Piçarras-Itapema/Barra Velha e o Itajaí-Açu-Ilhabela.
Campos petrolíferos
Campo de Tupi: localizado a 250 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, volumes recuperáveis entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo de boa qualidade, ou seja petróleo relativamente leve, além de gás natural associado. No final de 2010 a área de Tupi e Iracema foi declarada como comercialmente econômica. A área exploratória de Tupi passou a se chamar Campo de Lula e Iracema passou a se chamar Campo de Cernambi (e em 2020 retornou a se chamar Tupi). São importantes campos do Pré-sal. Em novembro de 2025, o Campo de Tupi era o segundo maior campo em produção no Brasil, produzindo respectivamente, 681.678 barris por dia de óleo e 33,3 milhões de metros cúbicos de gás natural. Campo de Búziosː localizado na porção central da bacia de Santos, a cerca de 180 quilômetros da costa do município do Rio de Janeiro, em lâmina d’água de cerca de 1.900 m de profundidade. Foi descoberto em 2010 e teve a sua declaração de comercialidade em 2013 pelo regime de cessão onerosa. A produção teve início em 2015. Tem uma área de 852,2 km². Em novembro de 2025, o Campo de Búzios foi a maior produtora do país, produzindo 744 mil barris por dia de óleo e 32,3 milhões de metros cúbicos de gás natural. Campo de Sapinhoáː localizado na porção central da bacia, a aproximadamente 360 quilômetros da costa do estado de São Paulo e 290 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, em lâmina d'água de 2.140 metros. Tem área de desenvolvimento é de 233 km². Em dezembro de 2011, foi declarada a sua comercialidade do campo, que entrou em produção comercial em janeiro de 2013. Em 2018, foi declarada comercialidade das áreas adjacentes a Sapinhoá. Em novembro de 2025, o Campo de Sapinhoá produziu 99.224 barris por dia de óleo e 4,8 milhões de metros cúbicos de gás natural. Campo de Meroː localizado na porção central da Bacia de Santos, a cerca de 190 quilômetros a sudeste do estado do Rio de Janeiro, em lâmina d’água variando entre 1.800 e 2.100 metros. Foi descoberto em 2010 e a declaração de comercialidade e início de produção em 2017. Em novembro de 2025, o Campo de Mero foi o terceiro maior produtor do país, 620.636 barris por dia de óleo e 40,8 milhões de metros cúbicos de gás natural. Campo de Sépia/Sépia Lesteː ocupa uma área de 79,8 km2, e está localizada na porção central da Bacia de Santos, em frente aos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, a cerca de 280 quilômetros da costa, em lâmina d’água de 2.150 m. Foi descoberta em março de 2012, declarada a comercialidade em 2014 e início de produção em 2016. Em novembro de 2025, o Campo de Sépia foi o quinto maior produtor do país, 138.454 barris por dia de óleo e 5,2 milhões de metros cúbicos de gás natural. Campo de Atapu/ Oeste de Atapuː localizada na porção central da Bacia de Santos, a cerca de 230 quilômetros da costa do município do Rio de Janeiro, em lâmina d’água de 2.000 a 2.300 metros. A descoberta se deu em 2013, a declaração de comercialidade em 2014 e o início de produção em 2015. Em novembro de 2025, o Campo de Atapu foi o sexto maior produtor do país, 125.275 barris por dia de óleo e 4,4 milhões de metros cúbicos de gás natural. Campo de Lagosta Localizado a 190 quilômetros de Santos, litoral de São Paulo, produz gás natural. A produção é realizada no Campo de Merluza. Campo de Merluza: localizado a 184 quilômetros de Santos, litoral de São Paulo, é responsável pela produção dos campos de gás natural de Merluza e Lagosta. A produção desses campos é escoada por um gasoduto de 215 quilômetros que liga a plataforma à Unidade de Gás Natural localizada na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP). Campo de Mexilhão: localiza-se a 145 quilômetros de São Sebastião, no Estado de São Paulo. A capacidade de produção é de 15 milhões de m3/dia de gás natural e 20 mil barris/dia de condensado. A plataforma de Mexilhão (PMXL-1) é considerada estruturante porque viabiliza o escoamento de outras plataformas no pré e pós-sal na Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba (UTGCA), chamada de Monteiro Lobato. Campo de Uruguá e Tambaú: os dois campos estão próximos e para a viabilização da produção, foi desenvolvido o projeto Uruguá-Tambaú. Juntos, tem capacidade produtiva de 25 mil barris de óleo por dia e 10 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. O petróleo é armazenado na própria embarcação e o gás natural é escoado para a Unidade de Tratamento de Gás Natural Monteiro Lobato, por meio da Plataforma de Mexilhão. Campos de Tubarão, Estrela do Mar, Coral, Cavalo Marinho: localizam-se a 200 quilômetros da costa dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Atualmente não produtores. Estão sendo estudadas alternativas economicamente viáveis para produção destes campos carbonáticos de idade Albiana de baixa permeabilidade. Campos de Baúna e Piracaba: Com suas Declarações de Comercialidade realizadas em 17/02/2012, estes dois campos produzem atualmente por um SPA (Sistema de Produção Antecipada) com produção de 24 mil bpd de óleo leve (32 a 34o API) em águas rasas através de dois poços (SPS-56 e SPS-57) e limitada à queima de gás de 500 mil m3/d. Está localizado a 213 quilômetros da costa catarinense e pico de produção prevista de 80 mil bpd de óleo. Campos de Guaiamá e Piracucá: Localizados a 210 quilômetros do Estado de São Paulo, na área sul da Bacia de Santos, são campos de óleo extra-leve em área de água rasa. Atualmente encontra-se em estudos a viabilidade econômica da produção em conjunto destas 2 áreas e a possível interligação de um gasoduto até a Plataforma de Merluza. Os campos foram devolvidos pela Petrobras em 2015 e 2017, respectivamente. Outros campos produtores da Bacia de Santos sãoː Caravela, Atlanta, Berbigão, Itapu, Oliva, Sul de Tupi, Tambuatá e Lapa. Em desenvolvimento (2021) estãoː Bacalhau (Norte), Goiá e Neon.
Exploração pela Petrobras Quando a Petrobras iniciou os trabalhos na Bacia de Santos, na década de 70, a extração de petróleo e gás não foi viável. Mas com a evolução da tecnologia e investimentos em estudos, em 2025, a estatal completou 20 anos na Bacia de Santos.
Um dos marcos é a menor emissão de carbono. Desde agosto de 2011 a Petrobras realiza a captura e armazenamento de carbono em águas profundas, que consiste em absorver grandes quantidades de CO2 existentes no pré-sal.
De 17 unidades,12 usam tecnologias de descarbonização, os CCUS (em inglês: Carbon Capture, Utilization and Storage). Além de tornar a produção mais sustentável, os CCUS aumentam a produtividade dos campos.
Na Bacia de Santos também acontece o maior Programa de Monitoramento de Praias do Mundo, uma exigência do IBAMA para produção no local. O foco é a proteção e recuperação de animais marinhos. De 2015 a 2024, foram acompanhados 42.700 pinguins, uma das espécies acompanhadas pelo projeto.
Outro projeto realizado pela Petrobras, por exigência do IBAMA, é o Projeto de monitoramento de cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS), que monitora, como o nome diz, cetáceos (golfinhos, baleias e outros). Esse monitoramento vai de Cabo Frio (RJ) até Florianópolis (SC), passa por São Paulo e Paraná.
Ver também Petrobras Campo de Lula Pré-sal Lista de bacias sedimentares do Brasil
Ligações externas
Santos, Bacia de Categoria:Geologia do Oceano Atlântico Categoria:Petróleo no Brasil