Conde de Vila Flor é um título nobiliárquico de Portugal que teve duas criações, ambas no Século XVII. O título reporta-se ao antigo concelho de Vila Flor, no Alto Alentejo, hoje integrado na Freguesia de Amieira do Tejo do Município de Nisa.
1.ª Criação (1606) O título de Conde de Vila Flor foi primeiro criado por D. Filipe I de Portugal, II de Espanha, por Carta Régia de 14 de Julho de 1606, a favor de Luis Enríquez de Almansa, filho de Juan Enríquez de Almansa, 2.º marquês de Alcañices. O Conde era espanhol de origem e casando com Joana Quaresma, uma fidalga portuguesa, passou a Portugal, onde viveu até 1640, porquanto tomou partido pelos espanhóis aquando da Restauração e voltou a Espanha. Posteriormente o novo Rei D. João IV declarou vago o título.
Titulares Luis Enríquez de Almansa, 1.º Conde de Vila Flor
2.ª Criação (1661) O título de conde de Vila Flor foi novamente instituído em 1659, por Decreto, e confirmado em 23 de Julho de 1661, em plena Guerra da Restauração, por Carta Régia de Rainha-Regente D. Luísa de Gusmão, em nome de seu filho D. Afonso VI, a favor do fidalgo D. Sancho Manuel de Vilhena e tornado de juro e herdade em favor do 2.º Conde D. Cristóvão.
Titulares D. Sancho Manuel de Vilhena (1610–1677), 1.º Conde de Vila Flor, General vencedor do Ameixial, Vice/Rei do Brasil. D. Cristóvão Manuel de Vilhena (1640–1704), 2.º Conde de Vila Flor Martim de Sousa Meneses (1670–1733), 3.º Conde de Vila Flor Luís Manuel de Sousa e Meneses (1700–1752), 4.º Conde de Vila Flor, usou o título, por mercê régia, ainda em vida de seu pai António Francisco de Paula Manuel de Sousa e Meneses (1725–1791), 5.º Conde de Vila Flor, Marechal e Campo, Governador de Pernanbuco. António de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha (1765–1795), 6.º Conde de Vila Flor Marechal António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha (1792–1860), 7.º Conde de Vila Flor, 1.º marquês de Vila Flor e 1.º Duque da Terceira de juro e herdade e com Honras de Parente, Presidente do Conselho de Ministros, Marechal. D. Cristóvão da Costa Freire Manoel de Vilhena de Saldanha, legitimista, primo do anterior Conde, Senhor de Pancas e da Zibreira, Alcaide-Mor de Alegrete, 8.º representante do título e das Casas Vila Flor-Terceira e Alpedrinha. D. Salvador Manoel de Vilhena, legitimista, Juiz Desembargador aposentado com Honras de Conselheiro, Senhor de Pancas e 9.º representante do título e das Casas Vila-Flor-Terceira e Alpedrinha. D. Tomás Maria Martinho de Almeida Manoel de Vilhena, 8.º Conde de Vila Flor, Senador, Deputado, Governador Civil do Funchal e de Braga. D. Francisco Maria Martinho de Almeida Manoel de Vilhena, 9.º Conde de Vila Flor, 2.º Conde de Alpedrinha. Morou no Palácio Vila Flor à Costa do Castelo, Professor de Agronomia, Chefe de Gabinete do Ministro da Agricultura, Bailio da Ordem de Malta. D. Maria Luísa da Conceição de Almeida Manoel de Vilhena, 10.ª Condessa de Vila Flor, 2.ª Duquesa da Terceira e 3ª Condessa de Alpedrinha; Condessa de Azarujinha, de cortesia, pelo casamento com Jaime Augusto Lasso de la Vega Dias de Freitas, Assessora do Prof. Cavaco Silva. D. Francisco Xavier Manoel de Vilhena Dias de Freitas, 11.º Conde de Vila Flor, Conde de Azarujinha, Duque da Terceira, Cavaleiro. D. Lourenço da Bandeira Manoel de Vilhena de Freitas, 12.º Conde de Vila Flor e 4.º Duque-Parente da Terceira, de juro e herdade, 6.º Conde de Azarujinha e 4.º Conde de Alpedrinha, Professor de Direito.
História D. Sancho Manuel de Vilhena (1610–1677), Senhor e elevado à Grandeza como 1.º Conde de Vila Flor.
D. Sancho Manuel, 1.º Conde, descendia por legítima varonia de Don Juan Manuel de Villena, Mordomo-mor do Imperador Carlos V e cavaleiro do Tosão de Ouro, descendente também por varonia de D. Henrique Manuel de Vilhena, Conde de Seia e Sintra, meio-irmão de D. Constança Manuel, casada com o Rei D. Pedro I de Portugal. Este era por sua vez neto do Infante Manuel e filho de João Manuel de Castela, Príncipe de Vilhena e Duque de Escalona e Penafiel, Regente de Castela, escritor, o autor do célebre El conde Lucanor, e por seu turno bisneto de Fernando III de Castela e Beatriz da Suábia, filha do Imperador do Sacro-Império Romano-Germânico, Rei dos Romanos, e neta de Inácio Angelo, Imperador Romano do Oriente, alegadamente remotamente descendente do Imperador Constantino e seu sucessor na Grão-Mestrado da Ordem Constantiniana.
Serviu na Guerra da Restauração como Mestre de Campo General (posto hoje equivalente a Tenente-General), Governador das Armas (posto equivalente a Marechal) da Província do Alentejo e Comandante-Chefe das forças portuguesas, tendo sido vencedor da batalha do Ameixial em 1663, e tendo-se destacado ainda na Batalha das Linhas de Elvas em 1659. Foi nomeado Vice-Rei do Brasil, falecendo antes de tomar posse do cargo e foi do Conselho de Estado e da Guerra, Governador da Relação do Porto e da Torre de Belém. Era senhor de Vila Flor, Alcaide-Mor de Alegrete, Comendador de Santa Maria de Pernes e ainda senhor das comendas de S. Nicolau de Celorico de Basto, de Santo Adrião, de Penafiel, e de Santa Maria do Marmeleiro e ainda anteriormente a comenda das Maças de D. Maria. Pelo seu casamento com Ana de Noronha, filha de Gaspar de Faria Severim, Secretário de Estado das Mercês, e depois Secretário de Estado, Executor-Mor do Reino, Marquês de Souvré em França por mercê de Luis XIV em 1659, veio a herdar a família a casa Severim de Noronha. Morou no Palácio de Arroios.
D. Cristóvão Manuel de Vilhena (1640–1704), 2.º Conde de Vila Flor, tornando-se o título de juro e herdade, morou no Palácio de Arroios, Senhor de Vila Flor, Senhor da Zibreira, Alcaide-Mor de Alegrete e Comendador de Santa Maria de Pernes, de S. Nicolau de Celorico de Basto, de Santo Adrião, de Penafiel, e de Santa Maria do Marmeleiro e ainda anteriormente a comenda das Maças de D. Maria.
Foi igualmente militar, com a patente de coronel, e foi um dos toureiros presentes no casamento de D. Pedro II de Portugal (a par do Conde da Atalaya), apresentando-se então com mais de "150 lacaios". Nessa ocasião lançou em praça moedas preciosas de ouro e prata como quem ceifava trigo, e anos depois ainda estava a pagar essa prodigalidade.
Era seu irmão o grande Príncipe-Grão-Mestre da Ordem Soberana e Militar de Malta, D. António Manuel de Vilhena, um dos mais importantes na história da Ilha de Malta. Mandou construir o Forte Manuel e o Teatro Manuel na capital Valeta, o Palácio Vilhena na velha capital Mdina, etc., tendo dado o seu nome igualmente ao Burgo Vilhena fora das muralhas da capital. Por estas e outras construções as armas da família são hoje uma vista comum nessas paragens. Floriana em Malta foi criada em homenagem a seu pai o Conde de Vila Flor.
Foi seu filho D. Sancho Manoel de Vilhena, 2.º Senhor da Zibreira, Alcaide-Mor de Alegrete e Comendador de Santa Maria de Pernes, de S. Nicolau de Celorico de Basto, de Santo Adrião, de Penafiel, e de Santa Maria do Marmeleiro e ainda da comenda das Maças de D. Maria. Foi um dos convidados para a Sagração da Basílica de Mafra, foi cunhado de D. Luiz da Cunha e pai de D. Cristóvão Manoel de Vilhena, Senhor da Zibreira e da demais casa do seu pai, Tenente-General efectivo, Governador de Cascais casado com uma filha do Marquês de Pombal.
Martim de Sousa Meneses (1670–1733), 3.º Conde de Vila Flor.
A sua filha D. Mariana foi Camareira-Mor de D. Maria I e 1.ª Marquesa de Vila Flor.
Luís Manuel de Sousa e Meneses (1700–1752), 4.º Conde de Vila Flor, que usou o título, por mercê régia, ainda em vida de seu pai. António Francisco de Paula Manuel de Sousa e Meneses (1725–1791), 5.º Conde de Vila Flor, Marechal de Campo, Governador de Pernanbuco. António de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha (1765–1795), 6.º Conde de Vila Flor.
Foi governador do Maranhão.
António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha (1792–1860), 7.º Conde de Vila Flor de juro e herdade a 6 de Março de 1795, foi elevado a 1.º Marquês de Vila Flor (1827, confirmado por Carta de 14 de Janeiro de 1833) e 1.º Duque da Terceira (8 de Novembro de 1832), com Honras de Parente do Rei. Morreu sem descendência. Morou no Palácio de São João da Praça.
Foi Marechal do Exército e herói das Guerras Liberais e foi por quatro vezes Presidente do Conselho de Ministros.
Foi o vencedor da Batalha da Asseisseira, entrou em Lisboa dia 24 de Julho e assinou em nome de D. Pedro IV de Portugal a Convenção de Évora Monte. Teve a excepcional honra de ser sepultado no panteão real.
D. Cristóvão da Costa Freire Manoel de Vilhena de Saldanha, 8.º representante do título de Conde de Vila Flor e dos restantes títulos da Casa Vila Flor-Terceira e Alpedrinha-Pancas (sendo filho primogénito do Conde de Alpedrinha José Sebastião de Saldanha Oliveira e Daun, Juiz Conselheiro, com Honras de Conselheiro de Estado, Coronel, irmão do Duque de Saldanha e neto do Marquês de Pombal e de D. Leonor Manoel de Vilhena, senhora de casa). Foi Senhor de Pancas, Senhor da Zibreira e Alcaide-Mor de Alegrete, Ajudante de Campo de SM Rei D. Miguel, legitimista, Tenente-Coronel, Chefe da Junta Legitimista do Porto, grande proprietário como herdeiro dos diversos senhorios e morgados das Casas Vila-Flor e Pancas, um dos 40 maiores contribuintes de Lisboa. Morou no Palácio de Arroios. D. Salvador Manoel de Vilhena, Juiz Desembargador aposentado com Honras de Juiz Conselheiro, legitimista, 9.º representante do título de Conde de Vila Flor e dos restantes títulos das Casas Vila Flor-Terceira e Alpedrinha-Pancas, sg. Morou no Palácio de Arroios. D. Tomás Maria Martinho de Almeida Manoel de Vilhena, 8.º Conde de Vila Flor, autorização de D. Manuel II relativamente aos títulos da casa, 6.º neto do primeiro Conde e primo do anterior Duque, e sobrinho de D. Salvador (filho de D. Benedita Manoel de Vilhena e de D. Martinho de Almeida Portugal (da Casa dos Marqueses de Lavradio)). Morou no Palácio de Arroios e depois no Palácio Vila Flor à Costa do Castelo.
Foi Governador Civil de Braga, Governador da Madeira, Chefe do Governo de D. Manuel II de Portugal no exílio, Senador, Grã-Cruz de Nossa Senhora da Conceição, Grande-Oficial de São Gregório Magno da Santa Sé e de Carlos III da Espanha, Cavaleiro de Honra e Devoção SMOM, Sócio correspondente da Academia de História de Madrid. Escritor, fez parte do Orpheu colaborando no terceiro número.
D. Francisco Maria Martinho de Almeida Manoel de Vilhena, 9.º conde de Vila Flor, conde de Alpedrinha. Morou no Palácio Vila Flor à Costa do Castelo.
Foi professor do Instituto Superior de Agronomia, director da Estação Agronómica Nacional, Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção da Ordem de Malta, aí Presidente da Assembleia dos Cavaleiros, e campeão-nacional de espada em esgrima.
D. Maria Luísa da Conceição de Almeida Manoel de Vilhena, 10.ª Condessa de Vila Flor, Condessa de Alpedrinha, Duquesa da Terceira, Condessa de Azarujinha pelo casamento com Jaime Augusto Lasso de la Vega Dias de Freitas.
Foi escritora, Sócia Correspondente da Academia Brasileira de Ciências, Artes e Letras, assessora do Prof. Aníbal Cavaco Silva, na sua primeira legislação como primeiro-ministro, e candidata pela oposição monárquica em 1966, Dama de Honra e Devoção SMOM, Grã-Cruz do Mérito da Casa Real. Morou no Palácio Vila Flor à Costa do Castelo.
D. Francisco Xavier Manoel de Vilhena Dias de Freitas, 11.º Conde de Vila Flor, Conde de Azarujinha, Duque da Terceira, representante dos títulos de Marquês de Vila Flor e Conde de Alpedrinha, foi Cavaleiro Gran Cruz e S. Miguel da Ala.
Foi cavaleiro tauromáquico, tendo tirado a alternativa com Manuel Conde, apresentava-se como D. Francisco Azarujinha. Foi Presidente do Conselho de Administração da Ápis, SA, fábrica então da família. Morou no Chalet Azarujinha até à sua venda no final dos anos 80 e depois no Palácio Vila Flor à Costa do Castelo.