Mantophasmatodea é uma ordem de insetos descoberta no ano de 2002 pelo entomólogo alemão Oliver Zompro, do Instituto Max Planck de Limnologia. Foram apelidados de gladiadores, devido à "armadura" que cobre estes insetos no estágio de ninfa.

Suas relações filogenéticas mais próximas podem ser com Grylloblattodea e/ou Phasmatodea, mas a evidência morfológica é ambígua.

Habitam o oeste da África do Sul e Namíbia (maciço de Brandberg). Porém, fósseis do Eoceno sugerem uma distribuição mais ampla no passado.

A ordem foi descrita inicialmente a partir de cinco espécimes vivos encontrados na Namíbia e Tanzânia (Mantophasma zephyra e M. subsolana) e de um espécime fóssil do âmbar proveniente de uma coleção da University of Hamburg (Alemanha) e retirado do Mar Báltico, datado de 45 milhões de anos (Rhaptophasma kerneggeri).

História da Ordem esquerda|miniaturadaimagem|288x288px|Figura 1: MantophasmatodeaSão indivíduos de difícil classificação, já que possuem uma mistura de características morfológicas de ordens diferentes. São facilmente confundidos com ninfas de louva-a-deus, apesar de não possuírem patas dianteiras raptoriais; diferem dos bichos-pau pelo hábito alimentar (são carnívoros, ao passo que os bichos-pau são herbívoros); não possuem apêndices especializados para pular como gafanhotos e grilos possuem, além de terem o órgão ovipositor e caracteres do tórax diferentes do que esses dois grupos.

Espécimes de Matophasmatodea já haviam sido coletados, montados e abrigados em coleções de museus há anos, porém eram classificados como ninfas de louva-a-deus. Em 1890, 5 indivíduos foram coletados por um museu sul-africano. Louis Albert Péringuey, taxonomista desse mesmo museu, examinou-os e chegou à conclusão de que eram de um novo gênero e espécie, mas não se sabe até hoje em que Ordem Louis os teria colocado, já que nunca foram formalmente classificados. Como consequência, foram engavetados juntos a outros louva-a-deus não identificados durante mais de 100 anos. No entanto, uma pesquisa recente redescobriu esses espécimes e os classificou corretamente após coletarem indivíduos vivos e chegarem a conclusão de que pertenciam a uma nova Ordem: Mantophasmatodea. Essa Ordem foi oficialmente descrita em 2002.

Morfologia miniaturadaimagem|375x375px|Figura 2: Esquema do Corpo de um Mantophasmatodea. 1: Cabeça (1a: Olhos); 2: Tórax (2a: Protórax; 2b: Mesotórax; 2c: Metatórax); 3: Abdome; 4: Antenas; 5: Pernas; 6: Euplantulae; 7: Arólio. Mantophasmatodea podem ser facilmente confundidos com juvenis de louva-a-deus (ordem Mantodea), bicho-pau (ordem Phasmatodea), ou gafanhotos (ordem Orthoptera). Os adultos têm por volta de 2 a 3 centímetros de comprimento e são ápteros, ou seja, não possuem asas.

Superficialmente, eles se parecem com uma ninfa de louva-a-deus (que não tem asas nesse estágio), exceto pelo fato de não possuírem pernas raptoriais bem desenvolvidas e apresentarem antenas mais longas, com uma dobra terminal. A cabeça dirigida para baixo e o hábito alimentar os distinguem dos bichos-pau.

Mantophasmatodea não têm pernas traseiras saltatórias como a maioria dos gafanhotos e grilos, mas são tecnicamente separados de Orthoptera com base nos caracteres presentes no tórax e ovipositor. Sua notável semelhança com estágios juvenis de outras ordens de insetos é provavelmente o motivo pelo qual essa nova ordem foi negligenciada por muitos anos. Os espécimes vivos, no entanto, são facilmente reconhecidos pelo seu hábito de manter o último segmento do tarso (segmento mais distal da perna, ligado à tíbia, articulado, constituído por artículos denominados tarsômeros. Ver figura 3) e o arólio (estrutura eversível que auxilia a aderência do inseto ao substrato. Ver figura 4) no ar, sem entrar em contato com o substrato. alt=editar|esquerda|miniaturadaimagem|271x271px|Figura 3: Perna de um inseto. 1: Coxa; 2: Trocânter; 3: Fêmur; 4: Tíbia; 5: Tarso (5a-e: Tarsômeros); 6: Pré-tarso (onde estão localizados o arólio e as garras) Possuem três pares de pernas, corpo e extremidades espinhosas (Ver figura 2). A cabeça é hipognata (peças bucais estão voltadas para baixo), triangular em aspecto anterior e com bordas arredondadas, e o aparelho bucal é do tipo mastigador. Possuem mandíbulas com dois ou três dentículos (dentes pequenos) em área molar e olhos proeminentes em forma de rim, além de duas antenas longas, filiformes, multissegmentadas e ocelos (estrutura localizada na face dorsal da cabeça, anteriormente, responsável pela captação de luz) ausentes.

O tórax dos insetos é dividido em três partes: protórax (1º segmento do tórax, ligado à cabeça, onde está inserido o primeiro par de pernas), mesotórax (2º segmento do tórax, onde se encontra o segundo par de pernas e o primeiro par de asas, quando presentes) e o metatórax (3º segmento do tórax, ligado ao abdome, onde estão situados o terceiro par de patas e o segundo par de asas, quando presentes). Em Mantophasmatodea, cada parte dessas é sobreposta à seguinte (Ver figura 2).

O protórax e o mesotórax são hexagonais na fase adulta. O protórax possui margens anteriores com dois grandes espinhos sub-lateralmente e dois menores submedialmente. As margens laterais possuem dois grandes espinhos medialmente e dois pequenos posteriormente. A margem posterior é sobreposta à margem anterior do mesotórax, com seis grandes espinhos. O mesotórax é tão longo quanto o protórax, com uma linha mais escura medialmente. Sua margem anterior fica oculta abaixo da margem posterior do protórax. A margem lateral possui um espinho anteriormente e um posteriormente. Há dois grandes espinhos adjacentes às margens medialmente. A margem posterior possui seis grandes espinhos. O metatórax é consideravelmente mais curto do que o mesotórax. A margem anterior não contém espinhos, e se encontra escondida abaixo da margem posterior do mesotórax. A margem lateral possui um espinho pequeno. As pernas são espinhosas, com garras dirigidas para fora. miniaturadaimagem|377x377px|Figura 4: Esquema da Perna de um Mantophasmatodea. Note a posição do arólio, voltada para cima e sem encostar no substrato. À direita, imagem aproximada do arólio e euplantulae em aspecto ventral. As asas são totalmente ausentes e as coxas, alongadas. Tarso com 5 tarsômeros (Ver figura 3), sendo 4 basais com euplantulae (Ver figura 4), que são como “almofadas de calcanhar” ou "almofadas de fricção" especializadas que produzem tração quando pressionadas contra o substrato. Possuem um arólio (estruturas adesivas que aderem ao substrato quando ativadas por forças de tração, em forma de almofada, entre as garras ou unhas de alguns insetos. Ver figura 4) pré-tarsal muito grande, com fileiras de cerdas longas.

Os segmentos abdominais vão aumentando do I ao VI e diminuindo do VII ao VIII, em comprimento e largura. O segmento I possui uma fileira de quatro grandes espinhos posteriormente. Dos segmentos II ao VI há quatro grandes espinhos posteriores e um grande espinho sub-medial, que vão diminuindo em tamanho nos seguintes segmentos.

As ninfas desses insetos são menores, mas as proporções do corpo e extremidades não mostram notável diferenças para os adultos. Os espinhos nas extremidades e no corpo não são produzidos nos estágios iniciais de ninfas e aumentam de tamanho a cada muda. No estágio anterior à maturidade, os espinhos são quase produzidos como nos adultos. O tórax é mais trapezoidal entre as ninfas jovens e as quase adultas; a forma hexagonal torna-se distinta nas últimas quatro mudas. Nos machos, a furca do cerco (apêndice unitário ou em par, localizado no final do abdome, normalmente com função sensorial) torna-se visível nas três etapas anteriores à maturidade.

As diferenças mais óbvias entre os sexos estão na estrutura da genitália externa. A fêmea tem um ovipositor complicado, enquanto o macho tem estruturas fálicas internas e cercos bem desenvolvidos, que são usados como cláspers (estrutura em insetos machos usada para segurar a fêmea durante a cópula). O abdômen feminino é mais largo no meio (onde os ovários estão situados) em contraste com o do macho, que é mais largo perto da ponta. Os machos são consideravelmente menores e sempre mais delgados que as fêmeas. esquerda|miniaturadaimagem|306x306px|Figura 5: Mantophasmatodea conhecido como "Gladiador". É possível observar os espinhos nas extremidades e nos segmentos, a segmentação do tórax (protórax, mesotórax, metatórax, da esquerda para a direita) e do abdômen. Ambos os sexos possuem um arólio muito grande no pré-tarso de todas as pernas, que se encontram, junto ao 5º tarsômero, em posição ereta (virados para cima e para fora do substrato); esta posição altamente característica é bastante singular entre os insetos. Estudos demonstraram que os arólios raramente são usados para caminhar e não são necessários para produzir, detectar ou responder a sinais de comunicação vibracional. Observa-se o uso do arólio quando é necessária força de adesão adicional, ou seja, para aderir a superfícies lisas, estabilizar sua posição após o pouso ou no manuseio de grandes presas. A adesão eficaz é provida por secreções produzidas em glândulas epiteliais existentes nessas estruturas. A produção de secreção é tipicamente consumidora de energia, o que pode ser uma razão para manter o arólio em uma posição ascendente quando não estiver em uso.

Várias espécies exibem polimorfismo cromático com espécimes na mesma população, variando dramaticamente na cor. Por exemplo, a população de Austrophasma caledonensis (África do Sul) contém espécimes que variam de marrom a verde e branco a verde, e as populações de Austrophasma gansbaaiensis e Lobophasma redelinghuysensis podem ter morfos verdes e marrons. Há excelente correspondência de substrato, já que as espécies com morfos verdes ocupam a vegetação mais esverdeada como pradarias, e as formas cinzentas ou pardas ocorrem em áreas mais áridas. Tanto machos como fêmeas exibem todos os morfos de cor. A camuflagem é importante para esses pequenos predadores, que são vulneráveis ao ataque de várias aves, lagartos e outros insetos que ocorrem no mesmo microhabitat.

Ecologia São insetos carnívoros tanto com hábito noturno como diurno, dependendo da espécie. Espécies sul-africanas são noturnas, enquanto as da Namíbia são diurnas.

Esse grupo está presente em micro habitats com grande densidade de artrópodes. Enquanto não estão no seu período ativo (de procura de alimentos) ficam escondidos em rochas e vegetações rasteiras (onde se camuflam muito bem para impedir que sejam predados), acenando suas antenas continuamente de maneira similar a baratas, ou seja, ambas antenas se movem alternadamente para cima e para baixo. Já a cintilação da antena foi observada em contato com um parceiro sexual em potencial ou com uma presa. Esse comportamento indica uso intensivo de sinais químicos.

Hábito Alimentar Os chamados gladiadores caçam presas de diversos tipos, que podem variar desde moscas, baratas, grilos, pequenas mariposas, aranhas até traças e animais tão grandes quanto eles. Podem até mesmo praticar canibalismo. Eles utilizam o primeiro par de pernas, espessas e com espinhos, para lutar com as suas presas e capturá-las. Quando a sua presa é maior, pode segurá-la ao mesmo tempo com o seu segundo par de pernas, também portador de espinhos (gafanhotos carnívoros utilizam uma técnica de caça com os primeiros dois pares de pernas de maneira parecida). Quando caçam moscas, atacam primeiramente seus pescoços com fortes mordidas e devoram suas cabeças antes de qualquer outra parte do corpo. Eles devoram suas presas por inteiro, evitando apenas as asas e os apêndices.

Comportamento Sexual