miniaturadaimagem|333x333px|Pormenor da estela 1 de La Mojarra mostrando colunas de glifos. A coluna da esquerda representa a data 8.5.16.9.9 em contagem longa (lendo de cima para baixo), correspondente ao ano 156 d.C. As colunas da direita estão escritas em escrita ístmica. A contagem longa é um calendário vigesimal não repetitivo, utilizado por várias culturas da Mesoamérica a partir do período pré-clássico tardio. É mais bem conhecido pelos registos maias nos quais foi usado este sistema, porém as inscrições mais antigas são aquelas de Chiapa de Corzo, anteriores à era cristã. A sua ampla difusão na área maia levou a que muitas vezes seja erradamente denominado como calendário maia de contagem longa.

Utilizando um sistema de contagem vigesimal modificado, este registo calendárico identifica os dias decorridos desde a data correspondente a 11 de Agosto de 3114 a.C.Segundo a correlação utilizada pela grande maioria dos maianistas. Um cálculo alternativo resulta na data 13 de Agosto de 3114 a.C. no calendário gregoriano. Uma vez que se trata de um calendário não repetitivo foi utilizado para registar por meio de inscrições feitas em monumentos, acontecimentos importantes da vida política de várias cidades, sobretudo no sudeste da Mesoamérica.

Antecedentes Entre outros calendários concebidos na Mesoamérica pré-hispânica, dois dos mais largamente utilizados eram o calendário solar de 365 dias (Haab' para os maias e Xiuhpohualli para os astecas) e o calendário cerimonial de 260 dias, o qual se divida em 20 períodos de 13 dias. Este calendário de 260 dias era conhecido como Tzolk'in pelos maias e como Tonalpohualli pelos astecas.

Os calendários Haab''' e Tzolk'in identificavam e nomeavam os dias. A combinação de uma data Haab com uma data Tzolk'in era suficiente para identificar uma data específica de modo satisfatório para a maioria das pessoas, pois tal combinação só se repetiria daí a 52 anos, o que era mais do que a esperança de vida geral. Este período de 52 anos (365 x 260 dias) é geralmente designado como ciclo calendárico ou roda calendárica.Obviamente, o mesmo se aplicava ao Xiuhpohualli e Tonalpohualli astecas.

Para contagem de períodos maiores do que 52 anos, os mesoamericanos conceberam o calendário de contagem longa.

Períodos da contagem longa O calendário de conta longa identifica uma data através da contagem dos dias desde 11 de Agosto de 3114 a.C. (no calendário gregoriano proléptico). Em vez de utilizar um esquema de base 10, como a numeração ocidental, os dias da contagem longa eram contabilizados através de um sistema vigesimal. Assim, 0.0.0.1.5 é igual a 25, e 0.0.0.2.0 é igual a 40.

No entanto, a contagem longa não é consistentemente de base 20, uma vez que o segundo dígito a contar da direita apenas conta até 18 antes de voltar a zero. Assim, 0.0.1.0.0 não representa 400 dias, mas sim apenas 360.

A tabela abaixo mostra os períodos equivalentes bem como as designações maias para os mesmos: Dias Período de contagem longa Período de contagem longa Nº anos solares (aprox.) 1   = 1 K'in   20 = 20 K'in = 1 Winal 1/18 360 = 18 Winal = 1 Tun 1 7 200 = 20 Tun = 1 K'atun 20 = 20 K'atun = 1 B'ak'tun 395

Cálculo das datas na contagem longa thumb|Numerais maias Numerais mesoamericanos As datas na contagem longa são escritas com numerais mesoamericanos, conforme a tabela mostrada. Um ponto representa uma unidade e uma barra vale 5. O glifo de concha era usado para representar o conceito de zero. O calendário de contagem longa requeria o zero e representa um dos mais antigos usos do conceito de zero da História.Ver também História do zerothumb|250px|left|A face traseira da estela C de Tres Zapotes, um sítio arqueológico olmeca.Esta é a segunda data em contagem longa mais antiga descoberta até ao momento presente. Os numerais 7.16.6.16.18 traduzem-se em 1 de Setembro, 32 a.C. (gregoriano). Pensa-se que os glifos em redor da data sejam um dos poucos exemplares sobreviventes de escrita ístmica.

Sintaxe As "datas" em contagem longa são escritas verticalmente, com os períodos de ordem superior (i.e. b'ak'tun) no topo seguidos do número de cada um dos períodos de ordem inferior até à indicação do número de dias (k'in). Como pode ver-se à esquerda, a data em contagem longa na estela C de Tres Zapotes é 7.16.6.16.18.

7 × = 1 008 000 dias (k'in) 16 × 7 200 = 115 200 dias (k'in) 6 × 360 = 2 160 dias (k'in) 16 × 20 = 320 dias (k'in) 18 × 1 = 18 dias (k'in)   Total de dias= 1 125 698 dias (k'in)

Deste modo, a data na estela C corresponde a 1 125 698 dias desde 11 de agosto de 3114 a.C., ou 1 de Setembro de 32 a.C..

Nos monumentos maias a sintaxe da contagem longa é mais complexa. A sequência da data é dada uma vez, no início da inscrição, e começa com o chamado GISI (Glifo Inicial da Série Introdutória) lido tzik-a(h) hab' [patrono de mês Haab'].Boot, p. 2. Seguem-se os 5 dígitos da contagem longa, seguidos da data tzolk'in escrita como um único glifo, e de informação suplementar. A maioria destas séries suplementares são facultativas e demonstrou-se que estão relacionadas com a data lunar, por exemplo a idade da lua nesse dia e a extensão calculada para a lunação corrente.Notável nesta sequência é o glifo com nove formas variantes denominadas G pelos epigrafistas mais antigos. Foi relacionado com o ciclo dos Senhores da Noite conhecido a partir de fontes da época colonial no México Central, havendo outras explicações alternativas. Ver Thompson.

A data é terminada por um glifo referindo o dia e o mês do ano haab'''. O texto continua com a descrição da actividade ocorrida naquela data. Abaixo é mostrada uma inscrição de uma data em contagem longa maia.

Origem do calendário de contagem longa A mais antiga inscrição em contagem longa já descoberta encontra-se na estela 2 de Chiapa de Corzo, Chiapas, México, indicando a data correspondente a 36 a.C..Como clarificação, existem inscrições em contagem longa que se referem a datas mais antigas que 36 a.C., mas que foram feitas muito mais tarde. Esta tabela lista os 6 artefactos com as oito mais antigas datas em contagem longa.

Sítio arqueológicoNomeData gregoriana (baseada em 11 de agosto)Dígitos da contagem longaLocalizaçãoChiapa de CorzoEstela 210 de dezembro de 36 a.C.7.16.3.2.13Chiapas, MéxicoTres ZapotesEstela C3 de setembro de 32 a.C.7.16.6.16.18Veracruz, MéxicoEl BaúlEstela 16 de março de 377.19.15.7.12GuatemalaAbaj TakalikEstela 520 de maio de 1038.3.2.10.15Guatemala6 de junho de 1268.4.5.17.11La MojarraEstela 114 de julho de 1568.5.16.9.7Veracruz, México22 de maio de 1438.5.3.3.5Próximo de La MojarraEstatueta de Tuxtla15 de março de 1628.6.2.4.17Veracruz, México

Destes seis sítios, três situam-se na orla ocidental da área maia e três encontram-se várias centenas de quilómetros mais a oeste, levando muitos investigadores a crer que o calendário de contagem longa precede a civilização maia.Ver por exemplo Diehl, p. 186. A estela 1 de La Mojarra, a estatueta de Tuxtla, a estela C de Tres Zapotes, e a estela 2 de Chiapa de Corzo foram inscritas no estilo epiolmeca e não maia.Ver Section #05, "A sketch of prior documentation of epi-Olmec texts" , in Peréz de Lara and Justeson (2005). Por outro lado, a estela 2 de El Baúl, foi criada no estilo de Izapa. O primeiro artefacto inequivocamente maia é a estela 29 de Tikal, com a data em contagem longa 292 d.C. (8.12.14.8.15), mais de 300 anos depois da estela 2 de Chiapa de Corzo.Coe (2002), p.87.

2012 e a Contagem Longa

Contagem longa Data Gregoriana0.0.0.0.0 11 de agosto de 3114 a.C.1.0.0.0.0 13 de novembro de 2720 a.C.2.0.0.0.0 16 de fevereiro de 2325 a.C.3.0.0.0.0 21 de maio de 1931 a.C.4.0.0.0.0 23 de agosto de 1537 a.C.5.0.0.0.0 26 de novembro de 1143 a.C.6.0.0.0.0 28 de fevereiro de 748 a.C.7.0.0.0.0 3 de junho de 354 a.C.8.0.0.0.0 5 de setembro de 41 d.C.9.0.0.0.0 9 de dezembro de 43510.0.0.0.0 13 de março de 83011.0.0.0.0 15 de junho de 122412.0.0.0.0 18 de setembro de 161813.0.0.0.0 21 de dezembro de 201214.0.0.0.0 26 de março de 240715.0.0.0.0 28 de junho de 280116.0.0.0.0 1 de outubro de 319517.0.0.0.0 3 de janeiro de 359018.0.0.0.0 7 de abril de 398419.0.0.0.0 11 de julho de 43781.0.0.0.0.0 13 de outubro de 4772 De acordo com o Popol Vuh, um livro compilando detalhes de relatos de criação conhecidos pelos maias quiché da era colonial, nós vivemos na quarta era. O Popol Vuh descreve as primeiras três criações nas quais os deuses falharam e a criação bem-sucedida do quarto mundo, no qual vivem os homens. Na contagem longa maia, a última criação terminou no começo de um décimo quarto b'ak'tun.Schele & Freidel (1990, p.430 n.39)

A última criação terminou numa contagem longa de 12.19.19.17.19. Outro 12.19.19.17.19 ocorrerá no dia 20 de dezembro de 2012, seguido pelo início de um décimo quarto b'ak'tun, 13.0.0.0.0, no dia 21 de dezembro de 2012. Há apenas uma referência a atual criação do décimo terceiro b'ak'tun: o monument 6 de Tortuguero, parte de uma inscrição real.A má interpretação da contagem longa do calendário mesoamericano é a base de uma crença ocultista de que um cataclisma global ocorrerá no dia 21 de dezembro de 2012. 21 de dezembro de 2012 é simplesmente o dia em que o calendário iniciará um novo b'ak'tun – a civilização maia clássica, por exemplo, atravessou dois b'ak'tun. Em primeiro lugar, o calendário é provavelmente de origem olmeca, e não maia. Além disso, os maias atuais não consideram o décimo terceiro b'ak'tun importante, e a contagem longa foi usada exclusivamente pelos maias do período clássico. O ancião maia Apolinario Chile Pixtun e o arqueólogo mexicano Guillermo Bernal insistem em que o “apocalipse” é um conceito occidental que tem pouco ou nada a ver com as crenças maias. Bernal diz que essas ideias começaram a ganhar força entre os ocidentais porque suas próprias crenças estão esgotadas.

As inscrições maias eventualmente profetizam eventos futuros ou comemorações que ocorreriam em datas que são posteriores a 2012 (isto é, além do fim do décimo terceiro b'ak'tun da era atual). A maior parte destes eventos se apresenta como “datas distantes”, nas quais uma contagem longa é dada, junto de um Número de Distância adicionado à contagem longa para se chegar a esta data.