miniaturadaimagem|Casa onde nasceu Teixeira de Pascoaes, em Amarante
Teixeira de Pascoaes, pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (São Gonçalo, Amarante, Todas as fontes bibliográficas indicam 2 de Novembro de 1877 como a sua data de nascimento. Contudo, o assento de baptismo refere indubitavelmente que ele nasceu às cinco horas da tarde de 8 de Novembro de 1877, em Amarante. Segundo Luísa Borges, em O Lugar de Pascoais, Pascoaes terá adoptado 2 de Novembro como data do seu aniversário por razões puramente simbólicas, por ser o Dia dos Mortos, uma "porta" para o "Mais Além". – Amarante, Gatão, ), foi um poeta, escritor e filósofo português e um dos principais representantes do saudosismo.
Vida Teixeira de Pascoaes nasceu a 8 de novembro de 1877 na freguesia de São Gonçalo, em Amarante, sendo o segundo filho (de sete) de João Pereira Teixeira de Vasconcelos, juiz e deputado às Cortes, também natural de Amarante (freguesia de São Gonçalo), e de Carlota Guedes Monteiro, natural de Amarante (freguesia de Gatão). Era oriundo de uma família da aristocracia rural, com raízes em Amarante. Foi uma criança solitária, introvertida e sensível, muito propenso à contemplação nostálgica da Natureza.
Em 1883 iniciou os estudos primários em Amarante e, em 1887, ingressou no Liceu dessa vila. Em 1895 muda-se para Coimbra, onde termina os seus estudos secundários — em Amarante não foi bom aluno, tendo até reprovado em Português — e em 1896 inscreve-se no curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Ao contrário da maioria dos seus camaradas, não faz parte da boémia coimbrã, passando o seu tempo, monasticamente, no quarto, a ler, a escrever e a refletir.
thumb|left|Teixeira de Pascoaes, 1911. Licencia-se em 1901 e, renitentemente, estabelece-se como advogado, primeiro em Amarante e, a partir de 1906, no Porto. Em 1911 é nomeado juiz substituto em Amarante, cargo que exerce durante dois anos. Em 1913, com alívio, dá por terminada a sua carreira judicial. Sobre esses penosos anos dirá: "Eu era um Dr. Joaquim na boca de toda a gente. Precisava de honrar o título. Entre o poeta natural e o bacharel à força, ia começar um duelo que durou dez anos, tanto como o cerco de Tróia e a formatura de João de Deus. Vivi dez anos, num escritório, a lidar com almas deste mundo, o mais deste mundo que é possível — eu que nascera para outras convivências".Livro de Memórias Ana Sofia.
Sendo um proprietário abastado, não tinha necessidade de exercer nenhuma profissão para o seu sustento, e passou a residir no solar de família em São João de Gatão, perto de Amarante, com a mãe e outros membros da sua família. Dedicava-se à gestão das propriedades, à incansável contemplação da natureza e da sua amada Serra do Marão, à leitura e sobretudo à escrita. Era um eremita, um místico natural e não raras vezes foi descrito como detentor de poderes sobrenaturais.«Isso é corroborado por um simples camponês que viu o Pascoaes vir não sei de onde e disse: "Quem é aquele homem que deita fogo pela cabeça?"» in Amor, Liberdade, Poesia - Entrevista a Mário Cesariny de Vasconcelos, por Óscar Faria, Público, 19-01-2002, separata Mil Folhas Trocou correspondência com Bernardo Vaz Lobo Teixeira de Vasconcelos, mais conhecido por Frei Bernardo de Vasconcelos, um jovem monge beneditino que era seu parente e amigo. Nunca se encontraram, mas tinham uma grande admiração e estima um pelo outro. Teixeira de Pascoaes diria, em carta a uma sua irmã, que Frei Bernardo de Vasconcelos foi "o maior e mais perfeito amigo que Deus me concedeu". thumb|Teixeira de Pascoaes com o seu conterrâneo, o pintor António Carneiro, autor do ex-líbris da Renascença Portuguesa.
Em 1918 deu uma palestra em Barcelona junto com Eugenio d'Ors. Um ano antes das conferências, em 1917, outro lusófilo apaixonado, Andrés González Blanco, tradutor de poetas como Antero de Quental, Gomes Leal, Eugénio de Castro ou Camões, dedica um extenso artigo a Pascoaes e ao saudosismo na revista Estudio, no qual estabelece um diálogo entre o futurismo de Marinetti e o saudosismo. Apresenta seus fundamentos étnicos, históricos e filológicos, bem como sua presença na literatura e na política e seus vínculos com a Espanha, em um extenso texto por onde circulam os nomes de Francisco Villaespesa (tão próximos do espírito lusitano em livros como Saudades) ou o do próprio Fernando Pessoa, impresso pela primeira vez em Espanha. Em 1923 visitou a Residencia de Estudiantes e alcançou certa notoriedade entre escritores ligados à Residencia como García Lorca, com quem Pascoaes trocou cartões postais e livros dedicados. A Revista Nós, em que participou, indicou que "temos a Teixeira de Pascoaes como algo nosso, e nas nossas devoções internas muito próximo de Santa Rosalía e Eduardo Pondal". Sobre a morte do poeta, em 1952, Vicente Risco afirma que "a Galiza o pranteou como se fosse dela e nada mais fez, pois é devida a revelação da saudade, em que se encripta o sentido profundo da nossa intimidade poética". Pessoa o definiu como "um dos maiores poetas vivos e o maior poeta lírico da Europa de hoje". Ele era um grande amigo do Miguel de Unamuno. Também fez amizade com lusófilos como Eugenio d'Ors, Ignasi de Ribera i Rovira ou Fernando Maristany y Guasch, que traduziram e divulgaram amplamente a sua poesia em Espanha nos anos vinte. A sua obra despertou também o interesse de Juan Ramón Jiménez ou Gómez de la Serna.
Apesar de ser um solitário, Gatão era local de peregrinação de inúmeros intelectuais e artistas, nacionais e estrangeiros, que o iam visitar frequentemente.Um dia, um grupo de estudantes que o foi visitar confundiu-o com o jardineiro da quinta, tão humilde e arcaica era a sua aparência: um homem baixo, franzino e seco. No final da vida, seria amigo dos poetas Eugénio de Andrade e Mário Cesariny de Vasconcelos. Este último haveria de o eleger como poeta superior a Fernando Pessoa, chegando a ser o organizador da reedição de alguns dos textos de Pascoaes, bem como de uma antologia poética, nos anos 70 e 80.
Pascoaes morreu a 14 de dezembro de 1952, aos 75 anos, em Gatão, de bacilose pulmonar, alguns meses depois da morte da sua mãe. O seu corpo encontra-se num jazigo no cemitério em frente à Igreja de São João Baptista de Gatão. A campa é rasa e tem inscritos versos que o autor propositadamente escreveu para ali figurarem: "Apagado de tanta luz que deu / Frio de tanto calor que derramou".
Uma rua leva o seu nome na Corunha (Galiza, Espanha).https://a-coruna.callejero.net/calle-de-teixeira-de-pascoaes.html
Obra Com António Sérgio e Raul Proença foi um dos líderes do chamado movimento da "Renascença Portuguesa" e lançou em 1910 no Porto, juntamente com Leonardo Coimbra e Jaime Cortesão, a revista A Águia, principal órgão do movimento. Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas SerõesSerões: revista semanal ilustrada (1901-1911) [cópia digital, Hemeroteca Digital] (1901-1911), AtlântidaAtlântida : mensário artístico literário e social para Portugal e Brazil (1915-1920) [cópia digital, Hemeroteca Digital] (1915-1920), ContemporâneaContemporânea -1926 [cópia digital, Hemeroteca Digital] -1926, Revista de turismo iniciada em 1916, Conímbriga de 1923 e na 1.ª série da revista Panorama (1941-1949).
Pensamento Teixeira de Pascoaes foi o principal pensador do Saudosismo e um dos mais importantes pensadores contemporâneos da Saudade e da Portugalidade, sobretudo durante a década de 1910 e através de obras como A Arte de Ser Português (1915) e Os Poetas Lusíadas (1919). Além disso, a sua poesia e as suas prosas revelam uma constante preocupação filosófica, configurando um «pensamento poético» que faz de Pascoaes «estruturalmente um poeta-filósofo»Maria das Graças Moreira de Sá, Teixeira de Pascoaes, Instituto Camões. URL consultato il 26 ottobre 2019. e um dos autores mais revisitados e interpretados pelos filósofos portugueses contemporâneos, particularmente pelo Grupo da Filosofia Portuguesa e por filósofos da espiritualidade, como Paulo Borges.Cf. Borges, Paulo, Princípio e Manifestação. Metafísica e Teologia da Origem em Teixeira de Pascoaes, Lisboa, INCM, 2008.
A Saudade é para Pascoaes a condição ontológica universal de todo o Ser e da existência, tanto no ser humano, como na natureza, como no próprio Deus, numa cosmogonia panteísta em que Deus vive na natureza e no ser humano para resgatar a queda — que é, no pensamento pascoalino, inerente ao próprio divino — através de uma redenção que advém pela dor e pelo desejo da Unidade aparentemente perdida e saudosamente procurada.thumb|Teixeira de Pascoaes por Bottelho Bibliografia Poesia 1895 - Embriões 1896 - Belo 1ª parte 1897 - Belo 2ª parte 1898 - À Minha Alma e Sempre 1899 - Profecia (colaboração com Afonso Lopes Vieira) 1901 - À Ventura 1903 - Jesús e Pan 1904 - Para a Luz 1906 - Vida Etérea 1907 - As Sombras 1909 - Senhora da Noite 1911 - Marânus (wikisource) 1912 - Regresso ao Paraíso Elegias 1913 - O Doido e a Morte 1920 - Elegia da Solidão 1921 - Cantos Indecisos 1924 - A Elegia do Amor O Pobre Tolo 1925 - D. Carlos Cânticos Sonetos 1949 - Versos Pobres
Prosa 1915 - A Arte de Ser Português 1916 - A Beira Num Relâmpago 1919 - Os Poetas Lusíadas (conjunto de conferências proferidas na Catalunha) 1921 - O Bailado 1923 - A Nossa Fome 1928 - Livro de memórias (autobiografia) 1934 - São Paulo (biografia romanceada) 1936 - São Jerónimo e a trovoada (biografia romanceada) 1937 - O Homem Universal 1940 - Napoleão (biografia romanceada) 1942 - O Penitente (Camilo Castelo Branco) (biografia romanceada) Duplo passeio 1945 - Santo Agostinho (biografia romanceada) 1951 - Dois Jornalistas (Novela)
Conferências 1919 - Os Poetas Lusíadas (conjunto de conferências proferidas na Catalunha) 1922 - Conferência A Caridade (conferência) 1950 - Duas Conferências em Defesa da Paz 1951 - João Lúcio (conferência, não professada mas publicada posteriormente, sobre o poeta olhanense)
Teatro 1926 - Jesus Cristo em Lisboa (colaboração com Raul Brandão)
Reconhecimento 1923 - A 12 de Abril de 1923, Pascoaes e Raul Brandão são eleitos para a Academia de Ciências de Lisboa. Júlio Dantas, David Lopes e Henrique Lopes de Mendonça (relator) assinam o parecer onde se afirma que «Pascoaes é da raça excelsa de poetas que têm como remotos antepassados Hesíodo e Lucrécio, e cuja suprema representação, nas auroras do romantismo, é porventura Shelley.» 1942 - O poeta do saudosismo foi nomeado para o Nobel da Literatura em 1942, 1943, 1944, 1947 e 1948, sempre por João António de Mascarenhas Júdice, visconde de Lagoa e membro da Academia Portuguesa na secção de Humanidades. O arquivo do comité Nobel não revela as obras em causa.
Ver também A Águia Casa de Pascoais António Cândido Franco
Ligações externas
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