James Earl "Jimmy" Carter Jr. (Plains, – Plains, ) foi um político e filantropo norte-americano, que serviu como 39.° presidente dos Estados Unidos de 1977 a 1981. Oriundo de uma tradicional família fazendeira sulista, Carter serviu como oficial da Marinha dos Estados Unidos e depois ingressou na política, cumprindo dois mandatos como senador do estado da Geórgia e um como governador (1971–1975) antes de se candidatar à presidência em 1976.

Nascido e criado em Plains, Geórgia, Carter se formou na Academia Naval dos Estados Unidos em 1946 e se juntou à marinha, servindo em submarinos. Após a morte do seu pai em 1953, ele abandonou o serviço naval e voltou para Plains, onde assumiu o controle do negócio de cultivo de amendoim de sua família. Carter herdou comparativamente pouco devido ao perdão de dívidas de seu pai e à divisão da propriedade entre ele e seus irmãos. Mesmo assim, sua ambição de expandir e cultivar a fazenda de amendoim da família foi cumprida. Durante este período, Carter foi encorajado a se opor à segregação racial e apoiar o crescente movimento pelos direitos civis, se tornando um ativista dentro do Partido Democrata. De 1963 a 1967, Carter serviu no Senado estadual da Geórgia e em 1970 foi eleito governador do estado, derrotando Carl Sanders nas primárias do partido. Ele permaneceu como governador até 1975. Embora não fosse conhecido nos círculos políticos fora da Geórgia, Carter conquistou a nomeação do Partido Democrata para a eleição presidencial de 1976. Ele acabou vencendo de forma apertada contra o presidente republicano Gerald Ford, assumindo a presidência em janeiro de 1977 num período em que o país estava no meio de uma recessão.

A presidência de Carter foi marcada por estagnação econômica e inflação. No âmbito interno, ele perdoou todos os desertores da Guerra do Vietnã. Criou ainda dois novos gabinetes no governo, o Departamento de Energia e o Departamento de Educação. Ele estabeleceu uma nova política nacional de energia que incluía conservação, controle de preços e investimento em novas tecnologias. Em questões externas, Carter assinou os Acordos de Camp David, os Tratados Torrijos-Carter, a segunda rodada das Conversações sobre Limites para Armas Estratégicas (SALT II) e o retorno da Zona do Canal do Panamá ao controle das autoridades panamenhas. Ele tentou, sem muito sucesso, combater a "estagflação", o alto desemprego e o crescimento fraco do PIB. Contudo, os dois anos finais do seu governo foram marcados pela Crise dos reféns no Irã, a crise energética de 1979, o acidente de Three Mile Island e o desenrolar dos eventos iniciais da invasão soviética do Afeganistão. Em resposta à invasão dos soviéticos ao Afeganistão, Carter acabou com a détente, intensificou a Guerra Fria e liderou um boicote aos Jogos Olímpicos de 1980 em Moscou. Em 1980, ele enfrentou um desafio à sua nomeação pelo Partido Democrata por Ted Kennedy, mas se manteve como o candidato da legenda para tentar a reeleição. Carter acabou perdendo a eleição presidencial para o republicano Ronald Reagan. Pesquisas de historiadores e cientistas políticos consideram Carter como um presidente "fraco". As atividades de Carter no período posterior a sua saída da Casa Branca foram vistas de forma mais favorável do que sua própria presidência.

Em 2012, Carter passou Herbert Hoover como o ex-presidente mais velho e chegou a comemorar os 40 anos da sua posse no cargo. Em novembro de 2018, tornou-se o ex-presidente dos Estados Unidos mais longevo, após a morte de George H. W. Bush. Em 1º de outubro de 2024, Carter se tornou o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a chegar aos 100 anos de idade. Depois que deixou a presidência, trabalhou principalmente em questões de direitos humanos. Ele viajou pelo mundo, advogando acordos de paz, observando eleições e trabalhando para a prevenção e erradicação de doenças em várias nações. Carter também foi defensor da reforma política nos Estados Unidos e foi um crítico da política externa agressiva do presidente George W. Bush.

Começo da vida miniaturadaimagem|esquerda|Jimmy Carter em 1937, quando tinha por volta de 13 anos Filho de James Earl Carter Sr. e Bessie Lillian (née Gordy), Jimmy Carter nasceu em 1 de outubro de 1924 na cidade de Plains, em uma família batista que vivia no estado da Geórgia por gerações. Seu bisavô, Littleberry Walker Carter (1832–1873), serviu no Exército dos Estados Confederados, que defendia a causa escravagista durante a Guerra Civil Americana. Foi criado numa família sulista tradicional, com interesses no setor agrícola e plantação de amendoins - negócio no qual ele prosperaria. Seus ancestrais teriam chegado nos Estados Unidos por volta de 1635, oriundos primordialmente da Inglaterra.

Apesar de sua família se mudar constantemente, Jimmy Carter se formou na Plains High School, em sua cidade natal, em 1941.Bourne, pp. 33–43. Ele iniciou sua carreira servindo em vários concelhos locais, que regiam entidades como escolas, hospitais e bibliotecas, entre outros. Após se formar pela Academia Naval de Annapolis em 1946, casou-se com Rosalynn Smith. Deste matrimônio nasceram quatro filhos: John William (Jack), James Earl II (Chip), Donnel Jeffrey (Jeff) e Amy Lynn.

Carter começou a demonstrar interesse pela política em meados da década de 1950, no auge das tensões no sul a respeito do processo de desmantelamento legal da segregação racial nos Estados Unidos, notavelmente após a decisão da Suprema Corte no caso Brown v. Board of Education. Nos anos 60, ele cumpriu dois mandatos no Senado da Geórgia a partir do décimo-quarto distrito. Foi governador do seu estado natal, de 1971 a 1974, onde lutou pela igualdade racial e melhoria das condições de vida da população, em especial a dos mais pobres (com um foco maior nas minorias, especialmente os negros).

Eleição presidencial miniaturadaimagem|175px|Panfleto de campanha de Carter, em 1976 Em dezembro de 1974, Carter anunciou, no National Press Club de Washington D.C., que concorreria a presidência dos Estados Unidos. No seu primeiro discurso, focou em questões domésticas, principalmente na desigualdade. Durante a campanha, manteve um tom otimista e afirmou que traria mudanças.Address Announcing Candidacy for the Democratic Presidential Nomination at the National Press Club in Washington, DC (December 12, 1974) Apesar de inicialmente desconhecido do grande público, o fato de não ser tachado como membro do "círculo interno de Washington" acabou sendo um dos seus maiores apelos populares, tendo em vista a insatisfação do povo com a classe política, acentuada pelo Caso Watergate, que ainda estava fresco na mente das pessoas. No final, acabou vencendo a indicação do Partido Democrata à presidência e se lançou na chapa nacional. Em julho de 1976, anunciou Walter F. Mondale como seu vice.

Apesar de uma campanha instável, com uma série de polêmicas, acabou por vencer o presidente Gerald Ford na eleição presidencial de 1976, por pequena margem no voto popular e no Colégio Eleitoral. Foi empossado presidente em 20 de janeiro de 1977.

Presidência (1977–81) miniaturadaimagem|esquerda|Retrato de Robert Templeton do Presidente Carter na Galeria Nacional, em Washington, D.C. Jimmy Carter assumiu um país com uma economia ruim e até o fim do seu mandato, os Estados Unidos ainda estavam em recessão e sofrendo com inflação, além de uma crise energética. Um dos seus primeiros atos como presidente foi cumprir uma promessa de campanha ao assinar uma ordem executiva firmando uma anistia incondicional para os desertores da Guerra do Vietnã. Em 7 de janeiro de 1980, Carter assinou a lei H.R. 5860, conhecido como The Chrysler Corporation Loan Guarantee Act of 1979, um empréstimo para socorrer a Chrysler Corporation. Carter também teve que lidar com crises no exterior, mais notavelmente no Oriente Médio, como a assinatura dos Acordos de Camp David; ele também finalizou o processo de devolução do Canal do Panamá; depois assinou um acordo de redução nuclear conhecido como SALT II com o líder soviético Leonid Brezhnev. No seu último ano como presidente, a crise dos reféns no Irã erodiu sua já baixa popularidade, garantindo sua derrota na eleição de 1980 perante Ronald Reagan.

Política interna Economia A presidência de Carter teve uma história econômica de aproximadamente dois períodos iguais, sendo os dois primeiros anos de recuperação da grande recessão de 1973–75, que tinha reduzido drasticamente os investimentos para o menor nível desde a recessão de 1970 e elevado o desemprego para 9%. Os outros dois anos foram marcados por alta da inflação, juros elevados,Frum, p. 292 falta de petróleo e crescimento econômico lento. Após um crescimento em 1977 e 1978, onde milhões de novos empregos foram criados e a renda da população subiu 5%, houve a crise energética de 1979 que encerrou este período de recuperação, com a inflação e os juros subindo novamente e a economia, geração de empregos e a confiança geral do consumidor declinando acentuadamente.Frum, p. 292 A fraca política monetária adotada pelo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, G. William Miller, havia contribuído para a alta inflacionária, que subira de 5,8% em 1976 para 7,7% em 1978. Neste período, a OPEC aumentou o preço do petróleo bruscamente, o que levou a inflação a subir novamente para 11,3% em 1979 e 13,5% em 1980. A súbita falta de gasolina no verão de 1979 exacerbou o problema e simbolizaria a crise para o público geral, puxando para baixo a popularidade do presidente.

Crise energética miniaturadaimagem|Jimmy Carter sentado na mesa de resolução na Casa Branca, em 1977 Ao final dos anos 70, a economia americana estava em recessão, que entre vários fatores estava ligado a crise no setor energético. Em 18 de abril de 1977, Carter deu um discurso na televisão onde ele declarou que tal crise era equivalente a uma "guerra moral". Ele encorajou os americanos a conservarem energia e instalou painéis solares na Casa Branca.

Relação com o Congresso Carter normalmente se recusava a obedecer às regras de Washington.Zelizer, pp. 53–55 Ele perdia e nunca retornava telefonemas de sua parte. Ele usava insultos verbais e não queria retribuir favores políticos, o que contribuiu para sua falta de capacidade de aprovar leis no Congresso. Durante uma coletiva de imprensa em 23 de fevereiro de 1977, o presidente afirmou ser "inevitável" que ele entrasse em conflito com o Congresso e acrescentou haver encontrado "um senso crescente de cooperação" com os congressistas e se reuniu no passado com membros do Congresso de ambos os partidos. Carter desenvolveu um sentimento amargo após uma tentativa frustrada de fazer o Congresso aprovar o desmantelamento de vários projetos sobre água, que ele havia solicitado durante seus primeiros 100 dias no cargo e recebeu oposição de membros de seu partido. p. 81 Como um racha se seguiu entre a Casa Branca e o Congresso depois, Carter observou que a ala liberal do Partido Democrata era mais veementemente contra suas políticas, atribuindo isso ao desejo de Ted Kennedy de um dia se tornar presidente.Carter, Jimmy Our Endangered Values: America's Moral Crisis, p. 8, (2005), Simon & Schuster

Carter foi, ao longo de sua presidência, tentando melhorar sua relação com o legislativo. Ele afirmou: "Aprendi a respeitar mais o Congresso individualmente. Fiquei favoravelmente impressionado com o alto grau de experiência e conhecimento concentrados que os membros individuais do Congresso podem trazer sobre um assunto específico, onde foram presidentes de um subcomitê ou comitê por muitos anos e concentraram sua atenção neste aspecto particular da vida do governo que eu nunca serei capaz de fazer". Embora Carter, no geral, tenha passado várias de suas propostas pelo Congresso, nenhuma foi muito significativa, e a forma como ele evitava se impor acabou por alimentar a visão de que ele era um presidente "fraco" e sem muita moral, mesmo dentro do seu próprio gabinete.

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