A Rodovia Transamazônica, também denominada como BR-230, é uma rodovia federal transversal do Brasil, com extensão implantada de 4 260 km ( quilômetros incluindo os trechos não construídos). Inspirada em uma proposta de Euclides da Cunha,Diário do Congresso Nacional, ano XV, nº 67, 11 de julho de 1970, p. 3068. foi criada durante o Governo Emílio Médici, sendo uma das obras inacabadas devido às suas proporções enormes, realizadas durante o período da ditadura militar. Ao extremo leste (na região Nordeste), se inicia na cidade de Cabedelo, no estado da Paraíba; ao extremo oeste (na região Norte), na cidade de Lábrea, no estado do Amazonas.
História thumb|left|Vídeo do Fundo Agência Nacional, em que Médici aparece na inauguração de uma placa que marca o início da construção da rodovia em Altamira (PA) e trechos da rodovia são mostrados.
A Rodovia Transamazônica foi planejada para integrar melhor o Norte brasileiro com o resto do país, tendo seu traçado baseado em uma passagem do livro À Margem da História de Euclides da Cunha, publicado no Brasil apenas em 1967, que argumentava que a única maneira de conquistar e ocupar a Amazônia era cortando transversalmente os vales dos rios.
Foi inaugurada em 27 de agosto de 1972, ainda inacabada e faltando vários trechos a serem asfaltados. Inicialmente projetada para ser uma rodovia pavimentada com 8 mil quilômetros de comprimento, conectando as regiões Norte e Nordeste do Brasil com o Peru e o Equador, não sofreu maiores modificações desde sua inauguração. Depois o projeto foi modificado para 4 977 km até Benjamin Constant, porém a construção foi interrompida em Lábrea totalizando 4 260 km.
Os trabalhadores ficavam completamente isolados e sem comunicação por meses. Alguma informação era obtida apenas nas visitas ocasionais a algumas cidades próximas. O transporte geralmente era feito por pequenos aviões, que usavam pistas totalmente precárias.
Por não ser pavimentada, o trânsito na Rodovia Transamazônica é impraticável nas épocas de chuva na região (entre outubro e março). Os genocídios e desmatamento em áreas próximas à rodovia são um sério problema ocasionado por sua construção e é muito criticado pelos povos indígenas e ambientalistas.
Características miniaturadaimagem|Monumento que marca o início da construção da Rodovia Transamazônica, conhecido como “Pau do Presidente”, Altamira (PA), em foto de 1972.|esquerda A BR-230 ou Transamazônica é uma rodovia transversal, considerada a terceira mais longa rodovia do Brasil, com 4 260 km de extensão, ligando cidade portuária de Cabedelo na Paraíba ao município de Lábrea, no Amazonas cortando algumas das principais cidades do estado do Pará: Marabá, Altamira e Itaituba. Na Paraíba representa o principal eixo de circulação de pessoas e mercadorias entre seus municípios, tendo como referencial o porto de Cabedelo e as cidades de João Pessoa, Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras, os maiores polos econômicos do estado. Percorre o solo paraibano por 521 km, com boa condição de tráfego até a divisa com o estado do Ceará.
O segmento de 147,6 quilômetros de extensão entre Cabedelo - onde se encontra o seu marco 0 - e Campina Grande, passando pela Grande João Pessoa e outros municípios, foi duplicado no governo FHC. É esperado uma duplicação adicional entre os municípios de Campina Grande e Cajazeiras.
Próximo à cidade de Altamira, no Pará, localiza-se o monumento Pau do Presidente, inaugurado em 27 de setembro de 1972. O monumento tanto o início da construção da Rodovia Transamazônica, celebrada em 9 de outubro de 1970, quanto a entrega do primeiro trecho construído.
Desmatamento e conservação
thumb|right|200px|Ministério da Infraestrutura retoma obras de pavimentação na Transamazônica em 2019
A construção de vias e rodovias é apontado como uma das grandes causas diretas do desmatamento no Brasil, assim como facilitam o transporte de madeira ilegal, grilagem e garimpagem. Imagens de satélite mostram como ruas aumentam o desmatamento. Vias de acesso perpendiculares à BR-230 permitem penetração profunda às matas locais. Originalmente, as rodovias foram abertas para abrir acesso à agricultores pelos colonos da região, o governo cunhou o lema "terra sem homens para homens sem terras" para descrever o desenvolvimento da região amazônica. No entanto, madeireiros usaram as rodovias para desmatar mais áreas das redondezas.
Várias unidades de conservação estão sendo criadas ao longo da rota da rodovia em um esforço para reprimir desmatamentos e para o manejo sustentável das florestas, com o uso da Gestão florestal, ramo da engenharia florestal. Na região oeste que vai de Lábrea à Humaitá, um parque totalmente protegido, o Parque Nacional Mapinguari, que está ao sul da rodovia e o uso sustentável da Floresta Nacional de Balata-Tufari que se encontra ao norte. À leste de Humaitá a Floresta Nacional de Humaitá está ao sul da rodovia, com o Parque Nacional dos Campos Amazônicos e o Parque Nacional do Juruena.
Percurso A partir do km 0 em Cabedelo (PB), algumas das cidades localizadas às margens ou próximas à BR-230 são as seguintes:
thumb|Início da Transamazônica em Cabedelo thumb|Trecho da rodovia em João Pessoa, entre os quilômetros 17 e 18 Cabedelo - Ponto extremo Leste João Pessoa - Interseção com a BR-101 Acesso ao Recife (Pernambuco) Bayeux Santa Rita - Interseção com a BR-101 Acesso a Natal (Rio Grande do Norte) Cruz do Espírito Santo Sobrado Caldas Brandão Gurinhém Mogeiro Ingá Riachão do Bacamarte São Miguel de Taipu Massaranduba Campina Grande - Interseção com a BR-104 Acesso a Caruaru, com a BR-408 e com a BR-412 Soledade Juazeirinho Junco do Seridó Santa Luzia São Mamede Patos Interseção com a BR-110 e BR-361 Malta Condado São Bentinho Interseção com a BR-426 Pombal Interseção com a BR-427 Aparecida Sousa Marizópolis Interseção com a BR-405 Cajazeiras Bom Jesus
Ipaumirim Interseção com a BR-116, acesso a Fortaleza Lavras da Mangabeira Várzea Alegre Farias Brito Assaré Antonina do Norte Campos Sales
Fronteiras Acesso a Marcolândia Vila Nova do Piauí Campo Grande do Piauí Acesso a Santo Antônio de Lisboa Picos Dom Expedito Lopes Acesso a Teresina São João da Varjota Oeiras Nazaré do Piauí Acesso a Amarante Floriano
Barão de Grajaú São João dos Patos Orozimbo, pertencente ao município de Paraibano e acesso à BR-135 levando à capital São Luís Pastos Bons São Domingos do Azeitão Acesso à Loreto (pela MA-373) São Raimundo das Mangabeiras Balsas Riachão Carolina Estreito
Aguiarnópolis Nazaré/Santa Terezinha do Tocantins (a 2 e a 3 km da rodovia, respectivamente) Luzinópolis Cachoeirinha (a 2 km da rodovia) São Bento do Tocantins Araguatins (a 8 km da rodovia) Acesso pela TO-010 no povoado Transaraguaia Travessia sobre o Rio Araguaia
miniaturadaimagem|Rodovia Transamazônica duplicada em Marabá no Pará miniaturadaimagem|Rodovia Transamazônica entre Rurópolis e Uruará, Pará Palestina do Pará (centro da cidade a 6 km da rodovia) Brejo Grande do Araguaia (a 2 km da rodovia) São Domingos do Araguaia (a 4 km da rodovia) Marabá Acesso a Belém (Pará) Acesso a Palmas (Tocantins) Acesso a Goiânia (Goiás) Acesso a Brasília, capital federal Acesso a Parauapebas, a Xinguara e a Redenção pela BR-155 Itupiranga Novo Repartimento Acesso a Tucuruí pela BR-422 Pacajá Anapu Travessia sobre o Rio Xingu Altamira Acesso a Vitória do Xingu pela PA-415 Brasil Novo Medicilândia Uruará Placas Rurópolis Acesso a Belterra e a Santarém pela BR-163 (Rodovia Cuiabá-Santarém) Campo Verde (distrito do município de Itaituba) Acesso a Trairão, a Novo Progresso e a Cuiabá (MT) pela BR-163 Itaituba Travessia sobre o Rio Tapajós Jacareacanga (a 7 km da rodovia) alt=Labrea-AM|miniaturadaimagem|259x259px|Labrea-AM
Maués Apuí Novo Aripuanã Manicoré Humaitá Acessos a Porto Velho (RO) e a Manaus pela BR-319 Canutama Lábrea
Galeria
Ver também BR-163 Rodovia Cuiabá-Santarém
Ligações externas
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