thumb|280px|Canella winterana1813 illustration, Tab. 71 from Adolphus Ypey, Vervolg ob de Avbeeldingen der artseny-gewassen met derzelver Nederduitsche en Latynsche beschryvingen, Eersde Deel, 1813 Canella winteriana (sin. C. alba), Canellaceae publicado por Kurt Stüber. thumb|280px|Folhagem de Warburgia salutaris. thumb|280px|Flores de Warburgia salutaris. |thumb|280px|Frutos maduros de Canella winterana. Canellaceae Mart. é uma família de plantas com flor da ordem Canellales, pertencente ao clado das magnoliídeas, que tem como grupo irmão a família Winteraceae. Na sua presente circunscrição taxonómica, a família agrupa cinco géneros e cerca de 21 espécies arbóreas de porte pequeno ou médio, por vezes arbustos. São plantas fortemente aromáticas, de folhas persistentes, produtoras de óleos essenciais, com flores e frutos geralmente vermelhos. Muitas espécies são usadas como plantas medicinais ou como sucedâneo da canela ou do sândalo.
Descrição As Canellaceae são uma família de plantas com flor da ordem Canellales,Walter S. Judd, Christopher S. Campbell, Elizabeth A. Kellogg, Peter F. Stevens, and Michael J. Donoghue. 2008. Plant Systematics: A Phylogenetic Approach, Third Edition. Sinauer Associates: Sunderland, MA, USA. ordem que inclui apenas uma outra família, as Winteraceae..
A família Canellaceae é nativa das regiões Afrotropical e Neotropical. São árvores de pequeno a médio porte, raramente arbustos, sempre-verdes e aromáticas.Vernon H. Heywood (with David J. Mabberley). 2007. "Canellaceae" page 84. In: Vernon H. Heywood, Richard K. Brummitt, Ole Seberg, and Alastair Culham. Flowering Plant Families of the World. Firefly Books: Ontario, Canada. (2007). . As flores e os frutos são frequentemente vermelhos.
Várias espécies de Canellaceae são importantes em fitoterapia ou como substituto da canela, que é obtida do género Cinnamomum da família Lauraceae. Canella winterana é a única espécie da família Canellaceae que se conhece presentemente em cultivo.Anthony Huxley, Mark Griffiths, and Margot Levy (1992). The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening. The Macmillan Press, Limited: London. The Stockton Press: New York. (set).
A família está dividida em cinco géneros,Klaus Kubitzki. 1993. "Canellaceae". pages 200-203. In: Klaus Kubitzki (editor); Jens G. Rohwer, and Volker Bittrich (volume editors). The Families and Genera of Vascular Plants volume II. Springer-Verlag: Berlin; Heidelberg, Germany / New York, US. (Berlin) (New York) mas estudos de sequência de ADN indicaram que alguns destes géneros deveriam ser divididos.Jackeline Salazar and Kevin Nixon. 2008. "New Discoveries in the Canellaceae in the Antilles: How Phylogeny Can Support Taxonomy". Botanical Review 74(1):103-111.
Estes géneros juntos compreendem cerca de 25 espécies. Nas Grandes Antilhas, muitas destas espécies são raras e endémicas em pequenas áreas. A partir de 2008, foram reconhecidas mais cinco espécies.
Morfologia A características morfológicas comuns às Canellaceae são as seguintes:Armen L. Takhtajan (Takhtadzhian). Flowering Plants second edition (2009), pages xxxvi & 31. Springer Science+Business Media. . . (see External links below) Hábito e caule Em Canellaceae, os indivíduos são geralmente árvores perenes de pequeno ou médio porte, glabras, raramente arbustos. São altamente aromáticas, contendo óleos essenciais. Possuem câmbio de cortiça presente. Os tecidos vasculares primários se encontram em um cilindro, sem feixes separados. Não há floema interno nem feixes corticais e medulares. O espessamento secundário é desenvolvido a partir de um anel de câmbio convencional. Folhas As folhas em Canellaceae são alternas, simples, espiraladas ou dispostas em arranjos. São persistentes, inteiras e com glândulas translúcidas pontilhadas. Estípulas são ausentes e a nervação é pinada.
Flores As flores em Canellaceae são geralmente vermelhas, encontradas solitárias ou agregadas em inflorescências, formando panículas ou racemos. Quando solitárias, são axilares. Quando agregadas, terminais ou axilares. São actinomorfas, geralmente trímeras, cíclicas ou parcialmente acíclicas (quando parcialmente acíclicas, o perianto é acíclico, ou seja, as pétalas). Hipanto ausente. Disco hipógino ausente. O perianto possui cálice e corola distintos, ou sequencialmente integrando de sépalas a pétalas (dependendo se os três membros externos espessos, coriáceos e persistentes são interpretados como sépalas ou brácteas). As pétalas são delgadas e as três (raramente 2) sépalas são grossas, coriáceas e imbricadas. Em Canellaceae, as flores são hermafroditas. O androceu é 6-12 (principalmente), ou 35-40 (em Cinnamosma). Há membros em que o androceu é livre do perianto. Estames 6-12 ou 35-40 (em Cinnamosma), sendo todos férteis. As anteras são bitecadas, com dois esporângios por teca, fixas no exterior do tubo estaminal, e sésseis. O gineceu é sincárpico, 2-6 carpelos, com pistilo unicelular. O ovário é súpero, unilocular. Apenas um estilete, apical, curto e grosso, e um estigma. 2-6 lóbulos. A placentação é parietal, sendo que os óvulos (6-100) ficam em cavidade única, horizontal ascendente, em uma linha simples ou dupla em cada placenta. São hemianátropo ou campilótropo, bitegumentados e crassinucelados. Núcleos polares com fusão antes da fertilização. Sinérgides em forma de pêra.
O pólen ocorre em mónadas, e é delicado e monossulcado (geralmente com 10% do grão tricotomosulcado); as aberturas são distais, exina, geralmente tectadas, e granulares, intectadas e reticuladas em Cinnamosma; os grãos são pequenos e pouco ornamentados em Cinnamodendron e Warburgia, maiores e mais bem decorados em Canella e Pleodendron. O pólen é geralmente semelhante ao das Myristicaceae, o que fez com que alguns sistematas de plantas acreditassem que as duas famílias estavam intimamente relacionadas.
Frutos e sementes O fruto em Canellaceae geralmente é de cor avermelhada, possui o formato de baga, com cálice persistente.
Sementes (2-100), endospérmicas e oleosas. O tegumento tem idioblastos oleosos. O endosperma é abundante e oleoso. O embrião é pequeno, bem diferenciado, reto ou ligeiramente curvado, com 2 cotilédones. A micrópila em ziguezague. As sementes têm apenas exotesta (a camada externa da testa); o tegmen (a camada interna da testa) está colapsado. O revestimento da semente tem idioblastos oleosos; o endosperma é abundante e oleoso (ruminado em Cinnamosma).
O número cromossómico 2n é 22, 26, ou 28.Friedrich Ehrendorfer and Maria Lambrou. 2000. "Chromosomes of Takhtajania, other Winteraceae, and Canellaceae: phylogenetic implications". Annals of the Missouri Botanical Garden 87(3):407-413.
As sinapomorfias para Canellaceae incluem estames monadelfos, placentação parietal e óvulos campilotrópicos. Outros traços notáveis incluem as lenticelas conspícuas, a casca aromática, o sabor apimentado das folhas, as três (raramente duas) sépalas carnudas, e a baga com sementes reniformes.
Algumas fontes indicam que Cinnamodendron tem 20-40 estames, ao contrário das fontes que aqui são consideradas fiáveis. Os números muito grandes de estames (20 a 40), são provavelmente contagens de tecas ou microsporângios.
Fitoquímica Os monoterpenos são comuns, assim como os sesquiterpenos do tipo drimano, incluindo cinnafragrina, cinamodial e capsicodendrina. Estes três sesquiterpenos são partilhados apenas com as Winteraceae nas angiospérmicas.
As Canellaceae também possuem alcalóides do tipo aporfina, como a N-(cinamoil)-triptamina, lignanas do tipo aril-tetralina, cinamaldeído e alilfenol.
No mesofilo das folhas são comums os cristais de oxalato de cálcio. A maioria das espécies é cianogénica. Estão ausentes as protocianidinas, os flavonóis, as saponinas, as sapogeninas e o ácido elágico.
Distribuição e ecologia Distribuição A família Canellaceae é nativa e amplamente distribuída de regiões tropicais, podendo ser encontrada nas Antilhas, Flórida, América do Sul tropical, no leste da África e em Madagáscar.
No Brasil, a família Canellaceae não é endêmica. É encontrada na Mata Atlântica, tendo presença confirmada no Sul e Sudeste. Dos 5 gêneros descritos, apenas 1 gênero é encontrado em território nacional; Cinnamodendron. Deste, 4 espécies; Cinnamodendron axillare (Endl. ex Walp.), Cinnamodendron dinisii (Schwacke), Cinnamodendron occhionianum (F.Barros & J.Salazar) e Cinnamodendron sampaioanum (Occhioni). Ecologia A família Canellaceae tem espécies adaptadas tanto a ambientes xéricos como aos solos hídricos, permanentemente enxarcados das florestas húmidas dos trópicos.
Em Canella winterana, as flores são protogínicas. As bagas são geralmente vermelhas e provavelmente comidas por aves, que contribuem para a dispersão de sementes (ornitocoria). As árvores são atacadas por larvas de diferentes insectos, incluindo dípteros.
Filogenia e taxonomia Filogenia e registo fóssil Dependendo do sistema de classificação e dos carácteres biológicos (fenotípicos) considerados, a família Canellaceae tem sido colocada perto de Annonaceae, Myristicaceae ou Winteraceae. Armen Takhtajan definiu a ordem Canellales como consistindo de Canellaceae e Winteraceae. Esta circunscrição é seguida no sistema APG IV, no qual a ordem Canellales é o táxon irmão de outra pequena ordem, a ordem Piperales. Estas duas ordens combinadas com outras duas ordens-irmãs Laurales e Magnoliales formam o clado das magnoliídeas..
Os géneros atualmente reconhecidos em Canellaeae apresentam entre si a seguinte relação filogenética:
Folhas fósseis de Canella são conhecidas do Plioceno da Bahia (Brasil). O pólen de Pleodendron é conhecido do Oligoceno de Porto Rico.
Taxonomia Evolução da classificação A taxonomia das Canellaceae tem sofrido múltiplas alterações de relevo ao longo do último século, conferindo ao grupo uma complexa história taxonómica que aparenta ainda não ter atingido o pleno consenso em matéria do número de géneros a considerar, existindo fundadas dúvidas sobre a sua monofilia. Tal indicia a necessidade de novas alterações a curto prazo.
A espécie Canella winterana era uma importante planta medicinal dos povos indígenas dos trópicos americanos, tendo sido rapidamente adoptada como tal pelos europeus. O Dr. Diego Álvarez Chanca acompanhou Cristóvão Colombo na sua segunda viagem, após o que escreveu sobre uma canela que era diferente de qualquer uma das espécies de canela usadas na Europa.Andrew Dalby. 2001. "Christopher Columbus, Gonzalo Pizarro, and the Search for Cinnamon". Gastronomica: The Journal of Food and Culture 1(2):40-49. (See external links below). Tudo indica que se referia à utilização da canela que viria a ser descrita como Canella winterana.
Em 1737, no seu Hortus Cliffortianus, Linnaeus combinou Canella com Drimys, um género agora em Winteraceae, e Cinnamomum, agora em Lauraceae, para formar um táxon que designou como Winterania.Carolus Linnaeus. 1737. Hortus Cliffortianus:488. Lubrecht and Cramer. Amsterdam, Netherlands. (ver External links abaixo). Em 1753, na primeira edição de Species Plantarum, Linnaeus dividiu Winterania em quatro espécies.Carolus Linnaeus (Carl von Linné). 1753. Species Plantarum, 1st edition, vol. 1, page 371. Holmiae: Impensis Laurentii Salvii (Lars Salvius). (A facsimile with an introduction by William T. Stearn was published by the Ray Society in 1957). Três delas estão atualmente em Cinnamomum, e a quarta, a que chamou Laurus winterana, consistia nas actuais Canella winterana e Drimys winteri. Estas quatro espécies foram incluídas num género Laurus sensu lato.
Em 1756, Patrick Browne aplicou o nome Canella à espécie atualmente conhecida como Canella winterana.Canella. In: International Plant Names Index. Contudo, não acrescentou um epíteto específico para criar uma designação binomial.Patrick Browne. 1756. The Civil and Natural History of Jamaica:275. T.Osborne & J. Shipton: London, UK.