A Sociedade Real de Edimburgo (em inglês: Royal Society of Edinburgh, RSE) é a academia nacional de ciências e letras da Escócia. A associação é constituída por mais de 1800 membros-eleitos (fellows), denominados com a sigla, em inglês, FRSE. Além disso, a RSE tem patrocinadores, conhecidos como "Amigos da RSE". A Sociedade distribui anualmente bolsas totalizando mais de meio milhão de libras para fins de pesquisa, organiza palestras públicas e promove as ciências na Escócia.
História No início do século XVIII, o clima intelectual existente na cidade de Edimburgo mostrava-se propício ao surgimento de numerosos clubes, associações e sociedades dedicadas à reflexão e à produção do conhecimento (ver Iluminismo Escocês). Embora houvesse diversas sociedades voltadas ao estudo das artes, das ciências e da medicina, aquela que alcançou maior prestígio e reconhecimento foi a Society for the Improvement of Medical Knowledge (em Português: Sociedade pela Melhoria do Conhecimento Médico), mais conhecida como Medical Society of Edinburgh (em Português: Sociedade Médica de Edimburgo), cofundada pelo matemático Colin Maclaurin em 1731.
Entretanto, Maclaurin demonstrava insatisfação com o caráter excessivamente especializado adotado pela Medical Society of Edinburgh. Em razão dessa discordância, em 1737 foi criada uma nova sociedade, com escopo mais amplo e inclusivo: a Edinburgh Society for Improving Arts and Sciences and particularly Natural Knowledge (em Português: Sociedade de Edimburgo pela Melhoria das Artes, da Ciência e particularmente do Conhecimento Natural). Essa nova entidade surgiu a partir de um desmembramento da organização médica especializada anterior, a qual, posteriormente, viria a se consolidar como a Royal Medical Society (em Português: Sociedade Médica Real).
Já no ano seguinte à sua criação, o nome longo e excessivamente descritivo da nova sociedade foi simplificado e alterado para Edinburgh Philosophical Society (em Português: Sociedade Filosófica de Edimburgo). Com o apoio e a colaboração de professores da Universidade de Edimburgo, entre os quais se destacavam Joseph Black, William Cullen e John Walker, essa sociedade passou por um processo de transformação institucional, culminando, em 1783, na fundação da Royal Society of Edinburgh (em Português: Sociedade Real de Edimburgo). Alguns anos depois, em 1788, a nova instituição publicou o primeiro volume de sua nova revista oficial, intitulada Transactions of the Royal Society of Edinburgh (em Português: Transações da Sociedade Real de Edimburgo).
Por volta do final do século XVIII, começaram a surgir divergências internas entre os membros da sociedade, especialmente no que se referia ao equilíbrio entre objetivos práticos e teóricos de suas atividades. Essas diferenças acabaram resultando na criação da Wernerian Society (1808–1858; em Português: Sociedade Werneriana), uma organização paralela que direcionava maior atenção à história natural e a pesquisas científicas com potencial de aplicação prática, voltadas à melhoria da frágil base agrícola e industrial da Escócia. Sob a liderança do professor Robert Jameson, os integrantes dessa sociedade fundaram inicialmente a publicação Memoirs of the Wernerian Natural History Society (1808–1821; em Português: Memórias da Sociedade Werneriana de História Natural) e, posteriormente, o Edinburgh Philosophical Journal (1822; em Português: Jornal Filosófico de Edimburgo), o que acabou desviando parte significativa da produção científica que anteriormente era publicada na revista Transactions of the Royal Society of Edinburgh. O Edinburgh Philosophical Journal passou a ser denominado Edinburgh New Philosophical Journal (em Português: Novo Jornal Filosófico de Edimburgo) a partir do final de 1826. Dessa forma, ao longo das quatro primeiras décadas do século XIX, os membros da Royal Society of Edinburgh publicaram seus trabalhos científicos em dois periódicos distintos. Somente na década de 1850 a sociedade conseguiu novamente unificar seus membros em torno de uma única revista.
Ao longo de todo o século XIX, a Sociedade Real de Edimburgo reuniu numerosos cientistas cujas ideias e contribuições foram fundamentais para a estruturação das bases das ciências modernas. A partir do século XX, a atuação da sociedade ampliou-se, passando a funcionar não apenas como um espaço de encontro para os cientistas mais eminentes da Escócia, mas também como um importante fórum dedicado às artes e às humanidades. A instituição permanece em atividade até os dias atuais e continua desempenhando um papel relevante na promoção e no incentivo à pesquisa original na Escócia.
Em fevereiro de 2014, Dame Jocelyn Bell Burnell foi anunciada como a primeira mulher a assumir a presidência da sociedade, vindo a ocupar oficialmente o cargo a partir do mês de outubro daquele mesmo ano.
Carta Real Em novembro de 1782 uma petição foi enviada ao Rei George III para a criação de uma "Sociedade Real de Edimburgo para o Avanço do Aprendizado e do Conhecimento Útil", sendo essa concedida em 29 de março de 1783. Em 1811, a segunda carta real teve George III declarando-se como Fundador e Patrono da Sociedade, porém sem comprometer seus sucessores. Assim, a sociedade precisa solicitar o patrocínio de cada monarca na sucessão ao trono.
Carta Real de Fundação da RSE, 1783 George, pela graça de Deus, rei da Grã-Bretanha, França e Irlanda, Defensor da Fé, a todos os homens honestos a quem esta carta chegar, saudações. Visto que, nós, considerando que nos foi apresentada uma humilde petição por Henrique, Duque de Buccleuch, Robert Dundas, cavaleiro, Lorde Presidente do Tribunal de Sessão; James Montgomery, cavaleiro, Barão Chefe do Tribunal do Tesouro da Escócia; Thomas Miller, cavaleiro, Lorde Juiz Escrivão; John Grieve, cavaleiro, Lorde Prefeito da Cidade de Edimburgo; Sir Alexander Dick Baronete; o Reverendo William Robertson, doutor em divindade, Reitor da Universidade de Edimburgo; William Cullen e Alexander Monro, doutores em medicina; Hugh Blair e John Walker, doutores em divindade, Adam Ferguson, doutor em direito, e Andrew Dalze; John Robison e Allan Maconochie, professores da Universidade de Edimburgo; Ilay Campbell, cavaleiro, nosso Procurador-Geral do Reino da Escócia; James Hunter-Blair e Adam Smith, cavaleiros, e John Maclaurin, William Nairne e Robert Cullen, cavaleiros, advogados; destes e em seu nome: Na qual petição se afirma que as sociedades de homens eruditos demonstraram, pela experiência, ser totalmente adequadas para a promoção do conhecimento e do bom senso em assuntos literários, onde quer que tenham sido instituídas entre as nações; E como há muitos homens, eminentes em cargos ou nas letras, que há muito expressam o desejo de que uma sociedade literária seja instituída em Edimburgo, adequada à situação daquela parte do nosso reino que chamamos de Escócia, argumentando de forma muito persuasiva que o trabalho e as investigações da mesma seriam de considerável vantagem para o Estado: tendo em vista esse fim, os peticionários acima mencionados decidiram formar uma Sociedade entre si, caso sejam considerados dignos de nosso patrocínio, e estes humildemente se submeteram à esperança de que nos agrade, em virtude do nosso favor, os reunamos em um só corpo, juntamente com outros que devam ser cooptados para o seu número, a fim de constituir uma Sociedade que considere não apenas as ciências da Matemática, Física, Química, Medicina e História Natural, mas também aquelas relacionadas à Arqueologia, Filosofia e Literatura: rogamos, portanto, que lhe concedamos nossa Carta Régia, ou Cartas Patentes, escritas sob selo, nomeando, constituindo, criando e incorporando os ditos peticionários, e outros que posteriormente possam ser adicionados ou eleitos como Companheiros, em um único corpo político e corporativo, ou incorporação legal, por nome e título, e de acordo com os regulamentos aqui estabelecidos: E NÓS, tendo determinado que o plano dos peticionários é louvável e digno de ser promovido: PORTANTO, constituímos, criamos e incorporamos o ACIMA REFERIDO Henrique, Duque de Buccleuch, Roberto Dundas, Cavaleiro, Lorde Presidente do Tribunal de Sessão; James Montgomery, cavaleiro, Barão Chefe do Tribunal do Tesouro da Escócia; Thomas Miller, cavaleiro, Lorde Juiz Escrivão; John Grieve, cavaleiro, Lorde Prefeito da Cidade de Edimburgo; Sir Alexander Dick, Baronete; Sir George Clerk, Baronete; o Reverendo William Robertson, doutor em divindade, Reitor da Universidade de Edimburgo; William Cullen e Alexander Monro, doutores em medicina; Hugh Blair e John Walker, doutores em divindade; Adam Ferguson, doutor em direito, e Andrew Dalzel, John Robison e Alla Maconochie, professores da Universidade de Edimburgo; Illay Campbell, cavaleiro, Procurador-Geral do Reino da Escócia; James Hunter-Blair e Adam Smith, cavaleiros, e John Maclaurin, William Nairne e Robert Cullen, cavaleiros, advogados, e outros que possam ser posteriormente adicionados ou eleitos como membros, EM UM ÚNICO CORPO POLÍTICO E CORPORATIVO, ou INCORPORAÇÃO JURÍDICA, sob o nome e título de A REAL SOCIEDADE DE EDIMBURGO, para a promoção das Letras e do Conhecimento útil e, para que, enquanto existir como tal e sob tal nome, tenha perpetuidade e sucessão; e ter o poder e a capacidade de tomar, possuir e desfrutar de propriedade, real ou pessoal, e de processar, alegar causas, defender-se e responder, e de ser levado à justiça, de ser obrigado a defender-se e responder em todos ou quaisquer dos nossos tribunais: E nós concedemos poder aos peticionários para realizar sua primeira reunião na quarta segunda-feira do mês de junho próximo, na biblioteca da Universidade de Edimburgo, ao meio-dia, com poder de adiantamento e, seja na referida reunião, ou naquele horário para o qual, por maioria de votos dos presentes, ela tiver sido adiada, eleger um Presidente e tantos Membros quantos julgarem adequados para a conclusão da Sociedade; e então, e também em reuniões subsequentes, elaborar regulamentos para a administração dos negócios da Sociedade e para eleição do Presidente e dos Membros; Os regulamentos, contudo, poderão ser alterados ou complementados por voto da maioria dos membros presentes em qualquer reunião da Sociedade, desde que as matérias a serem alteradas ou complementadas tenham sido propostas em reunião realizada um mês antes da reunião em que a decisão sobre essas matérias será tomada; e ordenamos que todos os itens antigos, documentos públicos e livros manuscritos que a referida Sociedade tiver adquirido sejam depositados na Biblioteca da Faculdade de Advogados, e que todos os corpos relacionados à história natural, e tudo que a Sociedade tiver adquirido dos mesmos, sejam depositados no Museu da Universidade de Edimburgo, para que a coleção seja acessível aos membros e possa, na medida do possível, ser para o benefício público; e os referidos peticionários, e aqueles que detêm a referida Sociedade daqui em diante, por meio destas cartas patentes, terão o poder de aprovar leis adequadas a sua administração e em outras questões de procedimento, atuação e conduta, de acordo com a Lei Geral e a Prática do Nosso Reino da Escócia em tais casos. EM TESTEMUNHO DO QUE, ordenamos que o nosso selo, designado para a administração da União e usado na Escócia em substituição do mesmo Grande Selo, seja afixado a este documento: NO nosso palácio de St. James, no vigésimo nono dia de março, no ano do Senhor de mil setecentos e oitenta e seis, e do nosso reinado o vigésimo terceiro.
Pela assinatura acima, escrita à mão por Sua Majestade o Rei.
A Young Academy of Scotland