Cursino é um distrito do município de São Paulo, localizado na zona sudeste e pertencente à Subprefeitura do Ipiranga. Com área oficial de 11,94 km², integra a divisão administrativa da cidade, composta por 96 distritos, e destaca-se por sua posição estratégica entre bairros tradicionais e áreas de expansão urbana, apresentando características residenciais consolidadas, presença de importantes equipamentos ambientais e culturais, além de indicadores de desenvolvimento humano superiores à média municipal. O distrito é reconhecido por abrigar parte pelo Parque Estadual Fontes do Ipiranga, onde estão localizados o Jardim Zoológico e o Jardim Botânico. O distrito é atendido pela Linha 2-Verde do Metrô na Estação Santos-Imigrantes.

História A história do território do Cursino remonta ao período pré-colonial, quando era ocupado por povos indígenas de língua tupi, que utilizavam a região para caça, coleta e passagem entre o planalto e o litoral. Com a colonização, a área passou a integrar o sistema de sesmarias, sendo destinada a grandes propriedades rurais e chácaras que abasteciam a cidade e serviam de apoio à expansão agrícola. Ao longo dos séculos XVII e XVIII, o território foi gradualmente ocupado por caminhos, pequenas vilas e capelas, acompanhando o crescimento populacional e a formação de núcleos urbanos periféricos. No século XIX, a urbanização ganhou impulso com a chegada de imigrantes e a subdivisão das antigas fazendas em loteamentos, processo intensificado no século XX pela industrialização e pela expansão da malha urbana paulistana. O nome do distrito homenageia André Cursino, fazendeiro que possuía uma vasta propriedade na região entre o final do século XIX e o início do século XX, cuja importância histórica também se reflete na principal via local, a Avenida do Cursino. O distrito foi oficialmente criado pelas leis municipais nº 10.932, de 15 de janeiro de 1991, e nº 11.220, de 25 de maio de 1992, sendo desmembrado principalmente da região do Ipiranga, com áreas anteriormente vinculadas ao distrito da Saúde, consolidando-se como unidade administrativa autônoma.

Geografia Com área oficial de 11,94 km², equivalente a 1 194,39 hectares, o distrito apresenta limites bem definidos: faz fronteira ao noroeste com Vila Mariana, ao nordeste com Ipiranga, a leste com Sacomã, ao sudoeste com Jabaquara e a oeste com Saúde, além de confrontar ao sudeste com o município de São Bernardo do Campo e ao sul com Diadema.

O relevo do Cursino é característico do planalto paulistano, apresentando altitudes médias entre 750 e 800 metros acima do nível do mar. O terreno é suavemente ondulado, com colinas baixas, fundos de vale e pequenas depressões, resultado da dinâmica erosiva sobre rochas do embasamento cristalino recobertas por sedimentos recentes. Essa configuração geomorfológica favorece a boa drenagem dos solos, mas pode apresentar áreas suscetíveis a processos erosivos e enchentes, especialmente em setores de ocupação irregular ou adensada. A hidrografia do distrito é composta por uma rede de córregos e pequenos cursos d’água, com destaque para o Córrego do Sapateiro, o Ribeirão dos Meninos, o Córrego Ipiranga e o Córrego da Água Funda, todos integrantes da bacia do Alto Tietê. Esses cursos percorrem fundos de vale, contribuem para a drenagem da região e, em alguns trechos, sofrem processos de canalização e poluição hídrica, agravados pela impermeabilização do solo e pela ocupação urbana intensa.

A urbanização do Cursino é predominantemente planejada, especialmente em bairros como o Jardim da Saúde, projetado pela Companhia City nos moldes de bairro-jardim, com ruas arborizadas, praças e padrão urbanístico de baixa densidade. O Jardim da Saúde foi tombado pelo CONPRESP em 2002, reconhecendo seu valor urbanístico e paisagístico. Em contrapartida, bairros como Água Funda e Vila Santo Stefano apresentam ocupação mais irregular, com presença de favelas e população mista, resultado de processos de urbanização espontânea e adensamento populacional. O zoneamento atual do distrito, conforme o Plano Diretor Estratégico (Lei 16.050/2014) e a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (Lei 16.402/2016), inclui zonas mistas (ZM), zonas exclusivamente residenciais (ZER), zonas especiais de interesse social (ZEIS) e zonas de desenvolvimento econômico (ZDE), além de setores de proteção ambiental e cultural. O distrito é composto por dezoito bairros: Água Funda, Vila Água Funda, Conjunto dos Bancários, Bosque da Saúde (parte leste da Av. Dr. Ricardo Jafet), Vila Brasilina, Vila Brasílio Machado, Cursino, Vila Firmiano Pinto, Vila Gumercindo, Vila Moraes, Jardim Previdência, Vila Santo Stefano, Jardim São Miguel, Parque da Saúde, Saúde, São Salvador, Jardim da Saúde e Vila Simões, cada um com características próprias em termos de padrão urbanístico, infraestrutura e perfil socioeconômico.

O meio ambiente do Cursino é marcado pela presença do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), maior fragmento de Mata Atlântica urbana da Região Metropolitana de São Paulo, com 476 hectares, criado pelo Decreto Estadual nº 52.281/1969 e protegido pela Lei Estadual nº 10.353/1971. O PEFI abriga cerca de vinte nascentes preservadas, fragmentos de floresta ombrófila densa, fauna silvestre diversificada e cumpre papel fundamental na conservação de ecossistemas naturais, na qualidade do ar e no equilíbrio climático do entorno. Dentro do parque localizam-se o Jardim Zoológico de São Paulo, maior zoológico do Brasil, com 843 000 metros quadrados e centenas de espécies nativas e exóticas, referência nacional em conservação, pesquisa e educação ambiental, e o Jardim Botânico de São Paulo, com 40,4 hectares, reserva biológica de Mata Atlântica, coleções vivas de plantas, estufas temáticas, trilhas e o herbário do Instituto de Botânica, terceiro maior da América do Sul, com cerca de 400 mil exsicatas.

Entre os principais problemas ambientais do Cursino estão as áreas de risco de enchentes, especialmente em fundos de vale e margens de córregos como o Sapateiro, Ipiranga e Ribeirão dos Meninos, que sofrem com impermeabilização do solo, ocupação irregular e poluição hídrica. O distrito também apresenta pontos de degradação ambiental, sobretudo em áreas de transição entre zonas urbanas e fragmentos de mata, além de desafios relacionados à gestão de resíduos sólidos e à manutenção da qualidade da água nas microbacias. A presença do PEFI, contudo, contribui para a mitigação de impactos ambientais, atuando como barreira natural contra enchentes e promovendo a recarga dos aquíferos. Iniciativas de preservação incluem o programa ECOPEFI, projetos de educação ambiental no Jardim Botânico e no Zoológico, o tombamento do Jardim da Saúde pelo CONPRESP e da Capela Cristo Operário pelo CONDEPHAAT em 2004, além de campanhas de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.

Demografia Destaca-se por apresentar um perfil demográfico consolidado, com população de 92 456 habitantes segundo o Censo de 2022 do IBGE, o que representa um crescimento de 2,86% em relação ao recenseamento de 2010, quando o distrito contava com 89 888 moradores. A densidade demográfica é de aproximadamente 7 744 habitantes por quilômetro quadrado, valor que o posiciona entre os distritos de média densidade da capital paulista, refletindo a predominância de áreas residenciais consolidadas e setores de urbanização planejada, como o Jardim da Saúde.

A estrutura etária do Cursino acompanha a tendência da cidade de São Paulo, com predomínio de adultos em idade produtiva e presença significativa de idosos, evidenciando o processo de envelhecimento gradual da população urbana. A composição de gênero é equilibrada, com leve maioria feminina, padrão observado em toda a Região Metropolitana de São Paulo. Em termos de composição racial, o distrito apresenta predominância de brancos, mas com presença significativa de pardos e pretos, refletindo a diversidade étnica típica da zona sudeste paulistana. O perfil migratório do Cursino foi marcado, especialmente entre as décadas de 1960 e 1980, pela chegada de migrantes nordestinos, que se estabeleceram em bairros populares e áreas de ocupação espontânea, contribuindo para a formação de comunidades com forte identidade cultural. A influência desses fluxos migratórios manifesta-se em festas juninas, rodas de samba, forró, literatura de cordel e na vitalidade das associações comunitárias e grupos religiosos, elementos que reforçam a diversidade e a resistência cultural do distrito.

A segurança pública no Cursino é garantida principalmente pela 26ª Delegacia de Polícia (DP) – Sacomã e pela 17ª DP – Ipiranga, ambas vinculadas à 2ª Delegacia Seccional Sul, que cobre a região do Ipiranga, Sacomã e parte da zona sudeste. Os índices de criminalidade do distrito são inferiores à média da cidade de São Paulo: no primeiro semestre de 2024, a taxa de homicídios dolosos foi de 4,2 por 100 mil habitantes, abaixo da média municipal de 5,46, enquanto os roubos apresentaram queda de 14,6% em relação ao ano anterior, acompanhando a tendência de redução observada em toda a capital. Evolução demográfica do distrito do CursinoOs indicadores sociais do Cursino evidenciam um quadro de desenvolvimento humano elevado, mas com disparidades internas. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) médio do distrito é de 0,850, valor superior à média municipal e que o coloca entre os distritos mais desenvolvidos da cidade, segundo o Atlas Brasil e o Mapa da Desigualdade. As UDHs mais desenvolvidas, com IDH-M entre 0,920 e 0,940, concentram-se no Jardim da Saúdebairro planejado, estritamente residencial, tombado e muito arborizado, considerado um enclave de riqueza na região. Em contrapartida, as UDHs com menor IDH-M, entre 0,710 e 0,730, localizam-se nas áreas limítrofes ao Zoológico de São Paulo e nas divisas com São Bernardo do Campo e Diadema, caracterizadas por assentamentos precários e ocupações em encostas, refletindo desafios sociais e ambientais. O percentual de habitações precárias é de 7,2%, com acesso a esgoto de 99,1%, água de 99,7% e lixo de 99,8%. O coeficiente de Gini é de 0,52, a renda per capita é de R$ 2 950, as taxas de analfabetismo absoluto e funcional são de 1,1% e 5,8%, respectivamente, a média de anos de estudo é de 10,7, a expectativa de escolaridade é de 15,2 anos e a expectativa de vida ao nascer é de 77,1 anos.

Infraestrutura urbana Destaca-se por apresentar infraestrutura urbana consolidada, com elevados índices de acesso a serviços essenciais e equipamentos públicos. O padrão urbanístico do Cursino é marcado pela coexistência de bairros planejados, como o Jardim da Saúde, e setores de ocupação mais adensada e popular, especialmente nas áreas limítrofes ao sul e sudeste, refletindo a diversidade socioespacial típica da metrópole paulistana.

No que se refere ao saneamento básico, o Cursino apresenta índices elevados de cobertura, com 99,7% dos domicílios atendidos por rede de água potável, 99,1% por rede de esgoto e 99,8% com coleta regular de lixo, segundo dados do Mapa da Desigualdade 2025 e do IBGE. Esses indicadores situam o distrito acima da média municipal e refletem o predomínio de áreas urbanizadas e a presença de bairros planejados, como o Jardim da Saúde, tombado pelo CONPRESP em 2002 devido ao seu valor urbanístico e paisagístico. Apesar da ampla cobertura, persistem desafios pontuais em setores de ocupação precária, especialmente nas divisas com São Bernardo do Campo e Diadema, onde o percentual de habitações precárias atinge 7,2%, concentrando-se em favelas e ocupações em encostas e fundos de vale.