miniaturadaimagem|Uma das primeiras câmeras usadas pelos irmãos Auguste e Louis Lumière, pioneiros do cinema.|431x431px

A história do cinema nasce com o desenvolvimento de uma forma de arte visual criada com tecnologias cinematográficas que teve início no final do século XIX.

O surgimento do cinema como expressão artística não é claramente definido. Houve exibições cinematográficas "primitivas" como a primeira apresentação de imagens em movimento em tamanho real em 1894, em Berlim, por Ottomar Anschütz, no entanto, a exibição pública e comercial de dez curta-metragens dos irmãos Lumière em Paris, em 28 de dezembro de 1895, pode ser considerada o marco inicial do cinema. Os primeiros filmes eram em preto e branco, com menos de um minuto de duração, sem som gravado e consistiam em um único plano a partir de uma câmera fixa. Na primeira década, o cinema deixou de ser uma novidade para se tornar uma indústria de entretenimento de massa, com empresas de produção e estúdios estabelecidos em todo o mundo. Desenvolveram-se convenções rumo a uma linguagem cinematográfica geral, com a edição, os movimentos de câmera e outras técnicas cinematográficas assumindo papéis específicos na narrativa dos filmes

O primeiro filme exibido em 1895 foi L'Arrivée d'un train en gare de La Ciotat.

thumb|279x279px|"La Sortie de l'usine Lumière à Lyon", dos Irmãos Lumière.

O cinema baseia-se em projeções públicas de imagens animadas. O cinema nasceu de várias inovações que vão desde do domínio fotográfico até a síntese do movimento. A esta foi atribuída como causa a persistência da visão ou "persistência retiniana", por teóricos renomados e importantes. Mas o efeito de movimento do cinema não pode ser explicado pela "persistência retiniana", onde na verdade, acontece em nível neural, já posterior à fase da retina no processo de percepção visual. Hugo Münsterberg, psicólogo e um dos primeiros teóricos do cinema, já negava, em 1916, a possibilidade do efeito de movimento produzido no cinema resultar de fenômenos retinianos. Münsterberg acreditava (e estava certo) que tudo acontecia na fase neural do processo de percepção visual, e deu ao fenômeno o nome de "Phi" (Fenômeno phi). Dentre os jogos óticos inventados vale a pena destacar o thaumatrópio (inventado entre 1820 e 1825 por John Ayrton Paris), Fenacistoscópio (1828-1832) por Joseph-Antoine Ferdinand Plateau, zootrópio (em 1828-1832 por William George Horner), praxinoscópio (em 1877) e o Estroboscópio (1828-1832 por Simon von Stampfer). Em 1888, Charles-Émile Reynaud melhorou sua invenção e começou projetar imagens no Musée Grévin durante 10 anos.

Em 1876, Eadweard Muybridge fez uma experiência: primeiro colocou 12 e depois 24 câmeras fotográficas ao longo de um hipódromo e tirou várias fotos da passagem de um cavalo. Ele obteve assim a decomposição do movimento em várias fotografias e através de um zoopraxiscópio pode recompor o movimento. Em 1882, Étienne-Jules Marley melhorou o aparelho de Muybridge. Em 1888, Louis Aimée Augustin Le Prince filmou uma cena de cerca de 2 segundos mas a fragilidade do papel utilizado fez com que a projeção ficasse inadequada.

William Kennedy Laurie Dickson, chefe engenheiro da Edison Laboratories, inventou uma tira de celuloide contendo uma sequência de imagens que seria a base para fotografia e projeção de imagens em movimento. Em 1891, Thomas Edison inventou o cinetógrafo e posteriormente o cinetoscópio. O último era uma caixa movida a eletricidade que continha a película inventada por Dickson mas com funções limitadas. O cinetoscópio não projetava o filme.

thumb|367x367px|Programa da primeira exibição.

Baseado na invenção de Edison, Auguste e Louis Lumière inventaram o cinematógrafo, um aparelho portátil que consistia num aparelho três em um (máquina de filmar, de revelar e projetar). Em 1895, o pai dos irmãos Lumière, Antoine, organizou uma exibição pública paga de filmes no dia 28 de dezembro no Salão do Grand Café de Paris. A exposição foi um sucesso. Este dia, data da primeira projeção pública paga, é comumente conhecida como o nascimento do cinema mesmo que os irmãos Lumière não tenham reivindicado para si a invenção de tal feito. Porém, as histórias americanas atribuem um maior peso a Thomas Edison pela invenção do cinema, quando na verdade o que ele fez foi pegar pequenos vídeos e exibi-los em maquinas caça-níquel, e para não perder tal fonte lucrativa sempre foi contra a exibição dos filmes em grandes salas.

Os irmãos Lumière enviaram ao mundo, a fim de apresentar pequenos filmes, os primeiros registros como um início do cinema amador. "Sortie de l'usine Lumière à Lyon" (ou "Empregados deixando a Fábrica Lumière") é tido como o primeiro audiovisual exibido na história, sendo dirigido e produzido por Louis Lumière. Do mesmo ano, ainda dos irmãos Lumière o filme L'Arroseur Arrosé, uma pequena comédia. Menos de 6 meses depois, Edison projetaria seu primeiro filme, "Vitascope".

279x279px|Experiência de Eadweard Muybridge|miniaturadaimagem

Cinema mudo

O cinema mudo nasceu com os irmãos Lumière em 1895, revolucionando a forma de contar histórias. Filmes curtos sem som, com música ao vivo e atuações exageradas, capturaram a imaginação do público. "A Saída dos Trabalhadores da Fábrica Lumière" (1895) e "O Nascimento de uma Nação" (1915) são exemplos marcantes.

Georges Méliès, D.W. Griffith e Charlie Chaplin foram pioneiros, criando obras-primas como "A Viagem à Lua" (1902), "Metropolis" (1927) e "O Circo" (1928). Esses filmes inovadores estabeleceram o cinema como uma forma de arte popular.

O cinema mudo deixou um legado duradouro, influenciando gerações de diretores e consolidando o cinema como uma forma de expressão artística. Suas contribuições para a narrativa cinematográfica ainda são sentidas hoje.

Desenvolvimento e negócios

O ilusionista francês, Georges Méliès começou a exibir filmes em 1896, quando adquiriu uma "filmadora". Ele foi pioneiro em alguns efeitos especiais. Seu filme "Le Voyage dans la Lune" (ou "Viagem à Lua") de apenas 14 minutos foi provavelmente o primeiro a tratar sobre o assunto de alienígenas.

Edwin S. Porter que se tornou cameraman de Thomas Edison usou pela primeira vez a técnica de edição de imagens. Em seu filme "Life of an American Fireman" de 1903 é possível ver duas imagens diferentes mas que ocorreram simultâneamente, a visão de uma mulher sendo resgatada por um bombeiro e a mesma cena com a visão do bombeiro resgatando a mulher. Em "The Great Train Robbery" (1903), um dos primeiros westerns do cinema, o grande legado foi o "cross-cutting" com imagens simultâneas em diferentes lugares. Mas o mais importante em Porter, foi que o final do filme "The Great Train Robbery" teve que ser mudado, por motivos morais e éticos, visto que originalmente os bandidos se saiam bem no final, o que passava uma ideia de impunidade ao povo, se mostrava a partir dai, um cinema "educador".

O desenvolvimento de filmes fez crescer os nickelodeons, pequenos lugares de exibição de filmes onde se pagava o ingresso de 1 níquel, no qual se juntavam uma grande quantidade de pessoas, chamando a atenção da elite para o poder de influencia daquelas exibições. Os filmes também começaram a crescer em duração. Antes um filme durava de 10 a 15 minutos. Em 1906, o filme australiano "The Story of the Kelly Gang" tinha 70 minutos sendo lembrado até hoje como o primeiro longa-metragem da história do cinema. Depois do filme australiano, a Europa começou a produzir filmes até mais longos: "La Reine Élisabeth" (filme francês de 1912), "Quo Vadis" (filme italiano de 1913) e "Cabiria" (filme italiano de 1914), este último com 123 minutos de duração. thumb|esquerda|180px|Imagem do polêmico filme "The Birth of a Nation"

thumb|Alfonso Segreto, imigrante italiano que, em 1898, filmou cenas do porto do Rio de Janeiro, tornando-se um dos primeiros cineastas brasileiros. Ancoradouro de Pescadores na Baía de Guanabara (1897) dirigido por José Roberto da Cunha Salles foi o primeiro filme brasileiro.|325x325px

Em janeiro de 1914 foi exibido "Photo-Drama of Creation", um filme com mais de 8 horas de duração apresentado e narrado por Charles Taze Russell, fundador do movimento religioso dos Estudantes da Bíblia e da Sociedade Torre de Vigia. O Fotodrama consistia de um conjunto de slides com pinturas coloridas descrevendo o relato criativo bíblico desde a criação do Universo aos dias atuais, se prolongando pelos anos futuros do reino de Jesus, segundo as crenças de Russell. Foi o primeiro filme a incluir som sincronizado e imagens coloridas. O filme consistia em 96 gravações de pequenos discursos bíblicos, narrados por um locutor bem conhecido da época. Muitas cenas eram acompanhadas por música clássica. Operadores habilidosos usavam fonógrafos para tocar as gravações de música e voz, sincronizando o som com slides e filmes coloridos que encenavam histórias da Bíblia.IMDB article "Photo-Drama of Creation (1914), IMDB article "Trivia", Retrieved 2009-04-15American Movie Classics, "Timeline of Greatest Film History Milestones'..."1914", Retrieved 2009-04-15

thumb|Animação The Horse in Motion.|242x242px

Pelo lado americano, o diretor D. W. Griffith conseguia destaque. Seu filme, "The Birth of a Nation" (ou "O Nascimento de uma nação") de 1915, foi considerado um dos filmes mais populares da época do cinema mudo, causou polêmica por ser uma glorificação da escravatura, segregação racial e promoção do aparecimento da Ku Klux Klan. Já Intolerância (1916) ("Intolerance: Love's Struggle Throughout the Ages") é considerado uma das grandes obras do cinema mudo, apesar da grande massa não ter entendido a proposta de quatro historias simultâneas, achando o filme muito confuso.

Hollywood

thumb|"The Gold Rush" de Charlie Chaplin.|244x244px

Até esta época, Itália e França tinham o cinema mais popular e poderoso do mundo mas com a Primeira Guerra Mundial, a indústria europeia de cinema foi arrasada. Os EUA começaram a destacar-se no mundo do cinema fazendo e importando diversos filmes. Thomas Edison tentou tomar o controle dos direitos sobre a exploração do cinematógrafo. Alguns produtores independentes emigraram de Nova York à costa oeste em pequeno povoado chamado Hollywoodland, graças a Griffith, que já o sugeria. Lá encontraram condições ideais para rodar: dias ensolarados quase todo ano, diferentes paisagens que puderam servir como locações e quase todos as etnias como, negros, brancos, latinos, indianos, índios, orientais e etc, um "banquete" de coadjuvantes. Assim nasceu a chamada "Meca do Cinema", e Hollywood se transformou no mais importante centro da indústria cinematográfica do planeta. (VER: Cinema de arte)

Nesta época foram fundados os mais importantes estúdios de cinema (Fox, Universal Studios, Paramount) promovidos por judeus (Darryl Zanuck, Samuel Bronston, Samuel Goldwyn, etc.) que viam o cinema como um negócio. Lutaram entre si e às vezes para competir melhor, juntaram empresas assim nasceu a 20th Century Fox (da antiga Fox) e Metro-Goldwyn-Mayer (união dos estúdios de Samuel Goldwyn com Louis B. Mayer). Os estúdios encontraram diretores e atores e com isso nasceu o "star system", sistema de promoção de estrelas e com isso, de ideologias e pensamentos de Hollywood.

Começaram a se destacar nesta época comédias de Charlie Chaplin e Buster Keaton, aventuras de Douglas Fairbanks e romances de Clara Bow. Foi o próprio Charles Chaplin e Douglas Fairbanks junto a Mary Pickford e David Wark Griffith que acabaram criando a United Artists com o motivo de desafiar o poder dos grandes estúdios.

O cinema no mundo

thumb|"Das Cabinet des Dr. Caligari " (1919)|243x243px

Em alternativa a Hollywood existiam vários outros lugares que investiam no cinema de arte e contribuíam para seu desenvolvimento.