Adelino Alves Nunes (Santo Estêvão, Lisboa, 14 de julho de 1903 – Santa Isabel, Lisboa, 7 de dezembro de 1948) foi um arquitecto português.
Datada das décadas de 1930 e 1940, a sua obra reflete a multiplicidade estilística da época, com momentos claramente modernistas a par de outros em que segue as normas da arquitetura oficial do Estado Novo.Fernandes, José Manuel – Português Suave: Arquiteturas do Estado Novo. Lisboa: IPPAR, Departamento de Estudos, 2003, p. 88. ISBN 972-8736-26-6
Biografia / Obra Nasceu na freguesia de Santo Estêvão, em Lisboa. Era filho do lojista José Alves Nunes, natural da freguesia e concelho de Pampilhosa da Serra, e de Raquel da Conceição Nunes, doméstica, natural de Lisboa (freguesia de São Vicente de Fora).
A 21 de dezembro de 1935, casou civilmente em Lisboa com Emília de Almeida Segurado (Lapa, Lisboa, c. 1906), doméstica, irmã do arquiteto Jorge Segurado, filha do engenheiro e funcionário público João Emílio dos Santos Segurado (autor de um conjunto de livros técnicos sobre construção), natural de Santarém (freguesia de Marvila), e de Georgina de Figueiredo de Almeida Segurado, natural de Lisboa (freguesia de Santa Catarina).
Pertence à geração de Pardal Monteiro, Cassiano Branco e Cristino da Silva.
Trabalhou sobretudo para os CTT, onde era funcionário.
Participou no I Salão dos Independentes, SNBA, Lisboa, 1930França, José Augusto – História da Arte em Portugal: o modernismo. Lisboa: Presença, 2004, p. 60. Projetou alguns edifícios de cunho tipicamente modernista, como o da Emissora Nacional em Barcarena, dos Correios de Leiria, "dos Correios e da Central Telefónica do Estoril, com os seus notáveis corpos cilíndricos, fórmula a que era afeiçoado e que teve talvez a mais notável expressão em Setúbal (1941)"França, José Augusto – A arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 248. Noutros casos, sobretudo nas povoações menores, iria utilizar um tipo de idioma mais tradicionalista / regionalista que então dominava as encomendas oficiais (habitualmente denominado Português Suave), como em Alcobaça, Abrantes, Loulé, Fafe ou Santo Tirso, mas também na Central Telegráfica e Telefónica de Lisboa, projetada em 1942 e inaugurada em 1953 (provavelmente executada, contra sua vontade, a partir de um desenho irónico que então produziu) e que, "embora contrariado, Adelino Nunes assinou"FRANÇA, José Augusto – A arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 248.
Morreu a 7 de dezembro de 1948, aos 45 anos, em sua casa, na Rua Luís Derouet, n.º 16, R/C direito, freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, vítima de obesidade e hipertensão. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres.
O espólio bibliográfico do arquitecto Adelino Nunes encontra-se no Acervo Nacional da Biblioteca da Ordem dos Arquitectos
ObrasA.A.V.V. – Inquérito à Arquitetura do Século XX em Portugal. Lisboa: Ordem dos Arquitetos, 2006. ISBN 972-8897-14-6 1930 – Liceu Júlio Henriques (atual Escola Secundária José Falcão), Coimbra; com Carlos Ramos e Jorge Segurado (construída em 1931-41). Edifício da Emissora Nacional em Barcarena (com Amílcar Pinto e Jorge Segurado) . 1935-38 – Estação de Correios de Alcobaça. 1937-40 – Estação de Correios de Estremoz. 1937-42 – Estação de Correios de Fafe; Estação de Correios de Santo Tirso. 1938-41 – Estação de Correios de Setúbal; Estação de Correios da Horta, Faial. 1938-46 – Estação de Correios de Leiria. 1939-42 – Estação de Correios do Estoril. 1939-43 – Estação de Correios de Abrantes. 1940 – Estação de Correios de Grândola. 1941 – Estação de Correios do Crato. 1942-50 – Estação de Correios do da Av. Gonçalves Zarco, Funchal. 1942-53 – Central Telegráfica e Telefónica de Lisboa (ou Palácio das Comunicações), Praça D. Luís, Lisboa. Realizou outros Projectos de arquitectura de edifícios dos CTT,, entre os quais a Central Telefónica do Estoril (1937) (atual "Espaço Memória dos Exílios") e a estação de correios de Santarém (com Amílcar Pinto) .
Ver também Lista de arquitectos de Portugal
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