Aquenáton (Akhenaton: "Aquele que louva Aton", "Util a Aton" ou "Usado por Aton") conhecido antes do quinto ano de reinado como Amenófis IV ou em egípcio antigo Amenotepe IV, foi um Faraó da XVIII dinastia do Egito que reinou por dezessete anos e morreu em 1336 ou Principalmente lembrado por abandonar o tradicional politeísmo religioso egípcio e introduzir uma adoração centrada em um único deus, Aton, que é as vezes descrita como monoteísta ou henoteísta. Inscrições antigas ligam Aton ao El Elyon, com a linguagem oficial posterior evitando chamá-lo de um deus, dando a essa deidade um status superior e acima dos meros deuses. Porém essa monolatria foi adotada na nobreza e na realeza, e não a toda população. O monoteísmo nunca existiu no Egito durante o período faraônico
Aquenáton tentou distanciar-se do panteão egípcio, porém no final isso não foi aceito. A religião tradicional foi gradualmente restaurada após sua morte. Alguns anos depois, os posteriores faraós da XVIII dinastia, que não tinham direitos claros a sucessão, descreditaram Aquenáton e seus sucessores imediatos, referindo-se a ele como "o faraó inimigo" em registros históricos.
Ele se perdeu da história até que Amarna, local de sua cidade Aquetaton, foi descoberta no século XIX. Escavações iniciais por Flinders Petrie em Amarna iniciaram um interesse no faraó, cuja tumba foi desenterrada em 1907 em escavação de Edward R. Ayrton. O interesse em Aquenáton aumentou depois da descoberta da tumba de Tutancâmon no Vale dos Reis, que provou-se ser filho de Aquenáton em um teste de DNA realizado em 2010. Acredita-se que uma múmia encontrada em KV55 em 1907 seja dele. Entretanto, se tem certeza de que essa múmia e Tutancâmon são relacionados.
O interesse moderno em Aquenáton e sua rainha Nefertiti vem parcialmente de sua conexão como pai de Tutancâmon, o estilo único e de alta qualidade das artes que patrocinava e do interesse na religião que ele tentou fundar.
Etimologia Akhenaton possui diferentes possíveis significados, tais eles eram: "Aquele que louva Aton", "Aquele que é util a Aton" ou "Aquele que é usado por Aton".
Origens familiares
Amenófis era filho de Amenófis III, o nono rei da XVIII dinastia e da rainha Tí. Cresceu no palácio de Malcata, localizado a sul da cidade de Tebas. Durante o reinado do seu pai o Egito viveu uma era de paz, prosperidade e esplendor artístico. Não se sabe muito sobre a sua infância, dado que não era hábito entre os antigos Egípcios documentar a vida das crianças da família real. Teve provavelmente como preceptor Amenófis e ao que parece enquanto jovem era fisicamente débil, não lhe agradando as atividades relacionadas com a caça e o manejo de armas.
O cenário em Tebas tornou-se sombrio quando, pouco antes das celebrações de trinta anos de poder de Amen-hotep III, seu herdeiro direto, o príncipe Tutmés, veio a falecer. A perda do primogênito frustrou as expectativas do faraó, que via no filho a força necessária para portar a coroa dupla. Diante do luto e do cansaço acumulado por décadas de governo, o soberano viu-se obrigado a reconsiderar sua sucessão.
Nesse contexto, a atenção real voltou-se para seu segundo filho, Amen-hotep (futuro Aquenáton), que nascera por volta do 18.º ano do reinado do pai e recebera instrução em Heliópolis, o principal polo de adoração ao deus Ré. Ainda hoje, o registro arqueológico é impreciso sobre como se deu essa transição; enquanto alguns egiptólogos defendem uma co-regência que pode ter durado até doze anos, outros contestam que tal período de governo compartilhado tenha ocorrido.
Amenófis não estava destinado a ser rei do Antigo Egito. Este lugar seria ocupado pelo seu irmão mais velho, o príncipe Tutemés, que era filho de Amenófis III com Giluchipa, uma esposa secundária filha do rei de Mitani. Porém, Tutemés morreu antes do ano 30 do reinado do pai (possivelmente no ano 26) e Amenófis ascendeu à categoria de "Filho Maior do Rei", ou seja, herdeiro do trono.
As análises de DNA das múmias egípcias por Zahi Hawass confirmam Aquenáton como filho de Amenófis III e pai de Tutancâmon, resgatando seu importante papel na história do Antigo Egito.Rei Tut: segredo de família. Artigo publicado por Zahi Hawass na revista National Geographic do Brasil de setembro de 2010 - ano 11, nº 126, págs. 44-69.
Amenófis tinha sido criado para ser sacerdote do templo de Heliópolis, cidade do Baixo Egito que era o centro do culto do deus solar Rá. Quando o seu irmão faleceu é possível que também tenha herdado o cargo de sumo sacerdote de Ptá, deus associado aos artistas.J. Valiente Molla, Diccionario de religiones comparadas, pág. 104.
A morte de Amen-hotep III ocorreu em Tebas em 1352 a.C., provocada por uma severa infecção dentária. O funeral do monarca atraiu as mais altas autoridades da época, que permaneceram na cidade para testemunhar a ascensão de Amen-hotep IV. O novo faraó, ainda em sua adolescência, assumia o trono sob o peso de grandes desafios políticos e religiosos.
Reinado em Tebas thumb|120px|Aquenáton e Nefertiti Aquenáton tornou-se rei aos quinze anos por volta de 1364 a.C. Os investigadores dividem-se em torno de uma possível co-regência de Amenófis III e do seu filho, não existindo certeza a este respeito. Associar um filho ao trono ainda em vida de faraó foi um recurso utilizado por vários reis egípcios de modo a garantir uma sucessão sem problemas.
Nos seus primeiros anos, o monarca demonstrou certa ambiguidade entre manter a estabilidade do governo anterior e seguido a sua inclinação pessoal pela adoração a Aton, o disco solar — uma devoção que já se manifestava timidamente nas gerações do seu pai e do seu avô, Tutmés IV. Essa fase de transição marcou uma intensa onda de obras em Karnak, onde ele finalizou monumentos iniciados anteriormente, como o terceiro pilone, agregando-lhes novas estruturas arquitetónicas.
Quando os reis egípcios subiam ao trono adoptavam cinco nomes, que de certa forma indicavam o programa simbólico do novo monarca. Estes cinco nomes são conhecidos como a titulatura e no caso de Amenófis IV foram os seguintes:
Nome de Hórus: Touro poderoso com as duas altas plumas Nome das Duas Damas: Grande é a sua realeza em Carnaque Nome do Hórus de Ouro: O que leva as coroas de Hermontis Rei do Alto e Baixo Egito: Maravilhosas são as manifestações de Rá Filho de Rá: Amenófis, divino regente de Tebas
Pensa-se que nesta altura já estaria casado com Nefertiti, a sua famosa esposa. Durante muito tempo defendeu-se que Nefertiti teria uma origem estrangeira, devido ao fato do seu nome significar "a bela chegou", mas atualmente a maioria dos investigadores considera que ela seria egípcia, talvez natural da cidade de Acmim. A união entre ambos parece ter sido imposta pela mãe, que seria tia de Nefertiti; no entanto, entre os dois desenvolveu-se um grande afecto e Nefertiti alcançou um protagonismo político sem antecedentes entre as esposas reais.
Em Tebas, bem como em Mênfis e em Hermópolis, Amenófis iniciou um programa de obras públicas. Em volta do templo de Amon em Carnaque (Tebas) mandou construir quatro templos dedicados a Aton, priorizando terrenos ainda virgens para preservar as estruturas já existentes. Entre o segundo e o quarto ano de seu reinado, surgiram o Gempaaton ("Encontro com Aton"), o Rudmenu e o Tenimenu. Destacou-se também a construção do Hut-benben ("Mansão da pedra Benben"), em referência ao monte primordial que, segundo a cosmogonia egípcia, surgiu do Nun no início dos tempos.
Embora a construção civil em massa fosse uma marca de seu pai, a abordagem de Amen-hotep IV causou estranheza. Sob a supervisão do escultor Bek, as estátuas colossais do faraó romperam com o realismo tradicional, apresentando formas que muitos contemporâneos consideravam desproporcionais ou bizarras.
Simultaneamente, o faraó iniciou uma reforma administrativa para reduzir a autonomia da nobreza. Por meio de um decreto inédito, ele convocou a elite do reino — incluindo generais e cortesãos — para supervisionar pessoalmente a extração e o transporte de arenito, transformando o trabalho administrativo em uma obrigação de esforço físico direto para a construção do santuário de Ré-Horakhty em Karnak.
Um dos mais interessantes destes templo é o conhecido como o "Hutbenben", o que significa casa de Benben. Benben era o monte inicial a partir do qual surgiu o deus Aton (uma manifestação do deus solar), que iniciou a criação do mundo. Neste templo vê-se como oficiante a rainha Nefertiti, acompanhada de uma filha, Mequetaton, o que mostra o papel central desempenhado pela rainha nas concepções religiosas de Aquenáton.
Para se conseguir criar estes templos em pouco espaço de tempo os engenheiros de Amenófis recorreram a uma nova técnica. Dado que estes templos foram concebidos sem a necessidade de telhado, as paredes não tinham que ser tão robustas. Os construtores cortaram blocos de pedra com cerca de 50 cm de comprimento e 25 cm de largura e altura, que são conhecidos hoje como "talatat" ("árvore" em árabe). Recorrendo a estes blocos os pedreiros construíram os templos.
No ano 3 do seu reinado Amenófis celebrou o festival "sed". Estes festivais eram celebrados quando o faraó fazia trinta anos de reinado. Não se sabe a razão que levaria Amenófis a celebrar este festival tão cedo. O que sabe é que no festival apenas mencionou o nome do deus Aton. As cerimónias do "sed" tiveram lugar numas das estruturas referidas anteriormente, conhecida como o Guemetpaaton.
De Amenófis a Aquenáton No ano 5 do seu reinado o jovem rei decide mudar de nome. De Amenotepe, nome que significa "Amon está satisfeito" muda para Aquenáton o que significa "o espírito actuante de Aton", o que representou o seu repúdio ao deus Amon. O rei declarou-se também filho e profeta de Aton, uma divindade representada como um disco solar. Aquenáton instituiu o deus Aton como a única divindade que deveria ser cultuada, sendo o próprio faraó o único representante dessa divindade.
No entanto, o deus Aton não era um deus novo no panteão egípcio. Referências ao disco solar já apareciam no Império Médio em documentos como os Textos dos sarcófagos, embora sem status de divindade principal. A transição para um sentido teológico mais profundo ocorreu gradualmente, ganhando força no Império Novo com o fortalecimento dos cultos solares em centros como Heliópolis.
Essa tendência já era visível no seu avô, Tutmés IV, que favoreceu Ré-Horakhty e incluiu Aton em seus relevos militares. Seu pai, Amen-hotep III, também incentivou o culto solar ao criar unidades militares dedicadas ao deus e erguer templos em sua honra, possivelmente como uma estratégia política para limitar a influência crescente dos sacerdotes de Amon, embora sem o radicalismo que o seu filho viria a adotar posteriormente. Aton era considerado pelos egípcios como uma manifestação visível do deus Rá-Harakhti e já era mencionado nos Textos das Pirâmides, que são os textos de carácter religioso mais antigos encontrados no Egito. O que há de novo na religião introduzida por Aquenáton é o lugar central de Aton, remetendo outros deuses ao desaparecimento ou a uma posição secundária. Dessa forma, Aquenáton pode ser considerado o criador da ideia do Monoteísmo.
Não se sabe ao certo quais teriam sido as motivações de Aquenáton para tomar esta atitude. Aponta-se o poderio do clero de Amon, que possuía terras na Ásia e na Núbia, assim como pedreiras, minas e rebanhos. Todos estes bens seriam transferidos por Aquenáton para o templo de Aton que mandou construir numa nova cidade, Aquetaton.
Nova capital