Seleções, nome das edições brasileira e portuguesa da revista norte-americana Reader's Digest e tradicionalmente grafada Selecções em Portugal, é uma revista familiar de interesse geral, publicada seis vezes por ano. Antes sediada em Chappaqua, no estado de Nova York, sua sede passou para Midtown Manhattan. A revista foi fundada em 1922 por DeWitt Wallace e sua esposa, Lila Bell Wallace. Por muitos anos, Reader's Digest foi a revista de consumo mais vendida dos Estados Unidos. Em 2009, perdeu essa posição para Better Homes and Gardens. Em 2006, Reader's Digest alcançava mais leitores em domicílios com renda superior a US$ 100 mil do que Fortune, The Wall Street Journal, Business Week e Inc. somadas.

A rede internacional da revista chegou a ter 49 edições em 21 idiomas. Em 2013, a revista ainda tinha a maior circulação paga do mundo e contava com dezenas de milhões de assinantes. Em 2019, Reader's Digest era publicada em 21 idiomas, distribuída em mais de 70 países e alcançava 10,5 milhões de leitores no mundo.

Também houve edições em Braille, formatos digital e de áudio e uma versão em tipos grandes chamada Reader's Digest Large Print. A revista tem formato compacto, com páginas de aproximadamente metade do tamanho das de muitas revistas norte-americanas. No verão de 2005, a empresa adotou o slogan "America in your pocket" para a edição dos Estados Unidos. Em janeiro de 2008, o slogan passou a ser "Life well shared".

História miniaturadaimagem|Primeiro número de Reader's Digest, fevereiro de 1922

Criação e crescimento Em 1920, DeWitt Wallace casou-se com Lila Bell Wallace em Pleasantville, Nova York. Pouco depois, os dois lançaram Reader's Digest em um porão sob um bar clandestino de Greenwich Village. A ideia era reunir, em uma única revista, uma seleção de artigos sobre muitos assuntos publicados em periódicos mensais, às vezes condensando-os e reescrevendo-os.

No século XX, Reader's Digest manteve uma orientação conservadora e anticomunista em questões políticas e sociais. Os Wallaces esperavam inicialmente que a revista lhes rendesse US$ 5 mil de lucro líquido. A percepção de Wallace sobre o que o público de massa queria ler levou a um crescimento rápido. Em 1929, a revista tinha 290 mil assinantes e receita bruta anual de US$ 900 mil. A primeira edição internacional começou a ser publicada no Reino Unido em 1938. Quando Reader's Digest completou quarenta anos, havia quarenta edições internacionais, em treze idiomas e Braille. Em determinado momento, era o periódico de maior circulação na China, no México, na Espanha, na Suécia, no Peru e em outros países, com circulação internacional total de 23 milhões de exemplares.

A primeira coluna "Word Power" foi publicada na edição de janeiro de 1945, escrita por Wilfred J. Funk. Em dezembro de 1952, a revista publicou "Cancer by the Carton", um conjunto de artigos que relacionava o tabagismo ao câncer de pulmão.

De 2002 a 2006, Reader's Digest promoveu em escolas dos Estados Unidos uma competição de vocabulário chamada Reader's Digest National Word Power Challenge. Em 2007, a revista informou que não realizaria a competição no ano letivo de 2007–2008 e que usaria esse período para avaliar o programa em todos os aspectos, entre eles alcance, missão e modelo de implementação.

Em 2006, a revista lançou edições em idiomas locais na Eslovênia, Croácia e Romênia. Em outubro de 2007, chegou à Sérvia. A licenciada na Itália deixou de publicar a revista em dezembro de 2007. Em janeiro de 2008, uma edição foi lançada na República Popular da China. A publicação chinesa terminou em 2012, após vendas insuficientes, atribuídas ao preço relativamente alto, à definição pouco clara do público e à baixa qualidade do conteúdo traduzido.

Em 2010, a edição norte-americana reduziu o número de publicações anuais de doze para dez e ampliou sua oferta digital. Também reduziu de 8 milhões para 5,5 milhões de exemplares a circulação garantida aos anunciantes. Ao anunciar a decisão em junho de 2009, a empresa informou que pretendia diminuir o número de perfis de celebridades e matérias de instruções práticas e publicar mais histórias de inspiração espiritual e sobre militares.

A partir de janeiro de 2013, a edição dos Estados Unidos voltou a ter doze números por ano. esquerda|miniaturadaimagem|alt=Edifício da Reader's Digest em Pleasantville|Antigo edifício de Reader's Digest em Chappaqua, Nova York A revista é publicada seis vezes por ano.

Organização empresarial e propriedade Na década de 1950, a direção executiva de Reader's Digest tinha cargos de editor, editor executivo e editores-chefes de produção, além de um departamento de livros, um gerente-geral de negócios e um diretor de edições internacionais. A equipe editorial tinha níveis que incluíam editores seniores, editores de departamento, editores itinerantes e editores associados.

Em 1990, a empresa controladora da revista, The Reader's Digest Association, Inc. (RDA), tornou-se uma companhia de capital aberto. De 2005 a 2010, a RDA registrou prejuízo líquido em todos os anos.

Em março de 2007, a Ripplewood Holdings LLC liderou um consórcio de investidores de capital privado que comprou a empresa por meio de uma aquisição alavancada por US$ 2,8 bilhões, financiada principalmente pela emissão de US$ 2,2 bilhões em dívida. A Ripplewood investiu US$ 275 milhões de recursos próprios e teve entre seus parceiros o Rothschild Bank de Zurique e a GoldenTree Asset Management, de Nova York. A operação triplicou os pagamentos anuais de juros da associação, que chegaram a US$ 148 milhões.

Em 24 de agosto de 2009, a RDA anunciou ter apresentado à Justiça de falências dos Estados Unidos um pedido previamente negociado de proteção sob o Capítulo 11, para manter as operações e reestruturar a dívida de US$ 2,2 bilhões assumida na aquisição alavancada. Ao sair da recuperação, os credores trocaram dívida por participação acionária e todo o investimento patrimonial da Ripplewood foi extinto.

Em abril de 2010, a operação britânica foi vendida à própria administração. Um acordo de licença com a empresa norte-americana permitiu que a edição britânica continuasse a ser publicada. O encerramento da edição britânica foi anunciado em abril de 2024.

Em 17 de fevereiro de 2013, a RDA Holding entrou em recuperação judicial pela segunda vez. A empresa foi comprada por £ 1 pelo investidor de capital de risco Mike Luckwell, que havia sido o maior acionista da WPP plc.

Marketing direto A RDA oferece muitos produtos por mala direta acompanhados de sorteios promocionais ou concursos. A edição norte-americana de Reader's Digest e as outras revistas da empresa nos Estados Unidos não usam sorteios em promoções de mala direta. A companhia também passou a investir no marketing direto eletrônico para se adaptar às mudanças no mercado de mídia. Em meados do século XX, álbuns fonográficos de música clássica e easy listening, com o nome da revista, eram vendidos pelo correio. Reader's Digest também fez uma parceria com a RCA para oferecer um clube de música por correspondência, com preços reduzidos para discos de vinil.

Acordo sobre sorteios Em 2001, procuradores-gerais de 32 estados dos Estados Unidos chegaram a acordos com a empresa e outros operadores de sorteios para encerrar acusações de que idosos eram induzidos a comprar produtos por acreditarem ser "vencedores garantidos" de um sorteio. O acordo exigiu que as empresas aumentassem o tamanho da letra dos avisos nas embalagens informando que nenhuma compra era necessária para participar e que:

Criassem uma "lista de não contato" e deixassem de fazer solicitações a futuros clientes de "alta atividade" até que Reader's Digest entrasse efetivamente em contato com cada cliente e determinasse que ele não comprava por acreditar que a compra aumentaria suas chances de ganhar. Enviassem cartas às pessoas que gastassem mais de US$ 1 mil em seis meses, informando que não era necessário comprar para ganhar o sorteio, que uma compra não aumentaria as chances de ganhar e que todas as inscrições tinham a mesma chance, fossem ou não acompanhadas de uma compra.

A edição britânica de Reader's Digest também recebeu críticas do Trading Standards Institute por dirigir correspondências em massa enganosas a idosos e pessoas vulneráveis, afirmando que o destinatário tinha a garantia de receber um grande prêmio em dinheiro e aconselhando-o a não falar sobre o assunto com outras pessoas. Após a reclamação da entidade, a Advertising Standards Authority (ASA) informou que abriria uma investigação. A investigação confirmou a reclamação em 2008 e concluiu que a mala direta de Reader's Digest era irresponsável e enganosa, sobretudo para idosos, e havia violado três cláusulas do código do Committee of Advertising Practice. Reader's Digest foi instruída a não voltar a usar esse material.

Edições internacionais A lista a seguir está ordenada pelo ano da primeira publicação.

1938 – Reino Unido, vendido em 2010 e depois operado sob licença, encerrado em abril de 2024 1940 – Cuba e América Latina, em espanhol, como Selecciones 1942 – Brasil 1943 – Suécia e Egito, em árabe, como Al-Mukhtar 1945 – Finlândia 1946 – Austrália, Dinamarca e Japão, onde as operações terminaram em 1985 1947 – Bélgica, em francês, França, Noruega e Canadá francófono, encerrado em 2024 1948 – Canadá, em inglês, encerrado em 2024, Alemanha, África do Sul, Suíça, em francês e alemão, e Itália, onde as operações terminaram em 2007 1950 – Argentina e Nova Zelândia, onde a edição impressa terminou em 2025 1952 – Áustria e Espanha, onde a revista foi publicada como Selecciones 1954 – Índia e Paquistão, em inglês 1957 – Países Baixos 1959 – Chile, Costa Rica e América Central 1965 – Taiwan, Hong Kong e Sudeste Asiático, em chinês tradicional, operações encerradas em 2025 1968 – Bélgica, em neerlandês 1971 – Porto Rico e Estados Unidos, em espanhol, e Portugal 1978 – Coreia do Sul, operações encerradas em 2009 1982 – Grécia, encerrada, provavelmente em 1986 1991 – Hungria e Rússia 1993 – Chéquia, operações encerradas em 2017 1995 – Polônia, operações encerradas em 2017 1996 – Tailândia, operações encerradas em 2014 1997 – Eslováquia 2004 – Indonésia, operações encerradas em outubro de 2015 2005 – Romênia, Eslovênia, Croácia e Bulgária 2007 – Bósnia e Herzegovina, Sérvia e Ucrânia 2008 – China, operações encerradas em 2012

Edições em português A edição brasileira foi lançada em fevereiro de 1942 com o título Seleções do Reader's Digest, depois reduzido para Seleções. A produção brasileira também era distribuída em Portugal, inicialmente com o texto em português brasileiro, pois os exemplares eram impressos no Brasil e enviados ao país. A iniciativa partiu de Robert Lund, fundador do Grupo Lund Editoras Associadas. O primeiro número era vendido nas bancas por 2.000 réis, e a assinatura anual custava 20.000 réis.

Em 1967, diante da instabilidade econômica e dos problemas no serviço dos Correios no Brasil, a impressão foi transferida para Portugal. Os exemplares destinados ao Brasil passaram então a ser enviados de Portugal, mas continuaram usando a variante brasileira do idioma. Em maio de 1988, formou-se uma equipe editorial portuguesa e cada país passou a ter sua própria versão, embora as duas continuassem produzidas em Portugal. Após o Plano Real e a estabilização econômica brasileira, a impressão da edição do Brasil voltou ao país em 1995. Em 1997, a equipe editorial brasileira também retornou ao Brasil.

Nas edições brasileiras, o formato tradicional mede 13,4 cm × 18,4 cm e é chamado de "formatinho" no país. O conteúdo reúne temas como saúde, conhecimentos gerais, biografias e humor, com seções como "Piadas de caserna". A seção "Livro do Mês" publica versões condensadas de livros.

Edição do Reino Unido