right|thumb|300px|Anta de S. Geraldo, Portugal.

Os dólmens (grafia alternativa dólmin), também conhecidos como antas e orcas, são monumentos megalíticos tumulares coletivos construídos por humanos (datados desde o fim do V milénio a.C. até ao fim do III milénio a.C., na Europa, e até ao I milénio, no Extremo Oriente).

Etimologia O substantivo «dólmen» entra na língua portuguesa por via do francês dolmen, que por seu turno provém da língua córnica «tolmen». O substantivo «tolmen», por sua vez, remonta ao bretão antigo, resultando da aglutinação da expressão taol maen, em que taol significa «mesa» e maen significa «pedra».

Quanto ao substantivo «Anta», por sinal de uso generalizado em Portugal e com grande expressão toponímica nacional, este provém do latim antae que significa «pilares laterais ou ombreiras de um edifício ou de uma porta».

No folclore tradicional português, estas construção, são também por vezes designadas casas de mouros, fornos de mouros ou pias. thumb|right|250px|Gravura neolítica de Deusa mãe (representada com quatro seios) num dólmen

Parece que Théophile-Malo de La Tour d'Auvergne-Corret foi o primeiro a utilizar o termo «dolmin» para designar um monumento, entre Locmariaquer e «les bois de Kerantré», correspondendo muito provavelmente à Table des Marchands :

O termo «dolmin» é retomado sob a forma «dolmine» por Pierre Jean-Baptiste Legrand d'Aussy a 25 de fevereiro de 1799 quando faz, no Instituto Nacional de Ciências e Artes, uma leitura da sua obra, Des sépultures nationales, publicada posteriormente em 1824 : «M. Coret, falando de uma destas mesas que darei a conhecer em breve, e que se vê em Locmariaker, diz que em baixo-bretão lhe chamam dolmin. Aproveito de novo esta expressão, que, como as duas anteriores, me é necessária. Num assunto totalmente novo, e do qual por conseguinte o vocabulário não existe, sou forçado a fazer um; e embora, por meu direito, eu estivesse autorizado a criar palavras, prefiro no entanto adoptar as que encontro existentes, sobretudo quando me dão, como o baixo-bretão, a esperança de representar as antigas denominações gaulesas. Adopto pois a palavra dolmine, e vou empregá-la para designar as mesas de que falo».

Em 1805, Jacques Cambry utiliza pela primeira vez a palavra «dolmen» : «Dolmin, ou melhor dolmen, significa em bretão a mesa de pedra». A palavra é desde então retomada sucessivamente por diversos autores franceses sob as ortografias «dolmen» (Denoual de la Houssaye) ou «dolmin» (E. Littré, V. Hugo, Chateaubriant, Flaubert) e tendo em conta a predominância dos arqueólogos franceses no fim do e início do , o termo é adoptado pelos seus homólogos alemães, espanhóis, italianos, ingleses, quando mesmo o termo «túmulo megalítico» existe no seu idioma.. Em 1850, é mesmo adoptado em galês em concorrência com o termo galês «cromlech».

Os celtistas opuseram-se a um termo que segundo eles teria sido forjado a partir das palavras bretãs t(d)aol (aparentado ao latim tabula), «mesa», e maen, «pedra», ou seja a «mesa de pedra» (pois o elemento mais impressionante deste tipo de monumento é bem frequentemente a principal laje de cobertura). O termo bretão autêntico para designar um tal monumento seria o de lia ou liac'hLouis Le Pelletier, 1752, Dictionnaire de la langue bretonne, nouvelle édition en 1975, Rennes, Bibliothèque municipale. (liaven, lieven ou leven nos compostos). No entanto, a palavra está atestada em vários textos em bretão desde o (dicionário de Le Gonidec em 1821), embora se encontre por outro lado as formas tolmin ou toulmin. O uso da palavra an dol (daol, taol) encontra-se em vários topónimos mas em certos casos ele remete a rochedos naturais. A forma an dolven (en dolven em bretão vanetês) também se atesta.

Características

thumb|redresse=1.25|Dolmen da Draille, Viols-le-Fort (Hérault).

Um dolmen (ou dólmen) é um túmulo geralmente megalítico, originalmente inserido num tumulus, que compreende uma câmara sepulcral destinada a receber várias inumações.

Esta palavra, formada a partir das palavras bretãs taol (mesa), feminina, após o artigo an daol, e maen (pedra), foi adoptada em várias línguas europeias. Tornou-se um termo genérico utilizado na arqueologia pré-histórica para designar tipos de arquitectura muito variados. O carácter impreciso da sua definição originelle e a multiplicidade das terminologias adoptadas desde então pelos especialistas, tendem agora a substituí-lo pelas expressões «túmulo megalítico» ou «sepultura megalítica», mas a palavra permanece sempre muito frequente no uso comum.

Dólmenes e menires são os dois tipos de megalitos mais frequentes e emblemáticos do megalitismo no mundo. É na Europa, nomeadamente na Ocidental, que se encontra o maior número de dólmenes, edificados ao longo do Neolítico. Existem numerosas construções do mesmo tipo no Norte de África, na Corna de África, no Próximo Oriente e no Extremo Oriente, mas construídas em épocas mais recentes. Arquitectura geral

thumb|redresse=1.2|Elementos estruturais de um dólmen

No seu estado actual de degradação, os dólmenes apresentam-se frequentemente sob a aparência de um esqueleto interno mas na origem eles eram recobertos de um tumulus ou de um cairn, que os tornava invisíveis do exterior, esta parte móvel (pedras, terra) da construção foi, ao longo dos séculos, erodida naturalmente ou fez objecto de uma recuperação..

A arquitectura dos dólmenes varia em função das regiões e das épocas e pode-se distinguir toda uma série de variantes arquitectónicas, classificadas em famílias tipológicas, variáveis segundo os autores e objecto de múltiplos debates entre eles, das quais se conserva o uso por hábito inclusive quando o seu nome parece mal escolhido. Segundo os autores, o hábito foi tomado de utilizar a palavra dólmen acompanhada de um qualificativo (dólmen simples, dólmen de corredor, dólmen transeptado...) ou por simplicidade de chamar «dolmen» a toda a sepultura colectiva neolítica (qualquer que seja o seu modo de construção ou o material utilizado) ou ainda de utilizar a denominação mais global de «sepulturas megalíticas» que engloba as galerias cobertas e as cistas dolménicas.

Para certos investigadores, ao lado destes megalitos em pedra, os seus equivalentes em madeira chamados, por falta de termo criado para os designar, dólmenes em madeira, poderiam ter existido.

Na Europa, pode-se todavia destacar séries bastante homogéneas nas quais «seria ilusório procurar uma filiação, uma cronologia ou uma ordem de difusão de conjunto, enquanto à escala local ou regional se pode tentá-lo». Distinguem-se assim geralmente dois tipos fundamentais de arquitectura. Cada tipo principal pode declinar-se em variantes locais caracterizando uma cultura neolítica específica ou resultando de uma fase transitória integrando diferentes influências.

Os dólmenes simples A câmara abre directamente sobre o exterior. Eles são geralmente compostos de dois a três ortóstatos e de uma laje de cabeceira. A câmara assim definida é de forma rectangular (dólmen dito de «tipo A») ou poligonal (dólmen dito de «tipo B»). Este tipo de dólmenes é muito espalhado no sudoeste (Aveyron, Lot) e no centro (Puy-de-Dôme) de França. Este tipo de construção conhece por vezes adaptações específicas muito localizadas: dólmenes com câmara compartimentada por uma laje ou um murete ; dólmenes de compartimentos laterais onde pequenas células são encostadas à câmara.

Os dólmenes de corredor Por vezes também chamados túmulos de corredor, ou dólmenes de galeria (Passage Grave em inglês), os dólmenes de corredor são dólmenes onde a entrada da câmara (circular, poligonal, quadrangular) comunica com o exterior por um corredor (dito também galeria ou corredor), axial ou não, de dimensões muito variáveis (muito curto de um comprimento comparável ao da câmara ou consideravelmente alongado). Estes monumentos são isolados num cairn individual ou associados a vários. Este tipo de dólmen conhece numerosas declinações locais: as sepulturas em V que se caracterizam por uma câmara trapezoidal, onde a largura interna e a altura sob a laje aumenta desde a entrada para o fundo, ligada sem ruptura ao corredor de acesso ; os dólmenes transeptados que se caracterizam por um corredor conduzindo a uma câmara terminal precedida de um duplo jogo de câmaras laterais desenhando uma cruz de Lorena (tumulus des Mousseaux, dolmen de la Joselière) ; os dólmenes acotovelados, onde a câmara e o corredor desenham um esquadro, encontram-se frequentemente em Morbihan ; os dólmenes angevinos, ou dólmenes de pórtico, construção de tamanho monumental composta por uma grande câmara precedida de uma antecâmara rebaixada (La Roche-aux-Fées) ; os dólmenes de câmara funerária quadrada, ou rectangular para os quais vários tipos foram definidos em função de particularidades, angoumoisins (Bougon em Deux-Sèvres) ou ainda languedocianosTipo definido por J. Arnal e Y. Chevalier (Arnal 1963, Chevalier 1984) que podem comportar uma antecâmara (Lamalou no Hérault). os dólmenes de câmaras laterais, várias câmaras são colocadas de cada lado do corredor (sítio de Larcuste Cairn II) as galerias cobertas que se caracterizam por uma câmara muito alongada, distinta ou não do corredor.

+Arquitectura dos dólmenes de corredor gauche|sans_cadre|60x60px|Desenho de dólmen de corredor com uma câmaraEstruturas simplesAs estruturas mais simples comportam um corredor conduzindo a uma única câmaragauche|sans_cadre|60x60px|Desenho de dólmen de corredor com duas câmarasCâmaras separadasNeste caso o corredor conduz a câmaras separadas.gauche|sans_cadre|60x60px|Desenho de dólmen com dois corredoresEstruturas simples de várias câmarasEles comportam vários corredores conduzindo cada um a uma câmara englobada num só cairn tal como em Larcuste Cairn I e Barnenez. Estas câmaras podem ser de tipos diferentes, pode-se encontrar algumas de tipo compartimentadogauche|sans_cadre|60x60px|Desenho de dólmen com divisóriasCâmaras compartimentadasCertas câmaras podiam ser compartimentadas por lajes formando um sistema de divisóriasgauche|sans_cadre|60x60px|Desenho de dólmen com câmaras lateraisCorredores de câmaras lateraisEstas estruturas são compostas de um corredor conduzindo a várias câmaras colocadas de cada lado tais como Larcuste Cairn IIgauche|sans_cadre|60x60px|Dolmen tipo AngevinoTipo angevinoEstas estruturas compreendem uma câmara principal precedida por uma antecâmara mais estreita e um pórtico.gauche|sans_cadre|60x60px|Dolmen tipo LanguedocianoTipo languedociano com antecâmaraEstas estruturas compreendem uma câmara quadrada, precedida aqui por uma antecâmara mais estreita.

Função funerária vignette|redresse=1.4|Elementos estruturais do dólmen de Lamalou, Hérault, França.

Os dólmenes são túmulos megalíticos, esta característica funerária é fundamental e sistemática. Se no , os celtómanos acreditaram ver neles «altares druídicos» e outras «pedras destinadas a sacrifícios sangrentos», estas visões fantasiosas, são totalmente infundadas :