Cesar Epitácio Maia (Rio de Janeiro, ) é um economista e político brasileiro, filiado ao Partido Social Democrático (PSD). Foi prefeito do Rio de Janeiro, sendo um dos que permaneceu mais tempo no cargo, juntamente com Eduardo Paes, somando 12 anos de gestão.

É pai dos gêmeos Daniela Maia e Rodrigo Maia, este deputado federal, ex-presidente nacional do Democratas e ex-presidente da Câmara dos Deputados do Brasil. É também primo do político e ex-senador José Agripino Maia.Istoé - Entrevista com César Maia (explicitando seu parentesco num trecho): visitada em 7 de maio de 2008.

Cesar Maia foi cotado para ser candidato a presidente da República pelo Democratas (DEM) para o pleitos de 2006 e de 2010. Em 2006, renunciou a pré-candidatura. Já em 2010, foi escolhido pela coligação PV, PSDB, PPS e DEM como candidato ao Senado Federal. Em 2012 e 2016, elegeu-se vereador do Rio de Janeiro pelo DEM. Em 2014 voltou a se candidatar ao Senado, mas não foi eleito. Em 2016, foi o terceiro vereador mais votado do Rio de Janeiro.

Nas eleições de 2018, Cesar Maia foi candidato a senador pelo estado do Rio de Janeiro pelo Democratas (DEM). A candidatura do ex-prefeito carioca foi anunciada na convenção estadual do DEM, realizada no dia 29 de julho de 2018 em um hotel na Barra da Tijuca. No mesmo evento, o também ex-prefeito carioca Eduardo Paes foi confirmado como candidato do partido ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. No pleito, Maia obteve 2 327 634 votos (16,67% do total de votos válidos), não se elegendo ao cargo disputado.

Origens, formação e exílio Cesar Epitácio Maia nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 18 de junho de 1945, filho do engenheiro e ex-diretor da Casa da Moeda Felinto Epitácio Maia e de Dalila Maia. Pertence ao clã dos Maia, que tem como ancestral Francisco Alves Maia, português que emigrou para Pernambuco no início do século XVIII. É primo de José Agripino Maia, senador e ex-governador do Rio Grande do Norte.

Estudou no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro do primário ao ensino médio.

Iniciou o curso de Engenharia na Universidade Federal de Ouro Preto, Minas Gerais, e, como militante de esquerda no movimento estudantil, além de pertencer ao Partido Comunista Brasileiro, foi preso depois do golpe de 64 e exilou-se no Chile em 1968, onde conheceu sua esposa, Mariangeles Ibarra, sendo pai de gêmeos. No exílio, estudou Economia na Universidade do Chile, junto com José Serra. Formou-se em Economia em 1972.

Retorno ao Brasil e início da atividade política Retornou ao Brasil em 1973. Como havia processos pendentes na Justiça Militar, foi preso no aeroporto e levado para detenção no Batalhão de Guardas – onde hoje é a sede da Guarda Municipal da Prefeitura do Rio. Após 3 meses, o processo foi arquivado por falta de provas e retomou, gradativamente, a vida profissional e política. Ocupou vários cargos na Cerâmica Klabin, foi professor da Universidade Federal Fluminense e diretor do Sindicato dos Economistas.

Em 1981, filia-se ao PDT e integra o grupo que apoiou Leonel Brizola nas eleições de 1982, cuja integridade do resultado foi garantida quando uma tentativa de fraude eleitoral conhecida como o "escândalo da Proconsult" foi descoberta. Foi convidado por Brizola para ser secretário da Fazenda. Foi também presidente do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj) e da Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários do Estado do Rio de Janeiro (Diverj).

Atividade parlamentar Maia foi eleito deputado federal constituinte nas eleições de 1986 pelo PDT, sendo reeleito em 1990.

Prefeitura do Rio de Janeiro 220px|direita|thumb|Cesar Maia Em 1991, após divergências com Brizola, ingressa no PMDB. Concorreu ao cargo de prefeito do Rio no ano de 1992 e venceu as eleições municipais, derrotando a então deputada Benedita da Silva, (que se tornaria governadora por um ano em 2002) do Partido dos Trabalhadores. Sua primeira administração (1993-1996) foi marcada pela realização de várias obras das quais se destacam o Rio-Cidade,Rio Cidade o Favela-BairroFavela-Bairro e a Linha Amarela.Linha Amarela Promoveu a descentralização administrativa, com a divisão da cidade nas subprefeituras e a subdivisão das regiões administrativas, a criação da Multirio (Empresa Municipal de Multimeios ligada a secretaria de Educação),Multirio da Rede Municipal de TeatrosRede Municipal de Teatros e dá início à criação das primeiras ciclovias do Brasil.

Em 1995, Maia foi admitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à Ordem do Mérito Militar no grau de Comendador especial.

Em 1996, Cesar Maia, então no PFL, lança como candidato a sua sucessão o seu secretário de Urbanismo, o arquiteto Luiz Paulo Conde. Este vence o pleito municipal com apoio ostensivo de Maia. Em 1998, Cesar é derrotado por Anthony Garotinho na corrida para o governo estadual. Em 1999, Conde rompe com Cesar Maia. No ano seguinte, Maia disputa e conquista pela segunda vez a prefeitura carioca, desta vez pelo PTB, derrotando o seu ex-aliado Conde pelo PFL.

Em seu segundo mandato, dá início à construção da Cidade do Samba,Cidade do Samba das "Vilas Olímpicas",Vilas Olímpicas do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas",Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas das "Escolas Padrão"Escolas Padrão e da construção do Hospital de Acari.Hospital de Acari Durante esse período, Maia não repetiu os programas Rio-Cidade, que foi aprovado e tampouco o Favela-Bairro, reprovado pelos cariocas; manteve apenas a expansão das ciclovias e ciclofaixas. De volta ao PFL, é reeleito em 2004 no primeiro turno para cumprir seu terceiro mandato, algo inédito na história da cidade.

No terceiro mandato (2005–2008), Cesar construiu o Museu CósmicoPlanetário de Santa Cruz e equipamentos esportivos visando os Jogos Panamericanos de 2007, como o Parque Aquático Maria Lenk,Parque Aquático Maria Lenk o Estádio Olímpico João Havelange (atualmente conhecido como Estádio Nilton Santos), o Velódromo Municipal do Rio (o primeiro do Brasil), e a HSBC ArenaArena do Rio (a única posteriormente privatizada); assim como a Cidade das Artes.

Pós-prefeitura Nas eleições de 2008, Maia indicou Solange Amaral para a sucessão. No entanto, Solange somente conquistou um 6º lugar com apenas 3,9% dos votos. Em 2010, tentou concorrer a uma das duas vagas do Senado Federal, onde chegou ao 4º lugar com 11% dos votos.César Maia fica em quarto lugar na eleição para Senador em 2010 Em 2012, Cesar Maia se elegeu vereador, pelo partido Democratas (DEM) na cidade do Rio de Janeiro,Página oficial de Cesar Maia sendo eleito para a Câmara de Vereadores.Cesar Maia agora é vereador Em novembro de 2013, Cesar Maia foi condenado por improbidade administrativa pela 3ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça. Em setembro de 2014, uma liminar no STJ suspendeu a decisão do judiciário fluminense.

Críticas César Maia é muito elogiado pelas realizações de seu primeiro mandato de 1993 a 1996, onde realizou grandes obras como a Linha Amarela e o Rio Cidade. Porém, nos outros 2 mandatos, entre 2001 e 2008, sofreu criticismos crescentes. miniaturadaimagem|183x183px|Logotipo da prefeitura enquanto era prefeito Em 2007, o Ministério Público Estadual decidiu responsabilizar o município do Rio e o prefeito Cesar Maia por não ter barrado a favelização do Morro Dois Irmãos.César Maia resposabilizado por aumento de favelização no Rio

Nos Jogos Pan-Americanos de 2007, várias obras atrasaram, sendo inauguradas a poucos dias dos Jogos ou mesmo sendo adiadas para depois do evento. Houve acusações de que as obras teriam sido atrasadas de propósito para que fossem dispensadas as licitações, o que facilitaria desvio de dinheiro público.

Em 2008, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal. Também neste ano, com a decisão do STF de proibir o nepotismo no Brasil, Cesar Maia transformou uma subsecretaria em secretaria para manter sua irmã na prefeitura do Rio de Janeiro, de acordo com exceção para cargos de ministro e secretário para tal proibição.Cesar Maia cria secretaria para não demitir irmã e deve usar estratégia com sobrinho

No geral, as ruas da capital foram deixadas em péssimo estado de conservação por Cesar Maia, o que obrigou a prefeitura posterior a realizar muitas obras de conservação. 98% das ruas do Rio de Janeiro foram avaliadas como tendo asfalto regular, ruim ou péssimo, em 2009.César Maia diz que freou gastos com conservação da cidade

Outra obra bastante polêmica da última gestão Cesar Maia foi a Cidade da Música. A obra foi considerada excessivamente cara, além de haver suspeitas de superfaturamento. Apesar de ter sido inaugurada em 2008 por Cesar Maia, não foi concluída de verdade por ele, embora tenham sido gastos mais de R$ 473 milhões.Secretário municipal de Cultura diz que Cidade da Música ficará pronta em julho O Globo - 8 de abril de 2011

Presença na internet Entre agosto e outubro de 2005, manteve um blog, em que dava suas opiniões sobre política interna e externa. Atualmente, mantém o chamado "Ex-Blog", um boletim eletrônico distribuído para e-mails que podem ser cadastrados no endereço do blog. Cesar Maia tem feito utilização extensiva de meios de comunicação digitais, sendo um dos pioneiros na política brasileira na utilização do twitter@CesarMaia no twitter e o formspringcesarmaia no formspring como canais de comunicação.

Em junho de 2024, César Maia apareceu em uma reunião virtual da Câmara Municipal do Rio de Janeiro sem calças, sentado no que parece ser um vaso sanitário.

Controvérsias Acusações de improbidade administrativa em obras Cidade das Artes thumb|left|240px|Vista aérea da Cidade das Artes Em 2009, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra Cesar Maia, quatro outros agentes públicos e quatro empreiteiras. Na época, os promotores solicitavam a devolução de R$ 1 milhão por parte de Maia, além da cassação de seus direitos políticos por oito anos. A ação apura supostas irregularidades na construção da Cidade das Artes, situado no bairro carioca da Barra da Tijuca. A obra, que teve um orçamento inicial de R$ 80 milhões, teria custado no final R$ 490 milhões segundo o processo.

Também em 2009, o relatório final de uma CPI na Câmara Municipal do Rio de Janeiro que apurou denúncias acerca de irregularidades no projeto da Cidade das Artes apontou que a falta de recursos orçamentários provocou diversos atrasos e paralisações nas obras do complexo, acarretando na necessidade de aditivos e de reajustes de preços. Segundo o relatório, pelo menos R$ 114 milhões foram gastos por consequência das várias paralisações ocorridas por falta de recursos.

Igreja de São Jorge Em 2012, a 13ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) condenou Cesar Maia por improbidade administrativa ao considerar procedente uma ação referente à construção da Igreja de São Jorge, situada no bairro carioca de Santa Cruz. A ação original havia sido proposta pela 5ª Promotoria de Tutela Coletiva do Rio de Janeiro. A Vara havia entendido que a obra da igreja, realizada em 2005, fora financiada indevidamente com recursos públicos. O ex-prefeito carioca contestou na época a decisão alegando que era comum governos aplicarem recursos em obras de templos religiosos. Em maio de 2014, a 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro confirmou a condenação de Maia, decisão cujo acórdão fora publicado no dia 14 de julho de 2014 pelo relator do processo no TJ-RJ.