Os Campos Gerais do Paraná, ou Região dos Campos Gerais, é uma região localizada no centro-leste do estado do Paraná, no Brasil. É uma região que leva em consideração critérios históricos, culturais, econômicos e sociopolíticos, que une municípios, com uma dinâmica territorial sem uma limitação única.Os Campos Gerais do Paraná Dicionário Histórico e Geográfico - UEPG
É também conhecida como área de influência de Ponta Grossa, estando em sua maior parte inserida no Segundo Planalto Paranaense. A expressão "Campos Gerais do Paraná" foi consagrada por Reinhard Maack (1948), que a definiu originalmente como uma zona fitogeográfica natural, com campos limpos e matas galerias ou capões isolados de floresta ombrófila mista. Nessa definição, a região é ainda limitada à área de ocorrência desta vegetação que a caracteriza situada sobre o Segundo Planalto Paranaense, no reverso da Escarpa Devoniana, a qual o separa do Primeiro Planalto.
A identidade histórica e cultural da região dos Campos Gerais do Paraná remonta ao século XVIII. O tropeirismo, que se estendeu até ao início do século XX, tem forte influência na cultura e costumes na região, cuja população preserva muitos hábitos herdados dos tropeiros. Entretanto, no âmbito cultural mescla heranças da cultura indígena nativa, da colonização luso-brasileira, respaldo da cultura africana e da diversidade cultural de imigrantes que colonizaram a região. Contudo, a cultura da região dos Campos Gerais torna-se muito diversificada, destacando-se características caboclas, faxinalenses, tropeiras, eslavas e germânicas.
Mais recentemente, outras definições têm sido adotadas para os Campos Gerais, atendendo a objetivos e interesses diversos, resultando em delimitações também diferentes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desde 2017, a região é parte da Região Geográfica Intermediária de Ponta Grossa, que compreende em uma divisão geográfica regional do país para fins de planejamento e estimativas.
História
Antes da chegada dos europeus, o território da região dos Campos Gerais era habitado por povos indígenas da grande nação Tupi.Notícias: Aconteceu! Os índios dos Campos Gerais. Prefeitura Municipal de Tibagi, 16 de abril de 2010. Consultado em 8 de dezembro de 2018 A ocupação do território da região dos Campos Gerais iniciou-se na primeira década do século XVIII por colonos portugueses que estabeleceram fazendas e sítios.Ocupação dos Campos Gerais - Dicionário Histórico e Geográfico dos Campos Gerais. UEPG. Consultado em 20 de julho de 2017 A partir da segunda metade do século XVIII, tropeiros vindos do Estado do Rio Grande do Sul, e que iam para as feiras no Estado de São Paulo passaram pela região.Você conhece a história da região dos Campos Gerais?. Diário dos Campos, 28 de abril de 2017. Consultado em 28 de julho de 2017
A colonização da região dos Campos Gerais teve início em meados do século XVII, numa nova tentativa de habitar os sertões dos Campos de Tibagi. O mais antigo documento a respeito da doação de terras na região dos Campos Gerais está registrado em nome de Bartolomeu Paes de Abreu, Antonio Pinto Guedes e José Góes e Moraes. Essas terras compreendiam o campo denominado de São João entre os rios Yapó e Pitanguy, até a barra no Yapó e Tibagy. Em 1760 foram realizados os primeiros registros do contato entre indígenas e latifundiários nos Campos Gerais. Entretanto, antes mesmo deste período, os jesuítas construíram uma igreja no lugar que ficou denominado Igreja Velha, próximo ao Guartelá. Provavelmente os religiosos católicos pretendiam realizar a catequização dos índios Coroados que habitam a região. A exploração do território dos Campos Gerais ocorreu por meio da caça e do massacre dos índios com a autorização da coroa portuguesa. Aos nativos coube desenvolver as primeiras atividades produtivas nos Campos Gerais. Os índios eram mortos, expulsos ou domesticados.
Até meados do século XVIII vários pedidos para concessão de sesmarias nos Campos Gerais foram efetuados, motivados por um interesse na exploração do comércio pecuário. Entretanto, isso não indicava necessariamente, até então, a intenção dos sesmeiros em estabelecer residência na região. Em 1772 o recenseamento indicou a existência de 50 grandes fazendas e 125 sítios na região dos Campos Gerais. As primeiras sesmarias dos Campos Gerais, que eram concedidas pela coroa portuguesa, foram disponibilizadas a vários integrantes da família de Pedro Taques de Almeida. O latifúndio compreendia as áreas dos atuais municípios de Jaguariaíva, Piraí do Sul, Castro e parte de Ponta Grossa. As fazendas dos Campos Gerais estavam voltadas principalmente para a pecuária, envolvidas com o criatório e a invernagem do gado trazido do sul, sendo que a invernagem sobressaiu-se em relação a atividade de criação. A invernagem consistia-se basicamente na engorda do gado em campos alugados, primeiramente durante os meses de inverno, passando depois a ser realizada durante todo o ano. As atividades nas fazendas eram realizadas pela família proprietária (quando esta ali residia), pelos agregados e, sobretudo, pelos escravos, força de trabalho que incluía negros, índios e até mesmo ou seus mestiços. Até metade do século XVIII, a população dos Campos Gerais era formada por índios, brancos (brasileiros e portugueses) e negros.
Com o crescimento das atividades pastoris na região, presenciou-se também o aumento de escravos. Em 1820, a cidade de Castro possuía cerca de 500 escravos, que serviam apenas os proprietários com mais recursos. Na época, era a cidade mais desenvolvida dos Campos Gerais e concentrava comerciantes, artífices, como seleiros, e prostitutas. A população dos Campos Gerais estava espalhada pelas fazendas e pelas vilas e lugarejos tranquilos, provincianos, com casas de taipa ao longo de ruas lamacentas, sem iluminação, onde mulas de carga e escravos tropeçavam sobre porcos e galinhas. Segundo o francês Auguste de Saint-Hilaire, que esteve na região em 1820, “os habitantes dos Campos Gerais, apesar de sua profunda ignorância, falem um português muito mais correto do que os que habitam os arredores da cidade de São Paulo”. Na segunda metade do século XIX, com o crescimento de algumas fazendas e o aumento da economia pastoril e, mais tarde com a expansão das invernadas, a região passou a ter uma infra-estrutura mais rentável. Mesmo assim, toda a região dependia juridicamente da Comarca de Castro que tinha fazendeiros abastados, os quais, politicamente, dominavam os Campos Gerais.
Diante da escassez da mão de obra escrava, o governo imperial passou a ser pressionado para patrocinar a imigração como alternativa para suprir a falta de mão de obra. Outros motivos também pesaram a favor da imigração, como garantir a ocupação do espaço geográfico. O Governo da Província do Paraná começou a instalar colonos procedentes da Europa central e oriental, localizando-se quase todos no planalto de Curitiba e nos Campos Gerais. Em maior escala, italianos e eslavos. A partir de 1870, essa realidade foi alterada com a chegada, em grande escala, dos imigrantes de origem: alemã, austríaca, italiana, polonesa, russa, ucraniana, holandesa, sírio-libanesa, japonesa, sem excluir contingentes menores de ingleses e franceses. Em geral, as colônias de imigrantes eram de condições precárias, porém, essa realidade era amenizada na região de Curitiba, onde foi implantado um “cinturão verde”.
Foi assim, depois da ocupação da região por tropeiros, que diversos grupos de imigrantes chegaram à região, principalmente alemães, russos, holandeses, poloneses, ucranianos e italianos, estabelecendo-se nos Campos Gerais. Alguns grupos se estabeleceram em cidades e outros em propriedades rurais, enquanto outros fundaram inúmeras comunidades, conhecidas como "colônias", por exemplo: as alemãs Lago, Quero-Quero, Santa Bárbara, em Palmeira; Terra Nova e Santa Leopoldina, em Castro; a Tayó, em Ipiranga; a Ivay e a Bom Jardim, em Ivaí; as holandesas Carambeí, Castrolanda, Monte Alegre e Arapoti; as russas Santa Cruz I, II e III;Paraná: abrigo para mais de 20 etinas. Tribuna do Paraná, 24 de dezembro de 2014. Consultado em 23 de julho de 2017Imigrantes puros de origem. Gazeta do Povo, 24 de outubro de 2013. Consultado em 23 de julho de 2017 a italiana Colônia Cecília; colônias de russos-alemães do Volga, como Octavio, em Ponta Grossa; Papagaios Novos, Pugas, Sinimbú e Witmarsum, em Palmeira; Johannesdorf, Marienthal e Virmond, na Lapa.
Política
Os municípios desta região podem ter entre si ligações tanto geográfica como também cultural, histórica, política e econômica. A região pode compreender tanto municípios que estão inseridos na área fitogeográfica como também municípios que estão politicamente interligados. Originalmente, em uma perspectiva mais amplificada, a região englobava até municípios que hoje se encontram na Região Metropolitana de Curitiba, como Campo do Tenente, Campo Largo e Lapa. Com o passar dos anos e com o desenvolvimento das organizações institucionais, alguns municípios se aproximaram mais dos municípios da região de Ponta Grossa. Neste sentido, antes, estavam mais ligados ora com a região Centro-Sul do Paraná, ora mais com a região dos Campos Gerais, como Guamiranga e Ivaí, e ora com o Norte Pioneiro do estado e ora com os Campos Gerais, como é o caso de Curiúva, Arapoti e São José da Boa Vista.
Os municípios que historicamente fizeram parte desta região são: Ponta Grossa, Castro, Palmeira, Lapa, Arapoti, Campo do Tenente, Cândido de Abreu, Ipiranga, Jaguariaíva, Ortigueira, Piraí do Sul, Porto Amazonas, Reserva, Telêmaco Borba, Tibagi, Balsa Nova, Campo Largo, Carambeí, Curiúva, Imbaú, Imbituva, Ivaí, Guamiranga, Rio Negro, São João do Triunfo, São José da Boa Vista, Teixeira Soares, Sengés e Ventania.
Destes municípios, dezenove estão congregados atualmente na AMCG (Associação dos Municípios dos Campos Gerais), criando assim entre esses uma forte ligação sociopolítica. Os municípios da AMCG são: Arapoti, Carambeí, Castro, Curiúva, Imbaú, Ipiranga, Ivaí, Jaguariaíva, Ortigueira, Palmeira, Piraí do Sul, Ponta Grossa, Porto Amazonas, Reserva, São João do Triunfo, Sengés, Telêmaco Borba, Tibagi e Ventania.
Economia
A economia se apresenta-se de forma diversificada, destacando os setores madeireiros, metalmecânico e agropecuário. As cidades dos Campos Gerais são recordistas nacionais em vários segmentos do agronegócio. Na região está instalada a maior e melhor bacia leiteira e o maior produtor de trigo do Brasil. Algumas das principais empresas que atuam na região, do setor da primário, secundário e terciário, são: Ambev, Bunge, BrasPine, Cargill, Castrolanda, CCR Rodonorte, Continental, Copel, Kemira, Klabin, Lactalis, JBS, Heineken, Hübner, Incorpore, BO Paper, Arauco do Brasil, Princesa dos Campos, Rumo Logística, Swedish Match, Tetra Pak, Madero, Makita e LDC Louis Dreyfus Company.
Em 2017 a soma do Produto Interno Bruto (PIB) da região dos Campos Gerais abrangendo vinte e seis municípios atingiu a marca de 37,9 bilhões de reais. O PIB regional tem demonstrado crescimento nos últimos anos, por exemplo, em comparação ao ano anterior (2016) representou um aumento de 11,2% nominais. Entre os municípios, as três maiores economias regionais são Ponta Grossa (14,53 bi), Telêmaco Borba (3,83 bi) e Castro (2,65 bi), coincidindo-se com os três maiores núcleos de concentração populacional. Com relação ao PIB per capita, o maior da região é de Ortigueira (76,8 mil), seguida por Carambeí (57,6 mil), Telêmaco Borba (49,6 mil), Tibagi (42,3 mil) e Ponta Grossa (42,2 mil).