O Cruzeiro, inicialmente denominado Cruzeiro Novo, foi a moeda brasileira que circulou no período entre 15 de maio de 1970 e 28 de fevereiro de 1986.

Este padrão na verdade é a terminação da reforma monetária empreendida quando da aplicação do padrão cruzeiro novo, sendo que a diferenciação é que, por força da lei, a expressão "novo" e o "N", que antecedia o símbolo do cruzeiro (Cr$), foram suprimidos.

Se trata de um padrão que foi criado em virtude da perda de valor do Cruzeiro, moeda que estava em vigor desde 1942 e que sofreu enorme depreciação por conta do aumento da inflação ocorrido por conta da instabilidade política e das contas públicas em descontrole, sendo este um dos supostos fatores a levarem ao golpe de estado em 1964, que viria a resultar na Ditadura militar brasileira que perduraria até 1985.

História miniaturadaimagem|Cédula de 10 000 Cruzeiros do padrão anterior que com a mudança ostenta um carimbo do novo valor, 10 Cruzeiros Novos. Desde os anos 50, a inflação foi deteriorando fortemente a moeda brasileira, de forma que o antigo padrão cruzeiro perdia cada vez mais o seu valor, com tal processo se acelerando fortemente na primeira metade dos anos 60, se passando de um índice na faixa dos 25% ao ano para a faixa de 80 – 90% ao ano no biênio 1963–1964.

Em tal situação, as cédulas de 1 e 2 cruzeiros, lançadas para minimizar os problemas por conta da falta de metal para a produção de moedas na década de 1940 deixariam de ser emitidas em 1958. As moedas, compostas por um numerário de moedas de 10, 20 e 50 centavos, 1 e 2 cruzeiros tiveram alterações no tamanho, no desenho e na composição em 1956, deixando de ser emitidas em 1961, sendo que a partir de então o sistema monetário do país passaria a ser composto basicamente por cédulas de 5, 10, 20, 50, 100, 200, 500 e 1 000 cruzeiros, que viria a ter também a cédula de 5000 cruzeiros a partir de 1963.

Em 1964, os centavos, já sem valor na prática, foram extintos por força da lei nº 4.511 que previa a substituição das antigas cédulas de valor até 500 cruzeiros por moedas, com a emissão de cédulas limitadas aos valores de 1 000, 5 000 e do ainda não lançado valor de 10 000 cruzeiros.Lei nº 4511 de 1º de dezembro de 1964 - Dispõe sobre o meio circulante e dá outras providências

Em 1965, foi criado o Banco Central do Brasil e por ele foram lançadas as moedas de 10, 20 e 50 cruzeiros.

As duas primeiras moedas eram de alumínio, apresentavam dimensão similar as antigas moedas de 1 e 2 cruzeiros emitidas entre 1942 e 1956, tendo o mesmo anverso de tais moedas, trazendo no reverso os valores 10 e 20 sobrepostos pela palavra cruzeiros tendo abaixo o ano de emissão das moedas. A última foi uma pequena moeda de cuproníquel que trazia no anverso a imagem decorativa da república (similar a que viria a ser colocada nas moedas de 1, 2, 5, 10, 20 e 50 centavos emitidas entre 1967 e 1979) e a denominação "República dos Estados Unidos do Brasil, enquanto que apresentava a esquerda do valor de 50 cruzeiros e da data de emissão um ramo de café, modelo que seria similar ao aplicado na futura moeda de 1 cruzeiro que seria emitida a partir de 1970, que traz o ramo de café a direita do valor.

Tais moedas não foram bem aceitas pela população e o projeto das moedas de 100 e de 200 cruzeiros (similar ao da futura moeda de 20 centavos, só que com a ilustração a esquerda do valor), que viriam a ser lançadas em 1966 foram suspensos, com tais moedas nunca circulando.

No final de tal ano, foi estabelecido o decreto-lei nº 1Decreto-lei nº 1 de 13 de novembro de 1965 - Institui o Cruzeiro Novo e dá outras providências que estabelecia até o final de 1967 a mudança da moeda para cruzeiro novo, com paridade estabelecida de 1 cruzeiro novo para 1 000 cruzeiros então circulantes e restabelecia o centavo, já com o objetivo de preparar a Casa da Moeda do Brasil para a emissão das cédulas do novo padrão, dado que as cédulas até então eram produzidas majoritariamente no exterior pela American Bank Note Company e pela Thomas de la Rue.

Em 1966, foi finalmente lançada a cédula de 10 000 cruzeiros prevista na lei nº 4.511, com a imagem de Santos Dumont no anverso e com o voo do mesmo no 14-bis apresentado no reverso, sendo essa a última cédula a ser lançada no antigo padrão cruzeiro.

No mesmo ano foi realizado um concurso para definir o design gráfico das cédulas do cruzeiro novo, certame cujo vencedor foi Aloísio Magalhães com as cédulas do Padrão moiré, com desenhos voltados justamente a dificultar as falsificações.

Implantação do Cruzeiro Novo

Em fevereiro de 1967,Resolução CMN nº 47 de 8 de fevereiro de 1967 a denominação cruzeiro novo passou a ser transitoriamente a denominação do padrão monetário do Brasil e começaram a ser colocadas em circulação novas cédulas transitoriamente com um carimbo circular apresentando os dizeres "Banco Central" na parte superior do circulo externo do carimbo e o valor numérico no círculo interno, além da denominação em centavos ou cruzeiros novos da cédula na parte inferior do círculo externo do carimbo, se fazendo a transição das cédulas então circulantes para o novo padrão.

Foram carimbadas cédulas de 10, 50 e 100 cruzeiros emitidas pela Thomas de La Rue, 500, 1 000, 5 000 e 10 000 cruzeiros emitidas pela American Bank Note Company, sendo que a partir de 1968 foram emitidas também com o carimbo as cédulas de 10 000 cruzeiros emitidas pela Thomas de La Rue.

Em fevereiro de 1968, as moedas do antigo padrão cruzeiro foram desamoedadas, perdendo o seu valor legal e em agosto do mesmo ano foram colocadas em circulação as novas moedas, com valores de 1, 2, 5, 10, 20 e 50 centavos, com equivalência respectivamente as antigas cédulas de 10, 20, 50, 100, 200 e 500 cruzeiros.

Enquanto isso, eram feitos investimentos no parque gráfico com vistas a preparar a Casa da Moeda do Brasil para permitir que a instituição pudesse atender a demanda pelas novas cédulas que viriam a ser lançadas com os valores de 1, 5, 10, 50 e 100 cruzeiros já sem a palavra "novos", cédulas estas que começaram a ser colocadas em circulação em maio de 1970,Resolução CMN nº 144 de 31 de março de 1970 - Texto original a despeito de inicialmente se prever o lançamento das novas cédulas para até o final de 1967.

Por conta dos problemas de natureza logística, as cédulas antigas demoraram um pouco a começarem a ser retiradas de circulação, sendo que as cédulas antigas de 10, 20, 50 e 100 cruzeiros (1, 2, 5 e 10 centavos) tiveram sua perda de valor estabelecida para 1º de outubro de 1970, mas tiveram a sua validade estendida para 30 de junho de 1971Resolução CMN nº 155 de 10 de setembro de 1970 e depois para 30 de junho de 1972,Resolução CMN nº 187 de 20 de maio de 1971 só perdendo o valor nessa data. As cédulas antigas de 200, 500 e 1 000 cruzeiros (20 centavos, 50 centavos e 1 cruzeiro novo) perderam a validade no dia 30 de junho de 1973Resolução CMN nº 217 de 23 de março de 1972 e as cédulas antigas de 5 000 e 10 000 cruzeiros (5 e 10 cruzeiros novos) tiveram a sua validade inicialmente limitada a 30 de junho de 1974,Resolução CMN nº 258 de 17 de maio de 1973 mas a cédula antiga de 10 000 cruzeiros (10 cruzeiros novos) teve sua validade estendida até 30 de junho de 1975.Resolução CMN nº 287 de 16 de maio de 1974

Cédulas

Inicialmente as cédulas foram compostas por cédulas do antigo padrão carimbadas pelo Banco Central com o valor em cruzeiros novos que foram emitidas entre 1966 e 1968 e lançadas em circulação a partir de 1967 e três famílias de cédulas emitidas principalmente pela Casa da Moeda do Brasil e colocadas em circulação pelo Banco Central entre 15 de maio de 1970 e 28 de fevereiro de 1986 já com novos modelos e com a redenominação para Cruzeiro concluída.

Provisórias

Foram emitidas na transição da antiga moeda para a nova as cédulas do antigo padrão cruzeiro nos valores de 10, 50 e 100 cruzeiros emitidas pela Thomas de la Rue que receberam os carimbos por parte do Banco Central nos valores de 1, 5 e 10 centavos respectivamente.

Além disso, foram emitidas também para a transição monetária cédulas também do antigo padrão cruzeiro nos valores de 500, 1 000 e 5 000 cruzeiros emitidas pela , com carimbos com os valores de 50 centavos, 1 cruzeiro novo e 5 cruzeiros novos respectivamente.

Foram emitidas também as recém-lançadas cédulas de 10 000 cruzeiros com o carimbo de 10 cruzeiros novos por parte das duas empresas emissoras, sendo que apenas uma pequena parte das cédulas emitidas na primeira estampa pela American Bank Note Company não foram carimbadas com os carimbos de equivalência no novo padrão.

Em parte das cédulas de emissão provisória, está presente a grafia errada "MINSTRO"https://www3.bcb.gov.br/mec-chancela/?Familia=2&Denominacao=3 no lugar do termo "MINISTRO", sendo isso um ponto importante a ser notado nas cédulas de tal época, que foram emitidas em caráter emergencial.

As expressões "cruzeiro nôvo"grafia anterior a Reforma Ortográfica de 1971 e "cruzeiros novos" estão presentes somente nessa emissão provisória de cédulas carimbadas, sendo que a presença de tal termo em cheques, notas promissórias e outros documentos de tal época foi tão somente com vistas a preparar a transição da moeda antiga para a moeda nova, que viria a ser fabricada pela Casa da Moeda do Brasil e emitida pelo Banco Central do Brasil, sendo posta em circulação a partir de 15 de maio de 1970. Além disso, o símbolo da moeda em tal período (NCr$) já tinha em vista a simplificação para o símbolo usual do Cruzeiro (Cr$) passado o prazo de transição com a população acostumada com a contabilidade baseada na moeda nova.

As cédulas carimbadas com os valores de 1, 5 e 10 centavos vieram a perder o valor em 30 de junho de 1972, juntamente com as cédulas de valor equivalente e da cédula de 20 cruzeiros do antigo padrão que não vieram a ser carimbadas. Em 30 de junho de 1973, vieram a perder o valor as cédulas de 50 centavos e 1 cruzeiro novo, bem como as cédulas equivalentes e a antiga cédula de 200 cruzeiros que também não vieram a ser carimbadas. Em 30 de junho de 1974, o plano era retirar as antigas cédulas de 5000 e 10000 cruzeiros, incluindo aquelas com o carimbo de 5 e 10 cruzeiros novos respectivamente, mas as cédulas de 10000 cruzeiros (incluídas as carimbadas com o valor de 10 cruzeiros novos) vieram a perder o valor apenas em 30 de junho de 1975.

Concurso para as cédulas da 1ª família do Cruzeiro miniaturadaimagem|Cédulas que participaram do concurso de 1966 para escolha do padrão Cruzeiro (1970–1986). miniaturadaimagem|Projeto para a cédula de 1 Cruzeiro do participante Alexandre Wollner.

Em 1966, para o desenvolvimento da primeira família de cédulas que viria a ser emitida pela Casa da Moeda do Brasil e colocada em circulação pelo Banco Central do Brasil, foi realizado um concursoBRASIL, Museu de Valores do Banco Central do. O Museu de Valores do Banco Central do Brasil. São Paulo; Banco Safra S. A., 1988.pág 286 para a escolha da nova série de cédulas com a participação de vários Designers gráficos, entre eles: Alexandre Wollner, Waldir Gramado, Benedito de Araujo Ribeiro, Petrarca Amenta, Zélio Bruno da Trindade, Gustavo Goebel Wayne Rodrigues, Ludivico Martino.Nota: As regras do concurso pediam que cada artista participante do referido concurso usassem um pseudônimo. Assim cada um deles usou termos como Guará, Delta etc. O certame foi vencido por Aloísio Magalhães, cujo trabalho apresentado constitui uma renovação, mas considerando a cultura de emissão brasileira.

No modelo de Aloísio Magalhães, as cédulas de 1, 5, 10, 50 e 100 cruzeiros, passaram a ter tamanhos e cores diferentes, aumentando de tamanho conforme o valor nominal das mesmas.COLIN, Oswaldo. Brasil Através da Moeda. Rio de Janeiro; Centro Cultural Banco do Brasil, 1995.

1ª família miniaturadaimagem|Fôlder de 1970 divulgando a 1ª família das cédulas. miniaturadaimagem|esquerda|Cinco Cruzeiros da estampa B (1973 - 1980) da primeira família do padrão.