Relação das centrais telefônicas implantadas na área de São Paulo (que inclui Guarulhos e Osasco), desde a instalação dos primeiros telefones no século XIX até a atualidade.

Início da telefonia em São Paulo O primeiro anúncio de venda de telefone em São Paulo apareceu na edição de 18 de agosto de 1878 do jornal A Província de S. Paulo, onde o equipamento era oferecido por Leon Rodde, que se apresentava aos paulistas como introdutor dos “tímpanos elétricos” e do "teléfono" na América do Sul.

Nesse dia ele e seu amigo Morris Kohn fizeram as demonstrações e a primeira ligação telefônica da cidade, de forma experimental. Rodde era sócio da loja “O Grande Mágico” na cidade do Rio de Janeiro, especializada em aparelhos elétricos e novidades, na qual em 1877 instalara a linha telefônica pioneira do País.

Mas o início da telefonia em São Paulo deu-se no dia 7 de janeiro de 1884, quando foram ativados os primeiros 22 telefones pela empresa Companhia Telégrafos Urbanos (Ferdinand Rodde & Co.), além do pouco mais de uma dezena de telefones instalados pela empresa Álvares, Pereira & Cia., encampada dias depois pela primeira.

As primeiras centrais telefônicas A primeira central telefônica de São Paulo era do tipo manual e funcionava no escritório da Companhia Telégrafos Urbanos, na Rua Direita nº 33 - Largo da Sé. Em março de 1885 a central, que contava com 495 telefones, foi colocada à venda junto com os direitos à ela referentes.

A central foi então adquirida pela Companhia União Telefônica do Brasil, que pouco tempo depois mudou-se para um escritório maior, situado na Rua Santa Tereza nº 4, e para onde foi transferida a central telefônica em 1890.

Em 1891 os serviços foram novamente transferidos, desta vez para a Companhia Telefônica do Estado de São Paulo, com contrato aprovado pela Câmara Municipal em 1900, mas não detendo exclusividade na concessão. Por isso, anos depois também passou a operar na cidade a Companhia Rede Telefônica Bragantina, com central instalada na Rua Álvares Penteado nº 38, mas essa empresa não obteve o mesmo êxito da Companhia Telefônica do Estado de São Paulo na capital.

Como o serviço de telefonia se popularizava, logo foi preciso um local mais amplo que acomodasse adequadamente a central telefônica da Companhia Telefônica do Estado de São Paulo, que inaugurou em 1897 um novo edifício na Rua Benjamin Constant, números 44 e 46 (atuais 174 e 182) para a central.

No mesmo local foi instalada em fins de 1911 e inaugurada em janeiro de 1912 a primeira grande central telefônica de São Paulo, com cinco mil terminais, fabricada pela Kellogg Switchboard and Supply Company, substituindo a anterior. Nessa época, como não havia cabos subterrâneos, os fios telefônicos irradiavam em todas as direções, partindo de uma cúpula instalada na torre que ficava nos fundos do edifício da central telefônica.

No final de 1916 a cidade de São Paulo já possuía cinco centrais telefônicas (Central, Brás, Bom Retiro, Cambuci e Água Branca), quando foi inaugurada na rua Sete de Abril n° 65 (atual 295) a central telefônica Cidade, todas ainda manuais.

Nesse mesmo ano as empresas telefônicas que operavam na cidade passaram a ser administradas pela empresa canadense Brazilian Traction Light and Power Co. Ltd. através da Rio de Janeiro & São Paulo Telephone Company, que já havia sido autorizada a funcionar em fevereiro de 1915, à qual foram incorporadas definitivamente em 1919.

Em janeiro de 1923 a Rio de Janeiro & São Paulo Telephone Company mudou de nome para Brazilian Telephone Company, e em novembro de 1923 foi autorizada a continuar operando no país, facultada a tradução do nome para o português como Companhia Telefônica Brasileira (CTB).

Evolução do sistema telefônico na cidade de São Paulo até 1926: 1885 - 495 telefones 1898 - 750 telefones 1906 - 1.337 telefones 1910 - 3.335 telefones 1914 - 6.785 telefones 1920 - 14.000 telefones 1926 - 22.740 telefones

Até então os telefones da capital, todos manuais, eram identificados pelo nome das centrais telefônicas (Central, Brás, Cambuci, Água Branca, Cidade, Avenida, Santana e Osasco), seguido do número do assinante.

CTB (1928-1947) Na noite de 7 de janeiro de 1928 a CTB procedeu à primeira mudança de números telefônicos da cidade, na qual os números das quatro principais centrais passaram a ser antecedidos por um algarismo (prefixo) que identificava a central telefônica onde estavam instalados, utilizando assim um sistema de numeração com cinco algarismos.

Assim Central passou a ser estação "2", Cidade passou a ser estação "4", Avenida passou a ser estação "7" e Brás passou a ser estação "9". Essa mudança foi necessária para possibilitar a entrada do sistema automático poucos meses depois. Na época os jornais publicaram seus anúncios com as duas formas de numeração telefônica (a anterior e a nova) para a população se acostumar com os novos números. Centrais "passo-a-passo" A primeira central telefônica automática da cidade de São Paulo foi inaugurada em 14 de julho de 1928. Era a estação "5", com 5 mil terminais de tecnologia eletromecânica "passo-a-passo" (Strowger) fabricada pela Automatic Electric Company.

Foi instalada no centro telefônico Palmeiras, cuja construção teve início em 1920 com o objetivo inicial de abrigar mais uma central manual, mas as obras foram paralisadas, sendo retomadas somente em 1926 já para abrigar a nova central automática.

A central passou a atender as regiões da Avenida Angélica, Vila Buarque, Palmeiras, Santa Cecília, Perdizes, Água Branca, Barra Funda, Campos Elíseos e Bom Retiro, além de outros bairros da Zona Oeste da capital. Em janeiro de 1948 o prefixo dela foi alterado de "5" para “51”, em janeiro de 1975 foi novamente alterado para “66”, e por fim em outubro de 1997 alterado para “3666”. thumb|Prédio onde foi instalada a estação automática "2", com a rua Senador Paulo Egídio ainda sendo aberta. Já a segunda central telefônica automática de São Paulo foi ativada em 14 de novembro de 1929. Era a estação "2", com 7,5 mil terminais, na época a maior da Companhia Telefônica Brasileira e do Brasil, que foi ampliada com mais 2,5 mil terminais no ano seguinte.

Ela substituiu a central manual inaugurada em 1912 pela Companhia Telefônica do Estado de São Paulo. Para isso foi construído um prédio com frente para a rua Senador Paulo Egídio (antiga rua Cristóvão Colombo, que na época ainda estava sendo aberta), e fundos para o prédio da rua Benjamin Constant, que logo após foi demolido para dar lugar a um novo prédio. Ambos os prédios, interligados pelos fundos, são utilizados até os dias atuais. thumb|Prédio da antiga estação Cidade na rua Sete de Abril (1926). Em 1939 foi desativada a central telefônica Cidade, inaugurada em 1916 na rua Sete de Abril, onde ao lado foi construído um novo prédio chamado Edifício Sete de Abril, um imóvel em estilo art déco projetado por Ramos de Azevedo em parceria com Severo & Villares no consagrado Escritório Técnico Ramos de Azevedo, inaugurado em 24 de setembro de 1938 para ser a nova sede da Diretoria de Operação São Paulo (DOSP) da CTB, e também onde funcionou a estação interurbana (IU) da capital por muitos anos. thumb|Fachada do Edifício Sete de Abril (c.1939). Os dois prédios, que formam o chamado Complexo Sete de Abril, continuaram sendo utilizados pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP) e pela Telefônica/Vivo como centro de atendimento aos assinantes. Atualmente o complexo é o segundo na cidade de São Paulo a receber o alvará para realizar um retrofit dentro das normas da lei do programa Requalifica Centro. Após ficar mais de uma década fechado, o empreendimento será reinaugurado com o nome de "Basílio 177", como um condomínio de apartamentos com uma galeria aberta de lojas e restaurantes.

Em meados da década de 1940 todas as centrais telefônicas da capital já eram automáticas, exceto a central Avenida, nunca automatizada: Centro telefônico1914 1929 1935 EstaçãoObservaçõesCentral592078609143"2"Primeira central manual de São Paulo, substituída em 1912, automatizada em 1929, teve o nome alterado para Benjamin Constant e o prefixo alterado para "32" em 1951Brás50036003140"9"Inaugurada em 1910, substituída em 1918, desativada provisoriamente em 1938, automatizada em 1944, teve o prefixo alterado para "93" em 1961Bom Retiro200 - -Desativada pela Rio de Janeiro & São Paulo Telephone Co.Cambuci100220284"3-0"Automatizada como "3-0" em 1935 e transferida para satélite Ipiranga, que foi desativada em 1955Água Branca65200423"5-0"Automatizada como "5-0" em 1931 e transferida para satélite Lapa, que foi desativada em 1968Cidade -100006697"4"Inaugurada em 1916, automatizada e transferida para Central em 1939, teve o prefixo alterado para "34" em 1951Avenida -63008520"7"Inaugurada em 1920, teve o prefixo alterado para "31" em 1951 ainda com equipamento manual, foi desativada em 1969Santana -220310"3-8"Inaugurada em 1921, automatizada como "3-8" em 1938 e transferida para satélite Santana, foi desativada em 1968Osasco -6047Automatizada como "48" em 1963, quando já era operada pela Cotespa na cidade de OsascoPalmeiras - 6000 5613"5"Primeira central automática de São Paulo, inaugurada em 1928, teve o prefixo alterado para "51" em 1948Santo Amaro - - 229Inaugurada em 1919, incorporada em São Paulo em 1935, automatizada como "61" em 1953 e transferida para novo prédio, teve o nome alterado para Campo Belo em 1969Penha - - 165"9-0"Inaugurada em 1931, automatizada como "3-9" em 1938 e transferida para satélite Tatuapé, teve o prefixo alterado para "9-0" em 1944, foi desativada em 1968Jardim - - -"8"Central automática inaugurada em 1936, teve o prefixo alterado para "81" em 1966Central - - -"3"Central automática inaugurada em 1938, teve o nome alterado para Benjamin Constant e o prefixo alterado para "33" em 1951Central - - -"6"Central automática inaugurada em 1946, teve o nome alterado para Benjamin Constant e o prefixo alterado para "36" em 1951

CTB (1948-1966) Após a inauguração da estação "6" todos os prefixos de um algarismo já haviam sido utilizados, e os aumentos realizados no equipamento das estações existentes esgotaram a capacidade do sistema de numeração com cinco algarismos, tornando-se necessário iniciar o sistema de seis algarismos para ampliar a rede telefônica de São Paulo.

Por isso em janeiro de 1948 a CTB inicia a utilização de prefixos de dois algarismos na cidade, no centro telefônico Palmeiras (alteração de estação "5" para estação "51"), e em fevereiro de 1948 inaugura outra central em Palmeiras (estação "52").

Por acordo firmado com a municipalidade de São Paulo, a CTB ficou obrigada a executar dentro de prazos especificados a seguinte extensão dos serviços: janeiro de 1951 - inauguradas Vila Mariana (estação "70" e estação "7", alterada para "71" em 1966). Também foi alterado o prefixo de Avenida (estação "7" para estação "31"), além de serem alterados todos os prefixos de Benjamin Constant junho de 1951 - inaugurada Benjamin Constant (estação "35") agosto de 1952 - inaugurada Jardins (estação "80") maio de 1953 - inaugurada Benjamin Constant (estação "37") setembro de 1953 - automatizada Santo Amaro (estação "61" - substituindo a manual Santo Amaro)

Novas expansões: abril de 1955 - inaugurada Ipiranga (estação "63" - substituindo a automática "3-0" satélite Ipiranga) março de 1956 - inaugurada Itaquera (manual) abril de 1956 - inaugurada São Miguel Paulista (manual) maio de 1956 - inaugurada Guaianases (manual) setembro de 1956 - inaugurada Perdizes (estação "62") junho de 1960 - inaugurada Perdizes (estação "65") janeiro de 1961 - alterado o prefixo de Brás (estação "9" para estação "93") fevereiro de 1961 - inaugurada Brás (estação "92")

Relação das centrais telefônicas existentes na cidade de São Paulo em fevereiro de 1966: