O bolívar é a moeda oficial da Venezuela. Nomeado em homenagem ao herói da independência sul-americana Simón Bolívar, foi introduzido pelo presidente Antonio Guzmán Blanco por meio da reforma monetária de 1879, antes da qual o venezuelano circulava. Devido à sua dependência de décadas ao padrão-prata e aos padrões-ouro e, posteriormente, a um câmbio fixo com o dólar dos Estados Unidos, foi por muito tempo considerado uma das moedas mais estáveis.
Desde 1983, a moeda passou por um período prolongado de alta inflação, perdendo quase 500 vezes seu valor em relação ao dólar americano no processo. A desvalorização tornou-se controlável em meados dos anos 2000, mas ainda se manteve em dois dígitos. Foi então, em 1º de janeiro de 2008, que o bolívar forte (bolívar fuerte em espanhol, símbolo: Bs.F, código: VEF) substituiu o bolívar original (símbolo: Bs; código: VEB) à taxa de Bs.F 1 para Bs. 1.000 (a abreviação Bs. se deve à primeira e à última letra da forma plural do nome da moeda, bolívares).
O valor do bolívar forte, atrelado ao dólar, não se manteve estável por muito tempo apesar das tentativas de instituir controle de capitais. A Venezuela entrou em outro período de inflação anormalmente alta em 2012, do qual o país não saiu . O banco central manteve a taxa de câmbio oficial subsidiada até janeiro de 2018, que estava supervalorizada, de modo que as pessoas começaram a usar taxas de câmbio paralelas, apesar da proibição de publicá-las. De 2016 a 2019 e novamente em 2020, a moeda sofreu hiperinflação por um período total de 38 meses.
A inflação galopante levou a outras duas redenominações. A primeira ocorreu em agosto de 2018, quando Bs.F 100.000 foram trocados por 1 bolívar soberano (bolívar soberano em espanhol, símbolo: Bs.S, código: VES). A segunda, chamada de "nueva expresión monetaria" ou nova expressão monetária, ocorreu em 1º de outubro de 2021, quando Bs.S 1.000.000 foram trocados por 1 bolívar digital (bolívar digital em espanhol, símbolo: Bs.D, código: VED), tornando, assim, um bolívar digital equivalente a 100.000.000.000.000 (1014, ou Bs. 100 trilhões na escala curta) dos bolívares pré-2008.
Tanto o Bs.S quanto o Bs.D estão oficialmente em circulação, embora a economia tenha passado por extensa substituição de moeda, de modo que a maioria das transações ocorre em dólares americanos e euros, ou, em menor grau, pesos colombianos. Bens e serviços na Venezuela são principalmente precificados em dólares americanos, mas os pagamentos podem ser feitos em bolívares. História
Bolívar
O bolívar recebe seu nome do herói da independência sul-americana Simón Bolívar. Foi introduzido pelo presidente Guzmán Blanco, que, cerca de cem anos após o nascimento de Simón Bolívar, empreendeu vários projetos para homenagear sua contribuição à história venezuelana. A moeda apareceu na Lei Monetária de 1879, substituindo o efêmero venezuelano na taxa de cinco bolívares por um venezuelano. Inicialmente, o bolívar foi definido no padrão-prata, equivalente a 4,5 g de prata fina, seguindo os princípios da União Monetária Latina. A lei monetária de 1887 tornou o bolívar-ouro de curso legal ilimitado, e o padrão-ouro entrou em plena operação em 1910. A Venezuela abandonou o ouro em 1930 e, em 1934, a taxa de câmbio foi fixada em relação ao dólar dos Estados Unidos na taxa de Bs 3,914 = US$ 1, reavaliada para Bs 3,18 = US$ 1 em 1937, taxa que durou até 1941. Até 18 de fevereiro de 1983 (hoje chamado de Sexta-feira Negra por muitos venezuelanos), o bolívar havia sido a moeda mais estável e aceita internacionalmente da região. Depois disso, sofreu forte desvalorização.
Controles cambiais foram impostos em 5 de fevereiro de 2003 para limitar a fuga de capitais. A taxa foi atrelada ao dólar a uma taxa de câmbio fixa de Bs 1.600 por dólar. Bolívar forte
O governo anunciou em 7 de março de 2007 que o bolívar seria re-denominado na proporção de 1.000 para 1 em 1.º de janeiro de 2008 e renomeado para bolívar forte, numa tentativa de facilitar as transações e a contabilidade. O novo nome significa literalmente "bolívar forte", como em moeda forte, e faz referência a uma antiga moeda chamada peso forte que valia 10 reais espanhóis. O sentido alternativo de "forte" também foi usado pelo governo em material promocionaltelevision advertisements Bolivar Fuerte Bs.F para a nova moeda repetidamente usam "fuerte" no sentido de "forte", como em "Una economía fuerte" (uma economia forte) e "¡Aquí hay fuerza!" (Aqui há força!) A taxa de câmbio oficial é restrita a indivíduos pela CADIVI, que impõe um limite anual ao montante disponível para viagens.thumb|400px|Inflação representada pelo tempo que levaria, em anos, para o dinheiro perder 90% de seu valor (média móvel de 301 dias, escala logarítmica invertida).|alt=|left
Desde que o governo de Hugo Chávez estabeleceu controles cambiais rígidos em 2003, houve uma série de cinco desvalorizações da moeda, causando disrupções na economia. Em 8 de janeiro de 2010, o valor foi alterado pelo governo da taxa fixa de Bs.F 2,15 para Bs.F 2,60 para algumas importações (certos alimentos e produtos de saúde) e Bs.F 4,30 para outras importações como carros, petroquímicos e eletrônicos. Em 4 de janeiro de 2011, a taxa fixa passou a ser Bs.F 4,30 por US$ 1,00 para ambos os setores da economia. Em 13 de fevereiro de 2013, o bolívar forte foi desvalorizado para Bs.F 6,30 por US$ 1 numa tentativa de conter os déficits orçamentários. Em 18 de fevereiro de 2016, o presidente Maduro utilizou os poderes econômicos recém-concedidos para desvalorizar a taxa oficial de câmbio do bolívar forte de Bs.F 6,30 por US$ 1 para Bs.F 10 por US$ 1, o que representou uma depreciação de 37% em relação ao dólar.
O bolívar forte entrou em hiperinflação em novembro de 2016. Em 26 de janeiro de 2018, o governo aposentou a taxa de câmbio protegida e subsidiada de Bs.F 10 por US$1, que estava altamente sobrevalorizada como resultado da inflação galopante. Em 5 de fevereiro de 2018, o Banco Central da Venezuela anunciou uma desvalorização, com a taxa de câmbio passando para Bs.F 25.000 por US$. Isso fez do bolívar forte a segunda moeda circulante de menor valor no mundo com base na taxa de câmbio oficial, atrás apenas do Rial iraniano, e entre setembro de 2017 e agosto de 2018, de acordo com a taxa de câmbio informal, o bolívar forte foi a unidade monetária de menor valor no mundo.
A taxa de câmbio oficial estava em Bs.F 248.832 por US$1 em 10 de agosto de 2018, tornando-a a moeda circulante de menor valor do mundo com base nas taxas de câmbio oficiais.
Em junho de 2018, o governo autorizou uma nova taxa de câmbio para compra, mas não para venda, de moeda estrangeira. Em 13 de agosto de 2018, a taxa estava em Bs.F 4.010.000 por US$1, segundo a ZOOM Remesas. Bolívar soberano
Em 22 de março de 2018, o presidente Nicolás Maduro anunciou um novo programa de reforma monetária, com uma reavaliação planejada da moeda na proporção de 1.000 para 1. A mudança deveria entrar em vigor em 4 de junho de 2018.
Em maio de 2018, o governo exigiu que os preços fossem expressos tanto em bolívares fortes quanto em bolívares soberanos na então planejada taxa de 1.000 para 1. Por exemplo, um quilograma de macarrão era mostrado com o preço de Bs.F 695.000 e Bs.S 695. Os preços expressos na nova moeda foram arredondados para os 50 cêntimos mais próximos, pois se esperava que esta fosse a menor denominação em circulação no lançamento. O arredondamento criou dificuldades porque alguns itens e quantidades de venda tinham preços significativamente inferiores a Bs.S 0,50; por exemplo, um litro de gasolina e um bilhete do Metrô de Caracas custavam tipicamente Bs.S 0,06 e Bs.S 0,04, respectivamente.
thumb|left|Presidente Nicolás Maduro anunciando a redenominação do bolívar venezuelano em 17 de agosto de 2018. A mudança de moeda foi originalmente programada para 4 de junho de 2018. O presidente adiou a data de lançamento de junho do bolívar soberano, citando Aristides Maza: "o período estabelecido para realizar a conversão não é suficiente". A reavaliação foi remarcada para 20 de agosto de 2018, e a taxa alterada para 100.000 para 1, com os preços sendo exigidos a serem expressos na nova taxa a partir de 1º de agosto de 2018.
Em 20 de agosto de 2018, o governo Maduro lançou a nova moeda bolívar soberano, com Bs.S 1 valendo Bs.F 100.000. Novas moedas nas denominações de 50 cêntimos e Bs.S 1, e novas cédulas nas denominações de Bs.S 2, Bs.S 5, Bs.S 10, Bs.S 20, Bs.S 50, Bs.S 100, Bs.S 200 e Bs.S 500 foram introduzidas. Sob o sistema de câmbio fixo do país em relação ao dólar americano, a nova moeda foi desvalorizada em cerca de 95% em comparação ao antigo bolívar forte. O dia foi declarado feriado bancário para permitir que os bancos se ajustassem à nova moeda. Inicialmente, durante um período de transição, o bolívar soberano deveria circular juntamente com o bolívar forte. No entanto, desde o início da transição, em 20 de agosto, notas de bolívar forte de Bs.F 500 ou menos não podiam mais ser usadas; apenas depositadas nos bancos. Concomitantemente ao lançamento da nova moeda, o salário mínimo foi elevado para Bs.S 1.800 por mês,Venezuela just devalued the bolivar by 95% and pegged it to a cryptocurrency - Business Insider um aumento de 33 vezes, e a alíquota padrão do Imposto sobre o valor agregado foi elevada de 12% para 16%.
Além disso, previa-se que o bolívar soberano tivesse uma taxa de câmbio fixa com a criptomoeda petro, na proporção de Bs.S 3.600 por um petro; um atrelamento entre o petro e o bolívar soberano foi anunciado por Maduro já em agosto de 2018. Supostamente, o petro estaria atrelado ao preço de um barril de petróleo (cerca de US$ 60 em agosto de 2018).
No fim de agosto de 2018, não havia evidências de que a criptomoeda estivesse sendo negociada. O petro foi considerado por muitos um golpe.
Em 15 de janeiro de 2024, o Petro foi encerrado e quaisquer saldos remanescentes foram liquidados.
Após a introdução do bolívar soberano, a inflação subiu de 61.463% em 21 de agosto de 2018 para 65.320% em 22 de agosto de 2018. Em 24 de agosto de 2018, a introdução do bolívar soberano não havia impedido a hiperinflação. Segundo o analista de inflação Steve Hanke, entre 18 e 21 de agosto de 2018, a taxa de inflação aumentou de 48.760% para 65.320%. Em outubro de 2021, o país removeu seis zeros de sua moeda ao adotar uma versão mais recente do sistema monetário, em um projeto conhecido como ("Nova Expressão Monetária").
Bolívar digital O bolívar digital foi introduzido em 1º de outubro de 2021 na proporção de Bs.S 1.000.000 para 1 bolívar digital. Desde o anúncio, o Banco Central tem usado a abreviação "Bs." (isto é, não "Bs.D") em exemplos de preços marcados em bolívares digitais.
O bolívar digital não substituiu o bolívar soberano, uma vez que as cédulas do bolívar soberano continuaram a ser aceitas à razão de 1 milhão para 1.Venezuela - New banknotes denominated in bolívares "digitales" in October. Por exemplo, a cédula de Bs.S 500.000 vale 0,50 bolívar digital, quantia que também pode ser referida como 50 cêntimos de um bolívar digital.
De 1º de outubro de 2021 até 27 de abril de 2022, os estabelecimentos foram obrigados a exibir preços tanto em bolívares soberanos quanto em bolívares digitais, Mas, em 2024, tornou-se mais comum ver preços afixados em "REF" (ou "Ref", "ref", etc.), abreviação de , representando um preço em dólares dos Estados Unidos, que os clientes podem pagar em bolívares digitais e/ou soberanos à taxa de câmbio vigente publicada pelo banco central.
Em 2025, houve uma reversão notável da dolarização da economia fora de pontos turísticos, com mais de 80% das transações no país sendo realizadas em bolívares. O estoque de dólares em espécie caiu de US$ 8 bilhões em novembro de 2024 para US$ 5 bilhões em abril de 2025. A desvalorização da moeda foi retomada, com a taxa oficial superando 100 bolívares por dólar em junho de 2025. Mercado cambial paralelo