Fundação thumb|180px|Henrique Poppe, um dos fundadores do Internacional. A história tradicional coloca os comerciários vindos de São Paulo, José, Luiz e Henrique Poppe como os principais responsáveis pela criação do Sport Club Internacional.Pesquisa indica uma nova história da fundação do Inter

Porém, não reside nos irmãos Poppe os alicerces que precederam e deram cabo na fundação de um clube com a complexidade do Internacional, sendo o irmão Henrique é o único envolvido ativamente na fundação do clube. Os Poppe, enquanto migrantes vindos do estado de São Paulo (estado) no ano de 1901, se estabeleceram rapidamente como membros frutíferos da comunidade e Henrique em pouco tempo se torna um personagem conhecido como jornalista prolífico e um mobilizador político atuante, trabalhando em veículos como o jornal A Federação ligado ao Partido Republicano Rio-Grandense, e também colaborando com os jornais da comunidade afro-riograndense da época, como o jornal O Exemplo,.

O contexto em que Poppe e as outras dezenas de pessoas que acabaram originando o clube envolve o contexto do lugar e do tempo a qual ele se passava, Anos antes da fundação do clube, e com a já existência do futebol em terras gaúchas e porto-alegrenses (dentre eles o Fussball Club Porto Alegre e igualmente o clube que se tornaria o notório rival, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, ambos os clubes ligados aos setores da alta burguesia local e essencialmente clubes da colônia germânica) o grupo que se tornaria o coletivo que fundou o S.C. Internacional já se reunia em locais do Centro Histórico de Porto Alegre e principalmente no bairro Cidade Baixa (Porto Alegre). O grosso do grupo eram estudantes secundaristas, a maioria vinda do interior do estado, cujos pontos de encontro eram locais da região da Cidade Baixa (em especial da regiao do Areal da Baronesa) e notoriamente o estúdio de fotografia de Júlio Calegari, em frente ao Porto de Porto Alegre.

Esse grupo de jovens rapazes e algumas moças - cuja idade girava em torno de 16 até 20 anos de idade - habitavam o centro histórico e partes da atual Cidade Baixa, e esse se torna o primeiro elo do Internacional, antes mesmo de sua fundação, com a comunidade negra riograndense, pois estes jovens frequentavam e criaram elos com os espaços ancestrais da citada comunidade. Não por acaso o clube, em sua aurora, e também pela ligação com o carnaval da cidade, foi amplamente recebido e adotado como um representante da comunidade afro-riograndense em uma época em que havia ampla segregação de espaços na cidade.

A reunião de fundação foi marcada para o dia 4 de abril de 1909, na avenida Redenção nº 141 (hoje avenida João Pessoa, 1025 - em frente à José Bonifácio), na casa de João Leopoldo Seferin. O número de interessados surpreendeu, teriam sido cerca de 40 pessoas, entre as quais estavam comerciários, estudantes, funcionários públicos, trabalhadores do cais do porto e (de acordo com historiadores) também pessoas da comunidade afro-riograndense, na época uma atitude de extrema coragem e que gerou inclusive discussões internas no evento. Todos se mantiveram na reunião, e ali estava sendo lançada a semente que se tornaria o clube.

Por anos aparecia o mito de que os Poppe tentaram ingressar no rival, o Grêmio - e que teriam fundado o Internacional por despeito após serem rechaçados. E essa hipótese, da mesma forma que o mito de que o Internacional seria um clube fundado por italianos em oposição ao germanismo do rival, se mostra falsa na medida que os irmãos Poppe sabiam do caráter germanista do clube em questão e de não existir qualquer registro ou relato de que houve tal intenção.

Primeira diretoria A primeira diretoria colorada foi escolhida em uma reunião na noite de 11 de abril de 1909. Como primeiro presidente, foi escolhido o dono da casa, João Leopoldo Seferin, de apenas dezessete anos. Mas o presidente de honra tinha que ser mais velho e com prestigio indiscutível na cidade. E assim ocorreu. Foi escolhido para o cargo o Chefe do Asseio Público da Intendência Municipal e líder político distrital, capitão Graciliano de Faria Ortiz, que também era sogro do jovem orador Henrique Poppe Leão. O Internacional foi fundado por uma audição majoritariamente jovem, com menos de 20 anos, das mais diversas etnias e classes sociais.

Importante notar que o Internacional nasce de uma mescla de pessoas muito jovens - o primeiro presidente sendo menor de idade pelos parâmetros atuais - e alguns patronos como o Capitão Gracilliano Ortiz. Naturalmente, o futebol no começo do século XX era um esporte extremamente elitizado, e a figura tanto de Ortiz quanto de Poppe - membros já notórios da comunidade porto-alegrense - serviram como um chamariz e um elemento balizador da nova instituição.

A origem do nome, uma distorção histórica No começo do século XX muitos clubes eram identificados com colônias de imigrantes de determinada etnia ou nacionalidade, por exemplo, o Palestra Itália paulista, em relação aos italianos e o Vasco da Gama, em relação ao imigrantes portugueses. Já o nome "Internacional" identificava diversos clubes que não eram fechados para grupos étnicos, entre eles o Sport Club Internacional (São Paulo), que havia sagrado-se Campeão Paulista de 1907 e que talvez tenha inspirado o nome do colorado.

Entretanto, durante a Segunda Guerra Mundial, houve diversas perseguições aos imigrantes alemães e italianos, países contra os quais o Brasil estava em Guerra. Nessa onda de nacionalismo, o Palestra Itália de São Paulo mudou de nome passando a se chamar "Palmeiras", enquanto o homônimo de Minas Gerais se tornou "Cruzeiro". Plantou-se na imprensa a tese de que o Internacional fora fundado por italianos e que seu nome era em homenagem à Internazionale de Milão. Ocorre que o clube milanês foi fundado apenas um ano antes do Internacional e só havia jogado duas partidas, numa época em que os recursos de comunicação eram bastante precários, ainda mais tratando de apenas mais um entre os milhares de clubes para a prática de futebol que surgiam naquele período no Brasil e no Mundo. Além disso, a família Poppe, que chegou em Porto Alegre em 1901, seria de origem holandesa tendo diversos antepassados no Estado de Pernambuco.

Há uma corrente antiga que comenta que o nome Internacional seria, na época, como um flerte com o Comunismo, ou também com a ideia de Internacionalismo que existia com força no seio da comunidade estudantil no período. Essa hipótese era tomada como verdade pelo ex-dirigente e político gaúcho Ibsen Pinheiro: Segundo ela, uma instituição que havia sido pensada, fomentada por tantos anos, não teria um escolha de nome tão pueril quanto a homenagem a um clube paulistano relativamente irrelevante - ainda mais se tratando de uma platéia formada inteiramente por gaúchos, com a exceção de Poppe e um par de uruguaios (entre eles, Florêncio Ygartua). Como nota o pesquisador Tiago Vaz e também o falecido dirigente, há um nítido sentido político em se fundar um clube democrático, aberto para todos, e obviamente uma forma de desafiar o status-quo do esporte na época, que eram os clubes étnicos de origem burguesa, como o que se tornaria seu histórico rival.

Escolha das cores Após a criação do clube, na terceira reunião foram escolhidas as cores vermelho e branco.

Todos os jovens que ali estavam também apreciavam o carnaval porto-alegrense e se dividiam entre os Venezianos, de cores vermelho e branco e a Sociedade Esmeralda, de cores verde e branco. Os Venezianos eram maioria nesta reunião e assim o vermelho e branco ficou sendo a cor do novo clube, embora os Poppe quisessem ainda acrescentar o preto, em homenagem à bandeira de São Paulo , opção que historicamente não possui qualquer lastro histórico e que, especialmente na década de 30 na comemoração do centenário da Guerra dos Farrapos (onde o sentimento de gauchismo, ou pertencimento, estava aflorado) foi aclamada e utilizada como forma de tornar o clube "menos gaúcho" que o rival.

O torcedor do Internacional é chamado de "colorado", em menção a cor vermelha da camisa do time.

Há uma questão fundamental na formação do clube nessa reunião: aqui ocorre a primeira cisão que se tornaria uma marca permanente no Internacional. Os representantes da sociedade Esmeralda se colocam como um grupo presente minoritariamente dentro do clube, uma corrente cujo lastro histórico não sabemos o quão longo foi mas que pode ter laços inclusive com o antigo presidente Antenor Lemos dos anos 1920. Essa presença formaria no decorrer dos anos o espírito institucional do clube: amplamente democrático, ferrenhamente disputado, às vezes até mesmo a exaustão.

Primeiro uniforme O primeiro uniforme do Internacional foi feito por Humbertina Fachel, irmã de dois fundadores do clube. A camisa possuía listras verticais simétricas vermelhas e brancas, gravatas nas duas cores, calções brancos e meias pretas.

Logo depois do insucesso contra o Grêmio, alguns meses após a fundação, e com a demissão do primeiro presidente, o Internacional adotou aquele que viria a ser seu uniforme atual: camisas vermelhas, escudo na altura do coração, frisos brancos nas mangas e golas, calções e meias pretas (hoje brancas).

Depois, vários modelos apareceram: a camiseta branca com uma faixa diagonal vermelha; a camiseta totalmente branca, calções e meias vermelhas; meias cinzas. Além disso, os uniformes de treinamento também sofreram alterações, ultimamente aderindo às cores dourada, além do cinza.

Primeiro distintivo O primeiro distintivo do Sport Club Internacional era formado com as iniciais - SCI - bordadas em vermelho sobre fundo branco, sem a borda também vermelha que apareceu logo em seguida. Foi na década de 1950 que aconteceu a inversão, com a combinação de letras passando a ser branca sobre fundo vermelho.

Em 1977 são acrescentadas duas estrelas em cima do escudo, em referência aos dois títulos brasileiros. Em 1979, uma nova estrela envolta em louros é adicionada, para lembrar o tri-campeonato invicto. Em 1992, com a conquista da Copa do Brasil, o escudo passa a ser adornado com quatro estrelas. Ao vencer a Copa Libertadores da América, em 2006, uma quinta estrela é colocada sobre as outras. Em virtude da conquista da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, o escudo do Internacional passou por uma reformulação. O clube ostentava 6 estrelas no peito: três do Campeonato Brasileiro, uma da Copa do Brasil, uma da Copa Libertadores da América e outra da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, as quais foram substituídas pela tríplice coroa, que é composta das conquistas da Copa Libertadores da América, Copa do Mundo de Clubes da FIFA e Recopa Sul-Americana e por dois ramos de louro na base do escudo representando o título brasileiro de 1979, sendo este de forma invicta. No ano do centenário do clube, optou-se por uma forma mais limpa, com o distintivo ganhando uma borda com os dizeres "S.C. Internacional 1909", eliminando outros acréscimos.

Primeiras partidas O Internacional realizou seus primeiros treinamentos já no primeiro mês de fundação, em abril de 1909, num terreno da Rua Arlindo, na Ilhota. Mas o time nem chegou a jogar ali, ficando no local apenas um ano, pois as inundações eram frequentes. Atualmente neste local fica a Praça Sport Club Internacional no bairro Azenha.

Para marcar definitivamente a rivalidade entre os dois maiores clubes do Rio Grande do Sul, os dirigentes do clube convidaram o Grêmio (já com seis anos de experiência) para disputar o primeiro clássico Grenal da história. No dia 18 de julho do mesmo ano, o Internacional realizou sua primeira partida, no estádio do Grêmio (Baixada), situado no Bairro Moinhos de Vento. O resultado não poderia ser pior para o Inter, que com apenas três meses de fundação, perdeu por 10 x 0 para o Grêmio.