Este é um resumo da lista de cantos da Odisseia, poema épico de Homero (século VIII a.C.).
São usados os nomes gregos e não os nomes latinos dos deuses e personagens, porque a obra é grega. Assim usa-se Odisseu em vez de Ulisses, Zeus em vez de Júpiter, Atena em vez de Minerva (em algumas versões, Palas Ateneia), Hermes em vez de Mercúrio, etc.
Canto I Invocação à musa. Assembleia dos deuses. Exortação de Atena a Telémaco. Festim dos pretendentes. Prólogo e invocação à musa.
Odisseu está retido na Ilha de Calipso. Os deuses, na ausência de Poseidon (que odeia Odisseu), reúnem-se em concílio e decidem que Odisseu deverá voltar à sua terra natal (Ítaca). Atena disfarça-se de mendigo e vai falar com Telémaco para que este parta em busca de novas de seu pai. Os pretendentes de Penélope estão em festim, abusando da hospitalidade da casa.
Canto II Assembleia dos itacenses. Telémaco parte em procura do pai Telémaco convoca a assembleia de Ítaca para que lhe aparelhem um barco para poder ir em busca de alguma notícia de seu pai. Discurso de Aegipo. Telémaco queixa-se do comportamento dos pretendentes. Antinous replica culpando Penélope. Telémaco replica e invoca a ajuda de Zeus. Eurímaco replica-lhe.
Disfarçada de Mentor, Atena, aparece a Telémaco e promete-lhe ajuda e acompanhamento. Telémaco vai a casa, pede a Euricleia que lhe prepare provisões para a viagem. Atena providencia um barco e ambos partem (Telémaco e Atena).
Canto III Estadia de Telémaco em Pilo Em Pilo, Telémaco fala com Nestor. Nestor narra a Telémaco a viagem de volta da Guerra de Troia, mas nada sabe sobre o paradeiro de Odisseu. Emprestam, então cavalos a Telémaco para sua viagem, é acompanhado por Pisístrato, filho de Nestor. Atena desaparece.
Canto IV Estada de Telémaco na Lacedemónia (Esparta) Telémaco e Pisístrato chegam à Lacedemónia, terra de Menelau. Após narrar seu retorno de Troia diz que ouviu do Velho do Mar, Proteus, que Odisseu ainda estaria vivo em uma ilha. Em Ítaca os pretendentes planejam matar Telémaco durante sua volta. Atena aparece em um sonho para Penélope na forma de sua irmã, Iftima, para acalmá-la.
Canto V A ilha de Calipso. A jangada de Odisseu. Odisseu está preso na ilha da ninfa Calipso. Apesar de bem tratado Odisseu tem saudades da sua família.
Atena fala com Zeus acerca das mágoas de Odisseu. Hermes é enviado por Zeus para interceder junto de Calipso em favor de Odisseu. Hermes não encontra Odisseu na gruta de Calipso, este encontra-se junto ao mar olhando o infinito nostalgicamente. Hermes convence Calipso a libertar Odisseu. Ela lamenta-se porque o ama e lhe tinha prometido torná-lo num imortal. Concorda em lhe ajudar a fazer uma jangada. Odisseu, apesar de sua esposa (Penélope) ser uma mortal, quer ir ter com ela. Antes de partir na jangada, faz amor pela última vez com Calipso. Abandona a ilha depois de receber recomendações de Calipso (que vai usar quando for descer ao Hades).
Poseidon (o Netuno dos latinos) levanta uma tempestade para o fustigar. Ino avista-o no meio da tempestade apieda-se dele e vai em seu auxílio. Transformando-se em gaivota aparece-lhe e fala-lhe na proa da jangada. Dá-lhe um véu para o proteger. A jangada desconjunta-se,ele então estende o véu sobre o peito e põe-se a nadar.
Atena intercede para que os ventos se acalmem. Esteve dois dias e duas noites à deriva. Depois de conseguir não chocar com os rochedos atinge a praia a nado. Faz as preces ao espírito do rio. Deita-se na floresta cobrindo-se de folhas. Adormece num sono profundo providenciado por Atena.
Canto VI Chegada de Odisseu ao país dos Feácios. NausícaaOdisseu ( ou Ulisses ) está a dormir. Entretanto Atena entra num sonho de Nausícaa e diz-lhe para ir lavar a roupa ao rio. Quando Nausícaa acorda dirige-se ao rio com as servas para lavar a sua roupa nos lavadouros do rio. Atena induz Nausícaa e as servas a fazerem um jogo atirando uma bola umas às outras. Odisseu acorda. Questiona-se onde estará. Ele aproxima-se de Nausícaa, esta não foge dele, apesar de estar nu (Odisseu, enquanto nadava para terra, viu-se obrigado a libertar-se das armas e das roupas para estas não pesarem). Odisseu põe-se na posição do suplicante para Nausícaa. Ela acede-lhe gentilmente às súplicas. As servas de Nausícaa tratam de Odisseu, oferecem-lhe um manto e uma túnica, e óleo para ele untar o corpo depois de se banhar no rio. Depois dão-lhe comida e bebida. Nausícaa dá-lhe instruções para ele se dirigir ao palácio de seu pai (Alcínoo), para se atirar aos joelhos de sua mãe e suplicar-lhe ajuda. Se ele cair nas suas boas graças é certo que regressará a Ítaca porque os Feácios são ótimos construtores de barcos. No caminho passam por um bosque onde Odisseu dirige preces à deusa Atena.
Canto VII Entrada de Odisseu no palácio de AlcínooNausícaa chega a casa. Odisseu fica a rezar a Atena. Vai a caminho da cidade dos Feácios e encontra uma garota que não é mais do que Atena disfarçada. Odisseu pergunta-lhe onde fica o palácio de Alcínoo. Ela dá-lhe as indicações. Odisseu segue envolto numa nuvem providenciada por Atena para que os habitantes da Feácia não o vejam, porque estes são muito agressivos para com os estrangeiros. Odisseu fica maravilhado à porta do palácio, ele que anda há tanto tempo longe da civilização. Odisseu entra no palácio e lança-se aos pés de Areta. Suplica-lhe que o ajude a voltar a Ítaca. Senta-se humildemente na cinza e aguarda. Um velho, Euqueneu, toma a palavra e intercede por Odisseu. Alcínoo oferece a Odisseu o lugar de seu filho Laodamante. Oferecem-lhe comida. Oferecem-lhe estadia. Todos se vão deitar.
Canto VIII Odisseu no país dos FeáciosAlcínoo leva Odisseu até à Ágora, onde propõe que se ajude Odisseu a voltar para Ítaca. Os Feácios admiram a beleza de Odisseu. Seguem para o palácio. O aedo Demódoco é chamado e fica no meio da sala do palácio para recitar. Come-se. O aedo canta episódios da guerra de Troia. Odisseu, comovido, chora e cobre-se com um pano para não o verem. Só Alcínoo repara nisso. Saem todos para a rua. Vão começar os jogos. Na prova de corrida Clitonéo destaca-se. Na luta Euríadalo. No salto foi Anfíalo que se destacou. Laodamante questiona se Odisseu saberá algum jogo. Euríalo desafia-o com mais arrogância. Odisseu argumenta que não quer jogar, que está cansado, e que a única coisa que o preocupa é voltar a casa. Euríalo pica-o com soberba e alude que, se calhar, Odisseu não passa de um corsário dos mares. Odisseu fica irritado. Pega num disco e atira-o mais longe que algum Feácio poderia atirar. Atena, disfarçada de homem, lê a marca. Odisseu afirma que não recusa nenhuma prova, excepto com Laodamante que é seu anfitrião. Afirma que só tem receio de ser posto à prova na corrida porque está muito quebrado pelas desventuras e naufrágios no mar. Apaziguador, Alcínoo diz que as palavras de Odisseu são sábias e que os Feácios não são perfeitos no pugilato nem na luta, mas que são excelentes marinheiros, corredores, dançarinos e excelentes cantores. Mostram a Odisseu as artes do canto. Cantam o episódio picaresco de Afrodite a trair o seu marido Hefesto com Ares (Marte). Hálio e Laodamante dançam. Odisseu afirma ao anfitrião que nas artes da dança não há ninguém como os Feácios. Alcínoo diz a Euríalo para pedir desculpa a Odisseu pelas provocações de há bocado. Euríalo oferece uma espada a Odisseu. Alcínoo providencia uma arca com mais presentes para Odisseu. As servas lavam Odisseu e untam-no com óleo. Nausícaa e Odisseu fitam-se nos olhos; ela saúda-o, para que ele não se esqueça dela e que é graças a ela que ele foi salvo. No banquete, Odisseu oferece um pedaço de carne ao aedo Demódoco e gaba-lhe o canto. O aedo, inspirado, canta o episódio do cavalo de Troia. E Odisseu tem outro momento de grande choro. Outra vez só Alcínoo viu as lágrimas de Odisseu, e pergunta-lhe por fim: quem é, onde é a sua terra, e como foi parar ao país dos Feácios.
Canto IX Relatos de Odisseu (Cícones, Lotófagos, Ciclopes)Odisseu vira-se para o seu anfitrião, Alcínoo e diz-lhe que vai-lhe relatar as suas aventuras. Diz-lhe quem é e de onde vem (Odisseu, Ítaca). Vai contar a sua viagem desde que partiu de Troia. Aproximou-se dos Cícones que viviam na Trácia. Aí Odisseu e os seus saquearam a cidade apoderando-se das mulheres e das riquezas. Odisseu aconselhou os seus a se retirarem mas estes ficaram a beber o vinho e a degolar bois em abundância. Os Cíclones entretanto foram chamar reforços. Contra-atacaram, rechaçando os Aqueus. Em cada nau morreram seis dos de Odisseu. Fugiram e deixaram os companheiros mortos na praia.
Depois de nove dias de viagem arribam à terra dos Lotófagos (literalmente os comedores de lótus). Os companheiros de Odisseu queriam ficar com os Lotófagos a comer lótus que lhes provocava o esquecimento. Odisseu teve que obrigá-los a embarcarem. Chegam à terra dos Ciclopes. Aqui dá-se um dos episódios mais conhecidos da saga de Odisseu. Os ciclopes são homens gigantescos, que vivem sem lei e são trogloditas (vivem em cavernas). Odisseu, movido pela curiosidade, quer ver e falar com um ciclope. Os ciclopes são pastores de ovelhas. E Odisseu o chão e comeu-os. Quando Polifemo dorme, Odisseu pega na espada mas depois reconsidera porque não poderia depois abrir a entrada da gruta para sair. No dia seguinte, enquanto Polifemo estava com o rebanho fora, com os seus amigos prepara uma grande vara, afia-lhe a ponta e endurece-a ao lume. Polifemo volta e come mais dois Aqueus. Odisseu oferece-lhe vinho. Polifemo pergunta-lhe o nome ele responde eu sou "ninguém". Polifemo agradece-lhe o vinho e diz-lhe que, em retribuição da bebida, vai deixar Odisseu ser o último a ser comido. Depois, toldado pelo vinho, o gigante adormece. Então Odisseu e os seus camaradas espetam-lhe a grande lança no olho. Este levanta-se aos gritos. Aparecem outros Ciclopes lá fora a perguntar-lhe o que lhe aconteceu. Ele responde fui cegado. Eles perguntam: Por quem? Polifemo responde: Por "ninguém". No dia seguinte os Aqueus e Odisseu penduram-se por baixo das ovelhas. Assim, o Polifemo cego que agarra nas ovelhas uma a uma para as pôr para fora, e que as tacteia por cima, não se apercebe do estratagema. Fogem assim os que sobram para as naus ancoradas. Depois de levantarem ferro, Odisseu a alguma distância da costa grita injúrias a Polifemo cego. Este num acesso de raiva atira-lhes grandes pedregulhos que quase acertam nas naus
Canto X Relatos de Odisseu (Éolo. Os Lestrígones).Quando Odisseu chega à terra de Éolo, este, vendo que Odisseu era um homem de caráter elevado, dá-lhe um saco que continha todos os ventos que os podiam incomodar durante a sua viagem, mas com a condição de nunca o abrir. No entanto, a curiosidade dos companheiros aqueus foi maior e, enquanto Odisseu dormia, abriram o saco, de onde de facto saíram todos os maus ventos para a viagem, o que provocou uma violenta tempestade. Quando a tempestade acalmou, voltaram atrás para de novo pedir ajuda a Éolo, mas este recusou de novo a ajuda, uma vez que não foram cuidadosos. Logo Éolo deduz que estes viajantes não eram queridos pelos deuses e portanto não mereciam ajuda.